Escritor 06 – Khalil Gibran

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Khalil Gibran nasceu no dia 6 de Janeiro de 1883, em Becharré, no Líbano.
Cresceu entre as montanhas libanesas e perto da famosa Floresta dos Cedros, lugar considerado celestial e oportuno para o recolhimento espiritual e à contemplação de Deus através da belíssima natureza.
Desde pequeno ouvia histórias das Mil e Uma Noites e poemas contados por sua mãe, o que com certeza teve muita influência futuramente em suas obras.
Devido a ocupação otomana, sua família decide emigrar para um melhor e novo mundo. Em 1895 muda-se para Boston, nos Estados Unidos, ao lado de sua mãe, duas irmãs e um irmão.  É matriculado em escola pública e tem o primeiro contato com uma biblioteca. Porém, em 1898, Gibran retorna ao Líbano a fim de estudar e obter um maior conhecimento da cultura e língua de seu país. Ficou quatro anos estudando árabe e francês e viajou pelo oriente médio antes de retornar à América.
A tragédia parece começar a perseguir Gibran quando, num período de quinze meses, perde o irmão, a mãe e a irmã caçula, deixando-o inconsolável.
Entre 1902 e 1908 escreve poemas para Al-Muhajer (O Emigrante), um jornal árabe publicado em Boston.
Curiosamente, Gibran se destacou primeiro através de seus dons para a pintura, ganhando uma bolsa no Instituto de Belas Artes em Paris. Permaneceu dois anos na capital francesa, conhecendo famosos artistas parisienses e adquirindo um conhecimento ainda maior sobre arte.
De volta aos Estados Unidos, Khalil Gibran dedicou-se à leituras em árabe e em inglês, adquirindo determinantes influencias de filósofos, tanto do oriente, quanto do ocidente. Em 1920 grupo criou um grupo de escritores sírios–libaneses que se chamava “Liga da Pluma”, contribuindo assim para o renascimento da cultura árabe.
Seus primeiros livros, lançados entre 1905 e 1920 visavam chocar a sociedade da época, com fortes críticas à superficialidade e hipocrisia vividas constantemente pelas pessoas. Porém, com o passar do tempo, percebeu que a melhor forma de alcançar o coração dos homens é através da compreensão e da compaixão, imprimindo em sua literatura uma linguagem mais poética, singela e carregada de ensinamentos espirituais. Foi então que seu livro mais sutil e famoso “O Profeta” foi escrito.
Khalil Gibran morreu em 1931, aos 48 anos, e seu corpo é transportado para o Líbano e enterrado em um convento aos pés dos cedros, como pedido ainda em vida.

Principais Obras:

Asas Partidas (1912)
Uma Lágrima e Um Sorriso (1914)
O Profeta (1923)
Jesus, o Filho do Homem (1928)

Opinião Pessoal: Pureza. Acho que essa é a palavra que melhor define a obra de Gibran. Ao escrever livros com bases místicas e espirituais, sua escrita é regada de uma delicadeza e uma paz que preenchem a alma do leitor, trazendo ensinamentos riquíssimos sobre amor e fé.
Na minha humilde opinião, o seu livro mais famoso “O Profeta” deve ser lido por todas as pessoas pelo menos uma vez na vida, não importa as crenças ou descrenças de cada um. É um livro fantástico, muito bem escrito e facílimo de entender, onde suas palavras parecem produzir mágica dentro de seu estômago. É riquíssimo em ensinamentos necessários a qualquer ser humano, como família, amor, amizade, solidariedade, tudo sem qualquer cunho religioso.
Acho que o mais interessante em Khalil Gibran é que ele fala de coisas divinas sem fazer parte de qualquer religião. Ele não veio fundar uma igreja, não veio dizer que a salvação está em algum lado, não veio fazer parte de nenhum grupo religioso no mundo e, ainda assim, veio trazer ensinamentos básicos e essenciais para a vida de qualquer ser humano que é amar, amar e amar, mas não um amor humano, regado de vícios e obsessões, mas o amor divino, aquela luz que está presente em cada um de nós.
Abaixo deixo um dos meus poemas favoritos do autor, que representa todos os adjetivos já aqui colocados em relação à sua pessoa e à sua obra.

Amai-vos

Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um grilhão.

Que haja, antes, um mar ondulante
entre as praias de vossa alma.

Enchei a taça um do outro,
mas não bebais da mesma taça.

Dai do vosso pão um ao outro,
mas não comais do mesmo pedaço.

Cantai e dançai juntos,
e sede alegres,

mas deixai
cada um de vós estar sozinho.

Assim como as cordas da lira
são separadas e,
no entanto,
vibram na mesma harmonia.

Dai vosso coração,
mas não o confieis à guarda um do outro.

Pois somente a mão da Vida
pode conter vosso coração.

E vivei juntos,
mas não vos aconchegueis demasiadamente.

Pois as colunas do templo
erguem-se separadamente.

E o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). É escritora e quer viver de fazer literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 18 páginas escritas)
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