Sejamos Todos Feministas – O Livro Que Toda Pessoa Deveria Ler

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“A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura.”

“Sejamos Todos Feministas”, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, é um ensaio derivado de uma palestra que a escritora ofereceu em uma conferência Ted em dezembro de 2012. Chimamanda foi aplaudida de pé e a palestra fez tanto sucesso que a autora reescreveu alguns trechos e lançou uma nova versão em livro.
No ensaio, a autora aborda o tema da desigualdade de gêneros e nos mostra alguns exemplos que ela, amigas e conhecidas (com as quais todas as mulheres seguramente vão se identificar!) sofreram por causa do machismo que povoa quase todas as culturas desde o início dos tempos. Chimamanda também conta casos de amigos homens que, apesar de serem boas pessoas, também mantinham atitudes e pensamentos machistas e excludentes, devido a uma educação que ensina, tanto aos meninos quanto às meninas, que os homens devem escolher e mandar e as mulheres apenas obedecer. Esse tipo de educação não pode mais ser perpetuada nos dias de hoje.
“Precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente”, diz a autora em um dos trechos do livro. Não podemos querer que o conceito de uma sociedade mude se continuamos a educar as nossas crianças da mesma forma com que nossos pais nos criaram. Se ninguém diz a uma menina que ela não deve se sentir inferior por causa de seu gênero ou se ninguém explica a um menino que uma garota tem os mesmos direitos e poderes que ele, não podemos esperar que eles se tornem adultos bem resolvidos e realizados.
“Sejamos Todos Feministas” é uma introdução do que é realmente o pensamento feminista. É um livro que pode e deve ser livro por qualquer pessoa, de qualquer idade, quer você se sinta homem ou se sinta mulher, quer você seja quem seja. O livro possui apenas 63 páginas de linguagem fácil e clara, seus olhos não irão ficar cansados e seu cérebro irá agradecer por poder absorver grandiosas informações.
O livro é apenas um ensaio pequeno e por isso não entra em questões mais profundas, que devemos procurar futuramente para nos inteirarmos mais sobre o assunto. Mas é uma enriquecedora introdução, principalmente para aqueles que ainda possuem ideias tão tortas e desinformadas sobre o que é o feminismo.
O feminismo não é o contrário do machismo, não é pregar uma troca de papéis onde as mulheres devem mandar e controlar o mundo enquanto os homens apenas precisam obedecer. Feminismo é libertar-se da ideia de que somos um gênero mais fraco, menor e incapaz de fazer e realizar as mesmas coisas. É ouvir o outro lado, é se interessar e admirar as diferenças entre os sexos e respeitar-nos acima de tudo como iguais. Somos todos seres humanos e queremos um mundo melhor para nossos descendentes. Comecemos por dar o exemplo.
O livro físico não custa mais do que quinze reais e a cópia digital grátis pode ser encontrada na Amazon.
Leia o livro, absorva as palavras, reflita e então permita que este pequeno livro chegue às mãos do maior número de pessoas possível. Espalhar palavras e ideias que abram a cabeça das pessoas é nosso dever como individuo em uma sociedade. Se queremos mesmo um mundo melhor, façamos por onde.
Parafraseando Mário Quintana, livros são capazes de mudar pessoas e pessoas são capazes de mudar o mundo. Acredito que “Sejamos Todos Feministas” seja um destes livros.

Resenha 15 – A Condessa Cega E A Máquina De Escrever

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“Eu vagava pela floresta havia dias. Você era, pelo que me lembro, um pequeno córrego que não constava de nenhum mapa. Eu mesmo não a marquei no meu, pensando em mantê-la como um segredo, mas, por outro lado, nunca consegui achar o meu caminho de volta.”

Sou apaixonada por descobrir livros desconhecidos. Livros dos quais você nunca ouviu falar e nem sequer conhece o seu autor. Todos nós (espero!) já nos deparamos com um livro assim: aquele que você encontra no cantinho das enormes prateleiras de uma livraria e sente uma imediata conexão com a capa e com a sinopse. É uma compra arriscada, de fato, pois é complicado gastar dinheiro em algo tão desconhecido para depois, quem sabe, odiar. Mas em todas as minhas compras “arriscadas”, até o presente momento, fui muito feliz. E o livro  “A Condessa Cega e a Máquina de Escrever” foi mais um que entrou para essa lista de descobertas magníficas.
Apesar da escritora Carey Wallace ser americana, a história se passa na Itália do século XIX. Carolina, uma jovem e bonita condessa, vai perdendo a visão gradativamente. Ela tenta alertar aos pais e ao noivo sobre o que está acontecendo, porém ninguém acredita em suas palavras. Só quem lhe dá algum crédito é Turri, seu vizinho e melhor amigo. Conforme vai vendo o mundo se apagando com o passar dos dias, Carolina abre os olhos para o mundo mágico dos sonhos, muitas vezes ajudada pela imaginação irrefreável de Turri. Quando toda a luz se vai para sempre, ela ainda consegue se enxergar em sonhos e é isso que a mantém viva.
A protagonista da história é Carolina, mas Turri rouba as cenas nos poucos (talvez nem tão poucos assim, eu é que queria Turri presente em todas as páginas mesmo!) capítulos em que aparece. Dono de uma personalidade única e que vai na contramão do estilo da sociedade em que vive, Turri é marginalizado por suas invenções mirabolantes. Se tivesse recursos e oportunidades maiores, seguramente entraria para a História como algum cientista que mudou para sempre a forma como as pessoas vêem o mundo. Mas como está preso a um pequeno vilarejo na Itália, ele é apenas considerado louco, pois suas experiências nem sempre dão certo. Sua curiosidade é tão grande que Turri vive para descobrir respostas às coisas mais simples, como por que a chuva cai do jeito que cai ou por que jogar uma pedra sobre a água provoca sobre a mesma movimentos circulares. Ninguém tem paciência para as experiências de Turri, apenas Carolina, que muitas vezes também participa de suas invenções.
Carolina e Turri se complementam e se entendem, se enxergam além das aparências e se cuidam com tanta ternura que acaba sendo difícil para ambos manter tanto amor apenas mascarado de amizade, ainda que ambos sejam comprometidos. E é a partir de um presente especial de Turri que a vida de Carolina muda para sempre.
“A Condessa Cega e a Máquina de Escrever” vai muito além de uma clichê história fofa de amor, pois traz um final que alguns leitores acostumados com o mesmo enredo “príncipe-encontra-princesa-e-chega-o-final-feliz” podem não gostar muito. Apesar da escrita da autora ser carregada de poesias e metáforas que nos transportam ao mundo de sonhos de Carolina e Turri, é uma história bem verdadeira, onde todos os personagens que compõem o enredo parecem ser de carne e osso. E nada no nosso feio mundo real é preto no branco, a gente desliza mesmo por várias camadas de cinzas e imagino que o final do livro tenha de fato acontecido com muitos apaixonados do passado, que não puderam viver sua história de amor do jeito que sonharam devido às circunstâncias. Mas se olharmos o livro sob a perspectiva de que o verdadeiro amor é dar ao outro o poder de sonhar e de nos devolver a vontade de estar vivos, talvez consigamos ficar um pouco menos melancólicos.
Ame ou odeie o final, a verdade é que “A Condessa Cega e a Máquina de Escrever” é um livro que fica em você. Faz mais de duas semanas que acabei de lê-lo e ainda estou relendo alguns trechos para matar as saudades de Turri. Confesso que ainda estou numa ressaca literária com este livro e tenho certeza de que falarei sobre a ternura deste livro por muito e muito tempo…

Título: A Condessa Cega e a Máquina de Escrever
Autor: Carey Wallace
Editora: Rocco
Número de Páginas: 256

Resenha 14 – Três Semanas Com O Meu Irmão

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Categorizo o livro “Três semanas com meu irmão” como aquele que mudou minha visão sobre Nicholas Sparks.
Quando o peguei para ler tinha o sentimento de “vamos lá para mais uma típica história do senhor Sparks”. Não que eu odeie suas invenções, muito pelo contrário, adoro a forma com que ele escreve, porém depois de alguns livros você acaba percebendo vícios, detalhes parecidos em todos eles. Já sabia que seria um pouco diferente por ser uma história real e ser escrita junto ao irmão, entretanto continuava com a sensação de que leria o mesmo de sempre. Logo de começo a narrativa é diferente por se tratar da história dele, e então eu comecei a me apaixonar por Nick (como seu irmão o chama), fui me identificando com a criança que ele foi e com sua maneira de ser. Enquanto lia suas aventuras e dificuldades familiares, pensava em todas as suas obras que li e até mesmo naquelas que não li, mas assisti aos filmes (ei, não me diga que nunca assistiu a um filme baseado numa história de Nicholas Sparks?) e vi todas de forma diferente. Nunca imaginei que “Um amor para recordar” era baseado em sua irmã, nem que “O resgate” foi inspirado no seu filho Ryan.
Pensando nas histórias pude ver um pouquinho de Nicholas nelas, pude ver um pouco da dor que ele passou, um pouco da sua simplicidade em cada frase. Pensei muitas vezes que os romances acabavam parecidos por ele fazê-los apenas por dinheiro, por ter se tornado algo para lucrar e mudei de opinião sobre Nicholas, por saber tudo que ele passou e perdeu, tudo que ele ganhou e também os sacrifícios que fez para que essas histórias tivessem início, meio e fim.
Ao terminar o livro “Três semanas com meu irmão” senti vontade de abraçar os dois, tanto Nick quanto Micah e agradecer um ao outro por terem tido essa relação maravilhosa que serviu de apoio a ambos, além de possibilitarem a todos lerem e conhecerem essas aventuras e tragédias. Foi o melhor livro que eles poderiam ter escrito.
Indico o livro pra quem gosta do autor, pra quem não gosta e tem interesse de mudar de ideia, pra quem simplesmente quer conhecê-lo melhor. No livro é apresentada a história da família Sparks, desde a infância até a atualidade da escrita do mesmo, por lembranças em meio a uma viagem feita por Nicholas e seu irmão Micah. A escrita é a mesma fluida de todos os outros livros, você se apega às pessoas que nunca conheceu, se entristece e se alegra a cada minuto. Espero que mais pessoas se emocionem com a vida dessas duas pessoas e possam gostar um pouco ou ainda mais desse autor tão conhecido e ao mesmo tempo desconhecido por nós.

Título: Três Semanas Com O Meu Irmão
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 320

Resenha 12 – The Kiss of Deception: Crônicas de Amor e Ódio – Volume 1

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“Eu encontrarei você.
No recanto mais longínquo, eu encontrarei você”.

Já faz algum tempo, que venho lendo resenhas sobre The Kiss of Deception, e o quanto sua leitura é incrível e imprescindível, por isso, fiquei ansiosa pelo seu lançamento, comprei o livro na pré-venda e fiquei contando os dias, para que ele chegasse, e agora, após concluir a leitura, tenho que concordar com todas as resenhas positivas que li.
O livro conta a história da Princesa Arabella Celestine Idris Jezelia, Primeira Filha da Casa de Morrighan, ou Lia, como é conhecida pelos seus irmãos e sua fiel amiga Pauline. Lia não queria ser Princesa, assim como, não queria o casamento arranjado por seu pai, ela queria o “mundo” que não foi imposto a ela, por isso, no dia do seu casamento, ela foge para Terravin, buscando uma vida que ela pudesse escolher, buscando ser amada por quem era. O que Lia não esperava era que o Príncipe abandonado, assim como um assassino, partiriam em uma viagem a sua procura.
E é nesse ponto que Mary nos surpreende, pois esse poderia ser apenas mais um livro que apresenta um triangulo amoroso, mas não, ao longo da excelente escrita da autora, que mescla a narração de Lia, o Assassino, o Príncipe, Rafe e Kaden, somos apresentados a um mundo e uma linguagem totalmente novos, acompanhando o crescimento de Lia e junto a ela, conhecemos Rafe e Kaden, sem saber ao certo, quem é o Príncipe e quem é o Assassino. Os dois possuem características apaixonantes e mistérios, e para além do que os motivaram a procurar Lia, crescem enquanto personagens, o que me fez querer entender os seus costumes e motivações.
Em sua jornada, Lia nos apresenta boas reflexões sobre nossos deveres, nossa devoção à família, aos amigos, a quem amamos e nos importamos, assim como, nos faz perceber, que nem tudo é tão feio ou bonito, quanto aparenta e muitas vezes, precisamos aprender a escutar, para entendermos o nosso papel no mundo.
Este é o apenas o primeiro livro da saga de Lia, que conta com um final tão impressionante, que mal posso esperar pelo segundo livro. Acredito que todos que gostam de um bom mistério, assim como um bom romance, deve se entregar a esse lançamento eletrizante. Mary E. Pearson criou um mundo totalmente novo, com costumes e cânticos que devem conhecidos, um mundo com linguagem e disputas próprios, um mundo onde Primeiras Filhas precisam conhecer seus dons, e que possui vários mistérios a serem descobertos.
É impossível falar do livro, sem citar a excelente edição da DarkSide. O livro é em capa dura, e apresenta uma edição belíssima, com mapas do mundo criado por Mary E. Pearson. Estou na torcida para que a editora publique o restante dos livros aqui no Brasil. Boa leitura a todos que aceitarem se renderem a esse mundo, tenho certeza que não iram se arrepender.

“Os bons não fogem, Lia”.

Título: The Kiss of Deception: Crônicas de Amor e Ódio – Volume 1
Autora: Mary E. Pearson
Editora: DarkSide
Páginas: 406
Ano de Lançamento: 2016

Resenha 11 – Quase uma Rockstar

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“ …  – Por isso sou tão obcecada por Nietzsche. E aqui está uma citação que nunca cheguei a compartilhar: “Devemos considerar perdido todo dia em que não dançamos pelo menos uma vez. E devemos chamar de mentira toda verdade que não for acompanhada por pelo menos um sorriso”. (…) Continue fazendo as pessoas rirem, Amber. Pelo menos até ficar velha e grisalha. Ria de si mesma, e os outros sempre rirão com você.”.

Sou fã do Matthew Quick! Desde que, li “O lado bom da vida”, passei a admirar o autor e sempre procuro notícias sobre os seus livros e futuros lançamentos. Há pouco tempo, li “Perdão, Leornard Peacock” e me encantei novamente com a escrita do Matthew e fiquei ansiosa para conhecer “Quase uma Rockstar”. O adicionei a minha lista de livros desejados, sem ler a sinopse ou resenhas, apenas porque queria conhecer mais a escrita do Matthew. Ganhei meu exemplar de Natal/Aniversário, e ele se tornou muito especial, mesmo antes da leitura, pois ao longo do livro, minha mãe fez dedicatórias encantadoras, que em muitos momentos completaram a estória.
Mesmo conhecendo a escrita e competência do Matthew, em nenhum momento, me preparei para o turbilhão de emoções que é “Quase uma Rockstar”. O livro conta a história de Amber Appleton, uma adolescente de 17 anos, que mesmo estando desabrigada e morando com a mãe alcoólatra e o seu melhor amigo, seu cachorro Triplo B, em um ônibus escolar, se declara a Rainha da Esperança. O livro é sobre uma adolescente, mas não deve ser lido só por adolescentes, muito pelo contrário, todos deveríamos nos render as a vida de Amber, seus grandes amigos (entre eles, um ex soldado de guerra, uma advogado de sucesso, quatro adolescentes que não se encaixam, velhinhos abrigados em asilos, e divas coreanas!!), seus trabalhos voluntários e seus questionamentos sobre a fé em Jesus Cristos, a fé no ser humano e principalmente, sobre sermos sempre, proclamadores de esperança.
Ao longo da leitura, me envolvi tanto com o livro e os personagens, que quando percebia, eu estava sorrindo junto a Amber, chorando junto com a personagem, sentindo vontade de cuidar dela e mais que isso, sentia que podia conversar com ela, principalmente sobre os questionamentos que a personagem faz sobre a vida e o ser humano, sobre a bondade das pessoas, sobre perda, luto e recomeços, afinal, quanto de nós, já sentimos que não aguentamos mais? Que estamos sozinhos ou que talvez, aquilo que tínhamos certeza, já não nos assegura de mais nada? Porém, assim como ensina o livro, não estamos sozinhos, é preciso acreditar, é preciso amar e é preciso recomeçar!
“Quase uma Rockstar” entrou para a minha lista de livros favoritos e acredito que por muito tempo, me lembrarei da Amber, rainha da Esperança, que como o Pat, de “Um lado bom da vida”, ganhou meu coração e me proporcionou excelentes momentos e uma leitura inesquecível, fazendo com que Matthew Quick, se firmasse de vez, entre os meus autores favoritos. Se procuram um livro divertido, com momentos e personagens únicos, fica a dica de leitura, que tenho certeza, irá surpreender você, fazendo com que se apaixonem pela personagem, que pode ser adolescente, mas já sabe mais ,que muitos adultos por aí! Boa leitura!

Título: Quase uma Rockstar
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 256

Resenha 10 – Ninguém Escreve Ao Coronel

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Em toda a vida há uma espera. Seja uma pessoa ou um objeto, cada um de nós já perseguiu algo que parecia nunca chegar – e que, talvez, não tenha chegado mesmo.
Este é o tema central do livro “Ninguém Escreve Ao Coronel”, do escritor colombiano e vencedor do Nobel de Literatura do ano de 1982, Gabriel García Márquez.
Um coronel aposentado espera toda sexta-feira, há anos, pelo pagamento da aposentadoria. Mas, ao invés da carta, tudo o que recebe é uma frase irônica e desdenhosa do carteiro, que diz “ninguém escreve ao coronel”, quando chega outra vez de mãos vazias. A história se desenvolve e o leitor vai esperando também a tal carta e, quando ela não chega, vai desanimando junto com o personagem principal. García Márquez consegue criar uma relação profunda entre personagem-leitor, onde acabamos sendo um amigo invisível do coronel quando este vai até o cais esperar o carteiro e sentimos o ímpeto de dar-lhe um tapinha de consolação em suas costas quando a carta não vem.
Contudo, nem só de esperas conta o livro. Aliás, é apenas um tema em evidência que é seguido por duras críticas sociais e políticas, muito bem colocadas através de ironias e cenas até cômicas pelo autor.
García Márquez também aponta sutilmente para o talento que o povo latino-americano possui para rir da própria desgraça. Mesmo à beira da fome e do desespero, as conversas entre o coronel e sua mulher acerca da própria situação são capazes de arrancar algumas risadas do leitor.
Ninguém Escreve Ao Coronel é um livro curto e bastante crítico, além de ser uma ótima oportunidade para quem deseja ter um primeiro contato com o vasto mundo que é a literatura de Gabriel García Márquez.
O fim nos dá aquele gostinho de quero mais, principalmente para aqueles que se apegaram ao Coronel e à sua mulher como eu; mas nos deixa com a reflexão sobre por quê o cenário político e social latino-americano mudou muito pouco desde que o livro foi publicado em 1968  até os dias de hoje.
Infelizmente, sabemos que ainda existem muitos “coronéis” por aí que esperam algo que, no fundo, sabem que nunca vai chegar.

Título: Ninguém Escreve Ao Coronel
Autor: Gabriel García Márquez
Editora: Record
Páginas: 96

Resenha 09 – Cidades De Papel

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“A cidade era de papel, mas as memórias, não. Todas as coisas que eu tinha feito ali, todo o amor, a pena, a compaixão, a violência e o desprezo estavam aflorando em mim. Aquelas paredes de tijolos de concreto pintado de branco. Minhas paredes brancas. As paredes brancas de Margo. Fomos prisioneiros delas por muito tempo, presos em sua barriga como Jonas na Baleia.”

Cuidado! Esta resenha pode ter spoilers!

Personagens não são nossos. Ao longo de dias ou semanas viramos seus melhores amigos. Ler um livro é como observar uma história de dentro dela. Mas o destino desses recém conhecidos não nos pertence. A história segue linha por linha, página por página, até seu fim inevitável. Por vezes estamos a ponto de abraça-los diante do fim que estamos de pleno acordo. Tantas outras estamos ao lado deles pedindo que tomem outras decisões.
E lá estava eu diante das más decisões de Margo Roth Spiegelman dizendo a todos que Cidades de Papel é um péssimo livro. Então, começo dizendo: Cidades de Papel é um livro muito ruim. É horrível porque foge das minhas expectativas e me deixa desconfortável diante de uma personagem feminina que toma tantas decisões diferentes das que eu tomaria.
Margo Roth Spiegelman desaparece antes das provas finais do último ano do colégio, o que é inaceitável. Ela perde a colação de grau e, mesmo sem querer, leva os amigos a deixarem de ir no evento para procura-la. Ela é ingrata diante da atitude dos amigos de procura-la, pois achavam que estava em grande perigo e até mesmo morta. Margo Roth Spiegelman também perde a oportunidade incrível de terminar sua história ao lado de Quentin Jacobsen. Mas os personagens não são meus. São de John Green e, se fossem meus, eu os estragaria.
Diante da personalidade de Margo Roth Spiegelman e de tudo que ela viveu e da forma como viveu até ali, um fim ao lado de Quentin não faz um menor sentido. Uma adolescente tão independente como ela tem como destino se tornar uma mulher com a mesma característica.
Quentin e Margo Roth Spiegelman são adolescentes completamente diferentes. Se eu escrevesse Cidades de Papel eles terminariam juntos. Confesso que o futuro deles seria o divórcio depois de anos de casados e pelo menos dois filhos. Quentin e Margo Roth Spiegelman deveriam ficar juntos, mas não dá. John Green nos dá uma ótima lição de como a personagem principal de um romance da literatura jovem não precisa ser uma mosca morta.
Cidades de Papel é um livro ruim de tão bom que é. Minha parte preferida de Quentin, que eu não mudaria de jeito nenhum, é a forma como ele encara os últimos dias na escola. Essa é a única coisa que eu manteria se caso tivesse a oportunidade de estragar essa história.

Título: Cidades de Papel
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 368

Resenha 08 – Ugly Love (O Lado Feio Do Amor)

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“- O amor nem sempre é bonito, Tate. Às vezes você passa o tempo inteiro desejando que um dia ele mude. Que melhore. E aí, antes que perceba, você já voltou para a estaca zero e perdeu o seu coração em lugar no meio do caminho.”

 Há alguns meses, quando aceitei escrever para o Sonho de Letras, escrevi exclusivamente sobre Colleen Hoover e sobre como sua escrita é intensa e representa o que sentimos. Assim como, ao ler os seus livros, aprendemos a amar os seus personagens como se fossem nossos familiares ou amigos. Eu que já li todos os livros da autora publicados no Brasil, pensava que a mesma não podia me surpreender mais, até ler Ugly Love, traduzido e lançando aqui no Brasil pela Editora Galera como O lado feio do amor.
Em “O lado feio do amor”, conhecemos Tate Collins e seu enigmático e sedutor vizinho, Miles Archer. Falar que me apaixonei por eles é pouco, fiquei literalmente suspirando feito uma adolescente. A forma como a Colleen escreveu e desenvolveu a história dos dois, me cativou desde a primeira página e ao mesclar a narração de ambos, assim como, passado e presente, me deixou ávida por mais e mais, fazendo com que eu só largasse o livro, quando o mesmo terminou e agora, ficou aquela ressaca literária, que tenho certeza, durará semanas.
Acredito, que mais que um romance, o livro nos apresenta que sim, o amor nos deixa flutuando, mas, além disso, ele também pode ser feio, dolorido, pode deixar marcas profundas, que nos sufoca e nos machuca, porém, só o amor pode salvar. Até que ponto devemos lutar por algo que acreditamos? Quem deve machucar nosso coração? Ou quando estamos prontos para amar novamente? Esses são só alguns questionamentos que Colleen Hoover nos apresenta nessa história perfeita e marcante, que eu tenho certeza, vai te fazer chorar e deixar suspirando por vários e vários dias.

“-Não me pergunte sobre o meu passado – fala, com firmeza – E nunca espere de mim um futuro.”

Título: O lado feio do amor (Ugly Love)
Autora: Colleen Hoover
Editora: Galera
Páginas: 334

Resenha 07 – Extraordinário.

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“Não julgue um livro menino pela capa cara”.

O livro “Extraordinário”,  de R. J. Palacio, conta a história de um garoto de dez anos chamado August Pullman que possui uma deformação no rosto, resultado de mais de uma mutação genética. Auggie é cercado por amor e muitos cuidados, desde à irmã que o defende ferozmente até os pais super protetores. O fato mais importante desta proteção é que sua mãe, Isabel, é também sua professora e sua casa é sua escola. Então a vida do menino muda com seu ingresso a uma escola real.
Essa estória tinha tudo para ser triste (e é, em partes), entretanto é surpreendente como ela se desenrola com a leveza da vida de um garoto. August é recebido na escola como sempre fora na vida, com olhares ora chocados, ora disfarçados. Seu enfrentamento não é fácil, parte de seu ano escolar é marcado por preconceito, piadas e dúvidas. Permito-me afirmar que o autor obteve êxito ao enfatizar a importância de uma boa educação. Com uma escola na qual é dita não inclusiva, dirigida por uma pessoa de mente clara e sã. Em momentos Auggie fora vítima de deboche pelas crianças, mostrando também os comportamentos dos pais destas, os quais por vezes tentaram impedir que o mesmo fizesse parte da instituição devido a sua diferença.
A diferença é algo que toca de alguma forma, sendo no choque ou na empatia, assim como foram diversos casos em que o menino enfrenta a rejeição, ele também encontra pessoas como Summer e Jack os quais se tornam seus melhores amigos, a empatia e o envolvimento da educação (o que a autora parece transparecer) destes tornam os dias do amigo mais alegres, substituindo os obstáculos por desafios.
Extraordinário é fascinante pela forma que é dividido em partes, em visões, não apenas August narra como também pessoas próximas, como sua irmã e amigos, mostrando que não apenas quem possui a diferença, mas também seus próximos enfrentam desafios em relação a isso. A vida de August Pullman realmente muda de maneira positiva independente de sua condição, realçando o caráter por traz de uma aparência considerada fora dos padrões. Como dito pelo diretor da escola, Sr. Buzanfa: “Coragem. Bondade. Amizade. Caráter. Essas são qualidades que nos definem como seres humanos e acabam por nos conduzir à grandeza”.
Extraordinário é o livro em que você deve ler e indicar, inclusive, deixo aqui minha indicação especial aos educadores, professores, pedagogos, entre outros em meio a educação.

“Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo.”

Resenha 6 – Por Lugares Incríveis.

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“Mas não sou um conjunto de sintomas. Não sou uma vítima de pais horríveis e de uma composição química mais horrível ainda. Não sou um problema. Não sou um diagnóstico. Não sou uma doença. Não sou uma coisa que precisa ser salva. Sou uma pessoa.”.

Primeiramente, peço desculpas por qualquer erro ou imperfeição, essa é a primeira resenha que faço e resolvi me aventurar, pois esse livro realmente merece muitos e muitos comentários.
Por Lugares Incríveis nos apresenta a história de Violet Markey e Theodore Finch, dois adolescentes que, como a própria sinopse, diz: “Prestes a escolher a morte despertam um no outro a vontade de viver”.  Inicialmente o livro tem tudo para ser apenas um romance adolescente, uma estória de fantasia entre dois jovens conhecendo o poder do amor, mas ao contrário do que esperava o livro é uma agradável viagem a lugares incríveis. Viagem essa que nos apresenta dois personagens adoráveis e viciantes, que são tão humanos que poderiam ser nossos irmãos, primos, tios ou vizinhos. Seus questionamentos não são próprios apenas de adolescentes que estão descobrindo o mundo, mas de todos nós, que estamos constantemente tentando entender o sentido da vida e lutando para entender nossas escolhas e ações.
Jennifer Niven, que pela primeira vez escreveu sobre adolescentes – A autora é famosa por seus romances para adultos – nos presenteia com um livro que fala sobre o amor, aquele puro, que pode curar, mas também nos apresenta um retrato fiel sobre luto, superação, recomeços, relações familiares, transtornos psiquiátricos e suicídio. Por meio dos adoráveis Violet e Finch, nos faz refletir que somos muito mais que aparentamos e que muitas vezes, quem menos esperamos está em pedaços e precisa de um amigo e/ou um amor para começar a se encontrar. E que mais importante que levar algo, devemos deixar algo de positivo nesse mundo em que vivemos.
Por Lugares Incríveis é o típico livro que deveria ser obrigatório para todas as faixas etárias e deve ser lido por inteiro, pois Jennifer nos presenteia com um romance adorável e o finaliza com uma “nota da autora” e agradecimentos emocionantes.

 

Título: Por Lugares Incríveis
Autora: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Páginas: 335