Sobre Eu, Você e o Fim.

dai

 

Minhas palavras sentem sua falta. Esquecê-lo e seguir em frente adoeceu minhas letras. Não escrevo para mais ninguém, e como conseqüência, não escrevo.
Minhas cartas de amor soam falsas porque são falsas. Não sou poeta e não posso fingir. O que escrevo é verdade, é fato, é toque, é contato. Se não está aqui, não sei sentir.
Então recorro à sua memória como última tentativa de sentir algo, uma esperança para a continuidade de minhas letras.
Mas já não sei a quem escrevo. Tudo de você que restou em mim foi um borrão ao qual não consigo dar forma. Esqueci finalmente e agora estou aqui.
Onde estou?
Perdão por arrastá-lo de volta às minhas memórias. Prometi que não mais o faria e não consegui cumprir.
Acabo de ouvir nossa música no rádio e me dei conta de que ela não é mais nossa música. Não representa mais nada. Com otimismo digo que posso ouvi-la agora como apenas uma música. Com tristeza percebo que não mais nos significa.
É verdade, segui mesmo em frente. Minhas palavras são só mais uma despedida, uma última tentativa de eternizá-lo em letras. Já me reconheço outra pessoa (pelo menos na maior parte do tempo) e com uma vida que quero em mãos para ser vivida. Não sei se posso crer que outro ocupará o espaço que você ocupou; procuro não pensar nisso. Tenho planos, sonhos, objetivos… e sorrio ao pensar que eles não mais envolvem nosso retorno. Quero chegar longe, quero respirar vida, quero fazer cada segundo valer a pena e tudo isso por mim mesma. Não sei se um reencontro seria possível, mas, com sinceridade, espero que não. Admito que choro ao dizê-lo… mas é a mais pura verdade. Não sei como reagiria ou o que sua presença faria de mim… Juro, juro que não preciso saber! Para o meu bem, para o nosso bem… Não quero saber. Melhor deixar tudo como está. Melhor… sim, melhor.
Desejo-lhe uma ótima vida, cheia de aprendizados e regada de muito, muito amor. Um dia, talvez em outro tempo fora daqui, poderemos estar juntos sem nos destruirmos. E então repararemos tudo, remontaremos as paredes do Universo que quebramos e poderemos usar a palavra amor em sua verdadeira essência. Antes disso, precisaremos trilhar longos caminhos separados. Agora entendo isso. Sei que sente o mesmo.
Receba meu amor e meus melhores desejos de longe, muito longe. Não espere por mim e eu não esperarei por você. Vivamos simplesmente! Vivamos…

Sempre sua,

“O Amor”, Por Khalil Gibran

o amor

Este belíssimo texto foi retirado do livro “O Profeta”, do escritor libanês Khalil Gibran. É um texto que considero um dos pontos altos do livro e nos traz uma grande oportunidade para fazer refletir o que é aquilo que entendemos como o amor.

“Todas essas coisas o amor fará por vós a fim de que vos torneis sabedores dos segredos de vossos corações, e que, imbuídos desse saber, vos transformeis num fragmento do coração da Vida.

Mas se, por receio, desejais buscar somente a paz e o gozo do amor,
E melhor cobrir vossa nudez, e abandonai a eira do amor,
Para que possais entrar no mundo sem estações, onde podereis rir, mas não todo o vosso riso, e chorar, mas não todo o vosso pranto.
O amor dá de si apenas, e anda recebe senão de si próprio.
O amor não possui nem quer ser possuído;
Pois o amor ao amor se basta.

Quando amardes, não deveríeis dizer: ‘Deus está em meu coração’, mas sim: ‘Eu estou no coração de Deus’.
E não pensai que serieis capazes de determinar seu curso, pois o amor, se considerar-vos dignos, direcionar-vos-á.

O amor não tem outro desejo senão o de atingir sua plenitude.
Mas se amardes e necessitardes ter desejos, que sejam estes:
O de vos tornardes a corrente de um riacho a entoar o seu canto para a noite;
O de conhecerdes a dor de tanta ternura;
O de serdes feridos por vossa própria compreensão do amor;
E sangrardes de bom grado e alegremente;
O de despertardes ao alvorecer com o coração alado e agradecerdes por mais um dia de amor;
O de retornardes à casa ao anoitecer, plenos de gratidão;
E então adormecerdes com uma oração para o bem-amado em vossos corações e uma cantiga de louvor em vossos lábios.”

3 Poemas De Florbela Espanca, Do Livro “O Livro D’ele”

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Doce Certeza

Por essa vida fora hás de adorar
Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,
Em infinito anseio hás de beijar
Estrelas d’oiro fulgindo em muita boca!

Hás de guardar em cofre perfumado
Cabelos d’oiro e risos de mulher,
Muito beijo d’amor apaixonado;
E não te lembrarás de mim sequer!..

Hás de tecer uns sonhos delicados…
Hão de por muitos olhos magoados,
Os teus olhos de luz andar imersos !

Mas nunca encontrarás p’ la vida fora,
Amor assim como este amor que chora
Neste beijo d’amor que são meus versos

Aonde?

Ando a chamar por ti, demente, alucinada,
Aonde estás, amor? Aonde… aonde… aonde?…
O eco ao pé de mim segreda… desgraçada…
E só a voz do eco, irônica, responde!

Estendo os braços meus! Chamo por ti ainda!
O vento, aos meus ouvidos, soluça a murmurar;
Parece a tua voz, a tua voz tão linda

Cantando como um rio banhado de luar!
Eu grito a minha dor, a minha dor intensa!
Esta saudade enorme, esta saudade imensa!
E Só a voz do eco à minha voz responde…

Em gritos, a chorar, soluço o nome teu
E grito ao mar, à terra, ao puro azul do céu:
Aonde estás, amor? Aonde… aonde… aonde?…

Versos
Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz. cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.

Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…

Versos! Versos! Sei lá o que são versos..
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…