Menina do Mar.


O mar guarda todos os meus segredos. Sempre que me vejo destroçada — pela vida, pela família, por um homem —, eu corro em direção ao mar em busca de consolo. É ele que guarda minhas lágrimas, é só ele quem eu permito me ver chorar.
É com o mar que me encontro, que me reconecto, que me reconstruo. O mar é meu templo, minha igreja, minha Medina. É através de sua beleza que consigo entender Deus e me sinto parte de algo maior.
Estou me preparando para viver em uma cidade sem mar, mas admito, ele ainda me segura aqui. Entretanto, uma hora será preciso partir. A verdade é que não importa o quanto eu ame o mar, eu jamais poderei pertencer a ele de verdade. E se tem algo que descobri nessa vida é que mereço amores concretos. Eu não nasci para amar à distância.
Mas não importa para onde eu vá, eu sempre volto pra ele. Há muitas vidas eu sempre volto.
Posso girar o mundo, trocar de pele, subir montanhas, falar outras línguas, conhecer lugares e pessoas que vão expandir ainda mais essa minha enorme capacidade de amar, mas para o mar eu vou voltar. A gente sempre se acha, a gente sempre se encontra, mesmo sem querer, mesmo sem planejar.
Não importa para onde eu vá, de uma forma ou de outra, eu sei que terminarei ao lado do mar.

Evelyn Marques

Evelyn Marques

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). É escritora e quer viver de fazer literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 18 páginas escritas)
Evelyn Marques

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