Escritor 08 – Manuel Bandeira

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Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu em 19 de Abril de 1886 em Recife.
Foi poeta, tradutor, professor e crítico de artes. Filho do engenheiro Manuel Carneiro de Souza Bandeira e de Francelina Ribeiro, abastada família de proprietários rurais, advogados e políticos.
Estudou no colégio Pedro II, quando morou no Rio de Janeiro e em 1904 mudou-se para São Paulo, onde cursou a Escola Politécnica. Devido à grande influência de seu pai, decidiu estudar arquitetura. Porém teve de interromper seus estudos ao ser diagnosticado com uma tuberculose. Buscou tratamento em várias cidades, entre elas Teresópolis (RJ), Petrópolis (RJ) e Campanha (MG). Mudou-se para o sanatório de Clavadel, na Suíça, a fim de continuar o tratamento. Lá conhece o poeta francês Paul Éluard e conversam sobre as inovações artísticas que vinham acontecendo na Europa.
Entre 1916 e 1920 perde a mãe, a irmã e o pai.  Em 1917 publica o seu primeiro livro chamado “A Cinza das Horas”, em uma edição de 200 exemplares, custeada por ele mesmo.
Numa reunião na casa de Ronald de Carvalho, em Copacabana, no ano de 1921, conhece Mário de Andrade. Em 1922, Manuel Bandeira e Mário de Andrade começam a trocar correspondências e criam uma forte amizade. Bandeira não participa da Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro em São Paulo, no Teatro Municipal. Na ocasião, porém, Ronald de Carvalho lê na abertura o poema “Os Sapos”, de seu livro  “Carnaval”.
Em 1940 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, sucedendo Luís Guimarães e em 1941 começou a fazer crítica de artes plásticas em A Manhã, no Rio de Janeiro.
Manuel Bandeira morreu no dia 13 de outubro de 1968.

Principais Obras:

A Cinza das Horas (1917)
Carnaval (1919)
Libertinagem (1930)
Estrela da Manhã (1936)

Opinião Pessoal: Meu interesse pela poesia vem crescendo cada vez mais. Se Leminski me introduziu ao prazer de ler poesia, por assim dizer, Manuel Bandeira é o responsável por me fazer amá-la cada vez mais. Seus versos livres fluem com bastante naturalidade e suas palavras são sutis e simples. Manuel Bandeira te faz sentir confortável com um livro dele em suas mãos. Sua linguagem coloquial nos faz sentir como se fôssemos amigos íntimos, ouvindo os versos de um maravilhoso poeta como se fizéssemos parte daquele mundo.
Como escritora, procuro sempre aprender mais, principalmente em relação à poesia. Diria que Bandeira é um ótimo professor, pois eu mesma senti diferença nos meus trabalhos a partir da leitura de seus poemas. Sua escrita me deixa inspiradíssima e eu sempre acabo por ler alguns de seus maravilhosos poemas com uma sensação de leveza e prazer dentro de mim.
Abaixo deixo um dos poemas que mais gosto de Bandeira:

Andorinha

Andorinha lá fora está dizendo:
— “Passei o dia à toa, à toa!”

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa . . .

Escritor 07 – Paulo Leminski

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Paulo Leminski Filho nasceu no dia 24 de Agosto de 1944, em Curitiba. Era neto de poloneses e tinha ascendência negra por parte de mãe. Foi poeta, romancista, professor e tradutor.
Desde pequeno Leminski surpreendeu por seus dons intelectuais, escrevendo poesias já aos 8 anos de idade. Aos 14 anos ingressou no Mosteiro de São Bento, em São Paulo, onde aprendeu latim, teologia, filosofia e literatura clássica. No início dos anos 60 começou a estudar japonês. Desistindo da vocação religiosa, foi para Belo Horizonte, para participar da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, e conheceu Augusto de Campos, Décio Pignatari e Haroldo de Campos, criadores do movimento Poesia Concreta. Casou-se muito cedo, aos 17 anos de idade, com a artista plástica Neiva Maria de Sousa (da qual se separou em 1968).
Em 1968 casou-se com Alice Ruiz, também, poeta, com quem viveu vinte anos e teve três filhos.
Abandonou o curso de Direito no segundo ano e o de Letras no primeiro ano várias vezes. Sobreviveu como professor de Redação e História em cursinhos pré-vestibulares em Curitiba e também era professor de judô. Leminski foi também um grande divulgador do Haicai no Brasil, uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Em meados dos anos 70 começou a trabalhar com agências de publicidade.
Teve grande contato com cantores da MPB, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Moraes Moreira onde revelou também seus dons para a composição e música. Por ser fluente em várias línguas, traduziu para o português obras de Alfred Jarry, James Joyce, John Fante, John Lennon, Samuel Beckett e Yukio Mishima.
Seu filho Miguel morreu em 1977, aos 10 anos de idade, em função de uma Leucemia e a dor o fez se afogar ainda mais na bebida. Em 1978 foi diagnosticado com problemas no fígado.
O escritor morreu em 1989, aos 44 anos de idade, de cirrose hepática.
Paulo Leminski está tendo bastante destaque no mercado literário ultimamente. Uma coletânea de poemas, chamada “Toda Poesia” ficou durante várias semanas em primeiro lugar na lista de best-sellers nacionais e a editora Companhia das Letras está prestes a lançar o livro intitulado “Vida” uma coletânea de 4 ensaios-biografias sobre Jesus, Trotski, Bashô e Cruz e Souza.

Principais Obras:

Catatau (1975)
Agora É Que São Elas (1984)
Caprichos e Relaxos (1987)
Metamorfose, uma viagem pelo imaginário grego (1994)

Opinião Pessoal: Acho que posso dizer com segurança que Paulo Leminski é o meu poeta favorito. Eu sempre fui mais atraída por romances de forma geral, confesso que nunca liguei muito pra poesia, principalmente porque as clássicas de Cecília Meireles, Carlos Drummond etc., me traumatizavam nas provas de colégio e eu meio que tinha pavor de ver poesia fora de uma folha de prova. Mas foi após conhecer o talento de Leminski que passei a ver a poesia com outros olhos. O cara é simplesmente genial! E é genial porque faz poemas curtos, simples, com palavras que chamam umas às outras o tempo todo, que está nos olhos da maioria dos humanos, mas só Leminski consegue reuni-las em um poema. Não posso falar muito de suas obras mais extensas como Catatau e Agora É Que São Elas, pois nunca as li, mas eu poderia ficar até amanhã descrevendo de inúmeras formas o quanto a poesia de Leminski é perfeita – ante meus olhos – e o quanto todo mundo deveria ter contato com este poeta tão extraordinário.
Restaurei minha fé na humanidade quando vi que Toda Poesia não saía dos best-sellers nacionais, principalmente por ser um livro de poesia, que é muito mais difícil de se vender do que um romance, e também porque bateu o sucesso pop “50 Tons de Cinza”. Leminski é tão simples e humano que sua poesia chega simples e clara a qualquer pessoa e me atrevo até a dizer que é impossível alguém não gostar de pelo menos uma poesia sua. Com seu tom sarcástico, a facilidade em juntar palavras, o seu dom de dizer muito com tão pouco, Leminski conquista cada vez mais fãs no Brasil, e é uma ótima porta para pessoas que, assim como eu, tem/tinha preconceitos com poesia, seja por qualquer motivo.
Leminski me inspirou a escrever poemas (que eu tenho a plena noção que é a parte da escrita onde sou mais propícia a erros já que, como disse, meu contato com a poesia é muito recente) e eu me divirto muito em fazê-los! Graças a ele, pude ampliar meus horizontes e hoje já leio Manuel Bandeira, Cecília Meireles etc., e espero poder aprender cada vez mais com esses mestres em função de evoluir meu próprio trabalho, seja na área da poesia ou até mesmo com meus romances.
Como a maioria dos gênios, Leminski foi-se muito cedo e fico me perguntando quantos e quantos poemas fantásticos teríamos hoje em dia se ainda estivesse vivo, principalmente se visse a situação do Brasil de atualmente.
Espero que as editoras continuem relançando suas obras, seja em coletâneas de poesias ou seus romances, para que um público maior tenha mais acesso à sua genialidade e que as pessoas possam, assim como eu, se inspirarem e se apaixonarem por este escritor versátil e inteligentíssimo que, mesmo já não mais entre nós, ainda tem muito o que dizer.
Abaixo deixo um poema de Leminski.

A LUA FOI AO CINEMA

A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.
Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!
Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava para ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.
A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
– Amanheça, por favor!

O Dia Dos Maias.

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Se o mundo acabasse mesmo antes do amanhecer
Como aqueles Maias fizeram crer
Já no começo da noite
Pedidos e mais pedidos de arrependimento Deus iria receber
Pois no inferno ninguém quer perecer.

Se o mundo acabasse mesmo antes do amanhecer
Alguém duvida que os restaurantes iriam encher?
Pois no último dia de vida
Uma pizza todos querem comer
Ou a última cerveja beber.

Afinal, o que teriam a temer?
Se for pra morrer, que seja com prazer!

Pessoas estranhas, lamentos arrependidos
Unir-se-iam num único choro, num único sentido
Morreriam abraçadas sem nunca terem se conhecido
Ah, que ironia deste mundo esquisito!
No último minuto do planeta
Os seres humanos finalmente estariam unidos.

Se o mundo acabasse mesmo antes do amanhecer
Atrás de seus sonhos pessoas iriam correr
E num período de 12 horas iriam enlouquecer
Pois já não daria tempo de nenhum gênio da lâmpada aparecer
Para realizar qualquer querer.

Mas eu? Como iria proceder?
Não há dúvidas, é muito fácil de responder!

Se o mundo acabasse mesmo antes do amanhecer
Tudo o que eu iria fazer
Seria beijar seus lábios antes de morrer
E morreria de vez ao dizer
O quanto sempre estive apaixonada por você.

Escritor 06 – Khalil Gibran

Índice

Khalil Gibran nasceu no dia 6 de Janeiro de 1883, em Becharré, no Líbano.
Cresceu entre as montanhas libanesas e perto da famosa Floresta dos Cedros, lugar considerado celestial e oportuno para o recolhimento espiritual e à contemplação de Deus através da belíssima natureza.
Desde pequeno ouvia histórias das Mil e Uma Noites e poemas contados por sua mãe, o que com certeza teve muita influência futuramente em suas obras.
Devido a ocupação otomana, sua família decide emigrar para um melhor e novo mundo. Em 1895 muda-se para Boston, nos Estados Unidos, ao lado de sua mãe, duas irmãs e um irmão.  É matriculado em escola pública e tem o primeiro contato com uma biblioteca. Porém, em 1898, Gibran retorna ao Líbano a fim de estudar e obter um maior conhecimento da cultura e língua de seu país. Ficou quatro anos estudando árabe e francês e viajou pelo oriente médio antes de retornar à América.
A tragédia parece começar a perseguir Gibran quando, num período de quinze meses, perde o irmão, a mãe e a irmã caçula, deixando-o inconsolável.
Entre 1902 e 1908 escreve poemas para Al-Muhajer (O Emigrante), um jornal árabe publicado em Boston.
Curiosamente, Gibran se destacou primeiro através de seus dons para a pintura, ganhando uma bolsa no Instituto de Belas Artes em Paris. Permaneceu dois anos na capital francesa, conhecendo famosos artistas parisienses e adquirindo um conhecimento ainda maior sobre arte.
De volta aos Estados Unidos, Khalil Gibran dedicou-se à leituras em árabe e em inglês, adquirindo determinantes influencias de filósofos, tanto do oriente, quanto do ocidente. Em 1920 grupo criou um grupo de escritores sírios–libaneses que se chamava “Liga da Pluma”, contribuindo assim para o renascimento da cultura árabe.
Seus primeiros livros, lançados entre 1905 e 1920 visavam chocar a sociedade da época, com fortes críticas à superficialidade e hipocrisia vividas constantemente pelas pessoas. Porém, com o passar do tempo, percebeu que a melhor forma de alcançar o coração dos homens é através da compreensão e da compaixão, imprimindo em sua literatura uma linguagem mais poética, singela e carregada de ensinamentos espirituais. Foi então que seu livro mais sutil e famoso “O Profeta” foi escrito.
Khalil Gibran morreu em 1931, aos 48 anos, e seu corpo é transportado para o Líbano e enterrado em um convento aos pés dos cedros, como pedido ainda em vida.

Principais Obras:

Asas Partidas (1912)
Uma Lágrima e Um Sorriso (1914)
O Profeta (1923)
Jesus, o Filho do Homem (1928)

Opinião Pessoal: Pureza. Acho que essa é a palavra que melhor define a obra de Gibran. Ao escrever livros com bases místicas e espirituais, sua escrita é regada de uma delicadeza e uma paz que preenchem a alma do leitor, trazendo ensinamentos riquíssimos sobre amor e fé.
Na minha humilde opinião, o seu livro mais famoso “O Profeta” deve ser lido por todas as pessoas pelo menos uma vez na vida, não importa as crenças ou descrenças de cada um. É um livro fantástico, muito bem escrito e facílimo de entender, onde suas palavras parecem produzir mágica dentro de seu estômago. É riquíssimo em ensinamentos necessários a qualquer ser humano, como família, amor, amizade, solidariedade, tudo sem qualquer cunho religioso.
Acho que o mais interessante em Khalil Gibran é que ele fala de coisas divinas sem fazer parte de qualquer religião. Ele não veio fundar uma igreja, não veio dizer que a salvação está em algum lado, não veio fazer parte de nenhum grupo religioso no mundo e, ainda assim, veio trazer ensinamentos básicos e essenciais para a vida de qualquer ser humano que é amar, amar e amar, mas não um amor humano, regado de vícios e obsessões, mas o amor divino, aquela luz que está presente em cada um de nós.
Abaixo deixo um dos meus poemas favoritos do autor, que representa todos os adjetivos já aqui colocados em relação à sua pessoa e à sua obra.

Amai-vos

Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,

mas deixai
cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira
são separadas e,
no entanto,
vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.

E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.

Uma Menina, Um Ballet e Sua Música.

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O grito desesperador está preso em sua garganta.
No meio de um enorme estúdio de ballet, há uma garota encarando seu reflexo no espelho.
Há um par de olhos amaldiçoando seu reflexo no espelho.
A música corre livremente, solta, leve, perfeita. Qualidades que ela não encontra mais. Características que não encontra mais. Ela as perdeu.
Oh, não!
Não…
Ela se perdeu.
A sapatilha rosada é agora apenas mais um calçado largado no ângulo de uma parede. Não tem mais coragem de colocá-la nos pés; não consegue. Porque calçá-las significaria retornar ao inferno particular que tem enfrentado nas últimas semanas. Calçá-las significaria trazer de volta toda a pressão, toda a perfeição que não consegue mais alcançar.
A música continua tocando insistentemente num alto volume, dentre as quatro paredes. Apenas há ela e seu reflexo distorcido no espelho. Apenas há ela e sua alma perturbada, transtornada, atormentada.
Oh, como voltar?
Como retornar?
Como alcançar o ápice dos movimentos leves e milimetricamente executados outra vez?
A vontade ainda está ali, ardente, inclemente, brutalmente pedindo para que ela retorne ao centro do salão e faça o que sabe fazer de melhor: dançar.

Mas como, como voltar?
Como dançar, como bailar?
Como pode de sua mente as críticas apagar?

O silêncio irrompe o salão.
O pequeno espaço de tempo onde uma música termina para outra vir a ser tocada é o suficiente para que ela sinta uma pressão contra o peito. O suficiente para que as notas musicais a abandonem e a deixem-na largada no meio de uma sala enorme, encarando o reflexo dos enormes olhos castanhos.
E isso basta.
É o necessário para que ela se sinta no auge de sua miséria, no centro de sua solidão, largada, desprezada, abandonada.
As pessoas a deixaram. Isso sempre aconteceu. Isso sempre ocorreu. Não é novidade e nunca será.
Já estava mais do que acostumada, não tinha nem mais do que se queixar!
Mas a música? Oh, não, a música não! Oh, não, a música nunca!
As canções sempre estiveram ali. Os passos ensaiados sempre a seguraram de uma forma que qualquer braço humano jamais o fez.
Se a música sempre esteve perto, ao seu alcance, a qualquer instante, porque a estava deixando?
Por que a estava abandonando?

A valsa de Tchaikovsky explode repentinamente contra as quatro paredes. Era sua favorita. A playlist rodava no aleatório e, no momento exato, no minuto exato, seus acordes favoritos preencheram todo o ar.
Ah! Como era bom respirar!
Era um alívio, um nirvana, não sabia como explicar.
Não havia tristeza no mundo que sua música favorita não pudesse curar!

As notas encheram seus ouvidos, revitalizando cada célula apagada e melancólica.
Sua mente retornou 12 anos no passado, quando abriu aquele presente de Natal no dia 25 de dezembro e vislumbrou as belas sapatilhas rosadas pela primeira vez.
Onde vislumbrou toda sua alma refletida naquele objeto pela primeira vez.
Tudo era tão mais fácil. Tudo era tão mais leve, mais brando, mais perfeito.
Era perfeito porque não havia perfeição. Não havia uma meta impossível de ser atingida e tampouco os olhares de desprezo por não conseguir ser quem os outros gostariam que fosse.
Apenas existia uma menina de sete anos, sapatilhas rosadas e The Sleeping Beauty fazendo magia com sua alma.
Sua imagem frente ao espelho agora estava de pé. As sapatilhas rapidamente foram tiradas do ângulo de uma parede e colocadas de volta ao lugar que pertenciam: em seus pequeninos pés.
Ela dançou.
Apenas com a valsa de expectadora, deixou-se levar.
Os passos não eram obrigatórios. Não valiam pontos. Não determinavam se ela era merecedora ou não de seu grande sonho.
Existiam duas coisas naquele momento: seu espírito reacendido e a enorme vontade de viver de ballet até o seu último suspiro.
Por isso dançou.
Deixou a pressão de lado, jogou a perfeição para escanteio e dançou.
Voltou ao tempo onde era só uma garotinha de sete anos que descobria a música clássica e suas maravilhas. Voltou ao tempo de inocência, de criança boba e sonhadora que não queria mais arrancar as sapatilhas rosadas dos pés.
E dançou.
Dançou e esqueceu-se da vida. Esqueceu da ansiedade enervante que é viver dia após dia sem saber para onde ir. Da ansiedade enervante que é abrir os olhos e se encontrar parada no mesmo lugar, quando a sensação é de que andou milhões de quilômetros sem cessar.
E dançou.
Dançou e esqueceu-se o que é sentir a pele queimar pela ausência latente de alguém querido. Esqueceu-se de como é acordar com aquele soco diário no estômago, onde a frustração constrói todo um castelo de tijolos pesados. Tijolos que ela pensa não mais conseguir suportar.
Tinha apenas 19 anos, ombros finos e notas musicais sob seus pés.
Dançou e dançou sem parar.
Dançou e esqueceu-se de como se apegar, amar e querer pode ser tão complicado quanto uma equação matemática. Que pode ser tão complicado a ponto do resultado sempre dar zero por não encontrar qualquer outra resposta mais plausível. E que ela sempre seria reprovada quantas vezes fossem necessárias.
Ela dançava e sentia seu corpo planar para longe.
Para longe das mentiras, da dor, da solidão.
Para longe de todos estes sentimentos que ela desprezava sem exceção.
Para longe do fantasma da imperfeição, da vergonha constante, do constrangimento alucinante.
Para uma terra distante. Para um lugar onde só fosse possível viver de música. Onde Tchaikovsky seria seu melhor amigo e comporia uma valsa exclusiva, apenas para seus pés bailarem.
Para um mundo onde a arte era cultivada e venerada por sua beleza e o dom de encantar, não por sua extrema técnica e a perfeição alcançar.
Ela dançava.
Dançava e chorava.
Chorava sem parar.
As lágrimas caíam, mas ela não sentia; não percebia.
Porque seu corpo continuava bailando livremente pelo salão, tocando magicamente cada metro quadrado do chão.
Como largar? Como deixar a música clássica ir embora de sua vida dessa forma? Como largar o seu único sustento remanescente, seu ímpeto fortificante de viver sempre que desejava desfalecer em uma pilha de ossos debaixo da terra? Como deixar sua essência escapulir, fugir, como um monte medíocre de areia escorregando entre os dedos?
Não, isso nunca.
Por favor, não!
Se não havia mais nenhum motivo para abrir os olhos ao amanhecer, a música lhe daria.
Se não havia mais ninguém para dar-lhe um abraço cálido nos momentos desesperadores, a música lhe daria.
Se não havia mais motivos para continuar respirando o ar desta terra tão distinta e estranha à sua alma singular, a música lhe daria.
A música, sempre a música.
E ela jamais, sob qualquer hipótese, sob qualquer circunstância, poderia deixá-la ir embora para viver neste mundo silencioso dos pífios seres humanos.
Era só fechar os olhos.
Era só fechar os olhos e dançar.
E então… Ah!
Então a música estaria lá!

Escritor 05 – Nicholas Sparks

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Nicholas Sparks é um escritor americano, nascido no dia 31 de Dezembro de 1965, em Omaha, Nebraska. Ao lado de dois irmãos, passou parte de sua adolescência na Califórnia, até se estabelecer na Carolina do Norte, após seu casamento, cidade que serviria de inspiração e cenário para seus livros.
Antes de ser tornar escritor, Nicholas chegou a ter destaque nos esportes, ganhando uma bolsa na Universidade de Notre Dame. Após a faculdade, chegou a servir mesas e produtos dentais por telefone. Entre um trabalho e outro, escreveu “Diário de uma Paixão”, aos 28 anos de idade, e enviou o manuscrito pra uma editora. Mas foi apenas dois anos depois que uma agente literária descobriu o manuscrito e se ofereceu para representá-lo.
Todos os seus livros foram best-sellers do New York Times, tendo sido impressos 89 milhões de livros em mais de 50 línguas.
Não há dúvidas de que Nicholas Sparks é um dos maiores romancistas da geração atual. Seus livros já foram adaptados para vários filmes, incluindo os famosíssimos “Diário de uma Paixão” e “Um Amor para Recordar”. Atualmente, além de continuar escrevendo, Nicholas Sparks também é produtor, com projetos na televisão e até mesmo na Broadway.
Nicholas e sua mulher também promovem anualmente vários eventos voltados à caridades, arrecadando milhões de dólares para cultura e educação.
Seus hobbies incluem ler (segundo ele, lê 125 livros por ano!), passar tempo com a família, além de correr e praticar Tae Kwon Do.
Recentemente ele esteve na Bienal do Livro do Rio de Janeiro e causou um enorme alvoroço. A fila de pessoas que vieram somente para vê-lo dava voltas e mais voltas estima-se que o americano chegou a assinar mais de 1000 livros naquele dia.
Nicholas Sparks acaba de publicar seu livro mais recente “Uma Longa Jornada”, que tem grandes chances de ser mais um livro a entrar na lista dos mais vendidos.

Principais Obras:

Diário de uma Paixão (1996)
Um Amor Pra Recordar (1999)
Noites de Tormenta (2002)
O Milagre (2005)
Querido John (2006)
Um Homem de Sorte (2008)
A Última Música (2009)

Opinião Pessoal: Sem dúvidas, os livros de Nicholas Sparks são apaixonantes. Suas histórias são carregadas de sentimentos e é possível sentir o amor dos personagens como se estes fossem seus. Não é à toa que ele é conhecido mundialmente. Suas histórias de amor atravessam fronteiras, são universais, pois falam dos conflitos, das dificuldades que os humanos tendem a enfrentar dia a dia em nome de algo maior. Não importa se você é do Japão ou da Inglaterra, é possível identificar-se com seus personagens humanos, que erram diariamente, mas que sempre acreditam em uma vida melhor.
Talvez suas histórias se repitam um pouco, pois Nicholas geralmente usa as mesmas fórmulas em todos os seus livros, tornando alguns até previsíveis demais. Como todo escritor, tem altos e baixos, umas obras melhores que outras, mas seus livros sempre trazem uma certa reflexão, frases marcantes sobre vida e família que emocionam e conquistam vários leitores ao redor do mundo.

 

Escritor 04 – Nora Roberts

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Eleanor Marie Robertson (conhecida como Nora Roberts) nasceu no dia 10 de outubro de 1950, em Maryland, nos Estados Unidos, a mais nova de quatro irmãos. Cresceu em um lar de leitores ávidos, tendo um enorme contato com a literatura desde a mais tenra idade.
Extremamente criativa, sempre imaginou e criou histórias em sua cabeça. Mas foi durante uma forte nevasca em 1979, ainda em seu primeiro casamento, onde ficou presa dentro de casa com seus dois filhos e, graças ao ócio, resolveu começar a escrever suas ideias.
Nora enviou vários manuscritos para a editora Harlequin, principal editora de romances nos Estados Unidos na época, e foi rejeitada todas as vezes. Quando a editora Silhouette abriu, propondo-se a publicar os “excluídos” da Harlequin, Nora finalmente teve sua chance e publicou seu primeiro romance intitulado “Irish Thoroughbred”. E não parou mais! Extremamente prolífica, já escreveu mais de 200 obras e foi a primeira mulher a fazer parte do Romance Writers of America Hall of Fame.
Também publica livros da Série Mortal sob o pseudônimo de J.D Robb, uma série de romances policiais tendo sempre como protagonistas a policial Eve e seu marido Roarke, que já passam de 30 livros.
Já foram impressas mais de 400 milhões de cópias no mundo e esse número só tende a aumentar, pois continua escrevendo e lançando em média três livros por ano e alguns deles foram adaptados como filmes para a televisão.
Uma das principais características de sua obra é o detalhamento da mente masculina. Isso se explica pelo grande convívio com homens ao longo de sua vida, tendo sido criada com quatro irmãos, casada duas vezes e mãe de dois filhos.
Nora Roberts já foi vencedora de inúmeras premiações e é considerada pela revista “The New Yorker” como a novelista favorita dos EUA.

 

Opinião Pessoal: Existe alguma mulher moderna que nunca tenha lido pelo menos um livro de Nora Roberts? Ela tem uma escrita simples e concisa, diálogos rápidos e marcantes, e histórias românticas que seduzem e aprisionam qualquer um que adore o gênero “água com açúcar”. Aparentemente ela pode parecer apenas uma escritora de livros extremamente românticos, porém, quem está acostumado com suas histórias pode notar que todo o seu livro é muito bem feito, rico em detalhes e com informações completamente precisas, de acordo com o enredo do romance. Seja em paisagens, locais de trabalho e países diferentes, Nora faz com que você se sinta dentro daquela cidade, dentro daquele cenário e até mesmo íntima daqueles personagens.
Por ter mais de 200 livros escritos (ela escreveu até agora algo em torno de 242, se não me engano), talvez alguns temas se repitam um pouco e a leitura de certos livros se torne repetitiva, o que creio ser compreensível. Entretanto, cada história tem sua particularidade e é fácil se apaixonar por cada uma delas.
Os livros de Nora são uma ótima pedida numa tarde de férias em um lugar afastado da civilização, pra quem só quer relaxar a mente e sentir aquele friozinho no estômago com seus personagens cativantes e curtir um bom livro.
Nem coloquei suas principais obras, pois é difícil colocar só algumas dentro de 200 e tantas! Mas acho que a Série Mortal tem um enorme destaque em sua carreira, pois sempre estampa todas as livrarias, virtuais ou físicas, e também só escuto e leio críticas positivas!
O mais interessante é que alguém raramente vai ficar ‘órfão’ da Nora tão cedo, como ficamos de alguns autores que escrevem pouquíssimos livros, e seguramente teremos uma vida inteira para ler todas as suas histórias! E do jeito que ela continua escrevendo, é capaz de uma vida só nem ser suficiente…

Resenha 01 – A Menina Que Fazia Nevar.

 

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“Milagres não têm que ser grandes e podem acontecer nos lugares mais improváveis. Às vezes são tão pequenos que as pessoas nem percebem. Às vezes os milagres são tímidos. Ficam puxando suas mangas, esperando você percebê-los, e depois somem. Muitas coisas começam bem pequenas. É um jeito bom de começar porque ninguém nota. Você é só uma coisinha perambulando , cuidando da própria vida. Aí você cresce.”

 

Judith é uma menina de dez anos e muito sonhadora. Não conheceu sua mãe e vive apenas com o seu pai em uma casa simples localizada em um bairro pobre. Cheia de imaginação, a garota tem em seu quarto uma enorme maquete, a qual chama de “Terra Gloriosa”. A maquete é bem simples, feita de sucata, mas, aos olhos da menina, é um lugar maravilhoso para se viver. Seu pai é um fanático religioso, do tipo que vive mais para a igreja do que para a própria família. Mas como julgá-lo? Ele perdeu a mulher um pouco depois da menina ter nascido. Encontrou na religião um alento, um refúgio. Foi em Deus e por Deus que ele continuou a viver, já que olhar para sua filha era doloroso o bastante, pois via a imagem de sua falecida esposa no rosto dela. Porém, isso não é fácil para uma menina de dez anos entender. Judith tem a certeza de que o pai não a ama. Ele quase não abraça ou toca nela. E também não presta atenção nas palavras que saem de sua boca, o que é doloroso para a menina, pois ela tem muito a dizer. Muito mesmo. Talvez se o pai a escutasse, se demonstrasse um pouquinho mais de afeto, ela poderia dizer todo o bullying que vem sofrendo há tempos de seu colega de classe, Neil Lewis. Ao contrário, ela esconde acontecimentos importantes e vive uma vida própria em sua Terra Gloriosa, o único lugar onde pode agir como verdadeiramente é, sem repreensões ou críticas de pessoas que não entendem como aquela cabecinha especial funciona.
Um certo dia, Neil Lewis faz-lhe uma ameaça tão assustadora que a deixa em pânico de retornar à escola. Trancando-se em seu quarto e brincando em sua Terra Gloriosa, que é uma réplica de sua cidade e das coisas que vivem ao seu redor, ela deseja ardentemente e reza com toda a sua fé que neve bastante no dia seguinte, para poder não voltar à escola e ser espancada por Neil. Brincando, ela até derrama espuma de barbear sobre a cidade, simulando a nevasca. E adivinhem? O seu desejo se realizou. A cidade amanhece coberta por uma neve espessa e a garota não pode ir à escola. Judith operou um pequeno milagre. O mesmo milagre que escuta nos cultos ou na leitura da bíblia à noite com seu pai. Se foi milagre mesmo ou não, isso fica por conta do leitor. Mas a menina acredita que Deus lhe concedeu poderes especiais, capaz de mudar o rumo do mundo e a vida das pessoas, e desde então toda a sua existência gira em torno desta premissa.
Eu diria que esse é um livro carregado de emoções. Tanto dos personagens quanto às do leitor. Você pode odiar ou amar o livro, mas você com certeza vai sentir algo. Ela é uma garota tão inocente e pura que sofre tanto, que não percebe como as coisas ao redor estão abundantemente erradas, e dá vontade de entrar no livro e arrancá-la de lá. A história te deixa com um nó na garganta, principalmente com o desenrolar ao longo das páginas, já no final do livro. Tinha horas em que eu tinha que parar de ler de tanta agonia que me dava, porque ninguém parecia enxergar a menina. Ninguém parecia se importar pois, como a maioria das pessoas, todo mundo está muito preocupado com suas próprias vidas para enxergar os problemas de uma criança. Afinal, quantos problemas podem ter alguém dessa idade? Muitos!
Outra coisa que achei bastante interessante a autora expressar no livro foi a linha tênue entre a fé o fanatismo. Fé é fundamental, não importa no que você acredite. Todo ser humano precisa acreditar em alguma coisa, nem que seja acreditar em si mesmo. O fanatismo é perigoso demais. Nunca vi um caso de fanatismo que acabasse bem. A pessoa fica realmente cega e vive em função daquilo. O pai de Judith é um fanático, não importa quais questões o levaram até este extremo. E como todo pai é um exemplo para seus filhos, ao longo do livro, começamos a ver esse traço se formando na personalidade da garota também.
A Menina Que Fazia Nevar é realmente um presente divino para quem se apega à história. Acho que um ateu ou agnóstico vai ter uma dificuldade maior de entender certas questões, pois o livro fala o tempo inteiro de fé e religião, ainda que em nenhum momento a autora tome partido de nenhuma. Ao contrário, em alguns momentos da narração, é notável a crítica que ela faz às atitudes extremamente religiosas e, para nós, sem sentido de alguns personagens. Ainda assim, pra quem não curte muito o assunto e não acredita mesmo, a leitura pode se tornar um pouco chata e sem noção.
Entretanto, creio que se o leitor mantiver a cabeça bem aberta, independente no que acredita, vai poder se deliciar e se questionar sobre várias questões do aspecto humano.

Título: A Menina Que Fazia Nevar
Autor: Grace McCleen
Editora: Paralela
Número de Páginas: 312

O Silêncio da Madrugada.

madrugada

Existe algo no silêncio da madrugada
Uma esperança sutil, a paz encontrada
Talvez seja apenas essa presença do nada
Que tranquiliza a mente e me deixa inspirada.

Não há carros, não há ônibus
Não há barulhos, não há incômodos
Não há escolas com suas crianças agitadas
Existem apenas insones no silêncio da madrugada.

A noite esconde, mas o calar de vozes delata
O suspiro de um trabalhador esgotado
E a lágrima da mulher largada
A dor é densa antes do início da alvorada
Os sofredores se revelam no silêncio da madrugada.

Às vezes surge o latido de um cachorro ou o miado de um gato
E também o grito bêbado da vizinha do 104
Mas no geral respiro aliviada
Por poder criar sem ser incomodada.

O mundo fecha os olhos enquanto permaneço acordada
E obedeço às histórias que pedem para ser contadas
A insônia é sempre minha maior aliada
Quando crio vidas no silêncio da madrugada.

Escritor 03 – Markus Zusak

PICEDITOR-SHD

Markus Zusak é um escritor australiano, nascido em 23 de Junho de 1975. É filho de um austríaco e de uma alemã, e cresceu numa casa com mais 4 irmãos em Sydney.
Quando criança, Markus queria ser um pintor como seu pai. Mas não demorou muito para perceber que ele não tinha talento para tal e que aquilo o entediava. Foi através dos livros que Markus encontrou o seu verdadeiro destino. Após ler “O Velhor e o Mar” de Ernest Hemingway e “What’s Eating Gilbert Grape’ de Peter Hedges, ele decidiu que queria ser escritor. Zusak levou sete anos para conseguir publicar seu primeiro livro, sofrendo rejeições atrás de rejeições pelas editoras, o que ele considera positivo, pois este fato o ajudou a melhorar e desenvolver cada vez mais seu trabalho.
Markus cresceu ouvindo histórias sobre a Segunda Guerra Mundial, contadas por seus pais. Dentre as histórias, destacavam-se os sofrimentos dos judeus na Alemanha Nazista e o bombardeio de Munique. Essas histórias ficaram marcadas em sua mente e serviram como plano de fundo para o seu livro mais famoso “A Menina Que Roubava Livros”, que foi sucesso mundial sendo traduzido para mais de 40 línguas. Contudo, seu talento literário não se resume apenas a este livro. A trilogia dos irmãos Wolfe (O Azarão, Bons de Briga e A Garota Que eu Quero) e o livro “Eu Sou O Mensageiro” já foram premiados com prêmios de literaturas para jovens. Por causa deste último foi agraciado com o Printz Honor em 2006 como melhor autor de livros juvenis.
Zusak é um escritor bem próximo de seus fãs, tendo conta em twitter, facebook e até mesmo tumblr, usando uma linguagem jovem, direta e com toques de humor. Ele está terminando o seu sexto e aguardadíssimo livro chamado “The Birdge Of Clay” e espera que este seja o melhor de sua carreira.
Markus Zusak ainda reside em Sydney com suas esposa e dois filhos. Nas horas vagas gosta de surfar e assistir filmes.

Principais Obras:

Eu Sou O Mensageiro (2002)
A Menina Que Roubava Livros (2005)

Opinião Pessoal: Sempre ouvi falar muito bem de A Menina Que Roubava Livros, mas demorei um tempinho até lê-lo. Foi após uma frase em especial, que até hoje é minha favorita, citada pela minha amiga Jéssica em uma conversa nossa, que me fez ir correndo no mesmo dia comprar o livro. Assim que eu li o primeiro capítulo de madrugada, eu já senti que aquele livro era diferente. E não estou dizendo isso para o poste ficar mais bonitinho e romântico! Eu senti mesmo, quando comecei a ler as primeiras frases de uma história contada pela Morte e o tipo de escrita singular de Zusak, eu sabia que tinha algo diferente ali de tudo que eu já havia lido antes. Eu sempre digo que este é meu livro favorito. Ele mudou muito minha visão sobre o mundo, sobre as pessoas e me transformou completamente como escritora. Depois que fui atingida pela escrita maravilhosa de Zusak eu soube mais ainda que era o mesmo caminho que queria seguir. Sou bastante influenciada pelo seu jeito de escrever, pois acho sensacional o fato dele seguir um estilo diferente das narrativas comuns dos livros que vemos por aí. Ao ler um livro de Zusak, seja A Menina que Roubava Livros, Eu Sou o Mensageiro ou até mesmo a trilogia dos irmãos Wolfe, seus primeiros livros onde sua escrita ainda estava se desenvolvendo, você é transportado imediatamente para a cabeça do personagem. Seu jeito único de ajeitar parágrafos de acordo com os pensamentos de seus protagonistas, o fato de usar as pontuações de seu jeito, dá uma sensação de fluidez e um toque poético que eu raramente encontro nos livros que seguem rigorosamente a gramática. Esse estilo literário o difere dos escritores comuns e o torna fantástico ante meus olhos. Talvez seja por isso que ele e Virginia Woolf são meus escritores favoritos, pois eles escrevem os livros de um jeito próprio, ignorando certas regras de gramática, e isso é essencial para passar verdadeiramente a tensão ou a emoção de uma cena.
Ao contrário de muitos autores consagrados, Markus Zusak consegue fazer ótimos livros e com uma linguagem fácil, porém carregada de sentimento e verdade. Suas obras até hoje se mantém entre as listas de mais vendidos de inúmeros países, alcançando cada vez mais admiradores que esperam ser arrebatados e emocionados por seus próximos livros.