Uma Casa Não É Um Lar.

old house

6 metros de espaço.
6 metros de separação.
Nenhuma palavra.
Nenhum gesto.
Solidão.

Uma casa não é um lar quando há divisão.
Quando não há cara a cara ou uma troca de olhar.
Uma casa não é um lar em nenhum lugar.
Pelo menos não para mim.
Pelo menos não aqui.

À direita há gritos e ofensas.
À esquerda há silêncio e vazio.
Não me encaixo. Não faço parte.
Seja fora ou seja dentro, eu nunca me acho.

Uma casa não é um lar de maneira alguma.
Como um indigente que procura um teto para dormir,
Eu procuro um lar para sorrir.
E não há. Não agora.
Não hoje. Para mim.

Uma casa não é um lar.
Enquanto eu estiver sozinha assim.

03 – Pessoas Tóxicas

toxic

 

Acho que todo mundo aqui sabe o que “tóxico” significa, mas todo texto é sempre mais legal quando é iniciado com a explicação do dicionário.
Pois bem, segundo o dicionário Michaelis, tóxico significa “que envenena; que tem a propriedade de envenenar. O mesmo que veneno.”
E, infelizmente, existem muitas pessoas que não podem ser definidas por outro adjetivo.
A ideia pra esse pensamento veio de uma frase que eu vi no tumblr há um tempo, que dizia, numa tradução livre, exatamente o seguinte: “Não tenha medo de eliminar pessoas tóxicas da sua vida.” E desde então essa frase vive na minha cabeça, principalmente quando eu detecto uma dessas pessoas perto de mim.
O problema de toda esta história é que você, em algum ponto da sua vida (ou se é doente como eu, a sua vida inteira), você vai gostar de algum tipo de pessoa assim. Aliás, acho que todos devemos ter alguém assim no presente momento. Aquela pessoa que você gosta – às vezes sem nem saber por que – e que te faz rir, é legal pra sair numa sexta à noite e você muitas vezes a chama de “amigo”. Mas é uma pessoa que está sempre te colocando pra baixo. Que está sempre criticando sua maneira de ser, se você gosta disso ou daquilo, que fica opinando negativamente em tudo o que você faz e que tenta, a todo custo, fazê-lo ver a vida como ela vê, fazê-lo viver a vida como ela vive. Levante a mão quem conhece e gosta – mais uma vez, sem saber o motivo – de alguém assim: \o/
Então, essa é a pior parte. Gostar de uma pessoa assim. Não sei vocês, mas eu não preciso de motivos pra gostar ou desgostar de alguém. Acho que até coloquei isso em um dos meus textos e, infelizmente, é verdade. Quisera eu ter sempre motivo para gostar de alguém porque a pessoa me deu razões para isso. Mas não. Eu só olho a pessoa e PÁ! Gostei. Fim. Quero ser amiga dela, faço de tudo para me aproximar… E, no fim das contas, acabo adicionando mais uma pessoa tóxica na minha vida.
Acredito que muitas pessoas têm pessoas ao redor assim também, sejam parentes, amigos, até mesmo namorados… Conheço muita garota se matando por veneno em forma de homem. Cada um tem seus motivos patológicos para correr atrás de gente assim (porque nós sempre que corremos atrás das pessoas tóxicas e elas nunca correm em nossa direção, já repararam?), eu com certeza tenho os meus! Mas isso não é desculpa para ficar aceitando esse tipo de tratamento, ouvindo certas coisas a fim de conseguir uma migalha de atenção, seja pelo motivo que for.
Existem mais de 7 bilhões de pessoas no mundo. Vocês têm noção do que são 7 bilhões? Sério, peguem uma caixinha com 200 palitos de fósforo, abra-a e jogue tudo no chão. Agora vá catar tudo e veja o tamanho da bagunça e o quanto parece ter muito mais do que 200 palitos ali. É coisa pra caramba, né? Agora, imaginem 7 BILHÕES. 7 bilhões de pessoas ótimas para conhecer, que tem a cabeça aberta, que têm uma visão super bacana do mundo, que poderão até mesmo mudar sua vida pra melhor… E você aí, rodeado de pessoas tóxicas. É muito palito bom por aí para continuar correndo atrás dos queimados, não acha?
Às vezes acho que esse tipo de pessoa não tem noção do que faz. Porque me recuso a acreditar que elas façam e falem coisas deliberadamente, com o intuito de ver o outro no chão mesmo (sim, eu ainda acredito na bondade humana, por mais que às vezes eu jure o contrário!). Elas falam, falam, falam sem parar, sem notar a podridão que está saindo de suas bocas.
Vocês são minhas leitoras lindas e maravilhosas e não devem, não podem ser uma pessoa tóxica na vida de ninguém! Claro que ninguém aqui é santo, muito menos eu! Com certeza todos nós já fomos pessoas tóxicas na vida de alguém, em algum momento ou outro… Ou talvez até mais que isso. Tivemos fases, já fomos ignorantes (ainda somos em muitas coisas!), mas creio que todo mundo aqui já tá na idade de pelo menos se policiar!
Até hoje eu acho incrível como as pessoas criticam umas às outras sem parar, soltam fumaças negras de suas bocas e na hora de dizer uma palavrinha de carinho, de amor… Nossa! É quase a morte! É muito fácil falar quando você tem raiva de alguém, aposto que a maioria de vocês solta essa frase todos os dias: “Mas que raiva do fulano, como ele é chato!” Mas na hora de dizer que ama o sicrano, é preciso de um ano ou mais apenas para começar. Acho que para o ser humano é muito, muito difícil amar mesmo. E mais difícil ainda expressar esse amor através de palavra e gestos.
Acho legal refletir sobre isso. É o que eu faço quando eu não durmo (prova de que de toda coisa ruim pode sair algo bom! Minha insônia serve pra alguma coisa, olhem só!), eu reflito sobre certas coisas que me incomodam e tento achar as respostas. Se passarem às 4 da manhã debaixo da minha janela e ouvirem vozes, não é ninguém no meu quarto, não. Sou eu falando comigo mesma.
Então é isso, reflitam. Vocês possuem o dom da fala, têm noção do quanto poder têm? Por que não usar isso pra melhorar a vida de alguém? As vidas de alguns?
Usem as palavras para o bem. Não tenham medo ou vergonha de expressá-las para quem quer que seja. Tenham noção do quanto um par de frases recheadas de fumaças brancas (sou brega, acostumem-se, licença) pode mudar até mesmo o modo de alguém pensar sobre si mesmo.
Claro que ninguém precisa sair por aí sendo falso e mentindo. Se você não acha uma pessoa bonita ou legal, não precisa ficar dizendo o quanto ela é linda, simpática e maravilhosa. Mas também não precisa, como muitas pessoas, ficar dizendo o quando ela é horrenda, antipática, isso ou aquilo. Tem uma opinião sobre alguém? Não gosta do jeito da pessoa de viver? Parabéns, guarde para si mesmo, comente no máximo com alguém de confiança e siga em frente! Viva em paz e deixe o outro fazer o mesmo. Se cada um ficasse no seu quadrado, não existiriam guerras. Papo de pacifista, mas é verdade. A coisa é meio óbvia, mas ninguém nunca está a fim de ser óbvio, legal e ceder a fim de resultados pacíficos.
As pessoas têm essa necessidade patológica de ficar apontando, de ficar gritando aos 4 ventos os defeitos, físicos ou morais, dos outros. Quantas de vocês não conhecem o exemplo a seguir: Uma pessoa pode ser linda, simpática, agradável, com um cabelo perfeito, de olhar atraente e inúmeras outras qualidades, mas um dia, aparece uma espinha testa. Quando ela estiver entre conhecidos, ninguém vai comentar o quanto ela é bonita, gente boa, uma ótima trabalhadora ou o quanto seu cabelo brilha sem precisar de ajuda de produtos químicos. Mas vocês acham mesmo que com a espinha na testa, aquela coisa vermelha e inflamada (que todo mundo tem, e se você não tem, sinto muito, você vai envelhecer mais rápido e ter mais rugas. Não, isso não é praga, é ciência!), alguém vai comentar as qualidades dela? Vai ter sempre um babaca pra chegar apontando pra espinha e perguntando: “Nossa, que espinha é essa aí na sua testa?”.
Por favor, não sejam esse tipo de babaca. Quando virem alguém com espinhas ou qualquer outro “defeitos” no rosto, procurem outras qualidades. Não é difícil achar se você olhar direito. Não seja uma pessoa tóxica. Quem vive apontando para os outros e destilando veneno, é porque não consegue nem encarar o próprio reflexo no espelho pela manhã. E se você se identificou com os itens aqui citados e descobriu que é uma pessoa tóxica, é só passar a olhar direitinho para si mesmo também. Não dói, não! Você pode ser sempre alguém melhor se quiser! Então, por favor, queira. E seja. O mundo precisa disso.
Espero que essa falação toda tenha servido pra alguma coisa! Vocês sabem o quanto eu gosto de falar e fazer textos enormes, não é? Espero que, no fim, faça a diferença pra alguém.
E só pra terminar, anote a frase aí no caderninho, na parede, na mão, em qualquer lugar que desejar: “Não tenha medo de eliminar pessoas tóxicas de sua vida!” Quer você goste delas ou não. E se até mesmo você ama uma pessoa tóxica, tente abrir os olhos dela. Se não conseguir, realmente elimine-a da sua vida, por mais que doa. Porque ninguém é capaz de agüentar uma vida toda com tanto veneno.

 

Metade.

metade

Não gosto de escuridão. Odeio a claridade.
Detesto estar rodeada de muita gente. Odeio ficar sozinha.
Não preciso de amores doentios. Odeio não ser amada.
Detesto morrer de frio. Odeio calor.
Não gosto de livros fúteis. Odeio livros muito intelectuais.

Talvez, no fim das contas, eu apenas precise encontrar um meio de dividir as coisas. Uma metade, uma separação, uma parte que não me enlouqueça. Mas não consigo alcançar o meio termo. Porque simplesmente sou inteira em tudo…

(Need, Capítulo 2)

A Garota Dos Carrinhos De Corrida.

car toy

 

Há uma garota brincando no playground.
Ela está sentada sozinha, brincando com seus adorados carrinhos de corrida.
Há outras crianças ao redor. Outras garotas; outras meninas.
Ela para sua divertida brincadeira para observá-las por um minuto. Seus pequenos dedos param de movimentar os carrinhos de brinquedo e seus olhos viram para a esquerda; para a esquerda onde elas estão.
Elas devem ter por volta de 10 anos.
O mesmo que a garota dos carrinhos de corrida.
Elas têm apenas 10 anos e a menina observa que já há maquiagem em seus olhos.
Elas brincam de Barbie, cheias de pulseiras nos pulsos, que produzem aquele barulhinho irritante cada vez que mexem os braços.
Estão em bando.
Existem 6 delas e alguns minutos depois, mais duas descem.
E para a sua surpresa, elas estão exatamente iguais às outras 6.
Não por serem fisicamente parecidas, mas sim na forma de agir e se comportar. Parecem clones multiplicados.
Se vestem da mesma forma, possuem o mesmo penteado, as mesmas pulseiras, a mesma sombra acima dos olhos… Tudo, tudo igual.
As mães ao redor olham orgulhosas para suas filhas, como se fossem futuras candidatas à concursos de belezas.
E, vocês sabem, algumas provavelmente serão.
A garota dos carrinhos de corrida enruga o nariz e olhar apara si mesma.
Calça larga.
Blusa com um número maior que o seu.
Tênis.
Rabo de cavalo.
Apenas seus longos cílios naturais em seus olhos.
E 12 carrinhos de corridas à sua frente.
Ela não é igual às outras.
Nunca foi.
Nunca será.
Ela não é igual às outras.
Nem um pouco.
Nem um pouquinho só.
Possui dois olhos, um nariz, uma boca… Mas não é igual às outras.
Ela nem parece o que costumam chamar uma menina.
E isso lhe causa uma sensação estranha.
Ela está sozinha, apenas com seus adorados carrinhos de corrida.
Ela faz aquele barulhinho dos carros, que tanto adora, com sua boca – o mesmo que ouve na televisão todo domingo ao grudar os olhos na corrida às 9 horas da manhã.
Ela faz aquele barulhinho com sua boca e grita “AYRTON SENNA PARA A VITÓRIA!”
As 8 meninas param o que estão fazendo e olham-na com desconfiança.
Olham como se fosse errado, como se fosse pecado.
O que ela estava fazendo, afinal? Ela era uma garota, não era?
Por que se vestia e se comportava como um menino?
Apenas 10 anos e já conhecera o olhar de repreensão, o olhar de um julgamento que seria constante na sua vida.
Ela nunca esqueceria aquele primeiro olhar.
Oh, não! Ela nunca esqueceria…
A garota dos carrinhos de corrida sentiu-se constrangida.
A garota dos carrinhos de corrida sentiu-se pequena.
A garota dos carrinhos de corrida sentiu-se menos garota e mais coisa.
E a sensação amarga percorreu cada veia de seu corpo.
Ela largou os carrinhos por alguns minutos.
Pensou que se colocasse pulseiras irritantes, sombras nos olhos ou usasse o mesmo penteado, talvez pudesse ter companhia nas brincadeiras. Afinal, era muito cansativo movimentar 12 carrinhos com apenas duas mãos.
Ela precisava de ajuda.
Ela precisava de companhia.
Ela poderia até mudar a aparência, as roupas, o modo de se comportar… Ela poderia fazer isso por um pouco de companhia.
Mas se deu conta de que também teria de mudar a brincadeira.
Teria de colocar a mão em bonecas que eram mais finas que seus dedos e largar, definitivamente, seus amados carrinhos.
A garota enrugou o nariz mais uma vez.
Largar seus carrinhos. Para sempre.
Segurar em bonecas. Para sempre.
Encaixar-se no perfil de “garota”. Para sempre.
Era um preço, muito, muito alto a se pagar por alguns minutos fugazes de companhia.
Oh, era sim! Era sim um preço muito alto.
Ela não estava disposta a dar tanto, a entregar tanto, por tão pouco.
Um pequeno sorriso inocente surgiu em seu rosto.
Ela balançou a cabeça negativamente, a fim de afastar aqueles pensamentos loucos.
Não fazia sentido.
Não, não.
Não fazia sentido.
A garota dos carrinhos de corrida deu as costas para as menininhas e suas mães e foi brincar num canto mais afastado. Num canto onde podia gritar “AYRTON SENNA PARA A VITÓRIA!”, com seus braços levantados e em voz alta, como se estivesse na própria pista de Interlagos.
Os olhares julgadores continuavam vindo em sua direção, mas ela já não se importava tanto.
Enquanto estivesse com seus 12 carrinhos de corrida, ela jamais se importaria tanto.

Porque o que aquelas garotas não sabiam, o que aquelas mães nem imaginavam, era que, dali a 15 anos, a menina dos carrinhos de corrida estaria exatamente em Interlagos, com os braços levantados e lágrimas em seus olhos.
E uma voz estará gritando na televisão, em um domingo, às 10 e 45 da manhã, com todo o ar do pulmão, a seguinte sentença: “SABRINA, A PRIMEIRA MULHER CAMPEà MUNDIAL DE FÓRMUMA 1. E É DO BRASIL”.

Cidade do Vento.

cidade do vento

“Você não faz ideia de quanto tempo te esperei”

Eu tive um sonho. O mais belo de todos. O mais estranho de todos. Mas principalmente, o mais verdadeiro de todos.
Andava por uma longa estrada, sem caminho, seu rumo, parecia que eu estava em busca de algo, ainda que não soubesse certamente o quê.
Uma leve brisa soprava meus cabelos, empurrando-os para frente. Era como se o vento estivesse me dizendo para continuar nos momentos em que eu tinha vontade de desistir. Estava sendo empurrado, guiado para algum lugar. Para alguém.
E então, escutei uma voz.
Um sussurro.
Era como se o vento estivesse falando comigo.
Era como se o vento estivesse me chamando.
Assim que abri os olhos ao despertar, decidir seguir esse vento. Há sonhos que não são simplesmente sonhos e sim algum aviso para mudarmos nossa forma de ser ou de viver. E estava na hora de pegar a estrada. A estrada da qual havia sonhado. E deixar que o vento me guiasse.
Com uma mochila nas costas e sem esquecer das pessoas que estava deixando para trás, dei o primeiro passo para sair de casa. Estava em busca de algum maravilhoso mundo novo ou de alguma nova canção para minha vida tocar.
A verdade é que eu estava em busca da vida. E só poderia encontrá-la se fosse atrás do movimento.
Um convite bate à nossa porta todos os dias. Um convite invisível, talvez também incompreensível, mas que está ali. Porém as pessoas não vêem, viram a cara, têm medo. Elas não querem sair da rotina. Porque o desconhecido é um terreno bastante perigoso.
Eu atendi ao convite da vida. E estava à procura da felicidade.
Mas como tudo na vida, a felicidade é algo desconhecido. O ser humano luta e às vezes pode matar por ela, mas quando a alcançamos verdadeiramente, parece que ainda falta algo. Oh, que bicho egoísta e mesquinho é o ser humano! Sempre à procura de algo mais… Mesmo quando ele já encontrou tudo.
Durante o caminho encontrei muitas pedras. Enfrentei muitas tempestades, passei fome e sede. Lutei contra dragões perigosos e andei sobre o mar. Saltei até segurar uma nuvem em minhas mãos e, ao prová-la, vi que era mesmo feita de algodão doce.
O mundo pode ser cheio de magia se passarmos a vê-lo com outros olhos. Se o enxergarmos com os olhos de nossa alma, poderemos ver aquilo que o ser humano, com sua visão superficial tapada pela grande nuvem negra e suja da maldade, não consegue ver com sua inteligência mal aplicada.
Cumprimentei fadas, lutei ao lado dos elfos e ajudei aos duendes reestruturarem uma floresta destruída pelo fogo da ganância e do poder.
Andei mais por vários dias. Em uma noite de exaustão e desânimo, me deitei sob as estrelas, pensando que tudo tinha sido em vão. Por que eu, aquele típico ser humano que está sempre querendo mais do que pode ter, ainda não estava satisfeito. Por um momento a razão falou mais alto e pensei que talvez fosse uma completa loucura largar a minha vida para buscar algo que eu nem mesmo sabia o que podia ser. E entre pensamentos abatidos e desesperançosos, adormeci.
Sonhei com anjos. As nuvens – que eram mesmo de algodão doce – estavam repletas deles, vestidos com suas túnicas brancas e abençoados com as auréolas em suas cabeças. Todos me observavam, enquanto eu seguia deitado na relva, encarando todo aquele público que me olhava. De repente o menor dos anjos saiu detrás das nuvens, com algo em sua mão. Era uma criança, que descia dos céus para me dar um presente.
Eu não conseguia me mover. Estava entorpecido por toda aquela áurea angelical. A menina loira e de cabelos cacheados colocou algo sobre minha mão. Mas era invisível.
E ela meu deu um beijo e me disse : “Siga a rosa branca”.
E então partiu.
E eu acordei.
O vento soprou no momento em que abri meus olhos. O vento outra vez. Ele me passava as mensagens, ele me impulsionava a continuar. Eu só tinha que seguir meu caminho, pois estava me tornando igual aos outros seres humanos: alguém com medo do desconhecido e que desistia por não encontrar o caminho em linha reta e fácil, apenas o sinuoso e complicado.
Peguei novamente minha mochila e reconstruí os sonhos e as esperanças. Se eu já havia percorrido tanto, deveria ter algum propósito. Ninguém recebe tantos sinais se não for para segui-los. E eu seguiria o meu destino.
Parei de contar os dias, as horas, os minutos, pois tudo isso atrasa a vida de alguém. Deixei o sopro do vento me conduzir para o caminho certo, acompanhei seu rumo e prossegui sem medo. O que interrompe a estrada de alguém não são as tempestades ferozes ou o sol escaldante. É simplesmente o medo. E eu fiz questão de mantê-lo bem longe de mim.
Uma canção de amor sussurrava em minha mente quando pisei no primeiro paralelepípedo. Só então notei que a estrada arenosa havia acabado e que havia chegado a algum lugar. Levantei meu rosto e pude ver uma cidade à minha frente, com um arco-íris circundando-a devido à leve chuva que havia caído junto com o sol que escalava o azul do céu aos poucos.

“Seja bem-vindo à Cidade do Vento”  

A inscrição na placa de madeira fixa na entrada fez meu coração saltar.
Eu tinha seguido o vento. E ele havia me trazido até aqui.
Como mágica, o vento começou a soprar em minhas costas e eu avistei na primeira casa, uma mulher sentada em um pequeno banco. Meus olhos não conseguiram desviar-se para outro lugar e ela me avistou também. Mesmo de longe, pude ver um lindo sorriso inundar o seu belo rosto. Ela veio caminhando até a mim, com seus cabelos vermelhos balançando no ar e, quando se aproximou, vi que tinha algo em sua mão: uma rosa branca.
Naquele momento meu peito encheu-se de um ar mais puro, de uma felicidade indescritível.
Nunca a tinha visto em minha vida. Mas a conhecia de muito antes.

— Estás aqui. Finalmente. – disse com a voz baixinha, quase como num sussurro e sorriu em seguida.
— Estava esperando por mim? – indaguei, completamente hipnotizado por seu sorriso.
— Você não faz ideia de quanto tempo te esperei.
— E você não faz ideia do que eu fiz para te achar.

Então ela segurou minha mão. Mesmo não tendo se apresentado, eu a conhecia. Porque não é necessário nomes para identificar alguém. Quando essa pessoa está dentro do seu coração, podem se passar vidas ou eras, ela nunca perderá a verdadeira identidade para àquela que ama.
E sentindo seus dedos finos e calorosos entrelaçados com os meus, me conduzindo para dentro da Cidade do Vento, pude perceber, com um enorme alívio e conforto no peito, que havia conseguido alcançar meu objetivo.
Tinha encontrado o meu lugar.
Finalmente.
Eu estava em casa.

 

Fim.

02 – Lembrete Diário.

 

daily reminder

 

Esses dias eu estava tentando dar uma revisada em todos os meus cadernos  (tentando porque são muitos e eu não tenho tempo pra reler tudo, tenho que fazer à prestação), em busca de alguma história que eu tenha escrito, alguma ideia que eu tenha largado por aí, a fim de renová-las e postá-las aqui no site, já que ultimamente eu só estou tendo ideias pra histórias gigantes e nenhum tempo para escrevê-las. Foi então que me deparei com um texto que escrevi pouquinho tempo atrás, quando tava me sentindo desanimada com certas coisas e pessoas. Foi um texto que escrevi para mim mesma, por isso nunca antes o havia postado, acho. Era apenas eu falando comigo mesma com toda a sinceridade, sem me preocupar em parecer isso ou aquilo para ninguém, era apenas eu comigo mesma e, apesar de não ser uma história bonitinha, com personagens e tal, acho que foi uma das coisas mais interessantes que já escrevi.
É bem simples, é como uma carta para mim mesma, como diz o título, apenas um “Lembrete Diário”, para quando eu estiver me “perdendo” na mente deste mundo tão doente, o que acaba acontecendo com mais frequência do que eu gostaria de admitir. Eu dei uma editada nele pra ficar mais bonitinho e adicionei algumas frases que acho que servem para qualquer uma de nós.
Serve muito pra mim até hoje e espero, de verdade, que ele possa servir para vocês em qualquer momento de suas vidas. Sério, leiam como se fosse eu ou alguém que vocês gostem, falando diretamente para vocês e reflitam bastante.
Espero que gostem 😉

Não importa o que acontecer, não importa o que sentir ou vir, lembre-se de que você sempre pode superar. Você pode suportar e/ou seguir em frente. A vida ainda irá colocar coisas maravilhosas no seu caminho.
Portanto, não desista. Não se entregue ou insista em uma ideia que não vai levar-te a lugar algum. Você é forte, tão forte! Não lembra de tudo o que passou? Não lembra de tudo o que aguentou? E você está aí agora, vivendo a vida ao máximo, fazendo o seu futuro e se preparando para se tornar quem você nasceu para ser.
A verdade é que o mundo te dará motivos para chorar e sofrer diariamente. Mas você não pode absorver tudo. Você não pode se importar com tudo e colocar um peso sobre as costas, maior que qualquer ser humano pode aguentar.
Pode doer, pode chocar, pode até quase matar. Mas você precisa deixar passar. Você precisa respirar bem fundo, quantas vezes forem necessárias e aguentar. Porque vai passar. Muitas outras coisas “insuperáveis” já passaram, correto? Deixaram cicatrizes, marcas, lembranças, mas passaram.
Você é especial. Depois de tudo o que passou, depois de tudo o que você sentiu, você realmente não acredita que é igual às outras pessoas, acredita? E por mais que às vezes doa ser diferente, isso é bom. Não, isso é ótimo! Olhe as pessoas ao seu redor. Observe seu comportamento, o que dizem, o que fazem… Olhe com bastante atenção e responda para si mesma: Você quer ser igual a elas? Se a resposta for “não”, então por que você faz de tudo para se encaixar no meio delas como uma peça de quebra-cabeças que precisa ter uma forma correta, exata, para caber num todo? Não é completamente irritante ser igual a todo mundo? Então por que você ainda tenta?
Chega a ser insuportável de ver o quanto você é inteligente e o quanto você ainda tenta chamar a atenção de tanta gente burra! Por tudo o que é mais sagrado, não faça mais isso! Eu te imploro, não faça mais. Seja você mesma, com todas as loucuras, com toda a maturidade, com toda a infantilidade, com Disney e filmes Cult, falando inglês ou espanhol ao invés de sua própria língua, vivendo pela arte, sempre pela arte… Não mude, não importa o quanto te digam que um trabalho “normal”, dinheiro e sociedade são mais importantes. Porque não são. Não são e nunca serão. Se alguém te diz isso, afaste-se imediatamente. Não tenha medo de eliminar pessoas tóxicas da sua vida. É apenas veneno, pra que você as quer tanto? É apenas veneno. E se continuar se contaminando, vai acabar matando sua própria alma e individualidade.
Por favor, não faça isso.
As pessoas que valem a pena conseguem ver através. Elas te aceitam e te compreendem, até mesmo quando não concordam. É a esse tipo de pessoa que vale a pena se agarrar. E você sabe que tem aos montes em sua vida. Não mendigue amizade. Você já tem todas as pessoas que você precisa. Enxergue isso. E jamais se esqueça, por um minuto sequer, de cada uma delas.
Independente de qualquer crença religiosa, você sabe que está aqui por algum motivo, não sabe? E acredite, é um ótimo motivo! Por mais que não enxergue agora, por mais que pareça que você é apenas um desperdício de espaço, você não é. Seu destino é maravilhoso e você irá enxergá-lo quando finalmente aprender a abrir as portas para ele.
Você vai ver que estou com toda a razão (você sabe que sempre tenho!) quando, daqui a alguns anos, tornar a ler esse texto e comprovar que tudo se tornou realidade.
Então, se estiver parecendo impossível, se o coração estiver doendo  a cada suspiro e estiver com vontade de desistir de tudo, agüente sempre mais um dia. Apenas mais um. Dê ao dia seguinte alguma chance de surpreender-te e, caso nada aconteça, dê uma chance ao próximo dia. Afinal, não tem dia marcado para acertar na loteria. Um dia você acorda e simplesmente acerta.
Pra finalizar, memorize sempre, sempre, sempre esta frase de um anjo maravilhoso: “Calma, respira e faz de novo”. E aplique-a para qualquer caso, qualquer circunstância ou obstáculo que aparecer em sua vida. Acredite, isso dá certo, muito certo.
Apenas segure firme e seja forte. E saiba que você nunca estará sozinha.

Ah! Essa sensação…

Sensação obscura,
Sensação estranha,
Que me prende,
Que me enrola em uma teia de aranha.

Sensação constante,
Sensação maçante,
Sensação sufocante,
Sensação alarmante,
Sensação excruciante,
Que só piora a cada instante.

Sensação conhecida,
Sensação temida,
Sensação quase proibida.
Quem proibiu?
Oh, eu!
Apenas eu e mais ninguém.
Porque eu não preciso,
Eu não a quero para ser alguém.

Sensação que não passa,
Sensação que me amassa,
Como um papelzinho jogado e desprezado no canto de uma rua.

Sensação que me faz escrever as analogias mais absurdas da minha vida.

Sensação que permanece,
Que permeia,
Que anseia.

Sensação assustada,
Sensação arrasada,
Que liga um sinal de alerta ante meus olhos,
Dizendo que preciso me afastar.
Que preciso me salvar antes de me afogar.

Já estive aqui antes.
Parada, no mesmo lugar, sob as (quase) mesmas circunstâncias.
Caí e prometi nunca mais para este lugar voltar.
Caí e prometi que nunca mais iria assim errar.
Levantei e estou errando outra vez.

Sensação repetitiva,
Sensação consentida,
Sensação oprimida,
Sensação inibida.

Não posso mais os outros magoar.
Não posso mais os outros preocupar.
Não posso, não posso…

Sensação costumeira,
Sensação traiçoeira,
Sensação certeira.

Sensação que me encolhe,
Sensação que me acolhe,
Que recolhe.

Sensação que criativamente me eleva,
Sensação que sentimentalmente me enerva.

Sensação que ora me impulsiona a viver,
Sensação que ora me faz querer morrer,
Ou apenas desaparecer para que menos dramática possa parecer.
Sensação que com certeza ainda vai me enlouquecer.

Sensação… Sensação… Sensação…
Ah! Essa sensação…

Quase 21.

quase 21

 A mesma cena se repetia diariamente: uma menina sentada no banco da praça.
Sem ninguém.
Sem alguém.
Sem a si própria.
Uma menina sentada, com as mãos sobre o colo e um olhar perdido no nada.
Faça chuva ou faça sol.
Todos os dias.
Na mesma hora.
No mesmo lugar.
Uma menina de cabelos bagunçados e de alma apagada.
E ninguém que parasse para ajudar.

— Olhe quem está ali outra vez! – uma velhinha cutucou a outra enquanto passavam, como todos os dias, frente àquela praça.
— Quem? – a segunda velhinha ajeitou os pequenos óculos sobre os olhos para poder enxergar melhor. – Ah! De novo ela ali?
— Não é triste? – a primeira sussurrou no ouvido da outra, sem tirar os olhos da melancólica menina sentada no banco. – Tão jovem! Ela deve ter quase 21 anos e, ainda assim, não sente qualquer apelo pela vida. Olhe nos olhos dela! É visível, é visível pra quem quiser ver. Ela se comporta como se tudo tivesse terminado quando apenas começou a viver! É tão, tão triste!
— Sim, é mesmo triste… Mas o que podemos fazer, não é verdade?
— O que ela está esperando? – a primeira velhinha ignorou a amiga e continuou analisando a pobre menina solitária. – Faz dias que está ali, imóvel, como se fosse uma estátua de pedra congelada pela vida. – observou com a voz triste e recheada de piedade.
— Quem sabe? – a segunda velhinha soltou um suspiro, pensando no assunto. – Talvez esteja esperando um ônibus que irá levá-la para longe ou alguém capaz de curar seu coração. Ou talvez esteja apenas esperando que alguém lhe estenda a mão e lhe dê atenção. Vai saber! Esses adolescentes de hoje em dia!
— Ela não é mais adolescente, Martha! Ela já tem quase 21!
— Como se isso fosse atestado de maturidade! Ora, essa! – falou com certo desprezo a segunda senhora. – Aliás, por que você está se importando tanto? Ela não é nenhum parente, nenhuma vizinha, você só a conhece por ficar sentada todo santo dia no banco desta praça!
— Pra falar a verdade, nem eu sei… – respondeu, mordendo sutilmente os lábios. – Talvez ela precise de ajuda. Talvez ela precise de alguma cura. Acha que devemos ir até lá?
— E fazer o quê?
— Não sei… Falar algo, fazer algo. Convidá-la para um café, talvez. Ou… cupcakes! Todo mundo ama cupcakes!
— Não, melhor não. Ela só deve estar querendo atenção, você sabe, a carência da idade. Afinal, que dores verdadeiras pode possuir uma garota que tem tudo na vida e apenas quase 21? Oh, não, deixemos pra lá! Deixemos pra lá e vamos embora, pois o chá das cinco está para começar!

Calando-se finalmente, a primeira velhinha apenas concordou.
Ambas abriram a sombrinha e, juntas, seguiram seu caminho, deixando, como todos, todos os dias, a menina melancólica de quase 21 anos, de alma apagada, sentada no banco da praça, sem qualquer apelo pela vida e com o olhar perdido no nada.

01 – Livros

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Eu realmente não lembro qual foi o primeiro livro que li na minha vida. Muitos, muitos passaram pelas minhas mãos desde quando era bem pequena até quando pude obter uma consciência do que era ler e o que isso significava realmente. Mas eu lembro, com certeza, o primeiro livro que me fez amar outros livros: Senhora, de José de Alencar.
Eu lembro como se fosse ontem a primeira vez que toquei neste livro. Eu não estava bem naquele dia. Tinha 13 anos, estava na 8ª série e a vida já estava acontecendo para mim. Naquele dia, minha turma foi obrigada a ver o vídeo “An Inconvenient Truth”, do Al Gore, na sala de vídeo – que também era chamada de Sala de Leitura, porque estudava numa escola pública e era tudo no mesmo lugar – e fiquei sentada numa mesa perto da estante de livros. Os minutos passaram, o vídeo tava me dando nos nervos (tinha muito animal morrendo, a cena dos porquinhos se afogando me traumatiza até hoje, não agüentei olhar), eu já estava de saco cheio daquilo tudo, de todas as pessoas ao meu redor e foi nesse momento que virei a cabeça para o lado para tentar respirar fundo e manter o controle. Foi quando olhei para um livro em particular e vi o nome “Senhora”. O primeiro pensamento que veio à minha cabeça foi de realmente uma senhora de 80 anos, com um colar de pérolas e fazendo crochê em uma cadeira de balanço (sim, essa era a imagem preconceituosa e ignorante que vinha à minha cabeça cada vez que ouvia a palavra ‘senhora’). Lembro que perguntei-me porque diabos alguém escreveria sobre uma senhora de 80 anos e como aquilo daria um livro (again, perdoem o preconceito estúpido da idade). E foi entupida de curiosidade que tirei o livro da estante. Não exagero quando digo que imediatamente senti uma conexão especial com aquele livro, principalmente quando li a sinopse e vi que se tratava de um casamento arranjado e amor/ódio, que são meus tipos favoritos de histórias.
O tempo da aula acabou, coloquei o livro de volta na estante e fui para casa sem tirar ele da cabeça. No dia seguinte, assim que bateu o sinal do intervalo, eu já estava na sala de leitura com o livro na mão e com o meu nome já anotado no caderninho de empréstimos.
Vocês devem estar se perguntando porque diabos eu estou falando de um livro em particular quando o título desse primeiro pensamento se chama “LIVROS”. A resposta é simples: Senhora foi o primeiro livro que curou a dor do momento.
Eu sempre fui lerda pra ler (ainda sou!), mas li Senhora em 3 dias, se não me engano. O primeiro livro que fiquei enrolando para terminar, pois não queria que aquela história acabasse de jeito nenhum. Como iria me despedir de Aurélia e Fernando dessa forma, quando vivi 3 intensos dias todo o turbilhão de sentimentos, de amores e orgulhos extremamente feridos, dentro de uma única casa? Eu vivia  história desses dois como se estivesse ali, como se eles fossem meus parentes, onde a dor, a frustração, o amor e todos os sentimentos deles também fossem meus.
Quando digo que Senhora foi o primeiro livro que curou a minha dor, não falo num sentido figurado, mas no literal mesmo. A sensação que me arrebatou quando acabei o livro foi tão intensa que, pelo menos por um par de dias ou um pouco mais, eu ainda estava vivendo com Aurélia e Fernando e tudo o que estava vivendo na minha vida naquela época foi meio que guardado em uma caixinha e, por alguns dias, ficou mais fácil respirar.
Eu sempre gostei de ler, desde que aprendi a juntar A com B, mas os livros para mim nada mais eram do que histórias sem noção e divertidas da coleção vaga-lume. Mas Senhora foi o divisor de águas, o que me fez aprender não só a ler como se deve um livro, mas também a vivê-lo intensamente. Nem mesmo Harry Potter, que foi o divisor de águas da minha geração, conseguiu esse efeito sobre mim.
Engraçado como os momentos-chave de nossas vidas acontecem da mesma forma: apenas aquele 1 segundo, 1 objeto, 1 brevíssimo espaço de tempo que muda todo o rumo de nossa história. A moral de todo esse texto é que, se eu não tivesse virado a cabeça naquele momento, olhado para aquele livro em particular e não pensasse porque alguém faria um livro sobre uma pessoa idosa, tudo seria diferente. Eu fui uma pessoa diferente antes e depois de Senhora.
Se eu achava que as coisas estavam melancólicas em 2005 é porque minha mente inocente não fazia ideia do que me esperava nos anos seguintes. Sem entrar em mais detalhes, eu posso dizer com toda a segurança do mundo que os livros (junto com algumas pessoas incomparáveis e especiais), salvaram minha vida.
Se hoje escrevo, é por causa dos livros.
Se as melhores pessoas do mundo hoje fazem parte da minha vida, é por causa dos livros.
Se hoje estou pobre de marré, também é por causa dos livros, porque eu compro uns 5 por mês, mesmo sabendo que nem duas vidas serão o bastante para ler tudo o que eu tenho aqui.
Existem pessoas que dizem que eu não vivo, que só sei ficar agarrada a uma ilusão e que isso não vai me levar a lugar algum. Pessoas que nunca leram um livro, claro, que nunca tiveram a oportunidade de pegar em um “Senhora” da vida e passar a ver o mundo sob uma nova perspectiva. Elas dizem que sou louca, mas loucas são elas, que vivem na entediante e insuportável realidade como se fosse a coisa mais sábia e sadia do mundo.
Quem me conhece pelo menos um pouquinho sabe que meu livro favorito de todos os tempos é A Menina Que Roubava Livros. Este foi outro que mudou a minha percepção sobre certos fatos da vida e, como costuma dizer uma das pessoas mais perfeitas do mundo, depois dele nunca mais vou sorrir. Mas ele só foi importante assim porque foi Senhora quem me ensinou a ler diferente, quem me ensinou a ler com outros olhos. Entendem esse rolo todo que eu falei aqui?
A verdade, a mais pura verdade é  que livros, palavras e histórias, têm o poder de transformar uma vida, de fazer-te olhar o mundo com outros olhos e até mesmo permitir que você seja uma pessoa muito, muito melhor.
Tenho a plena certeza de que quem diz que não gosta de ler é porque ainda não achou um “Senhora”, ou seja, não achou o livro certo.
Eu espero realmente que você encontre um livro assim e possa entender com plenitude cada palavra escrita aqui.

Fé.

eeree

As pessoas, os poetas, os românticos, ou o que for, costumam dizer que o sentimento mais forte é o amor. Que é o que move o mundo, que é o que nos faz viver plenamente e conseguir atravessar uma noite tempestuosa. Mas, para mim, o sentimento mais forte, o que realmente move o mundo é a fé.
Porque quando acreditamos em algo, somos mais fortes. Quando acreditamos no invisível, esse mundo tão distinto aos nossos olhos medíocres, se faz presente em cada poro de nossa pele, sussurrando uma voz em nosso ouvido que devemos continuar. Que devemos acreditar. Porque, no fim, as vozes sempre têm razão.
O ser humano é um ser melhor quando acredita. Quando acredita em si mesmo, quando acredita em um mundo melhor, quando acredita que a noite uma hora irá acabar e que o sol voltará a nascer. É só aprender a olhar mais um pouquinho adiante. Afinal, as melhores coisas do mundo foram feitas na base da fé. E eu ainda sigo me perguntando por que, mesmo depois de todas as provas, de todos os fatos, nos esquecemos de acreditar naquilo que nos mantém vivos e acabamos por viver por tanto tempo apenas sobrevivendo à vida.
Eu acredito agora.
Eu estou vendo um pouco mais adiante.
Eu estou onde sempre quis estar.
Eu tenho fé.