O Silêncio da Madrugada.

madrugada

Existe algo no silêncio da madrugada
Uma esperança sutil, a paz encontrada
Talvez seja apenas essa presença do nada
Que tranquiliza a mente e me deixa inspirada.

Não há carros, não há ônibus
Não há barulhos, não há incômodos
Não há escolas com suas crianças agitadas
Existem apenas insones no silêncio da madrugada.

A noite esconde, mas o calar de vozes delata
O suspiro de um trabalhador esgotado
E a lágrima da mulher largada
A dor é densa antes do início da alvorada
Os sofredores se revelam no silêncio da madrugada.

Às vezes surge o latido de um cachorro ou o miado de um gato
E também o grito bêbado da vizinha do 104
Mas no geral respiro aliviada
Por poder criar sem ser incomodada.

O mundo fecha os olhos enquanto permaneço acordada
E obedeço às histórias que pedem para ser contadas
A insônia é sempre minha maior aliada
Quando crio vidas no silêncio da madrugada.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). Se considera escritora e quer viver de fazer literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 18 páginas escritas)
Cuera

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