Escritor 11 – Martha Medeiros

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Martha Medeiros nasceu no dia 20 de agosto de 1961, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. É escritora, jornalista e cronista brasileira.
Foi formada em Publicidade e Propaganda e trabalhou como redatora e diretora de criação em várias agências de Porto Alegre. Porém, em 1993, seu marido foi transferido para o Chile a trabalho e Martha Medeiros mudou-se com ele. Foi lá que descobriu seu amor pela poesia, descobriu seu talento como escritora, residindo ali por 9 meses.
Quando retornou ao Brasil, passou a colaborar com o jornal Zero Hora, de Porto Alegre e desde então seus contos e crônicas foram se tornando populares em todo o país.
Lançou o seu primeiro livro em 1985, chamado “Strip Tease” e não parou mais! Lançou um livro atrás do outro e passou a escrever para o jornal O Globo, a revista Época, entre outros. Suas obras já foram adaptadas para o teatro e cinema, entre eles “Divã” filme/série de sucesso que tem Lília Cabral no papel principal.
Seu mais recente livro “A Graça da Coisa” está há varias semanas presente na lista dos best-sellers nacionais.

Principais Obras:

Trem Bala (1999)
Divã (2002)
Doidas e Santas (2008)
Feliz por Nada (2011)

Opinião Pessoal: Se você nunca se identificou com pelo menos um texto de Martha Medeiros provavelmente você não é humano. A escritora tem um talento enorme para olhar através do leitor, mesmo que ela seguramente não conheça a maioria deles. Suas crônicas são sempre leves e divertidas, porém sem deixar de chamar atenção para aspectos importantes de nossas vidas. Através de seus textos é possível fazer uma reflexão profunda, não só de si mesmo, mas sobre o meio em que vive e sobre a sociedade como um todo.  Leitura recomendada a todos, pois Martha escreve de uma forma muito fácil e simples, qualquer pessoa, independente de classe social ou educação, consegue entender suas palavras e a mensagem que a escritora quer passar.

Sem Palavras.

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Olho em sua direção. Ela não me vê.
Está mergulhada no novo caso que chegou às suas mãos. Reparo como não presta atenção em nada além de seu trabalho, dos papéis jogados sobre a mesa. Escreve, rabisca, sublinha… Anota cada detalhe, cada linha que julga ser importante. A paixão salta de seus dedos. Poucas vezes vi alguém dedicada, tão apaixonada. Pergunto-me como pode deixar sua vida escapar de seu controle para dedicar-se inteiramente a um marido que nunca lhe deu valor.
Continuo observando-a sem que me veja e um arrepio sobe por minha espinha. Corre pelos braços e em seguida desce para as minhas pernas, até me tomar por inteiro.
Ajeito-me na cadeira, fecho o botão do paletó. Respiro fundo e penso se ela não está reparando em meu desconforto. Pode parecer loucura, pois ela nem está olhado. Parece que nem estou presente na sala. Continua afogada nos papéis. Ainda assim, pergunto-me se não estaria apenas disfarçando para não ter de falarmos sobre a tensão que permeia nossos encontros nos últimos meses.
Ângela é muito perceptiva e quando seu olhar captura o meu sinto-me como se estivesse nu à sua frente. Como se pudesse decifrar cada movimento, cada traço de meus pensamentos. E estes são todos para ela. Todos, todos por ela. Mesmo evitando conversar sobre o assunto, sei que tem pleno conhecimento do que eu sinto pela sua pessoa, pela sua alma.
Cruzo minhas mãos sobre o colo e abaixo os olhos. Tenho de fazer um esforço sobre-humano para mantê-las quietas. A esquerda está louca para tocar sua mão apoiada sobre a mesa e a direita mal pode esperar para adentrar seus cabelos negros e lisos para atrair seus rosto até o meu. E meus lábios… Ah! Esses estão aflitos! Tenho que mordê-los por um instante, a fim de conter o enorme desejo que se apoderou deles.
Engulo em seco e me pergunto se ela não está sentindo o mesmo. Se não está sentindo uma mínima vontade sequer de tocar a minha pele, de fazer uma carícia silenciosa e inocente que não prejudicará ninguém. Ninguém além de meu coração apaixonado.
Quero falar. Quero colocar pra fora de uma vez todas essas sensações guardadas com muito cuidado dentro de meu peito há dez anos. Quero implorar para que largue o marido de uma vez por todas e que dê uma chance para continuar o que começamos nos tempos de faculdade. Quero deixar bem claro o quanto estou disposto a sacrificar minha vida, se for necessário, apenas para fazê-la feliz.
Mas me calo. Como sempre.
Por respeito a ela. Pelo meu orgulho.
Pelo seu quase ex-marido. Pelos seus filhos.
Por uma infinidade de motivos que parecem crescer a cada dia de silêncio.
Me calo e continuo fingindo que tudo está bem. Que os olhares trocados são apenas de dois colegas de trabalho. Que nossas conversas sobre filosofia e vida são apenas palavras divididas por duas pessoas que se conhecem há mais de dez anos. Finjo que poderemos ser apenas isso: amigos. Amigos até o fim de nossas vidas.
Talvez um dia aconteça. Talvez um dia eu mereça ser o dono de seu sorriso, o alvo de seu olhar misterioso e profundo ou o colo de suas dores e aflições. Talvez um dia eu apareça na janela de sua casa, bêbado, com o propósito de explicar que tudo o que vivemos no passado ainda se faz presente dentro de mim. Talvez um dia eu pare o elevador ou cause uma pane na eletricidade apenas para dizer que ela é a mulher da minha vida. Que sempre soube disso desde o primeiro dia que a vi.
Mas não consigo. Não posso. Não devo.
Enquanto isso, enquanto nenhuma atitude era tomada e nenhuma palavra era dita, nossos encontros diários terminariam sempre da mesma forma: fingíamos que nada acontecia, trocávamos um último sorriso furtivo e nos afastávamos da mesma forma com que nos aproximamos pela primeira vez, dez anos atrás: Sem palavras.

Esquizofrenia.

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Sussurros correm ao meu redor.
Em um quarto escuro, gelado, sombrio, eu me perco na negritude de minha própria alma. Cato pó de estrelas pelo chão. Procuro algum brilho ao redor que me fará abrir os olhos e enxergar o mundo à minha volta.
Mas não vejo nada.
Não há luz.
Não existem saídas de emergência e tampouco estradas mal iluminadas que me levem para qualquer lugar. Para qualquer lugar longe daqui.
Só há escuro, só existem os sussurros. E essas vozes continuam em meus ouvidos, arrancando pouco a pouco minha sanidade sem que eu possa agarrá-la  com meus dedos e trazê-la de volta para mim.
Quero pessoas. Quero agora.
É irônico perceber que fugi delas por toda a minha vida , mas agora são tudo o que eu mais preciso.
Quero carinho, necessito de um abrigo. Preciso de braços mornos que tenham a capacidade de envolver meu corpo e tirar todo o desespero sufocante que me impede de aspirar o ar puro necessário ao meu viver.

Agora elas se calam.
As vozes, os sussurros, os lamentos.
Deitada em minha própria cama como um feto, vejo-os pularem a janela, deixando uma trilha de desespero por cada lugar que pisaram.
Elas se calam e eu posso finalmente ouvir o som da minha alma. Posso escutar o pouco de vida que parece restar. De mim, deles. Já não sei, já não sei mais.
Posso escutar o gemido de meu corpo moribundo à espera de uma mão misericordiosa que me traga à vida.
Enquanto não aparece, enquanto não vejo os dedos preciosos ao meu socorro, permaneço aqui, banida, calada, derrotada.
Como sempre foi e sempre será, sigo na espera de uma nova vida surgir à minha frente. Uma vida sem vozes, sem sussurros, sem invasões surpreendentes no meio da madrugada ou gritos ensurdecedores à luz do dia.
Uma vida silenciosa e que jamais seja roubada de mim.
É só o que eu peço, Senhor… É só o que eu peço…

Escritor 10 – Thalita Rebouças

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Thalita Rebouças nasceu no dia 10 de outubro de 1974 na cidade do Rio de Janeiro. É escritora e jornalista.
Desde pequena, Thalita escrevia e fazia seus próprios livrinhos, com direito a ilustrações e capas. Porém, ao crescer, escolheu a faculdade de Direito para cursar. Depois de dois anos, percebeu que não era aquilo que queria fazer da vida e mudou para Jornalismo, curso com o qual se identificou logo no começo. Thalita trabalhou como jornalista para Gazeta Mercantil, Lance!, TV Globo e outros.
Começou sua carreira de escritora em 1999 e batalhou para se tornar conhecida, fazendo peripécias e chamando a atenção do público na Bienal do Livro. Seu primeiro livro “Traição Entre Amigas” começou a dar certo e em 2003 ficou conhecida ao assinar com a Editora Rocco para a publicação de seus livros. “Tudo Por Um Pop Star”, sua terceira obra, virou best-seller. Porém, foi com o livro “Fala Sério, Mãe” que Thalita virou a queridinha dos adolescentes.
A partir de 2009 começou a vender seus livros em Portugal, onde já tem 7 livros publicados. Em 2011 seus livros atingiram a marca de 1 milhão de exemplares vendidos, o que é raro para um escritor brasileiro.
Thalita no momento está divulgando o musical de seu livro “Tudo Por Um Pop Star” e em breve estreará um programa de namoro para adolescentes no canal Multishow.
Os livros de Thalita Rebouças cada vez mais cruzam fronteiras e em 2014 ela lançará suas obras por todo o mercado Latino-Americano.

Principais Obras:

Tudo Por Um Popstar (2003)
Fala Sério, Mãe! (2004)
Ela Disse, Ele Disse (2010)

Opinião Pessoal: Eu só li um livro da Thalita Rebouças na minha vida, o “Fala Sério, Mãe!”. Li na época em que ficou famoso e eu era adolescente e gostei bastante. Não sei porque não li outros, talvez por falta de dinheiro, talvez por não ser a viciada em livros que sou hoje ou talvez por gostar de livros com mais intensidade, mais “dark. Tudo o que eu posso dizer é que Thalita sabe o que faz. Ela entende os adolescentes, usa uma linguagem bastante coloquial e fala de forma séria sobre os assuntos da idade.
Além de ser uma boa escritora para o público ao qual se dedica, ela é uma pessoa maravilhosa e isso seguramente influencia bastante em seu sucesso. Até eu que, como disse, só li um de seus muitos livros, fiquei surtada quando ela passou na minha frente na Bienal, simpaticíssima e falando com todas as pessoas da forma mais simples do mundo. Pelo que observo e ouço falar, Thalita te faz sentir próxima, como se fosse amiga de seus leitores, e essa humildade toda atrai o interesse até daqueles que a princípio nem tocavam em um livro. E essa é a parte mais interessante: ela atrai novas pessoas ao mundo da literatura. Muitos podem contestar a qualidade de seus livros, chamando de “má literatura”, por serem muitos simples e precisos, mas é inegável que suas histórias atraem os adolescentes e essa é a parte mais importante, pelo menos na minha opinião. Acho que ninguém com 11 anos de idade vai ler Machado de Assis ou Jorge Amado (claro, existem exceções, pouquíssimas, mas…) e achar tudo lindo, maravilhoso e super entretido! Para entrar no mundo da literatura e apreciá-lo por inteiro é necessário começar por algum lugar, e o que Thalita Rebouças escreve oferece esse tipo de início aos pré-adolescentes.
Seus livros estão sendo lançados em Portugal e em breve serão divulgados na América Latina e acho isso incrível! É muito bom ver nossos escritores serem divulgados mundo afora. Fico muito triste quando vou olhar catálogos de editoras e vejo que 90% do acervo de livros pertencem a escritores internacionais e pouquíssimas oferecem oportunidades aos que vêm de “dentro”. É lamentável ver muitos livros vazios e superficiais sendo vendidos como água, sendo divulgados como tesouros literários, enquanto os escritores brasileiros são esnobados justamente por serem brasileiros. E ver uma escritora nacional passando de 1 milhão de livros vendidos e atravessando a fronteira do preconceito para com autores brasileiros é realmente muito satisfatório.

07 – Conselhos

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Pouco tempo atrás eu estava participando (muito contra a minha vontade, pra variar…) de uma reunião social onde eu estava conhecendo as pessoas ali presentes pela primeira vez. Tirando alguns familiares, poucos mesmo, perto das outras pessoas, eu estava completamente em ambiente desconhecido o que, para mim, não é algo fácil de se lidar.
Por mais que eu deteste esses encontros, eu sempre tento ser simpática (ou o menos antipática possível, depende do ângulo que você olhar), pois eu acho que ninguém tem nada a ver com o meu mau humor natural ou com a minha incapacidade de manter uma relação social como se fosse a coisa mais legal e divertida do mundo. Bem, eu juro que eu tento. Se eu consigo, já é outra história…
Nesse encontro, as pessoas começaram puxar assunto comigo ao ver que eu estava quieta, só escutando minhas músicas no celular e desejando que aquele dia acabasse logo. Novamente, eu quis ser legal, abri um sorriso falso e, mesmo com palavras curtas e breves, tentei manter a conversa pra ver se aquele dia se tornava um pouco menos desagradável. E então começaram as perguntas! Eu juro, eu não tenho nada contra as pessoas perguntarem qual a minha idade, o que eu faço, se eu estudo, o que eu quero ser… O problema é que, geralmente, em qualquer encontro social que eu tenha, todas as respostas que eu dou, se tornam como pretextos para pessoas começarem a dar conselhos.

Exemplos:
“- Você estuda?
– Sim, faço Psicologia.

(Ps: já desisti de dizer que eu quero e vou ser escritora para ser poupada daquele papo de que eu vou morrer de fome debaixo da ponte e que isso nem é um emprego de verdade)

– Ah, que legal! Tem muita oportunidade em empresas, você pode trabalhar com RH, fazer isso, fazer aquilo…
– Não, não, eu não curto muito empresas, sabe? Eu sou apaixonada por autistas desde quando era mais jovem, entrei na faculdade pra estudar mais sobre o assunto e pretendo trabalhar com isso de alguma forma no futuro.
– Mas você tem que pensar em ganhar dinheiro com isso também! Escuta o que eu to falando, empresas são o melhor caminho! Você pode fazer um concurso público, ter uma vaga cativa num lugar seguro, ganhar o suficiente para ter uma boa vida e garantir uma boa aposentadoria, blá, blá, blá, blá….”

Eu juro que eu tenho que calar a minha boca e sorrir da forma mais amarela possível, pois se alguma coisa sair de mim depois de escutar isso, o clima no local não irá ficar agradável e não ficará bem para os meus familiares.
Outra que eu escutei nesse mesmo dia, de uma pessoa diferente, foi:

– Você sai, se diverte, sai com as amigas?
– Mais ou menos… Até porque a maioria das minhas amigas são de internet. Mas eu…
– Ah, mas você tem que ter amigas normais, não de internet!

Sério, o que dizer depois dessa?
E detalhe: Se você perguntar a uma dessas pessoas qual é o meu nome, elas não vão saber, pois nem se deram ao trabalho de perguntar!

Eu não quero parecer arrogante ou debochada, onde só eu sei o que é certo pra mim e ninguém pode dar opinião na minha vida. Não é isso. Ainda que eu realmente não goste muito de ser contrariada, eu sempre peço conselhos. Acho que minhas amigas sabem o quanto eu chego a se irritante, porque eu vivo perguntando o que eu devo fazer, como eu devo prosseguir, o que elas acham, pra onde eu vou etc. Mas é isso, são AMIGAS, pessoas que me conhecem há cinco, seis anos ou até mesmo parente mais próximos, que já sabem e conhecem a minha personalidade, minha forma de pensar e que realmente vão poder me dar uma direção, opinar sobre o que é melhor pra mim. O meu problema com conselhos é que eles geralmente são dados por pessoas que, como estas, nem sabem o seu nome, te encontram pela primeira vez e começam a dissertar sobre como você deve levar a sua vida para ser feliz.
Eu sei que elas fazem isso com a melhor das intenções, eu não acho que ninguém diz isso pra me irritar, muito pelo contrário! Mas é fato que essas atitudes são equivocadas e, pior ainda, são feitas pela maioria das pessoas.
Isso não foi só nesse encontro. Ouço conselhos a minha vida toda de pessoas que mal sabem meu nome, mal sabem o que eu faço, mal sabem o que eu quero, o que desejo pra minha vida. E o engraçado é que, quem realmente poderia opinar sobre mim, como minhas amigas “anormais” da internet ou parentes próximos, só o fazem quando eu peço. Eu juro que eu realmente queria entender o que passa pela cabeça de alguém que fica fazendo um monólogo sobre como você deveria seguir sua vida para ser eternamente feliz, realizada e com dinheiro.
Talvez o mundo fosse mais fraterno e acolhedor se as pessoas começassem a entender umas às outras ou procurassem apenas a começar. Não seria melhor se tivessem me perguntado o meu nome primeiro? O que EU quero fazer da vida e como EU quero? Aí sim poderíamos começar uma conversa, uma troca, por mais que a pessoa comentasse que trabalhar numa empresa não é tão ruim assim ou que é complicado ter amigas tão longe. Então eu explicaria que empresas são boas sim, mas para quem foi feito para esse tipo de trabalho, o que realmente não é o meu caso. E explicaria também que eu sei que amizades de internet, apesar de serem bem normais, porque não vieram de Marte e sim do próprio Brasil (eu ainda estou no lucro, porque conheço pessoas que tem amigos ou até mesmo namoram gente do Japão, então acho que Rio Grande do Sul não é tão longe assim), são complicadas sim, que é difícil manter, cuidar etc., mas isso não quer dizer que não valham a pena e que eu não tenho mais ninguém ao meu redor aqui no Rio de Janeiro! Se esse interesse real realmente existisse, de conhecer o outro por ele mesmo, não apenas como um passatempo de um encontro social, talvez mais amizades “normais” pudessem existir e tais encontros não seriam tão sufocantes e irritantes como são para mim e, creio eu, para muitas pessoas também.

(Des) Inspiração.

des

 

Você só aparece quando não te quero
Na rua, no mercado, no chuveiro
Às 3 da manhã
Quando estou de olhos fechados
E geralmente quando não espero.

Aparece carregada quando somem canetas
Quando desaparecem cadernos, lápis ou
Qualquer instrumento usado para compor letras.

Aparece quando tenho sono, quando os olhos ardem
Quando a coluna grita e a dor invade
Cadê você às 3 da tarde?
Cadê você quando grito desesperada
Ou morro de saudades?

Minhas gavetas estão abertas
Onde está você?
Já sei! Foi procurar outro escritor para aborrecer!
Me deixou aqui sozinha, vazia
Completamente à sua mercê!

Por que você só aparece quando não te quero?
Por que você só aparece quando não espero?

Trabalhos a fazer, prazos a cumprir
Toda uma vida para resolver
Para desenvolver
E você não está aqui!
Qual é a graça de ficar sempre nesse ir e vir?

Você se acha tão importante
Tão brilhante e engraçadinha
Que nem notou, nem conseguiu ver
Que eu acabei de fazer um poeminha
Mesmo sem você.

Escritor 09 – Khaled Hosseini

Khaled-Hosseini

Khaled Hosseini nasceu no dia 4 de Março de 1965, em Cabul, no Afeganistão. É escritor e médico.
Filho de um diplomata com uma professora, sua família mudou-se para Teerã onde o seu pai trabalhou para a Embaixada Afegã. A partir de 1976, o Ministro de Relações exteriores transfere a família Hosseini para Paris. Quando estavam prontos para voltar ao Afeganistão, comunistas tomam o poder de forma cruel e eles são enviados aos Estados Unidos, onde lhes foi oferecido asilo político, e em setembro de 1980 eles se mudam para San Jose, na Califórnia.
Hosseini se formou em 1984 e inscreveu-se na Universidade de Santa Clara, onde ganhou título de Bacharel em Biologia, em 1988. No ano seguinte, entrou para a Universidade da Califórnia, em San Diego, onde se formou em medicina em 1993.
Em março de 2001, enquanto ainda exercia a prática da medicina, Khaled Hosseini começou a escrever o seu primeiro romance intitulado “O Caçador de Pipas”. O livro foi publicado em 2003 e rapidamente tornou-se best-seller, sendo vendido em mais de 70 países e ficando mais de 100 semanas em primeiro lugar na lista de best-sellers do jornal The New York Times. O livro, apesar de ficção, descreve um Afeganistão diferente do que conhecemos, construído através das memórias de infância do autor.
Em 2007, seu segundo livro, intitulado “Cidade do Sol”, seguindo o sucesso do primeiro, debutou em primeiro lugar novamente no The New York Times, permanecendo ali por 15 semanas e passando um ano inteiro na lista dos livros mais vendidos. Juntos, os dois livros venderam mais de 10 milhões de cópias nos Estados Unidos e mais de 38 milhões de cópias ao redor do mundo.
Khaled Hosseini é casado com Roya Hosseini e são pais de Haris e Farah.
Seu mais recente livro “O Silêncio das Montanhas”, publicado no primeiro semestre de 2013, figura na lista dos best-sellers do Brasil desde o seu lançamento até a data presente.

Principais Obras:

O Caçador de Pipas (2003)
Cidade do Sol (2007)
O Silêncio das Montanhas (2013)

Opinião Pessoal: Tive contato com os livros de Khaled Hosseini através de minha avó, que leu seus dois primeiros livros e ficou encantada por eles. E após a insistência de algumas amigas, que não tinham nada além de elogios para fazer sobre o autor, eu resolvi pegar os livros e lê-los.
Comecei a ler O Caçador de Pipas e ele logo me conquistou. Lembro que levava ele para o trabalho e ficava lendo nas horas vagas, passando página por página de forma ávida, curiosíssima para saber o que iria acontecer nas próximas cenas. O Caçador de Pipas é um livro que, na minha opinião, não enjoa. A maioria dos livros, por mais interessante que sejam, sempre me entediam em algum momento, é realmente muito difícil algum livro conseguir me prender de uma forma em que eu não pense no que tenho que escrever, no que tenho que fazer etc. O Caçador de Pipas foi um desses livros onde eu realmente consegui desfazer-me da minha vida particular e entrar na história como se fosse amiga ou parente dos personagens. Não fui decepcionada em nenhum momento. Ainda que algumas partes quase arrancaram minha alma, tudo o que aconteceu ali foi necessário para a história ser desenvolvida e a mensagem ser passada. Quando acabei o livro, acabei no trabalho e só não caí aos prantos porque eu estava em local público e não tinha como eu explicar para as pessoas porque eu estava chorando aparentemente “do nada”. Deixei cair duas lágrimas, mas me recompus a tempo, sem que ninguém visse (pelo menos eu acho). E hoje esse livro está no meu top 10 de livros favoritos.
O que eu mais amo na escrita de Hosseini é sua sensibilidade. Eu gosto de autores que são muito mais do que apenas meros espectadores, não gosto desses que narram a história a uma certa distância, como um biógrafo que narra a vida de seu biografado. Os personagens de Khaled, sejam estes femininos ou masculinos, possuem uma veracidade, uma sensibilidade que é impossível você não se identificar com algum deles ou colocar-se em sua pele, ainda que eles façam coisas que não condizem com a sua moral própria. Ele parece amar tanto seus personagens que esse amor transpassa as páginas do livro e atinge por inteiro o leitor. Além da parte psicológica, ainda somos brindados com uma visão diferente do Afeganistão, uma visão mais família, com sua cultura peculiar, sua religião, seus princípios, sua moral, o que contrapõe a visão que temos de um país onde só tem bombas para todos os lados e vidas massacradas diariamente por uma guerra que é incompreensível ao nossos olhos.
Pretendo ler em breve seus outros dois livros lançados no Brasil, pois eu sei que Khaled Hosseini ainda tem muito o que dizer, muito sobre o que ensinar sobre sua cultura e sua experiência de vida. E sugiro que todos façam o mesmo.

Poema De Um Lutador.

boxe 3

 

Minha cabeça está baixa, a coluna está curvada.
Olho ao redor e não vejo nada.
Falo comigo mesmo e não ouço nada.
A derrota me atingiu em cheio; deu um tapa na cara.
Fui nocauteado e meus lábios beijam a lona da vida.

Está escuro; está deserto.
Não é seguro; estou incerto.
Olho ao redor e não vejo nada.
Falo comigo mesmo e não ouço nada.
Cansei, cansei de lutar.
Cansei de tanto tempo me esforçar, sentir meu corpo se esgotar e de nada adiantar.
Talvez não tenha nascido para isto.
Talvez minha luta não seja esta.

Vivo num mundo de vitórias. Onde os olhos brilham para o sucesso e as línguas se afiam para a derrota.
Pessoas te olham de soslaio, apontam, criticam, chovem palavras.
Tempestades de palavras que desamparam.
Tempestade de pessoas que nunca sequer tentaram.
Talvez não seja mais o mesmo, talvez nunca tenha sido alguém.

Quem sou eu?
Não sei.
Não tenho mais ninguém.
Olho ao redor e não vejo nada.
Falo comigo mesmo e não ouço nada.

Silêncio.

Vamos lá, vamos lá.
Vamos recomeçar.
Eu perdi, mas não me perdi.
Não posso, não devo…
Está escuro, mas não devo ter medo.

Todo lutador é formado de derrotas.
Todo campeão já várias vezes perdeu sua rota.
Se não vejo nada, preciso enxergar.
Se não ouço nada, preciso tentar.
Toda derrota abre um caminho; um caminho bifurcado.
Há duas trilhas a seguir: Tentar de novo ou desistir.
A vida me oferece essa escolha agora.
Estou no centro e preciso decidir.

Quem sou eu?
Não sei.
Talvez nunca saberei por completo.
Só sei que não sou mais o mesmo.
Olho ao redor e vejo o futuro.
Falo comigo e minha alma escuto.
Que falem, que critiquem… Façam chover!
Que façam chover as gotas ácidas de palavras, não vou morrer.
A pior derrota é a derrota para si mesmo.
E essa é uma luta que jamais irei perder.

Levanto a cabeça, ponho a coluna ereta.
Não há mais volta, já decidi minha meta.
Olho nos olhos de meus pais, de minha esposa, de minhas duas filhas e descubro que não tenho nada a temer.
Tenho tudo o que qualquer ser humano possa querer.

É um novo dia, é um novo começo.
Faço uma prece, beijo o meu terço.
Uma nova luta está para começar…
E eu mal posso esperar!

Escritor 09 – Antoine de Saint-Exupéry

5.1.2

Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry nasceu em Lyon, na França, em 1900. Foi escritor, ilustrador e piloto, filho do conde Jean Saint-Exupéry e da condessa Marie Foscolombe.
Antoine voou pela primeira vez aos 12 anos de idade e esta experiência despertou-lhe o desejo de ser piloto. Estudou no colégio jesuíta de Notre-Dame de Saint-Croix, em Mans, de 1909 a 1914.
Na época da Primeira Guerra Mundial, Antoine e seu irmão François transferiram-se para o colégio dos Maristas, em Friburgo, na Suíça, onde permaneceram até 1917.
Em 1921 Antoine inicia o serviço militar no 2º Regimento de Aviação de Estrasburgo. Ali ele aprendeu a pilotar e realizou o seu sonho de infância de ser um grande piloto.
Após deixar o serviço aéreo, Saint-Exupéry trabalhou em várias profissões, mas retornou à sua profissão original em 1926 em uma companhia aérea privada que transportava cartas da Europa à África e à América do Sul. Em 1927 começou a trabalhar em seu primeiro livro, um livro de memórias, que foi lançado em 1929. Pouco tempo depois mudou-se para a Argentina a fim de fiscalizar um estabelecimento dos correios. Quando retornou à França em 1931, publicou Vôo Noturno, que foi sucesso instantâneo e ganhou o prestígio da Prix Femina (um importante prêmio de Literatura na França).
Antoine de Saint-Exupéry sofreu alguns acidentes aéreos em sua carreira. Em 1935, após tentar bater um record de velocidade, voando de Paris a Saigon (cidade do Vietnã), seu avião caiu no deserto da Líbia. Ele e seu co-piloto permaneceram 3 dias perdidos no deserto até encontrarem ajuda. O segundo acidente veio em 1938, dessa vez voando entre Nova York e Tierra del Fuego (na Argentina). Recuperou-se do acidente em Nova York durante um largo período de tempo.
Seu seguinte livro, Terra dos Homens, foi publicado em 1939 e ganhou prêmios importantes como o Académie Française’s Grand Prix du Roman, na França, e o National Book Award, nos Estados Unidos.
No começo da Segunda Guerra Mundial, Saint-Exupéry retornou à França para voar com as Forças Francesas Livres. Devido às suas experiências na guerra, escreveu Piloto de Guerra e Cartas A Um Refém, ambos publicados em 1942. O sucesso mundial “O Pequeno Príncipe” foi publicado em 1943, que veio a ser seu último livro.
Mesmo sendo impedido de voar, devido às fraturas de seus antigos acidentes, Exupéry insistiu em mais uma missão como piloto.  Sua última tarefa foi recolher informações sobre os movimentos das tropas alemãs em torno do Vale do Ródano, antes da invasão aliada do sul da França. Na noite de 31 de Julho de 1944, decolou de uma base aérea em Córsega e nunca mais retornou. O corpo de Antoine de Saint-Exupéry jamais foi encontrado.

Principais Obras:

Voo Noturno (1931)
Terra dos Homens (1939)
O Pequeno Príncipe (1943)

Opinião Pessoal:

Eu estava na oitava série quando coloquei minhas mãos em “O Pequeno Príncipe” pela primeira vez. Estava recém atingida pela mágica que Senhora, de José de Alencar, tinha feito na minha vida e fui buscando cada vez mais livros para ler na Biblioteca do colégio, já que na época eu não tinha dinheiro para comprar os meus. Eu tinha uma professora de português maravilhosa, chamada Elizabeth, que foi uma grande amiga na época. Foi ela quem me emprestou “O Pequeno Príncipe” e eu lembro de uma frase que ela me disse enquanto me entregava o livro em mãos: “Esse é um livro para você ler em todas as etapas de sua vida, pois, conforme você vai crescendo e envelhecendo, você vai interpretar esse livro de uma maneira diferente.” E ela estava corretíssima!
Eu sou lerda demais para ler, mas li o livro em um dia. Lembro que cheguei do colégio e fiquei até a hora de dormir lendo, completamente fascinada por aquelas palavras que eu nunca antes tinha encontrado em qualquer outro livro que já tinha lido. Não posso falar pelos outros livros de Exupéry (que também são muito bem criticados), mas eu já o acho um excelente escritor só por ter publicado um livro como esse. Sua filosofia, sua doçura com as palavras, a sutileza e a profundidade dos personagens deve ser lido em todas as casas, por pessoas de todas as idades, a fim de uma reflexão mais abrangente, não só da vida como mundo exterior, mas também de seu próprio mundo, aquele mundo que está dentro de nós. Afinal, “o essencial é invisível aos olhos.”
Ainda não tive a oportunidade de relê-lo, como minha professora mandou, já que faz quase dez anos desde que o li pela primeira vez. Mas leio alguns trechos, principalmente pelas redes sociais e vejo esses trechos de uma forma que na época eu não consegui ver.
O que mais acho interessante na história de Saint-Exupéry foi sua aptidão tanto para a aviação quanto para a escrita. Temos aquela ideia de que alguém que escreve ficção geralmente é voltado para as letras e para a arte, enquanto pilotos, mecânicos, engenheiros, arquitetos etc., lidam mais com a ciência, com a física, com a parte mais bruta do mundo, a parte mais concreta, por assim dizer. Exupéry não era um piloto que escrevia e nem um escritor que pilotava. Ele era ambos, tinha duas profissões paralelas, duas profissões em que se destacou e ganhou prêmios e honrarias. Profissões que parecem tão antagônicas, mas que, ao parecer, ele executava com maestria.
Abaixo, um trecho de O Pequeno Príncipe:

“As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém… Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!”