Vidas Secas E A Questão Da Identidade

Como todo livro clássico, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, pode ser lido por diferentes aspectos. É possível abordar a seca nordestina e o sofrimento dos retirantes, a relação do homem com os animais ao seu redor, a inteligência de Sinhá Vitória, que mesmo não tendo estudo sabia contar e mantinha a estrutura da família, entre tantos outros temas. Eu abordarei Vidas Secas pela perspectiva da identidade – ou a falta dela – de Fabiano, o protagonista do livro.
Fabiano é nordestino, analfabeto, homem do campo. “Um bruto”, como costuma referir a si próprio inúmeras vezes. Ele e a família – a mulher, dois filhos e a cachorra Baleia – são retirantes, obrigados a se deslocarem a pé por terras e terras para fugirem da seca. Depois de muita luta na estrada, a família de Fabiano se abriga em uma parte abandonada de uma fazenda. Alguns dias depois, o dono aparece e, após uma conversa, acaba contratando Fabiano como vaqueiro.

Na página 18 podemos observar o seguinte trecho: “Ele não era um homem. (…) Encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra”.

Na página 36: “Difícil pensar. Vivia tão agarrado aos bichos… Nunca viu uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares.”

Na página 55: “Tinha um vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que morrera no tempo da seca.”

Os três trechos apontam a falta de identidade de Fabiano. Por não saber ler, nem escrever, não sabia se expressar. Seu vocabulário era limitado, falava através de murmúrios, onomatopeias, o que o reduzia quase a um animal. Se um homem não pode ser identificar como homem, então o que é? Qual o seu papel no mundo? Para onde poderá ir, o que poderá alcançar?
No caso de Fabiano era mais fácil saber-se uno com os bichos, já que, assim como ele, também murmuravam, existiam através de ruídos e eram jogados para lá e para cá dependendo da condição do ambiente. Os homens brancos, como seu patrão, não se assemelhavam a ele: tinham terras, sabiam mandar, sabiam ler e contar, tinham estudo, eram gente. Apesar da biologia, eles não eram iguais e o nunca o seriam perante a sociedade.
É perturbador refletir que uma pessoa de carne e osso, que pensa, que – mal ou bem – fala e vive se sinta mais parecido com uma cabra do que com um ser humano. E é mais perturbador ainda saber que, como Fabiano, existem milhões por aí, principalmente em nosso país, em nossa esquina, que se sentem e vivem da mesma forma.

Um outro trecho, na página 76, diz: “Como ele era manipulado por não saber nada. E como ele temia saber e ser obrigado a sair de sua situação de bicho.”

Fabiano não sabia de nada desde que nascera. Seu conhecimento era de terras, de vida dura, do sertão. Não conhecia-se nem como gente e o reconhecer-se bicho já fazia tanto parte de sua personalidade – talvez a única identidade que possuía – que ele temia sair dessa condição. Se por acaso viesse a aprender a ler, escrever e ganhar algum saber, ele seria obrigado a perder essa identidade de animal e adquiriria uma identidade de homem. E então, o que seria dele? Pode ser apavorante para uma pessoa que não tem nada imaginar-se num mundo onde se tem tudo.
“Se aprendesse qualquer coisa…”, relata o narrador na página 22, “necessitaria aprender mais, e nunca ficaria satisfeito.” Como em Fabiano, o saber causa medo a muita gente. Não é difícil ouvir dizer por aí que ler muito pode enlouquecer as pessoas, que livros manipulam a cabeça dos jovens e alguns mais radicais colocam até o diabo na questão. Mas Graciliano mostra que é justamente o contrário: quanto mais se lê, quanto mais se sabe, mais um homem pode fazer cargo da própria vida. Quanto mais se aprende, mais um homem, pode evitar ser manipulado, mais um homem pode expressar suas ideias, sentir-se dono de seu próprio ser e ser livre para pensar e criticar tudo ao seu redor. Não à toa a primeira atitude de governos totalitários é queimar livros que ofereçam “perigo” ao poder instituído. Porque não há arma mais forte e mais poderosa que o saber. E junto com o saber vem a crítica, a luta por um mundo melhor e uma humanidade mais justa. Entretanto, o saber crítico dá trabalho e como dá! É necessário muita leitura, direcionamento por parte de professores preparados, força de vontade para sair de sua bolha, de sua zona de conforto e olhar o mundo como algo que vai muito além de você e do seu quadrado. Muitas pessoas não querem – ou não foram ensinadas – ir além de sua ignorância.
Ninguém nunca disse a Fabiano que ele poderia ser homem. Que ele tinha direito a ser homem, não biologicamente falando, mas sociologicamente. Por isso, ele nunca se sentiu e nem sabia que era possível se sentir como homem.
Um personagem que se mostra diferente devido a seu saber e costuma aparecer freqüentemente no livro, apesar de ser apenas na fala e na lembrança de Fabiano, é o Tomás da bolandeira, um homem do sertão como ele. Porém, segundo o protagonista, Tomás da bolandeira “falava bem, estragava os olhos em cima de jornais e livros” e Fabiano sentia uma certa inveja de como o velho se expressava com eloqüência. Ele tentava imitar o respeitado senhor versado em livros, mas nunca dava certo, sempre se atrapalhava com as palavras, pois “um sujeito como ele não havia nascido para falar certo.” (pág. 22) Como não conseguia ir além de um par de palavras ditas, Fabiano encolhia-se como bicho e retornava à toca da ignorância. Para ele, não poderia haver nada além disso.
Graças à sua rudeza, Fabiano era constantemente enganado pelas pessoas ao seu redor, principalmente pelo patrão, que lhe pagava menos do que o merecido, o que foi descoberto por sua astuta esposa, Sinhá Vitória. Quando Fabiano foi questioná-lo, este usou de seu poder para lhe dizer que procurasse trabalho em outro lugar, tendo a perfeita ciência de que o maior medo daqueles que têm pouco é terminar sem nada. Diante da ameaça, o protagonista encolhe-se outra vez e pede desculpas, alegando que sua esposa deve ter feito algum cálculo errado. Fabiano sai do encontro ainda empregado, porém, ainda mais ciente de sua inexistência como homem.
Graciliano Ramos é considerado um dos maiores autores da literatura brasileira e Vidas Secas exemplifica bem o porquê disso. O livro é carregado de denúncias sobre a injustiça das classes sócias, do abuso de poder, e da miséria física e psicológica que sofre a maior parte da população brasileira. Lançado 1938, o autor escreve sobre um Brasil que ainda conhecemos em 2018. O que mudou de lá pra cá? Quantos milhões de Fabianos, que não tem nem o direito de saber assinar o nome, existem por aí? Quantos mais continuarão a existir nos anos que se seguirem?
Parafraseando o narrador, o povo brasileiro trabalha como um negro e nunca arranja a carta de alforria. E há muitos donos de escravos – sejam eles de barro nas calças ou de terno e gravata – que querem que tudo continue assim.

Livro: Vidas Secas
Autor: Graciliano Ramos
Editora: Record
Número de Páginas: 155

São Tempos Difíceis Para Os Sonhadores, Mas…

São tempos difíceis para os sonhadores.
Tudo o que falo, tudo o que digo são palavras em direção a um propósito maior. Não há mais histórias, poesia, sonhos, fantasia. Agora só há espaço para luta, para o sangue, para o grito pela vida!
São tempos difíceis para os sonhadores e aqueles que acreditam num mundo melhor. Se o mundo já foi melhor antes, por que não pode voltar a ser?
Por quanto tempo mais teremos que lutar até que todos os seres humanos se enxerguem como humanos?
É muito cansativo, me sinto exausta… está difícil respirar.
Sinto falta de sonhar. Sinto falta de ver imagens em minha cabeça que falavam de amor, de perdão, de superação. Os personagens que batiam à minha porta e diziam “hey, conte minha história!”. Mas até eles se esconderam e tremem de medo. Ninguém mais quer contar histórias. Agora só o medo reina, a ansiedade, a falta de ar constante, os olhos pesados de tantas palavras envenenadas, de tantas imagens de violência e desespero.
São tempos difíceis para os sonhadores. Mas os sonhos são nossa única arma. Nosso único meio de acabar com a violência, com a opressão, com o ódio que vem disfarçado de justiça. E se há sangue, não é justiça: é vingança.
São tempos difíceis para os sonhadores, mas de alguma maneira estamos aqui.
Se não estivermos, quem estará?
Como Atlas, somos nós que sustentamos o mundo, é por nós que tudo ainda gira, que a semente ainda cresce, que a luz se espalha, que a palavra floresce. Mesmo com as pernas bambas, com as mãos trêmulas, com o coração apertado, estamos aqui. E vamos continuar…
Tenhamos força, sonhadores! Unamos as mãos, os corpos, as palavras, os sonhos!
É tempo de lutar!
Se nós não florescermos, quem florescerá?
Se nós não criarmos, quem criará?
Se nós não sonharmos, quem sonhará?
Quem sonhará, amigos? Quem sonhará…?

Coisas Que Se Rompem.

A casa está vazia.
Sou uma menina a espera pelo pai
Um pai que ainda não chegou.
Mamãe está na cozinha
Chora e não sei por que
Quebra um prato e pede que me afaste
Pede que me afaste
E não me deixa ver.

Agora, nem os barulhos estão.
Tudo, todos nos deixaram
E nesta casa vazia
Só nos resta solidão.

Agora, mamãe chora por seu prato quebrado.
Talvez chore por mais.
Sou uma menina à espera pelo pai
E também uma menina que não se atreve
A regressar à cozinha.

O relógio marca dez e meia.
Ele ainda não chegou.
Sozinha, mamãe segue chorando
E como chora por seu prato quebrado!

Pratos, vidas, infância…
Existem coisas que se rompem e não têm mais conserto.

Sou uma menina à espera pelo pai
Mesmo já sendo mulher.
Em mim, o tempo se rompeu às dez e meia.

A casa está vazia.
O silêncio sussurra o abandono.
Ele nunca chegou.

E Se?

 

E se eu parasse de sentir medo?
E se eu abrisse a gaiola, saísse para o mundo, se abrisse meu peito, se respirasse mais fundo?
E se eu vencesse meu pavor de pessoas, se pisasse mais forte, se cantasse mais alto, se falasse o que penso sem temer os olhares, sem me importar com os lamentos?
E se acreditasse que sou inteligente (o bastante), que tenho talento (o bastante), que posso sonhar e realizar, que posso seguir, conseguir o que quero, o que preciso, o que mereço?
E se eu largasse essa necessidade de aprovação, a obsessão em ser amada – por tudo, por todos – e se eu olhasse no espelho e visse alguém que vale a pena?
E se eu pudesse perdoar meu pai, e se eu pudesse recompensar minha mãe -por tudo, por todos -, e se eu pudesse largar essa culpa por nunca conseguir ser o brilho nos olhos dos outros?
E se eu pudesse sobreviver de arte, sobreviver de letras, se pudesse dizer a verdade, a minha verdade, sem precisar me esconder para evitar sofrer – por tudo, por todos -, e se eu pudesse ser quem eu nasci para ser? (Esconder só aumenta o sofrer)
E se eu pudesse finalmente começar a viver?
E se?

O Amor Pertence Às Pessoas Bonitas.

O amor pertence às pessoas bonitas.
Isso foi o que aprendi.
Pertence àqueles que sabem olhar
Agradar, conquistar
Ou regalar um belo sorriso.

Todos nós gostamos de ver alguém bonito.
O amor também.
Ele olha uma pessoa bonita
E outra pessoa bonita
E as põem juntas.
Um corpo bonito
E outro corpo bonito
E no mundo do amor
Tudo é uma grande festa.

O amor pertence às pessoas bonitas.
Isso foi o que aprendi.
Mas o que acontece com os feios,
o que acontece?
Com os enrugados, com os marcados
no corpo
na alma
na cara
o que acontece com eles
o que acontece?
Não acontece nada.

Neste mundo de reflexos
o amor não nos escolhe
o amor nos esquece.
A nós nada pertence
talvez apenas a sorte
de amar o amor de outros.

O amor não pertence aos feios.
Isso foi o que aprendi…

 

Branca De Neve Na Floresta.

 

Estou entrando em uma floresta, uma floresta de pedra. Ouço o barulho dos saltos sobre o chão de mármore e em meu peito apenas o silêncio. Nenhum ar entra, nenhum ar sai. Estou entrando na floresta e não consigo pensar.
Olhos me miram, me esperam e aguardam. As palavras que mantive alinhadas por toda a noite agora são redemoinhos na cabeça. Estou entrando na floresta, os saltos batem e batem, não penso e a consequência é não saber o que dizer.
Olhos me miram, muitos olhos, por todos os lugares, por todas as partes. É um pesadelo ao vivo e a cores. Olhos bravos, semicerrados, olhos que me observam e esperam, olhos que me desesperam.
Não sei o que acontece, apenas acontece. Me coloco na frente, estico a coluna tudo está bem, eu digo, tudo está bem, está bem, não, não está nada bem.
Não sei o que acontece, apenas acontece.
Não sei… Não sei.
Quero gritar, mas não faço nenhum som. Quero fugir, mas minhas pernas tremem demais para que eu possa dar qualquer passo sem cair. Mãos invisíveis apertam meus ombros, os olhos me miram, meu Deus, será que estão percebendo?
Olhos me miram e não sei, não sei!
Estou aqui e agora? Estou aqui e, meu Deus, só quero sair!
Solto uma risada (sempre o riso dissimulado!) e sigo em frente. Tudo está bem, está, se não está, vai ficar. Solto as palavras presas, jogo o redemoinho para a plateia confusa. Eles que peguem as palavras, eles que as organizem em fila indiana, que façam algum sentido disso. Eu não sei mais o que faço, apenas faço. Já não sou gente, já não sei o que sou, talvez uma máquina emitindo um som arranhado, prestes a dar defeito (acho que já dei…). Apenas termino a tarefa com sorriso de miss e uma piada impertinente.
O barulho dos saltos sobre o chão e meu peito em chamas. Saio da floresta, mas o pavor não sai de mim. Me escondo no canto, a vida segue, os olhos desviam, uma outra pessoa entra na floresta e as palavras saem em fila indiana (me pergunto se ela também está em chamas).
A vida segue, mas eu não.
Eu parei aqui.

3 Poemas Do Livro “Retrato Do Artista Quando Coisa”, de Manoel De Barros.

 

6.

Aprendo com abelhas do que com aeroplanos.
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
É  um olhar para o ser menor, para o
insignificante que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma
barata – cresce de importância para o meu
olho.
Ainda não entendi por que herdei esse olhar
para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades
machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão –
Antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quando as soberbas coisas ínfimas.

9.

Quando o mundo abandonar o meu olho.
Quando o meu olho furado de belezas for
Esquecido pelo mundo.
Que hei de fazer?
Quando o silêncio que grita de meu olho não
For mais escutado.
Que hei de fazer?
Que hei de fazer se de repente a manhã voltar?
Que hei de fazer?
– Dormir, talvez chorar.

11.

A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou – eu não
aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre
portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora,
que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.

Extra:

Sabedoria pode ser que seja ser mais
estudado em gente do que em livros.

O Microfone.

 

Aconteceu no passado
Quando eu tinha cinco anos
No coral da minha igreja.

Um microfone na minha frente
E uma grande vontade de cantar.

Eu era pequena
Muito pequena
Então levantei
Me coloquei na ponta
Dos pés
Pus a boca sobre o microfone
E cantei.

Foi apenas uma frase
Uma pequena frase
Tão pequena quanto eu.
Foi apenas uma frase
Talvez não pequena o bastante
Para evitar os olhares ruins
De outras pessoas
Talvez não tão pequena
Pois a menina mais velha
Ao meu lado
Me pegou pelo braço
E disse:

Garota,
Você não deve se levantar
Você não deve falar
Sobre o microfone
Garota,
Você não deve levantar
Sua voz.

Como a boa menina
Que fui educada pra ser
Me calei e sentei.

Desde então
Eu não consigo levantar
Eu não consigo falar
Nada consigo pronunciar
Cada vez que chego perto
De um microfone.

(Não sou mesmo uma boa menina?)

3 Poemas De Mia Couto, Do Livro “Poemas Escolhidos”

Rede

 

Mia Couto é conhecido por fazer poesia em prosa em seus livros de ficção. Ganhador de grandes prêmios, inclusive o Prêmio Camões, o mais importante em língua portuguesa, o autor de “Terra Sonâmbula”, traz neste livro poemas selecionados, que sintetizam sua obra poética até o momento.
Aqui estão meus três poemas favoritos do livro:

Doença

O médico serenou Juca Poeira.
Que ele já não padecia da doença
Que ali o trouxera em tempos.

E o doutor disse o nome
Da falecida enfermidade:
“Arritimia paroxística supraventricular”

Juca escutou, em silêncio,
Com pesar de quem recebe condenação.

As mãos cruzadas no colo
Diziam da resignada aceitação.

Por fim, venceu o pudor
E pediu ao médico
Que lhe devolvesse a doença.

Que ele jamais tivera
Nada tão belo em toda a sua vida.

Sementes

Olhos,
vale tê-los,
se, de quando em quando,
somos cegos
e o que vemos
não é o que olhamos
mas o que o olhar semeia no mais denso escuro.

Vida
vale vivê-la
se, de quando em quando,
morremos
e o que vivemos
não é o que a vida nos dá
nem o que dela colhemos
mas o que semeamos em pleno deserto.

A espera

Aguardo-te
como o barro espera a mão.

Com a mesma saudade
que a semente sente do chão.

O tempo perde a fonte
e a manhã
nasce tão exausta
que a luz chega apenas pela noite.

O relógio tomba
E o ponteiro se crava
No centro do meu peito

Fui morto pelo tempo
No dia em que te esperei.

 

 

Sigo (Aos Pouquinhos)

sigo

 

Aos pouquinhos vou indo.
Ainda é pesado, ainda dói
Mas sigo.
Sigo não sei de que jeito
Por que ou de que forma
Mas sigo.
Sigo porque talvez exista um lugar
Do outro lado do oceano
Talvez exista algo ou alguém
Me esperando.
Sigo porque já tentei morrer
e nem isso me fez feliz.
Sigo porque a saída é
Viver a vida
Agora.

Aos pouquinhos vou indo.
Devagar, bem devagar
Para algum lugar
Quem sabe
Para alguém…
Sigo.