Escritor 09 – Antoine de Saint-Exupéry

5.1.2

Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry nasceu em Lyon, na França, em 1900. Foi escritor, ilustrador e piloto, filho do conde Jean Saint-Exupéry e da condessa Marie Foscolombe.
Antoine voou pela primeira vez aos 12 anos de idade e esta experiência despertou-lhe o desejo de ser piloto. Estudou no colégio jesuíta de Notre-Dame de Saint-Croix, em Mans, de 1909 a 1914.
Na época da Primeira Guerra Mundial, Antoine e seu irmão François transferiram-se para o colégio dos Maristas, em Friburgo, na Suíça, onde permaneceram até 1917.
Em 1921 Antoine inicia o serviço militar no 2º Regimento de Aviação de Estrasburgo. Ali ele aprendeu a pilotar e realizou o seu sonho de infância de ser um grande piloto.
Após deixar o serviço aéreo, Saint-Exupéry trabalhou em várias profissões, mas retornou à sua profissão original em 1926 em uma companhia aérea privada que transportava cartas da Europa à África e à América do Sul. Em 1927 começou a trabalhar em seu primeiro livro, um livro de memórias, que foi lançado em 1929. Pouco tempo depois mudou-se para a Argentina a fim de fiscalizar um estabelecimento dos correios. Quando retornou à França em 1931, publicou Vôo Noturno, que foi sucesso instantâneo e ganhou o prestígio da Prix Femina (um importante prêmio de Literatura na França).
Antoine de Saint-Exupéry sofreu alguns acidentes aéreos em sua carreira. Em 1935, após tentar bater um record de velocidade, voando de Paris a Saigon (cidade do Vietnã), seu avião caiu no deserto da Líbia. Ele e seu co-piloto permaneceram 3 dias perdidos no deserto até encontrarem ajuda. O segundo acidente veio em 1938, dessa vez voando entre Nova York e Tierra del Fuego (na Argentina). Recuperou-se do acidente em Nova York durante um largo período de tempo.
Seu seguinte livro, Terra dos Homens, foi publicado em 1939 e ganhou prêmios importantes como o Académie Française’s Grand Prix du Roman, na França, e o National Book Award, nos Estados Unidos.
No começo da Segunda Guerra Mundial, Saint-Exupéry retornou à França para voar com as Forças Francesas Livres. Devido às suas experiências na guerra, escreveu Piloto de Guerra e Cartas A Um Refém, ambos publicados em 1942. O sucesso mundial “O Pequeno Príncipe” foi publicado em 1943, que veio a ser seu último livro.
Mesmo sendo impedido de voar, devido às fraturas de seus antigos acidentes, Exupéry insistiu em mais uma missão como piloto.  Sua última tarefa foi recolher informações sobre os movimentos das tropas alemãs em torno do Vale do Ródano, antes da invasão aliada do sul da França. Na noite de 31 de Julho de 1944, decolou de uma base aérea em Córsega e nunca mais retornou. O corpo de Antoine de Saint-Exupéry jamais foi encontrado.

Principais Obras:

Voo Noturno (1931)
Terra dos Homens (1939)
O Pequeno Príncipe (1943)

Opinião Pessoal:

Eu estava na oitava série quando coloquei minhas mãos em “O Pequeno Príncipe” pela primeira vez. Estava recém atingida pela mágica que Senhora, de José de Alencar, tinha feito na minha vida e fui buscando cada vez mais livros para ler na Biblioteca do colégio, já que na época eu não tinha dinheiro para comprar os meus. Eu tinha uma professora de português maravilhosa, chamada Elizabeth, que foi uma grande amiga na época. Foi ela quem me emprestou “O Pequeno Príncipe” e eu lembro de uma frase que ela me disse enquanto me entregava o livro em mãos: “Esse é um livro para você ler em todas as etapas de sua vida, pois, conforme você vai crescendo e envelhecendo, você vai interpretar esse livro de uma maneira diferente.” E ela estava corretíssima!
Eu sou lerda demais para ler, mas li o livro em um dia. Lembro que cheguei do colégio e fiquei até a hora de dormir lendo, completamente fascinada por aquelas palavras que eu nunca antes tinha encontrado em qualquer outro livro que já tinha lido. Não posso falar pelos outros livros de Exupéry (que também são muito bem criticados), mas eu já o acho um excelente escritor só por ter publicado um livro como esse. Sua filosofia, sua doçura com as palavras, a sutileza e a profundidade dos personagens deve ser lido em todas as casas, por pessoas de todas as idades, a fim de uma reflexão mais abrangente, não só da vida como mundo exterior, mas também de seu próprio mundo, aquele mundo que está dentro de nós. Afinal, “o essencial é invisível aos olhos.”
Ainda não tive a oportunidade de relê-lo, como minha professora mandou, já que faz quase dez anos desde que o li pela primeira vez. Mas leio alguns trechos, principalmente pelas redes sociais e vejo esses trechos de uma forma que na época eu não consegui ver.
O que mais acho interessante na história de Saint-Exupéry foi sua aptidão tanto para a aviação quanto para a escrita. Temos aquela ideia de que alguém que escreve ficção geralmente é voltado para as letras e para a arte, enquanto pilotos, mecânicos, engenheiros, arquitetos etc., lidam mais com a ciência, com a física, com a parte mais bruta do mundo, a parte mais concreta, por assim dizer. Exupéry não era um piloto que escrevia e nem um escritor que pilotava. Ele era ambos, tinha duas profissões paralelas, duas profissões em que se destacou e ganhou prêmios e honrarias. Profissões que parecem tão antagônicas, mas que, ao parecer, ele executava com maestria.
Abaixo, um trecho de O Pequeno Príncipe:

“As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém… Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!”

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). É escritora e quer viver de fazer literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 18 páginas escritas)
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