Meus 7 Livros Preferidos De 2016!

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Li um pouco mais de 50 livros em 2016 e posso dizer que fiz ótimas leituras. Conheci autores novos, passei a amar mais ainda autores conhecidos e fui apresentada à novos conhecimentos e ideias que enriqueceram minha vida e mudaram minha maneira de pensar.
Escolhi sete livros que foram muito especiais para mim neste ano para ilustrar este penúltimo poste do Sonhos de Letras de 2016.
Eles são:

1) O Zen e a Arte da Escrita – Ray Bradbury

Neste livro o escritor americano apresenta ótimas dicas e hábitos a escritores iniciantes (aliás, foi por causa deste livro que comecei o projeto #52contos que, vergonhosamente, ainda não terminei, apesar de já ter passado o período de um ano… mas sigamos em frente, em 2017 eu termino!). Mais do que uma lista do que um jovem escritor deve ou não fazer, “O Zen E A Arte Da Escrita” é uma injeção de ânimo para os que estão a ponto de desistir de entrar para o mundo literário. Bradbury nos mostra que até os maiores escritores tem seus defeitos, que ninguém nasce sendo um ótimo escritor (bem, talvez Victor Hugo seja uma exceção, mas enfim…) e que só atingiremos excelência se praticarmos nosso ofício todos os dias e que, para isso, temos que enfrentar nossos piores rascunhos.
É livro indispensável a todos que querem realmente seguirem a profissão pelo amor à escrita.

2) Poemas Místicos – Rumi

Rumi foi um poeta sufista, nascido no século XIII na região que hoje é conhecida como o Afeganistão.
Fui atrás do livro pois já tinha lido alguns poemas de Rumi pela internet e porque também queria conhecer mais uma religião que sempre me pareceu fascinante.
“Poemas Místicos” acalmou minha mente, me apresentou novas maneiras de olhar a vida e meu semelhante, e me apresentou a uma religião que tem a arte como base fundamental para se chegar a Deus. Ao final deste livro eu só tinha um sorriso no rosto e uma paz inexplicável dentro de mim.
É um livro mágico, com certeza.

3) A Mulher Calada – Janet Malcolm

Em “A Mulher Calada”, Janet Malcolm faz muito mais do que uma das milhares de biografias da poetisa americana Sylvia Plath. Ela não só conta a vida de Sylvia e de seu casamento conturbado com Ted Hughes, como também escreve sobre o relacionamento que manteve com a família Hughes durante o processo de preparação para a biografia de Sylvia. Janet tem uma escrita envolvente, que faz o leitor pensar que está lendo um romance e não uma biografia. Ela nos deixa loucos para saber o final, por mais que todos que conhecem minimamente Sylvia Plath estejam cientes do final de sua triste história.
O que mais gostei neste livro foi o fato da autora nos apresentar um Ted Hughes e uma Sylvia Plath humanos. Sylvia e Ted trocavam papéis de vítima e algoz numa relação doentia para ambos, o que desmistifica a imagem que fazem de Sylvia como o pobre cordeiro comido pelo leão. No fim, uma relacionamento pertence apenas a duas pessoas e apenas elas sabem o que passou e como se sentiram. Não cabe ao mundo santificar Sylvia e demonizar Ted. Não cabe a nenhum de nós sentenciar outros por algo que apenas podemos imaginar.
Livro indicadíssimo a todos os juízes de plantão que pensam saber mais sobre a vida de terceiros do que eles mesmos.

4) Cartas A Um Jovem Poeta – Rainer Maria Rilke

Comecei esse livro pensando que era sobre dicas de escrita e poesia à um jovem poeta, como diz claramente o titulo do livro. As cartas de Rainer Maria Rilke são de fato o que o titulo propõe, mas vão muito, muito além disso! Posso seguramente dizer que este livro foi um dos responsáveis por mudar minha visão de mundo neste ano e que sou uma pessoa melhor porque o li.
“Cartas A Um Jovem Poeta” é um chamado para a vida, um abraço para jovens corações perdidos que ainda não sabem pra onde estão indo e uma força para que levantemos da cama e sigamos em frente, mesmo sem destino, mesmo ainda sem sonhos ou perspectivas.
Leitura mais do que necessária a todos os jovens que ainda não se encontraram no mundo.

5) O Caçador de Histórias – Eduardo Galeano

Eduardo Galeano sempre entrará para qualquer lista de livros favoritos de minha vida.
Em “O Caçador de Histórias”, livro lançado postumamente, Galeano nos mostra porque é mesmo um caçador de histórias. Ele possui um dom que raramente se encontra nos dias de hoje, que é simplesmente ouvir. Galeano conta em seus livros histórias de povos, lendas, mitos e sobre pessoas que não entraram para os livros de História, mas que tiveram uma vida admirável e inspiradora . Este último livro encerra o ciclo desta admirável pessoa que nos abriu portas a tantos conhecimentos e nos aproximou de culturas longínquas. Quando a última página é virada, encontramos o silêncio e o vazio que a ideia da falta de Galeano neste mundo nos provoca. Só nos resta buscar suas palavras em livros passados e ainda bem que existem muitos deles para serem lidos.
Destaque também para a introdução emocionante de Eric Nepomuceno, tradutor e amigo de longa data do escritor uruguaio.

6) O Povo Brasileiro – Darcy Ribeiro

Quando encontrei este livro perdido na casa de minha avó, jamais imaginei que viria a se tornar um dos livros mais importantes de minha vida. O resgatei de uma bolsa que iria para doação porque queria algo para ler no ônibus e já nas primeiras páginas fui envolvida pelas palavras deste grande brasileiro que fez tanto por nosso país.
“O Povo Brasileiro” é indicadíssimo para todos aqueles que não gostam ou não morrem de amores pelo Brasil. Após uma pesquisa que durou mais de vinte anos, Darcy nos apresenta a visão do índio, do negro e dos povos que aqui se criaram após a colonização portuguesa, uma visão que com certeza você não viu na escola.  Misturando dados históricos com uma escrita apaixonada, o autor nos arrasta pela História do Brasil para fazer entender como chegamos até aqui, no meio de tanta riqueza para poucos e tanta pobreza para muitos. E apesar de todo o sofrimento e injustiça que sofremos desde que os portugueses aqui pisaram reclamando esta terra como sua, ainda conseguimos criar uma nação maravilhosa, apesar de bastante imperfeita.
Passei a enxergar nossa história e nossa gente com muito mais amor após este livro e se antes sonhava com uma vida em outro país, agora não sonho mais. Esta terra é muito especial e há muito trabalho ainda a ser feito por aqui. Sejamos todos Darcy Ribeiro e lutemos pela melhor parte de nosso Brasil.

7) A Condessa Cega e a Máquina de Escrever – Carey Wallace

Ainda não consigo superar este livro. Não sei quantos meses fazem desde que terminei de lê-lo e que fiz a resenha, mas a verdade é que ainda me pego pensando em Carolina e Turri e segurando minha vontade de reler tudo.
Uma condessa cega e um rapaz completamente inteligente e maluco, quem poderia imaginar? Numa época em que só se veem os mesmos tipos de histórias de amor sendo lançadas a um ritmo frenético e enjoativo, a história de Carey Wallace veio para mim como um suspiro. Sentia muita falta de ler uma história de amor que tivesse significado, que fosse bem tratada, e que não parecesse uma receita de bolo para chegar ao número 1 de qualquer lista de Best-Sellers.
É verdade, o final é um pouco decepcionante (dependendo de como você interpreta o livro!) e talvez Carolina e Turri merecessem algo melhor, mas se é o caminho que importa e não o final, então o livro é perfeito.
Talvez o meu livro preferido de 2016…

5 Conselhos de Rainer Maria Rilke Para Jovens Escritores

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“Cartas A Um Jovem Poeta” é um livro muito amado entre grandes escritores. Em sua carta ao  então jovem poeta alemão Franz Xaver Kappus, Rainer Maria Rilke oferece não apenas conselhos preciosos para quem quer se tornar poeta ou escritor, mas também conselhos para a vida, que ajuda a acalmar um coração jovem, inseguro e desesperado por respostas prontas à duvidas angustiantes.
Nosso grande poeta Manuel Bandeira, em entrevista a Homero Senna no livro “República das Letras”, disse que costumava recomendar o livro de Maria Rilke aos jovens poetas que iam até ele em busca de uma opinião experiente sobre sua própria poesia.
Após a leitura do livro compreendi porque esta pequena obra é sempre tão citada como essencial no meio literário. Vale a pena cada linha, seja você um aspirante das letras ou não.
Aqui estão meus cinco trechos favoritos:

1. “Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto, acima de tudo, pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: ‘Sou mesmo forçado a escrever?’. Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples ‘sou’, então construa sua vida de acordo com essa necessidade.”

2. “Relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza – relate tudo isto com intima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas de seu ambiente, as imagens de seus sonhos e os objetos de suas lembranças. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre na infância, essa esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela.”

3. “Leia o menos possível trabalhos de estética e crítica. Ou são opiniões partidárias petrificadas e tornadas sem sentido em sua rigidez morta, ou hábeis jogos de palavras inspirados hoje numa opinião, amanhã noutra.”

4. “Ser artista não significa calcular e contar, mas sim amadurecer como a árvore que não apressa a sua seiva e enfrenta tranqüila as tempestades da primavera, sem medo de que depois dela não venha nenhum verão. O verão há de vir. Mas virá só para os pacientes, que aguardam num grande silêncio intrépido, como se diante deles estivesse a eternidade. Aprendo-o diariamente, no meio de dores a que sou agradecido: a paciência é tudo.”

5. Não busque por enquanto respostas que não podem ser dadas, porque não as poderia viver. Pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga viver a resposta.

E um conselho extra, que serve não só para escritores, como para qualquer ser humano:

“Como esquecer os mitos antigos que se encontram no começo de cada povo: os dos dragões que num momento supremo se transformam em princesas? Talvez todos os dragões de nossa vida sejam princesas que aguardam apenas o momento de nos ver um dia belos e corajosos. Talvez todo o horror, em ultima análise, não passe de um desamparo que implora o nosso auxílio.”

Meus 9 Trechos Favoritos Do Livro “E Se Obama Fosse Africano”, De Mia Couto.

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Mia Couto é um dos mais importantes escritores de Moçambique. Ele é conhecido pelos seus incríveis romances, contos e poesias. Mas no livro “E Se Obama Fosse Africano”, uma coletânea de palestras que proferiu em diversos lugares do mundo, Mia também se mostra espetacular como um pensador contemporâneo. Suas visões sobre política, desigualdades sociais e raciais, cultura e literatura deixam qualquer leitor, seja este fã ou apenas um novo conhecedor de seu trabalho, maravilhado com as ideias do escritor.
Foi muito difícil escolher apenas nove trechos – uma vez que eu marquei o livro quase todo – mas aqui estão os que, para mim, tiveram mais importância:

1)    “O único segredo, a única sabedoria é sermos verdadeiros, não termos medo de partilhar publicamente as nossas fragilidades.”

2)    “Estamos dispostos a denunciar injustiças quando são cometidas contra a nossa pessoa, o nosso grupo, a nossa etnia, a nossa religião. Estamos menos dispostos quando a injustiça é praticada contra os ‘outros’.”

3)    “Fala-se muito dos jovens. Fala-se pouco com os jovens. Ou melhor, fala-se com eles quando se convertem num problema. A juventude vive essa condição ambígua, dançando entre a visão romantizada (ela é a seiva da Nação) e uma condição maligna, um ninho de riscos e preocupações (a Sida, a droga, o desemprego).”

4)    “A escola é um meio para querermos o que não temos. A vida, depois, ensina-nos a termos aquilo que não queremos. Entre a escola e a vida resta-nos sermos verdadeiros e confessar aos mais jovens que nós também não sabemos e que, nós, professores e pais, também estamos à procura de respostas.”

5)    “A verdade é que nós somos sempre não uma mas várias pessoas e deveria ser norma que a nossa assinatura acabasse sempre por não conferir. Todos nós convivemos com diversos eu, diversas pessoas reclamando a nossa identidade. O segredo é permitir que as escolhas que a vida nos impõe não nos obriguem a matar a nossa diversidade interior. O melhor nesta vida é poder escolher, mas o mais triste é ter mesmo que escolher.”

6)    “Quanto mais pobre é um país maior é a capacidade de se destruir a si mesmo.”

7)    “A cilada maior é acreditarmos que as armadilhas estão sempre fora de nós, num mundo que temos por cruel e desumano. Ora, por mais que nos custe, nós somos também esse mundo. E as armadilhas que pensávamos exteriores residem profundamente dentro de nós. Quebrar as armadilhas do mundo é, antes de mais, quebrar o mundo de armadilhas em que se converteu nosso próprio olhar.”

8)    “Tenho escrito repetidamente que o nosso maior inimigo somos nós mesmos. O adversário do nosso progresso esta dentro de cada um de nós, mora na nossa atitude, vive no nosso pensamento.”

9)    “Cada um de nós corre o risco de ficar sepultado no seu próprio passado. Todos temos de resistir para não ficarmos aprisionados numa memória simplificada que é o retrato que outros fizeram de nós. Todos trazemos escrito um livro e esse texto quer-se impor como nossa nascente e como nosso destino. Se existe uma guerra em cada um de nós é a de nos opormos a este fardo de estarmos condenados a uma única e previsível narrativa.”

Bônus: “Um país em que as mulheres só podem ser a sua metade está condenado a ter apenas metade do seu futuro.”

Meus 9 Trechos Favoritos De “O Sol E O Peixe”, De Virginia Woolf

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“O Sol E O Peixe”, da escritora inglesa Virginia Woolf, foi lançado no ano passado pela editora Autêntica. O livro reúne alguns dos textos mais brilhantes e poéticos que Virginia já escreveu.
Como tudo o que Virginia escreve, os textos me tocaram, provocaram-me grandes reflexões acerca dos variados assuntos abordados no livro e me ensinaram muitas coisas sobre a arte da escrita.
Aqui compartilho com vocês os 9 trechos que marcaram esta maravilhosa leitura:

1 – “Pois, para além da dificuldade de comunicar aquilo que se é, há a suprema dificuldade de ser aquilo que se é. Esta alma, ou a vida dentro de nós, não combina absolutamente com a vida fora de nós.”

2 – “Conforme-se uma vez, faça uma vez o que outras pessoas fazem porque elas o fazem, e uma letargia toma conta, lentamente, de todos os nervos e todas as capacidades mais delicadas da alma. Ela se torna toda espetáculo e vazio exterior; embotada, insensível e indiferente.”

3 – “Deixemo-nos fervilhar sobre o nosso incalculável caldeirão, nossa enfeitiçadora confusão, nossa miscelânea de impulsos, nosso perpétuo milagre – pois a alma vomita maravilhas a cada segundo.”

4 – “ Ler o que a gente gostava porque gostava, nunca para fazer de conta que admirava o que a gente não admirava – esta era a sua única lição sobre a arte da leitura. Escrever com o mínimo possível de palavras, tão claramente quanto possível, exatamente o que se queria dizer – esta era sua única lição sobre a arte da escrita.”

5 – “Quando o dia do juízo final chegar e todos os segredos forem revelados, não devemos ficar surpresos ao saber que a razão pela qual evoluímos do macaco ao homem, e deixamos nossas cavernas e depusemos nossos arcos e flechas e sentamos ao redor do fogo e conversamos e demos aos pobres e ajudamos os doentes, a razão pela qual construímos, partindo da aridez do deserto e dos emaranhados da floresta, abrigos e sociedades, é simplesmente esta: nós desenvolvemos a paixão da leitura.”

6 – “Livros usados são livros à solta, livros sem teto; eles se juntaram em vastos bandos de plumagem mesclada, e têm um encanto que os livros da biblioteca não têm. Além disso, nessa aleatória e heterogênea companhia, podemos dar de cara com algum completo estranho que, com sorte, se tornará o melhor amigo que temos no mundo.”

7 – “Não conhecemos a nossa própria alma e muito menos a dos outros. Os seres humanos não vão de mãos dadas por toda a extensão do caminho. Há, em cada um de nós, uma floresta virgem, emaranhada, inexplorada; um campo nevado onde não se veem nem pegadas de pássaros.”

8 – “Podemos com certeza dizer que um escritor cuja escrita apela principalmente ao olho é um mau escritor; que se, ao narrar, digamos, um encontro num jardim, ele descreve rosas, lírios, cravos e sombras na grama, de maneira que possamos vê-los, mas deixa que deles se infiram ideias, motivos, impulsos e emoções, é porque ele é incapaz de usar seu meio para os propósitos para os quais ele foi criado e, como escritor, um homem sem pernas.”

9 – “Nada existe desnecessariamente. Os próprios peixes parecem ter sido moldados deliberadamente e ter escapulido para o mundo apenas para serem eles mesmos. Não trabalham nem choram. Na sua forma está sua razão. Pois para que outro propósito, a não ser o suficiente de uma perfeita existência, podem eles ter sido assim feitos, alguns tão redondos, outros tão finos, alguns com barbatanas radiantes no dorso, alguns blindados por uma carapaça azul, alguns dotados de garras prodigiosas, alguns escandalosamente orlados com bigodes enormes? Empregou-se mais cuidado com uma meia dúzia de peixes do que com as raças da humanidade.”

3 Poemas De Manoel De Barros, Do Livro “Ensaios Fotográficos”.

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O Vento.

Queria transformar o vento.
Dar ao vento uma forma concreta e apta a foto.
Eu precisava pelo menos de enxergar uma parte física do vento: uma costela, o olho..
Mas a forma do vento me fugia que nem as formas de uma voz.
Quando se disse que o vento empurrava a canoa do índio para o barranco
Imaginei um vento pintado de urucum a empurrar a canoa do índio para o barranco.
Mas essa imagem me pareceu imprecisa ainda.
Estava quase a desistir quando me lembrei do menino montado no cavalo do vento – que lera em Shakespeare.
Imaginei as crinas soltas do vento a disparar pelos prados e com o menino.
Fotografei aquele vento de crinas soltas.

O Punhal

Eu vi uma cigarra atravessada pelo sol – como se um punhal atravessasse o corpo.
Um menino foi, chegou perto da cigarra, e disse que ela nem gemia.
Verifiquei com os meus olhos que o punhal estava atolado no corpo da cigarra
E que ela nem gemia!
Fotografei essa metáfora.
Ao fundo da foto aparece o punhal em brasa.

A Doença

Nunca morei longe do meu país.
Entretanto padeço de lonjuras.
Desde criança minha mãe portava essa doença.
Ela que me transmitiu.
Depois meu pai foi trabalhar num lugar que dava essa doença nas pessoas.
Era um lugar sem nome nem vizinhos.
Diziam que ali era a unha o dedão do pé do fim do mundo.
A gente crescia sem ter outra casa ao lado.
No lugar só constavam pássaros, árvores, o rio e os seus peixes.
Havia cavalos sem freios dentro dos matos cheios
de borboletas nas costas.
O resto era só distância.
A distância seria uma coisa vazia que a gente portava no olho
E que meu pai chamava exílio.

Meus 9 Trechos Favoritos De “A Seleção”, de Kiera Cass.

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Kiera Cass criou um mundo no futuro completamente diferente do que imaginamos. Ao contrário do que sempre lemos sobre tecnologia e prosperidade, após a 4ª Guerra Mundial as nações voltam para a monarquia e o sistema de castas. America Singer é uma Cinco. Ela faz parte da casta de artistas e músicos clássicos, que estão “apenas três posições acima da sujeira”.

A crítica social é apenas uma linha da história de Cass. Maxon, o príncipe de Illéia (acredito que seja um país formado por países de toda a América após o fim da 4ª Guerra) finalmente chega à maioridade e com isso a Coroa promove A Seleção. O príncipe terá que escolher a esposa entre 35 mulheres.

America tem idade para se inscrever, mas só o faz devido a pressão feita por pessoas que estão próximas a ela. Há também um fator importante: o dinheiro. Além disso, é uma boa oportunidade para ficar longe do ex-namorado por um tempo.

Ela não quer ganhar. America ficaria feliz em ficar na Seleção tempo suficiente para curar seu coração e ganhar algum dinheiro para a família. Porém, ela não levava em consideração conhecer Maxon como uma pessoa de verdade. Sei que uma história de príncipe parece clichê demais. Entretanto, America e Maxon formam uma dupla divertidíssima.

1. “Estava tão perdida em meus pensamentos que só percebi que tinha companhia quando o príncipe Maxon começou a falar comigo.
─ Está tudo bem, querida?
─ Eu não sou sua querida.
Levantei minha cabeça para encará-lo. Era impossível não notar o nojo no meu tom de voz e nos meus olhos.”

2. “Ele se levantou para ler meu broche conforme eu me aproximava:
─ America, certo? – Ele perguntou, com um sorriso nos lábios.
─ Sim, sou eu. E sei que já ouvi seu nome antes, mas poderia refrescar minha memória – eu disse, pensando se era má ideia começar com uma piada, mas Maxon riu e me pediu que sentasse.
Ele se inclinou para frente e perguntou:
─ Você dormiu bem, minha querida?”

3. “─ Não acha que seria muito melhor se tivesse alguém aqui dentro? Alguém para ajudar? Tipo… uma amiga?
─ Uma amiga? – Ele perguntou?
─ Sim. Se me deixar ficar, posso ajudar. Serei sua amiga.
Minhas palavras o fizeram sorrir. Retomei minha proposta:
─ Não precisa se incomodar em correr atrás de mim. Já sabe que não sinto nada por você. Mas pode falar comigo a qualquer momento e tentarei ajudar. Ontem à noite você disse que estava em busca de uma confidente. Bem, posso ser essa pessoa enquanto não encontrar a definitiva. Se quiser…”

4. “[…] As firmes batidas de Maxon soaram minutos mais tarde. Quando dei por mim, já estava correndo em direção à porta.
─ Mas onde estão suas criadas – perguntou olhando para o interior do quarto.
─ Foram embora. Eu as dispenso sempre que volto do jantar.
─ Todos os dias?
─ Sim, claro. Posso muito bem tirar a roupa sozinha, obrigada.
Maxon levantou as sobrancelhas e sorriu, então eu corei. Não eram aquelas palavras que eu queria usar. ”

5. “Seu discurso tinha começado cheio de fúria e paixão, mas no final as perguntas não eram mais retóricas. Ele realmente queria saber: o que faria se ninguém ali passasse perto de ser uma pessoa que ele pudesse amar? Embora esse não parecesse ser seu maior problema, o príncipe estava mais preocupado em não ser amado.”

6. “O rosto de Maxon era mero eco da minha dor. Seu coração parecia ter sido despedaçado por minha história. Mais que isso: ele parecia estar com raiva.
─ Sinto muito, America. Eu não… – sua expressão se contorceu um pouco. – Agora é um bom momento para pôr a mão no seu ombro?
Sua dúvida fez com que eu sorrisse.
─ Sim, agora é um ótimo momento.
Ele parecia tão cético como no dia anterior, mas em vez de apenas pôr a mão no meu ombro, inclinou-se e tentou me envolver em seus braços.
─ A única pessoa que já abracei é minha mãe. Estou fazendo certo? – Perguntou.
Eu ri.
─ É difícil errar um abraço.”

7. “─ Feche os olhos, Maxon. […] Talvez você ainda não saiba quem ela é, mas pense nas garotas no salão. Imagine aquela que mais ama. Imagine sua “querida”.
A mão dele estava ao lado da minha, e seus dedos resvalaram nos meus por um momento. Puxei a mão.
─ Desculpe – ele murmurou, abrindo os olhos na minha direção.
─ Fechados!
Ele deu uma risadinha e voltou à posição de antes.”

8. “─ Ele não é mais meu namorado. E deixou bem claro que terminou comigo – até eu pude perceber uma pequena esperança em minha voz.
─ Impossível. Ele deve ter visto você na TV e se apaixonado mais uma vez. Embora, na minha opinião, você continue a ser areia demais para o caminhãozinho dele.
Maxon falava quase como se estivesse aborrecido, como se tivesse visto a cena um milhão de vezes.
─ A propósito – ele prosseguiu elevando um pouco a voz -, se você não quiser que eu me apaixone, não pode ficar assim tão linda. A primeira coisa que farei amanhã será mandar suas criadas costurarem uns sacos de batatas para você usar. ”

9. “─ E por que ainda estou aqui?
Minha voz saiu um pouco mais alta que um sussurro. Eu sabia que ia doer. No fundo, tinha certeza de que só estava ali porque Maxon era bom demais para quebrar uma promessa.
─ America, pensei ter sido claro – ele disse calmamente. […] Se o assunto fosse simples, já teria eliminado todas as outras. Sei o que sinto por você. Talvez seja impulsivo da minha parte ter tanta certeza, mas estou certo de que seria feliz com você.”

BÔNUS

“Toquei a música – tão familiar quanto a voz do meu pai ou o cheiro do meu quarto – por uns breves e belos instantes, para depois deixá-la atingir seu fim inevitável. Passei o arco sobre as cordas pela última e o levantei.
Abri os olhos para verificar se Kriss tinha gostado do presente, mas nem vi seu rosto. Atrás do grupo de meninas estava Maxon. Ele vestia um terno cinza e carregava uma caixa sob o braço. As garotas aplaudiram com muita gentileza, mas não pude prestar atenção no som das palmas. Só conseguia focar em Maxon, com uma expressão bela e maravilhada, que logo se converteu em um sorriso. Um sorriso para mim e mais ninguém.”

3 Poemas de Paulo Leminski, Do Livro “Toda Poesia”.

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O livro “Toda Poesia”, do escritor curitibano Paulo Leminski, ficou durante várias semanas no topo da lista de best-sellers no Brasil. Algo raro para a nossa poesia, que geralmente não é lida pela grande massa. Mas a mensagem direta e as palavras ágeis de Leminski permitem que o leitor imediatamente se identifique com o seu modo de ver o mundo.
É definitivamente um dos meus livros de poemas favoritos.
Aqui separo 3  deles. Não digo que esses são os melhores poemas do livro, porque quando se trata de Leminski é impossível falar de “alguns melhores”. Mas escolhi esses três, pois foram o que mais falaram a mim como leitora, como pessoa, e como escritora também.
São eles:

1.    Razão de Ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter porquê?

2.    olinda wischral

pessoas deviam poder evaporar
quando quisessem
não deixar por aí
lembranças pedaços carcaças
gotas de sangue caveiras esqueletos
e esses apertos no coração
que não me deixam mentir

3. 

por mais que eu ande
nada em mim imagina
o que é que menina
tão pequena esta fazendo
numa cidade tão grande

10 Livros com Protagonistas Adolescentes Que São Uma Verdadeira Lição Para Todas As Idades.

Se analisarmos as atuais listas de livros mais vendidos e as novas adaptações literárias nos cinemas e televisão é nítido o número expressivo de livros nos quais os protagonistas são adolescentes e estão enfrentando situações marcantes, como doenças graves, perda de entes queridos, entre outros. Esses livros, que muitas vezes são denominados como “Young adult” e “new adult”, abordam diversos temas típicos dessa fase, como a descoberta do primeiro amor e busca pelo autoconhecimento. Temas que são pertinentes a essa fase, mas que devem ser discutidos em todas as idades, afinal, sempre podemos usar a paixão presente na adolescência para aprendermos mais sobre nós mesmos e sonhar com o amor romântico.
Gosto de boas histórias e sempre me surpreendo com os YA e NA, pensando nisso, fiz essa lista, com os meus queridinhos desse gênero, como uma dica de boas leituras e personagens complexos e cativantes que vão ganhar o seu coração! Boa Leitura!!

 

1.    A Culpa é das Estrelas – John Green

 

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“Hazel foi diagnosticada com câncer aos treze anos e agora, aos dezesseis, sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões. Ela sabe que sua doença é terminal e passa os dias vendo tevê e lendo Uma aflição imperial, livro cujo autor deixou muitas perguntas sem resposta. Essa era sua rotina até ela conhecer Augustus Waters, um jovem de dezessete anos que perdeu uma perna devido a um osteosarcoma, em um Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Como Hazel, Gus é inteligente, tem senso de humor e gosta de ironizar os clichês do mundo do câncer — a principal arma dos dois para enfrentar a doença que lentamente drena a vida das pessoas. Com a ajuda de uma instituição que se dedica a realizar o último desejo de crianças doentes, eles embarcam para Amsterdã para procurar Peter Van Houten, o autor de Uma aflição imperial, em busca das respostas que desejam. Inspirador, corajoso, irreverente e brutal, A culpa é das estrelas é a obra mais ambiciosa e emocionante de John Green, sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.”

2.    Métrica – Colleen Hoover

 

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“O romance de estreia de Colleen Hoover, autora que viria a figurar na lista de best sellers do New York Times, apresenta uma família devastada por uma morte repentina. Após a perda inesperada do pai, Layken, de 18 anos, é obrigada a ser o suporte tanto da mãe quanto do irmão mais novo. Por fora, ela parece resiliente e tenaz; por dentro, entretanto, está perdendo as esperanças. Um rapaz transforma tudo isso: o vizinho de 21 anos, que se identifica com a realidade de Layken e parece entendê-la como ninguém. A atração entre os dois é inevitável, mas talvez o destino não esteja pronto para aceitar esse amor.”

3.    Um Caso Perdido – Colleen Hoover

 

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“Às vezes, descobrir a verdade pode te deixar com menos esperança do que acreditar em mentiras… Em seu último ano de escola, Sky conhece Dean Holder, um rapaz com uma reputação capaz de rivalizar com a dela. Em um único encontro, ele conseguiu amedrontá-la e cativá-la. E algo nele faz com que memórias de seu passado conturbado comecem a voltar, mesmo depois de todo o trabalho que teve para enterrá-las. Mas o misterioso Holder também tem sua parcela de segredos e quando eles são revelados, a vida de Sky muda drasticamente.”

4.    A Lista Negra – Jennifer Brown

 

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“Se você desejasse a morte de uma pessoa e isso acontecesse? E se o assassino fosse alguém que você ama? O namorado de Valerie Leftman, Nick Levil, abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista com o nome dos estudantes que praticavam bullying contra os dois. A lista que ele usou para escolher seus alvos. Agora, ainda se recuperando do ferimento e do trauma, Val é forçada a enfrentar uma dura realidade ao voltar para a escola para terminar o Ensino Médio. Assombrada pela lembrança do namorado, que ainda ama, passando por problemas de relacionamento com a família, com os ex-amigos e a garota a quem salvou, Val deve enfrentar seus fantasmas e encontrar seu papel nessa história em que todos são, ao mesmo tempo, responsáveis e vítimas.”

5.    Will & Will – John Green e David Levithan

 

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“Em uma noite fria, numa improvável esquina de Chicago, Will Grayson encontra… Will Grayson. Os dois adolescentes dividem o mesmo nome.  E, aparentemente, apenas isso os une. Mas mesmo circulando em ambientes completamente diferentes, os dois estão prestes a embarcar em um aventura de épicas proporções.  O mais fabuloso musical a jamais ser apresentado nos palcos politicamente corretos do ensino médio.”

6.    Eleanor & Park – Rainbow Rowell

 

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“Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola…”

7.    Cidades de Papel – John Green

 

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“Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita.
Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.”

8.    As vantagens de ser invisível – Stephen Chbosky

 

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“Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, o livro reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco se sabe – a não ser pelo que ele conta ao amigo nessas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela.
As dificuldades do ambiente escolar, muitas vezes ameaçador, as descobertas dos primeiros encontros amorosos, os dramas familiares, as festas alucinantes e a eterna vontade de se sentir “infinito” ao lado dos amigos são temas que enchem de alegria e angústia a cabeça do protagonista em fase de amadurecimento. Stephen Chbosky capta com emoção esse vaivém dos sentidos e dos sentimentos e constrói uma narrativa vigorosa costurada pelas cartas de Charlie endereçadas a um amigo que não se sabe se real ou imaginário.
Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história presente e futura, ora como um personagem invisível à espreita por trás das cortinas, ora como o protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora. Mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo.”

9.    Outras Palavras para o amor – Lorraine Zago Rosenthal

 

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“Anos 1980. Enquanto o mundo se encolhe com o medo da Aids e as tensões da Guerra Fria, Ari Mitchell tem outras preocupações além dos vírus que pululam nos bocais dos telefones públicos do Brooklin. Como ser ofuscada por Summer, a amiga rica e bonita, que estuda numa prestigiosa escola particular em Manhattan. Ou a paixonite pelo cunhado bombeiro.
Ou os sonhos de sua mãe castradora. Mas uma herança está prestes a mudar a vida de Ari. Com a morte de um tio, a sensível aluna nota A ganha um visto de entrada, mesmo a contragosto, para o mundo dos ricos e belos. Nova aluna da Hollister Prep, ela precisa se adaptar a uma sofisticada realidade. E a outras amizades. Uma história sensível que mostra que o amadurecimento é a mais difícil das jornadas.”

10.    O Teorema Katherine – John Green

 

 

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“Após o mais recente e traumático pé na bunda, o Colin que só namora Katherines resolve cair na estrada. Dirigindo o Rabecão de Satã, com seu caderninho de anotações no bolso e o melhor amigo no carona, o ex-garoto prodígio, viciado em anagramas e PhD em levar o fora, descobre sua verdadeira missão: elaborar e comprovar o Teorema Fundamental da Previsibilidade das Katherines, que tornará possível antever, através da linguagem universal da matemática, o desfecho de qualquer relacionamento antes mesmo que as duas pessoas se conheçam.”

 

Bônus: Um novo livro desse gênero vem ganhando o coração de todos os leitores ao redor do mundo: Por Lugares Incríveis – Jennifer Niven.

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“Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família.
Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.”

Ele, que será minha próxima leitura, parece ser encantador. Não podia deixar de citá-lo.

Meus 9 trechos favoritos de “Um Caso Perdido”, de Colleen Hoover.

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Se um dia você se deparar com o livro “Um Caso Perdido” em uma livraria ou em algum site, dificilmente ele vai ganhar sua atenção. Sua capa e descrição nada atrativas escondem uma estória de amor maravilhosa. Escondem personagens intensos e humanos que descobrem que o amor pode sim curar um coração machucado. O li pela primeira vez há mais ou menos 6 meses e até hoje não consigo esquecer Sky e Holder, sofro de uma ressaca literária constante. Meus trechos favoritos são apenas uma pequena amostra da grandeza desse livro e desses personagens, além de um pequeno incentivo para se entregarem a essa linda estória de amor.

1. “- Que desculpa de merda.
Ele ergue a sobrancelha para mim.
– É uma desculpa de merda eu odiar o colégio?
– Não. É uma desculpa de merda você deixar um ano ruim determinar o resta da sua vida.”

2. “- Preciso disso. Preciso ter certeza de que está sentindo o mesmo que eu no instante em que meus lábios encostarem nos seus. Porque quero que seu primeiro beijo seja o melhor primeiro beijo na história dos primeiros beijos.”

3. “Não estou de coração partido e ainda não derramei uma lágrima sequer por causa de toda essa situação. Não consigo ficar de coração partido porque, por sorte, ainda não tinha dado a ele essa parte de mim. Mas não sou orgulhosa demais para admitir que estou um pouco triste com tudo isso, e sei que vou precisar de um tempo porque eu gostava muito, muito dele. Resumindo, estou bem. Um pouco triste e imensamente confusa, mas bem.”

4. “- Isso está me matando, Sky – diz ele, com a voz bem mais calma e baixa. – Está me matando porque não quero passar mais nenhum dia sem que não saiba o que sinto por você. E não estou pronto para dizer que estou apaixonado por você, pois não estou. Ainda não. Mas seja lá o que for isso que estou sentindo … é bem mais que gostar. É muito mais. E nas últimas semanas venho tentando esconder esse sentimento. Estava tentando entender porque não existe palavra alguma capaz de descrevê-lo. Quero que saiba exatamente o que sinto, mas não existe nenhuma maldita palavra no dicionário inteiro que descreva esse ponto entre gostar e amar, mas eu preciso dessa palavra. Preciso dela porque preciso que você me ouça dizê-la.
(…)
– Gamar.
O desespero em seus olhos se ameniza um pouco, e ele solta uma risada breve e confusa.
– O quê? – Ele balança a cabeça, tentando entender minha reposta.
– Gamar. Se misturarmos as letras de gostar e amar, temos gamar. Você pode usar essa palavra.
Ele ri novamente, mas dessa vez é uma risada de alivio. Põe os braços ao meu redor e me beija com um alívio gigantesco.
– Eu gamo você, Sky – diz ele encostando em meus lábios. – Gamo tanto você.”

5. “Uma das coisas que amo nos livros é que eles conseguem definir e condensar certos momentos da vida de um personagem em capítulos. É intrigante, pois na vida real é impossível fazer isso. Não dá para terminar um capítulo, pular as coisas pelas quais a pessoa não quer passar e simplesmente começar um capítulo que melhor se encaixa com sua vontade. A vida não pode ser dividida em capítulos… só em minutos. Os acontecimentos da vida de uma pessoa estão todos aglomerados um minuto após o outro, sem nenhum intervalo de tempo, páginas em branco ou pausas de capítulos, porque não importa o que aconteça, a vida simplesmente continua, segue em frente, as palavras são ditas, e as verdades sempre surgem, quer você queira ou não, e a vida nunca deixa você fazer uma pausa para recuperar a porra do fôlego.”

6. “- Fodam-se todas as primeiras vezes, Sky. A única coisa que importa para mim com você são os para sempre.”

7. “- Disse que queria ficar sozinha no meu quarto e, quando acordei e vi que você estava lá comigo na cama, tive vontade de chorar, Holder. Queria chorar porque precisava tanto de você ali. Foi naquele momento que percebi que estava apaixonada por você. Estava apaixonada pela maneira como você me amava. Quando pôs os braços ao meu redor e me abraçou, soube que, independentemente do que acontecesse com minha vida, meu lar era você. Você roubou a maior parte do meu coração naquela noite.
Abaixo a cabeça até a dele e beijo-o delicadamente. Ele fecha os olhos e começa a encostar a cabeça na cama outra vez.
– Fique com eles abertos – sussurro, afastando-me dos lábios dele – Ele os abre, olhando-me com uma intensidade que bate direto no centro do meu ser. – Quero que fique de olhos abertos… porque preciso que veja eu lhe entregar a última parte do meu coração.”

8. “- Sim, é sim. Você é incrivelmente corajosa. E vai conseguir superar isso, pois tem um coração muito forte. Um coração capaz de amar tantas coisas da vida e das pessoas de uma maneira que jamais imaginou que um coração fosse capaz. E você é linda. – Pressiono a mão no seu coração. – Aqui dentro. Seu coração é tão bonito, e um dia alguém vai amá-lo do  jeito que ele merece.”

9. “- Quero que lembre quem você é, apesar de todas as coisas ruins que estão acontecendo com você. Porque essas coisas ruins não são você. São apenas coisas que aconteceram com você. Precisa aceitar que quem é e o que acontece com você são duas coisas diferentes.”

Meus 9 Trechos Favoritos De “O Morro Dos Ventos Uivantes”.

O-Morro-dos-Ventos-Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes conta uma história de amor, mas isso não quer dizer que o livro seja sobre o amor em sua plena forma. Somos apresentados à história de Heathcliff e Catherine, um homem ruim e uma mulher egoísta, que têm o amor como a única coisa que os redime. Os trechos que foram separados nessa coletânea são alguns dos meus momentos favoritos da história (que é um dos meus livros favoritos) e deixarão explícitas as facetas dessas personagens.

1. “Ele… completamente sozinho! Nós dois… separados! – exclamou ela, indignada. – E quem vai nos separar, não me dirás? Quem tentar terá o destino de Milo! Não enquanto eu for viva, Ellen… nenhum mortal vai conseguir isso. Mais depressa sumiriam da face da Terra todos os Linton do que eu permitiria separar-me do Heathcliff”

2. “Não sei como explicar, mas certamente que tu e toda a gente têm a noção de que existe, ou deveria existir, um outro eu para além de nós próprios. Para que serviria eu ter sido criada se apenas me resumisse a isto? Os meus grandes desgostos neste mundo foram os desgostos do Heathcliff, e eu acompanhei e senti cada um deles desde o início; é ele que me mantém viva. Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria para mim uma vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer. O meu amor pelo Linton é como a folhagem dos bosques: irá se transformar com o tempo, sei disso, como as árvores se transformam com o inverno. Mas o meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou o Heathcliff. Ele está sempre, sempre no meu pensamento. Não por prazer, tal como eu não sou um prazer para mim própria, mas como parte de mim mesma, como eu própria”

3. “- Deves estar possuída pelo diabo – continuou ele, desvairado, – para falares comigo nesse tom, quando estás à beira da morte! Já pensaste bem que toda essas palavras vão ficar gravadas na minha memória, consumindo-me a alma eternamente depois de tu morreres? Sabes que mentes quando afirmas que fui em quem te levou a esse estado deplorável. E também sabes, Catherine, que, enquanto eu viver, jamais te esquecerei! Não será suficiente para o teu egoísmo atroz saberes que, enquanto descansas em paz, eu sofrerei os tormentos do inferno?”

4. “- Mostraste-me agora o quão cruel tens sido. Cruel e falsa! Por que me desprezaste, Cathy? Por que traíste o teu próprio coração? Não tenho sequer uma palavra de conforto para dar. Tu mereces tudo aquilo por que estás passando. Mataste a ti própria. Sim, podes beijar-me e chorar o quanto quiseres. Arrancar-me beijos e lágrimas. Mas eles vão te queimar e serás amaldiçoada. Se me amavas, por que me deixaste? Com que direito? Responde-me! Por causa da mera inclinação que sentias pelo Linton? Pois não foi a miséria, nem a degradação, nem a morte, nem algo que Deus ou satanás pudessem enviar, que nos separou. Foste tu, de livre vontade, que o fizeste. Não fui eu que despedacei teu coração, foste tu própria. E, ao despedaçares o teu, despedaçaste o meu também. Tanto pior para mim, que sou forte e saudável. Se eu desejo continuar a viver? Que vida levarei quando… Oh! Meu Deus! Gostaria tu de viver com a alma na sepultura?”

5. “Mas o que não associo eu a ela? O que não a traz à minha memória? Se olho para estas lajes, vejo nelas gravadas as suas feições! Em cada nuvem, em cada árvore, na escuridão da noite, refletida de dia em cada objeto, por toda a parte eu vejo a sua imagem! Nos rostos mais vulgares de homens e de mulheres, até as minhas feições me enganam com a semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de testemunhas de que um dia ela realmente existiu e a perdi para sempre!”

6. “- E você supõe que ela me esqueceu? Oh, Nelly! Você sabe que isso não é verdade! Sabe, tão bem quanto eu, que a cada pensamento que ela gasta com Linton, gasta mil comigo! No período mais triste da minha vida eu também pensava assim, e isso ainda me assustava quando voltei para cá no verão passado. Mas só uma confissão dela me faria admitir essa ideia horrível outra vez. E então Linton não seria mais nada, nem Hindley, nem todos os sonhos que já sonhei. Duas palavras apenas representariam o meu futuro: morte e inferno. A vida, depois de perdê-la, seria um inferno. Ainda assim, fui tolo o bastante para imaginar por um momento que ela valorizasse mais o amor de Linton do que o meu. Mesmo se ele a amasse com todas as forças da sua pessoa mesquinha, nem em oitenta anos poderia amá-la tanto quanto eu a amo num único dia. E o coração de Catherine é tão profundo quanto o meu: é mais fácil o mar caber inteiro naquela gamela, do que todo o seu amor ser monopolizado por ele. Ah! O lugar que ele ocupa na feição de Cathy é só um pouco melhor do que o do seu cachorro, ou do seu cavalo. Não é da natureza dele ser amado como eu sou: comoela poderia amar nele aquilo que ele não possui?”.

7. “A pólvora permaneceu tão inofensiva quanto areia, porque nenhum fogo chegou perto para fazê-la explodir”.

8. “- Beija-me e não me deixes ver os teus olhos! Perdoo-te o mal que me fizeste. Eu amo quem me mata. Mas… como poderei perdoar quem te mata?”.

9. “Nunca lhe confessei o meu amor com palavras, mas se os olhos falam, o último dos tolos poderia verificar que eu estava totalmente apaixonado. Ela por fim compreendeu e por sua vez me lançou um olhar… o mais doce de todos os olhares imagináveis”.