Escritor 22 – John Green

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John Michael Green nasceu no dia 24 de Agosto de 1977, em Indianápolis, nos Estados Unidos.
John Green sempre se considerou um “nerd”, do tipo que lia muito e não tinha quaisquer habilidades sociais. Suas experiências de adolescente serviram como pano de fundo para muitas de suas histórias.
Seu primeiro livro, Quem É Você, Alasca?, ganhou o prêmio Michael L. Printz em 2006. Seus livros já foram publicados em mais de 10 línguas ao redor do mundo e sempre figuram na lista dos mais vendidos do The New York Times.
Como todo bom geek, Green faz muito uso da internet para se comunicar. Há anos mantém um canal no Youtube chamado “Vlogbrothers”, ao lado de seu irmão Hank Green, sendo um dos canais mais populares da internet. Sua conta no twitter tem mais de 1 milhão de seguidores, onde se comunica com os fãs diariamente.
Hoje em dia mora com a mulher e os filhos em Indianápolis.

Principais Obras:

Quem é Você, Alasca? (2005)
O Teorema Katherine (2006)
Cidades de Papel (2008)
A Culpa É Das Estrelas (2012)

Opinião Pessoal:

John Green é o escritor favorito do momento. Todos os seus livros na lista dos mais vendidos no Brasil ilustram bem essa afirmação. Creio que todo jovem-adulto de 2014 possui pelo menos um de seus livros na estante. Não é pra menos. Seus livros sempre trata de temas atuais e relevantes para o público adolescente. Mas não é aquele tema clichê de menininha rica que se apaixona por menininho rico, eles se casam e são felizes para sempre. John Green escreve sobre pessoas de verdade. Sobre histórias de verdade. Pessoas com doenças graves, mas com um enorme senso de humor. Pessoas reclusas, que são péssimas em contato social, mas que desejam ser aceitas e amadas como qualquer outra. Pessoas que gostam de livros, de “nerdices”, que amam e não tem vergonha nenhuma de serem chamados de “nerds”. Escreve sobre pessoas que conhecemos, pessoas que nós somos, pessoas que queremos ser. E tudo isso misturado com muito bom humor e filosofias de vida.
Conheço muitas pessoas que passaram a se interessar por leitura através de seus livros, pois se sentiram compreendidos através de suas palavras e acabaram se interessando pelo mundo literário em geral. E acho isso simplesmente fantástico!
John Green é o tipo de escritor do qual é impossível não querer ler todos os livros avidamente e ainda assim pedir por mais. Suas palavras, simples, porém concisas,  precisam sempre fazer parte de nossas vidas, fazendo com que seus leitores esperem sempre ansiosamente pelos próximos livros.

Os 10 Melhores Trechos De Livros Que Já Li.

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Sempre fui apaixonada por quotes/trechos dos mais variados tipos de arte feita com palavras. Procuro sempre guardar essas frases, esses momentos de reflexões dos mais diversos personagens, seja de livros, filmes, seriados, etc. Até porque eu sempre procurei motivos para comprar mais e mais cadernos, e anotar quotes por aí sempre foi a desculpa perfeita para comprá-los. E não só por isso. Sempre que me sinto melancólica, desanimada ou não me sentindo boa o bastante para nada, eu abro um desses cadernos, esperando encontrar a palavra de consolo quando não há mais ninguém por perto.
Já li muitos livros e seria impossível listar os “melhores quotes de todos os tempos”, até porque eu precisaria ler os mais de 3 bilhões de livros escritos pelo mundo para fazer uma lista desse tipo. Os quotes seguintes são frases que têm a ver comigo, com o que acredito, com o que considero belo. Assim como me deixaram maravilhada desde o primeiro momento em que bati os olhos nessas letras, espero que elas tenham o mesmo efeito sobre vocês também.

 

 

1.    “Como a maioria dos sofrimentos, este começou com uma aparente felicidade.” – A Menina Que Roubava Livros, de Markus Zusak

2.    “A verdade é que preciso do estímulo de outras pessoas. Sozinho diante do fogo apagado, inclino-me a ver as partes fracas de minhas histórias. O verdadeiro romancista, o ser humano perfeitamente simples, poderia continuar imaginando indefinidamente. Não integraria as coisas numa só síntese como eu. Não teria essa sensação devastadora de cinzas frias numa grelha apagada. Uma cortina cerra meus olhos. Tudo se torna impenetrável. Cesso de inventar.” – As Ondas, de Virginia Woolf.

3.    “Suspeito eu, porém, que a explicação dessa singularidade já ficou assinalada. Aurélia amava mais seu amor do que seu amante; era mais poeta do que mulher; preferia o ideal ao homem. Quem não compreender a força desta razão, pergunte a si mesmo porque uns admiram as estrelas com os pés no chão, e outros alevantados às grimpas, curvam-se para apanhar as moedas no tapete.” – Senhora, de José de Alencar.

4.    “A vida de artista é uma vida de risco, incertezas e quase sempre de pobreza. Não a escolhemos, ao contrário, é ela quem escolhe você” – Marina, por Carlos Ruiz Zafón.

5.    “Acho que foi por observá-lo que desenvolvi minha teoria de que os estúpidos se conservam melhor fisicamente porque não são corroídos pela ansiedade existencial à qual as pessoas mais ou menos lúcidas se veem submetidas.” – A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón.

6.    “As marcas que os seres humanos deixam são, com freqüência, cicatrizes.” – A Culpa É Das Estrelas, de John Green.

7.    “Todo ponto de vista é a vista a partir de um ponto. Duas pessoas não enxergam a mesma coisa do mesmo modo. Não vemos apenas com os olhos do rosto; vemos também com os da mente e do coração.” – Aldeia do Silêncio, por Frei Betto

8.    “Você é uma pessoa diferente, querendo ser igual. E isto, no meu ponto de vista, é considerado uma doença grave. (…) É grave forçar-se a ser igual: provoca neuroses, psicoses, paranóias. É grave querer ser igual, porque isso é forçar a natureza, é ir contra as leis de Deus – que, em todos os bosques e florestas do mundo, não criou uma só folha igual à outra.” – Veronika Decide Morrer, por Paulo Coelho.

9.    “Porque a fé é igual à imaginação. Ela vê uma coisa onde não há nada, dá um salto e de repente você está voando.” – A Menina Que Fazia Nevar, por Grace McCleen

10.    “Afinal, existem tantas coisas frágeis. Pessoas se despedaçam tão facilmente, sonhos e corações também.” – Coisas Frágeis, por Neil Gaiman.

Escritor 21 – Carlos Ruiz Zafón

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Carlos Ruiz Zafón nasceu no dia 25 de Setembro de 1964, em Barcelona, na Espanha.
Começou escrevendo livros de literatura infanto-juvenil. Com o seu primeiro livro, O Príncipe da Névoa, ganhou o prêmio Ebedé de Literatura. Com o mesmo livro vendeu mais de 150 mil exemplares só na Espanha e foi traduzido para vários idiomas.
Em 2001 Zafón arriscou-se ao escrever para um público mais adulto com o romance A Sombra do Vento. O sucesso foi estrondoso, transformando-se em um fenômeno literário internacional, sendo traduzido para 30 idiomas em torno de 45 países. Desde o seu lançamento, A Sombra do Vento coleciona ótimas críticas e prêmios literários ao redor do mundo.
Carlos Ruiz Zafón vive nos Estados Unidos desde 1994 e além de escritor também é roteirista.

Principais Obras:

Marina (1999)
A Sombra do Vento (2001)
O Jogo do Anjo (2008)
O Prisioneiro do Céu (2011)

Opinião Pessoal:

Carlos Ruiz Zafón é o tipo de escritor do qual eu falaria aqui por uma semana, se pudesse, e ainda assim não me faltaria argumentos. Seus livros foram um dos maiores achados da minha vida e sempre abro um sorriso só de olhar para a capa de algum deles.
A Sombra do Vento, o primeiro livro que li do autor, arrancou todos os órgãos do meu corpo. Acho que qualquer explicação em duas linhas não ia chegar nem aos pés do que merece ser dito sobre esse livro. Com certeza se não existisse alguém chamado Makus Zusak e um livro chamado A Menina Que Roubava Livros, este seria o meu livro favorito de longe. Os livros de Zafón tem todos os ingredientes de uma boa obra: mistério, romance, aventura, personagens cativantes, ótimos diálogos e críticas à sociedade. Além de, claro, falar sobre a importância dos livros e como este pode mudar a sua vida.
Apenas li dois de seus livros até agora, sendo estes A Sombra do Vento e Marina. Tenho todos os seus livros na minha estante, mas não tenho coragem de ler o próximo. A mágica de sua narrativa me encanta e arrebatada de forma que não quero ficar com a sensação de que não há mais nada do autor para ser lido. Talvez eu esteja exagerando, pois faltam 5 livros do autor para ler. Me dá agonia a sensação de esperar anos e mais anos por uma palavrinha sobre um novo livro de um autor que estimo tanto, do tipo de Zusak. Esses autores sensacionais escrevem relativamente poucos livros, pra prolífica época atual, e nada dói mais do que a incerteza de uma próxima obra.
Aos que nunca leram um livro de Zafón, por favor, leiam! Ele tem mágica nos dedos e uma criatividade pra lá de aflorada, fazendo com que você se sinta em plena Barcelona, visualizando todos os cenários, as casas, as características físicas do personagem e tudo o que faz parte do universo de seus livros. Ele faz com que você se sinta parte da história, como se fosse amigo dos personagens, vivendo e sofrendo todas as aventuras e dramas com eles.
Carlos Ruiz Zafón é um dos melhores escritores de nossa geração e seremos seres abençoados se o seu trabalho continuar tão magnífico e arrebatador pelos próximos longos anos.

Perder Um Amigo.

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Eu queria ter feito muitas coisas antes de deixar você ir.
Queria ter pedido desculpas enquanto era tempo e fazer de tudo para que esquecesse as palavras cruéis.
Queria ter sido ser mais sincera, queria ter evitado brigas desnecessárias.
Queria ter sido perfeita para que não se decepcionasse comigo.
Queria ter gritado que te amava enquanto era tempo, mas me calei. Calei e deixei que fosse embora.
Queria ter notado que precisava de mim antes, mas, ao invés disso, simplesmente afastei-me por achar que estava incomodando demais com minha presença e meus assuntos chatos.
Queria ter podido, também, não colocar o peso do mundo nas minhas costas. Afinal, uma amizade é uma rua de mão dupla. Não é culpa só de um. É culpa de ambos.
Queria ter perguntado se um único erro valeu mais do que anos de amizade.
Queria ter percebido, também, que o amor só vinha de minha parte. E mesmo sabendo disso, ainda me culpo por não conseguir fazê-lo me amar da mesma forma.
Queria ter sido menos eu, ser mais você, ser mais alguém que lhe agradasse. Mas não posso, pois sou apenas um pedaço único de confusão imutável.
Queria ter feito muitas coisas, gritado muitas coisas e brigado muitas vezes também. Mas não o fiz.
Vi você ir, pegar sua mala e partir para uma estrada sem volta. Sem ao menos me dizer adeus. Sem ao menos me deixar saber o motivo.
Simplesmente partiu. E eu simplesmente assisti. Como todas as outras vezes.
Sei que outrem, muito futuramente, entrará pela porta da frente, com novas lindas palavras e declarações eternas e prometendo constância. E sei que, em algum ponto, ele usará a porta da saída. Porque é sempre assim. Por algum motivo, comigo é sempre assim.
O problema de perder um amigo é que as cicatrizes são profundas. E mesmo que alguém prometa curá-las para sempre… Você sabe que o pra sempre, sempre acaba.
E o mais irritante e frustrante é que toda a cena se repete em filmes diferentes.
Começa com uma mala no chão, uma porta aberta… E termina sem nenhuma palavra a ser dita.

Cinco Vezes Perdão.

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Escrevi um pequeno poema
Onde só existia a palavra “perdão”
O poema não ficou muito bom
Mas serviu para chamar a minha atenção.

Escrevi cinco vezes “perdão”
Num poema que não teve salvação
Num poema que já deve estar triturado no lixão
Enquanto escrevo esta segunda versão.

Queria escrever sobre o mar e toda sua imensidão
Queria escrever sobre os amores e toda a sua enganação
Mas quando coloco uma caneta em minha mão
O faço para encontrar redenção.

Por isso, caro leitor
Perdoe todo esse problema de perdoar
É que ainda não aprendi a desculpar
O reflexo que miro diariamente ao acordar.

Cartas de Gaveta – Ebook

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Sinopse: Cartas são capazes de contar grandes histórias em uma única folha de papel. São escritas com toda a dedicação e amor por seus remetentes. Por medo, vergonha ou até mesmo azar, essas cartas ficam escondidas em gavetas, esperando ansiosamente o dia em que serão liberadas para o seu verdadeiro destino.
Essa é uma coletânea de cartas fictícias, escritas num período de 100 anos, acompanhando o desenvolvimento do mundo, contando diferentes histórias, que nunca foram entregues à seus destinatários.

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Tempo – Ebook

capa time Lulu

Sinopse: Procurando esquecer a confusão que sua vida havia se transformado nos últimos 6 meses, Yvonne Schmidt resolveu viajar até sua cabana em Bellevue em meio a uma forte nevasca que atingiu o estado de Washington. Ela acreditava que iria passar o dia de Ação de Graças sozinha e tranquila, até que alguém de seu passado aparece, dando-lhe a oportunidade de consertar erros pretéritos num período de 24 horas.

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Escritor 19 – Cecelia Ahern

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Cecelia Ahern nasceu no dia 30 de setembro de 1981, em Dublin, na Irlanda.
É filha do ex chefe de governo da Irlanda, Bertie Ahern. É formada em jornalismo pela Griffith College Dublin e no ano 2000 fez parte da banda pop Shimma, que terminou em terceiro lugar em um show de talentos da Irlanda.
Cecelia escreveu o seu primeiro romance aos 21 anos de idade, chamado “P.s. Eu Te Amo”. O livro foi um estrondoso sucesso, tendo ficado em número 1 na lista de bestsellers durante 19 semanas e foi vendido em mais de 40 países. O livro ganhou uma adaptação para as telas com o mesmo nome, tendo como protagonistas Hilary Swank e Gerard Butler.
Seu segundo livro chamado “Onde Termina o Arco-Íris” foi o vencedor do CORINE Award, prêmio dado na Alemanha.
Cecelia é uma das autoras de romances femininos, chamados Chick-lit, mais famosas do mundo. Seus livros ao todo já venderam mais de 13 milhões de cópias em 46 países.
Ela também produziu a premiada série americana “Samantha Who”.
Atualmente mora em Dublin com o marido e a filha.

Principais Obras:

P.s. Eu Te Amo (2004)
Onde Termina o Arco-Íris (2005)
O Presente (2009)
O Livro Do Amanhã (2010)

Opinião Pessoal:

O ponto forte de Cecelia Ahern, para mim, é a criatividade com que monta suas histórias. Ainda que sejam romances dramáticos, um pouco “água com açúcar”, ela consegue tirar uma ideia original e apresentar ao mundo de forma singela e brilhante ao mesmo tempo. Cartas de um marido morto que te ajudam a superar o luto? A sua própria vida que marca um encontro com você para te mostrar o que anda errado? Objetos perdidos que vão para um mundo paralelo? Esses são apenas alguns exemplos dos temas que giram em seus livros. A leitura é sempre gostosa, engraçada e fluída, do tipo que a gente pega o livro num dia e termina no outro.
Cecelia apresenta temas como luto, dor, superação, amor e independência, passando sempre uma boa moral ou um bom exemplo em suas palavras finais.
Cecelia é leitura obrigatória para quem gosta de romances e adora se emocionar com um livro em suas mãos.

Ricardo e Carolina.

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Carolina está sofrendo por um amor não correspondido. É a segunda vez que isso acontece. Ela se sente rejeitada, desprezada e se pergunta o tempo todo o que há de errado consigo mesma. Carolina nunca se sentiu verdadeiramente amada por um homem e não sabe mais o que fazer para chamar a atenção de quem nunca poderá dá-la. Ela já está perdendo todos os seus sonhos e esperanças.
Ricardo foi traído. É a segunda vez que isso acontece. Mais um relacionamento foi por água abaixo mesmo depois de todas as tentativas desesperadas para mantê-lo. Ele se sente desprezado, rejeitado e se pergunta o tempo todo o que há de errado consigo. Pergunta-se porque nenhuma namorada, nenhuma mulher não pode ser fiel e amá-lo de volta. Ele já está cansado de ter o coração partido e está perdendo todos os seus sonhos e esperanças.

Carolina e Ricardo trabalham no mesmo prédio há pouco mais de um ano. Já se cruzaram inúmeras vezes, almoçaram na mesma lanchonete em frente ao prédio, mas nunca enxergaram um ao outro. Eles ainda não sabem que exatamente daqui a dois meses Carolina acordará atrasada para o trabalho. Seu relógio irá parar de repente de madrugada e o alarme do despertador não irá soar. Tomará milagrosamente um banho de 5 minutos, pensando que só conseguirá chegar no trabalho meia hora mais tarde.
Exatamente no mesmo horário que Ricardo costuma chegar de forma pontual todos os dias.
Estará chovendo.
Perto do prédio, um ônibus passará correndo por uma enorme poça d’água e irá molhá-la da cabeça aos pés. Carolina tropeçará devido a susto e irá ao chão. Será ajudada por uma velhinha logo em seguida e prenderá o choro ao pensar que aquele seria um dos piores dias de sua vida. Pensará em voltar para casa antes que um vaso caia sobre sua cabeça ou que um carro a atropele na calçada. Mas resolverá seguir em frente. Sua situação estava crítica, não poderia faltar um dia de trabalho, por mais que o mundo estivesse conspirando para que tudo desse errado.
Ricardo achará que aquele é apenas mais um dia entediante de trabalho. Ele pensará naquela manhã que não aguenta mais um emprego que não gosta, onde faz diariamente a mesma coisa inúmeras vezes, e obedecendo a um patrão sem escrúpulos do qual ele nem aguenta olhar nos olhos.
Chegará no prédio onde trabalha arrastando os pés, desejando que o dia passe o mais rápido possível. Cumprimentará a todos na portaria de forma educada, como de costume, e parará em frente à porta do elevador pensando seriamente em jogar tudo para o alto e desistir do emprego.
Preocupada com o estado de sua roupa e de seus cabelos, Carolina não reparará no homem parado à sua frente. Por estar torcendo a barra de sua camisa enquanto caminha, seu corpo se chocará com o de uma pessoa em frente à porta do elevador. Os pedidos de desculpas soarão ao mesmo tempo e só neste momento irão olhar-se nos olhos pela primeira vez.
O tempo irá parar por alguns segundos exclusivamente para eles. Afinal, ele faz isso de vez em quando. É um favor ao Universo desde o início dos tempos: Quando duas pessoas destinadas uma à outra se encontrarem, tudo deve parar. Não é todo dia que acontece. Não é sempre, não é frequente. O tempo é meio impaciente, meio preguiçoso. Sempre tem coisa melhor a fazer, gosta de trabalho, da correria da vida, do movimento do Espaço. Mas para certas ocasiões especiais, ele abria uma exceção. E essa seria uma delas.
Carolina colocará instintivamente uma mecha de cabelo atrás da orelha, sentindo-se muito constrangida por seu estado deplorável. Algo dentro de sua memória reconhecerá aquele rosto, mas sem muita nitidez e certeza. Ela apenas saberá que conhece aquele homem de algum lugar, que já o viu algumas vezes, talvez ali mesmo, naquele prédio, mesmo sem saber quando e sob quais circunstâncias.
Ricardo não conseguirá esconder o sorriso involuntário que se desenhará em seu rosto ao perguntar-se em silêncio como alguém consegue ficar tão bonita mesmo ensopada e com a roupa um pouco suja. Ele lhe dará um simples “bom dia”, perguntando-se porque se sentia tão animado ao ver aquela mulher, mesmo depois de suas decepções amorosas recentes.
Carolina irá responder ao cumprimento, querendo morrer por estar vislumbrando um sorriso tão lindo, vestida com trajes deploráveis. Isso não costuma acontecer nos romances de época que lê às três da manhã.
Geralmente, naquele prédio, o elevador está lotado de gente, seja para sair, seja para entrar. Mas não naquele dia. Não naquele dia chuvoso.
O elevador virá completamente vazio e não haverá mais ninguém ali no térreo para entrar com eles também. Afinal, o tempo parou. As pessoas estão congeladas, o trânsito não segue, os ponteiros do relógio não giram. Seus olhos estarão atentos um ao outro. Nem irão perceber o mundo paralisado ao redor deles.
Ricardo segurará a porta do elevador para Carolina entrar e ela agradecerá com um sorriso tímido.
Carolina apertará o sexto andar.
Ricardo apertará o sétimo.
Os olhares tímidos e medrosos se afastarão naquele elevador e o tempo voltará a girar. Subirão apenas dois andares antes da energia acabar devido a um curto-circuito graças à tempestade lá fora.
Carolina detesta escuridão e lugares fechados. Com o susto, pegará espontaneamente na mão de Ricardo.
Ele a segurará com carinho ao sentir o seu pânico, passando através do aperto em sua mão uma segurança reconfortante.
Nenhum dos dois conseguirá ver, mas ambos estarão sorrindo.
Nenhum dos dois poderá saber, mas ambos os corações baterão rapidamente em uníssono.
Nenhum dos dois sequer desconfiará que aquele seria um dos melhores dias de suas vidas.

Mas isso só acontecerá lá na frente, daqui a sessenta dias.
Ainda precisam derramar algumas lágrimas, cicatrizarem antigas feridas e resolverem conflitos internos antes que seja a hora do grande encontro acontecer.
Neste momento, Carolina chora debruçada em sua janela, contando estrelas no céu.
Neste momento, Ricardo está sentado em sua mesa de vime, desenhando figuras e cenários que traduzem seus sentimentos desesperados e confusos.
Ah, se soubessem! Se apenas soubessem…
Mas não sabem. Pelo menos não ainda.
Só daqui a dois meses.

Escritor 18 – Hans Christian Andersen

 

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Hans Christian Andersen nasceu no dia 02 de Abril de 1805, em Odense, na Dinamarca.
Nasceu numa família muito pobre, filho de um sapateiro e de uma lavadeira. A família vivia numa casa com um único cômodo. Seu pai sempre incentivou sua criatividade contando-lhe histórias através de um teatro de marionetes. Aprendeu a ler muito cedo e também memorizou algumas peças de Shakespeare, que apresentava em seu teatrinho de marionetes. Seu pai veio a falecer quando o menino tinha apenas 11 anos de idade. Sua mãe casou-se novamente e Hans teve de aprender a se virar sozinho. Largou os estudos e mudou-se para a capital Copenhague, a fim de começar uma nova vida como cantor de ópera. Lá, conheceu o diretor do Teatro Real, Jonas Collin, e começou a trabalhar como ator e bailarino, além de escrever algumas peças de teatro. Hans conquistou o carinho do diretor, que resolveu financiar seus estudos. Em 1828 ingressou na Universidade de Copenhague.
Em 1835 ganhou fama internacional com o seu romance “O Improvisador”, graças às viagens que fez por toda a Europa.
Após passar por uma crise financeira aos 22 anos, Hans Christian Andersen começou a escrever contos infantis inspirados nas histórias populares que ouvia quando criança. Depois passou a escrever sobre o mundo das fadas. A tentativa deu certo. Suas palavras atraíram multidões e seus contos foram ficando cada vez mais famosos. Conseguiu reergue-se financeiramente e consagrar-se como um dos primeiros escritores de literatura infantil no mundo.
A data de seu nascimento, 2 de abril, é o Dia Internacional do Livro Infanto-Juvenil.

Principais Obras:

A Sereiazinha
O Soldadinho De Chumbo
O Patinho Feio
A Pequena Vendedora De Fósforos
A Polergazinha
A Roupa Nova Do Imperador

Opinião Pessoal:

Que criança não cresceu ouvindo pelo menos uma das histórias de Hans Christian Andersen? Eu acho que ouvi quase todas das mais famosas e, até hoje, mesmo “grande”, ainda fico encantada com a criatividade e a sensibilidade com que essas histórias são escritas.
Seus livros são direcionados para o público infantil, contudo, qualquer adulto é capaz de se emocionar com suas histórias, principalmente pelo cunho trágico que permeia na maioria delas.
Lembro que, quando era criança, me irritava ouvir alguma de suas histórias onde o personagem morria ou sofria até o último minuto, eu pensava que esse escritor era amargo e que não gostava de finais felizes. E, como toda criança (e muitos adultos também!), eu só queria saber de finais felizes. Porém, ao crescer, temos uma visão melhor do mundo, a partir de novas experiências, de um olhar diferente sobre a vida. Quando pequenos, olhamos a histórias como elas nos são apresentadas, poucas vezes conseguimos ler nas entrelinhas ou achar alguma moral. Agora eu vejo todo o senso crítico de Hans Christian Andersen, principalmente em relação à desigualdade que a raça humana vive através dos séculos. O autor sofreu na pele essa desigualdade, essa falta de adequação ao que é imposto como “certo” pela sociedade e fez de suas experiências, de suas dores, palavras que atravessam séculos, que nos encantam até hoje e que com certeza encantará também as próximas gerações.