Um Lembrete.

Queria dizer para a minha menina que tudo vai ficar bem. Que de alguma forma, ela vai sair viva e melhor de todos os desafios que aparecerem pelo caminho.
Queria dizer pra ela que esse sorriso e o brilho nesse olhar são os seus maiores tesouros. Que ela deve se agarrar a isso com todas as forças e jamais deixar que ambos se percam de seu rosto.
Queria pedir pra ela nunca esquecer da sua essência. Nunca esquecer que ela é naturalmente alegre, que ama fazer piadas e ver as pessoas rindo por algo que ela disse ou fez, que é aventureira, curiosa, exploradora, carinhosa, sincera e que todo o amor que mora dentro desse peito é tão grande que não cabe nem nesse planeta. Que o amor que vive dentro dela é tão imenso assim que é necessário mais um planeta pra que ela possa derramar-se e espalhar-se por mais espaços (mas que vai ter que se conformar em espalhar-se só por aqui mesmo porque é o que dá pra fazer por enquanto). E que mesmo quando ela se perder dessa essência – o que irá acontecer quando ela largar tudo o de mais belo pra buscar amor dentro dos olhos daqueles que não sabem nem como amar a si mesmos – que ela olhe para si, olhe para esse brilho e esse sorriso e lembre-se de quem ela é.
Porque ela sabe amar e como sabe! Ela já nasceu amando e criando, pronta para pintar com cores e risadas todo esse mundo cinza e sem graça que precisa de histórias e muitas histórias para sorrir. E ela nasceu para escrevê-las.
Que a minha criança saiba que esse corpo foi feito perfeito assim para construir. Porque ela nasceu para construir. E que ela entenda, de uma vez por todas e para sempre, que beleza é tudo o que ela é. Que beleza é tudo o que sai dela.
Ela não precisa de pedaços de ninguém para se construir. Ela já é inteira assim.
Onde quer que essa criança more dentro de mim, que ela saiba que é amada. Muito amada. E que ela pode ficar tranquila pra escrever, pintar, cantar, dançar, explorar e amar sem medo de qualquer bronca ou julgamentos.
Eu estou aqui pra ela. Agora estou aqui.
E eu vou ficar.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). É escritora e quer viver de fazer literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 18 páginas escritas)
Cuera

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