Macacos, Aranhas e Calangos.

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Sua atenção me faz querer voltar.
Minha solidão é labirinto e só em círculos consigo andar.
É desejo torpe.
Você, meu anseio, seu olhar.
É só a tal da atenção. Eu juro.
Quem dirá o primeiro ‘olá’?

Somos evoluídos, os mais evoluídos dos vivos.
Mas quando se trata de mistura
Todos nos pomos a dançar, a gritar
A mostrar nossas melhores cores
Tudo para uma mínima atenção conquistar.
Não somos diferentes dos macacos, das aranhas, dos calangos…
Sabemos falar, mas isso alguma vantagem nos dá?
É sempre o silêncio que escolhemos
E como bichos insanos
Investimos nos corpos para nos comunicar.

A verdade é que o quero e o quero mais do que posso explicar.

Mas como todo animal iniciante
Basta a ameaça de um olhar penetrante
Para dar meia volta e passar toda uma vida
Apenas desejando regressar.

3 Poemas De Mário Quintana, Do Livro “Antologia Poética”.

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O poema

Uma formiguinha atravessa, em diagonal, a página ainda em branco. Mas ele, aquela noite, não escreveu nada. Para quê? Se por ali já haviam passado o frêmito e o mistério da vida…

Uma simples elegia

Caminhozinho por onde eu ia andando
E de repente te sumiste,
– o que seria que te aconteceu?
Eu sei… o tempo… as ervas más… a vida…
Não, não foi a morte que acabou contigo:
Foi a vida.
Ah, nunca a vida fez uma história mais triste
Que a de um caminho que se perdeu…

História quase mágica

O Idiota da Aldeia gostava de coisas brilhantes.
Mal nos respondia: éramos apenas gentes…
Mas uma noite o surpreendi falando longamente a um trinco de porta

Redondo, luzente de luar.
Só vos digo,
Ao que me parece,
Que o brilho do metal ora abrandava, ora fulgia mais,
Como se por instantes ouvisse e depois respondesse.
Só vos digo que, nestes ocultos assuntos, nada se pode dizer…

12 Inspiradores Provérbios De Países Pelo Mundo Que São Uma Verdadeira Lição De Vida!

Provérbios são ditos populares que traduzem a visão sobre a vida de um determinado país ou de uma determinada cultura. São sabidos na ponta da língua de um grupo social e muitos são usados como mantras no dia a dia ao redor do mundo. O interessante é que geralmente ficamos presos às nossas próprias filosofias e nos esquecemos quanto conhecimentos, quantos olhares, quantas formas de se viver e de se enxergar o Universo existem por aí.
Os 12 provérbios abaixo apresentam ensinamentos interessantíssimos de vários países ao redor deste imenso planeta. É pra anotar num caderninho e refletir sobre eles.

1. A vida é uma ponte. Atravesse-a, mas não construa casas sobre ela. (Índia)

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2. Não empurre o rio. Ele irá seguir o seu próprio fluxo. (Polônia)

proverbio 2

3. Não há vergonha em não saber; a vergonha se encontra em não descobrir (Rússia)

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4. A Adversidade traz conhecimento e o conhecimento traz sabedoria. (País de Gales)

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5. A alegria dividida é uma dupla alegria; a dor dividida é metade de uma dor. (Suécia)

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6. A caneta é mais poderosa do que uma espada (Inglaterra)

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7. Quando o sol se levanta, levanta para todos (Cuba)

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8. Uma mente fechada e um livro fechado são o mesmo: um pedaço de madeira

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9. Até mesmo uma pequena estrela brilha no escuro. (Dinamarca)

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10. Uma coisa bela nunca é perfeita (Egito)

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11. Eles tentaram nos enterrar. Eles não sabiam que éramos sementes. (México)

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12. A risada é uma linguagem que todo mundo entende. (Chade)

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Para ver o post original em inglês, clique aqui!

Conheça La Oreja De Van Gogh.

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Quem são: La Oreja De Van Gogh é um grupo pop espanhol que figura no cenário musical desde 1996. Seu nome provém do famoso episódio histórico em que o pintor Vincent Van Gogh, num surto psicótico, corta um pedaço da própria orelha.
A banda inicialmente era composta por Xabi San Martín, Pablo Benegas, Álvaro Fuentes, Haritz Garde e Amaia Montero. Mas Amaia deixou a banda para seguir carreira solo e em 2008 foi substituída por Leire Martínez.

O Trabalho: LODVG possui sete álbuns e já vendeu mais de 8 milhões de cópias pelo mundo.
Uma das características da banda são suas letras repletas de poesia. Sejam inspiradas na vida real dos artistas ou apenas ficção, as músicas costumam contar histórias de amor sob as mais diversas formas. Uma de suas músicas mais famosas, intitulada “Jueves”, foi inspirada no atentado terrorista do dia 11 de Março de 2004 em três estações de metrô em Madrid, que deixou quase 200 mortos e milhares de feridos.

Top 3 de músicas favoritas:

1)    La Playa

2)    Jueves

3)    Maria

Media: http://www.laorejadevangogh.com/

14 – Virginia E Suas Ondas.

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Um novo livro de Virginia Woolf está na vitrine de uma livraria. Mesmo morta há tanto tempo, mais um livro seu é lançado. Sorte para nós. Ou para mim, pelo menos. Posso respirar aliviada ao saber que existem mais letras de Virginia a serem lidas.
Virginia não é só uma escritora preferida. Não é esse alguém que morou em outro país, falava outra língua e viveu em outra época. Virginia é uma amiga. A melhor amiga. Daquelas que atravessam a pele. A que tem a coisa certa a dizer quando você mais precisa. A que te faz sentir que tudo vai ficar bem – mesmo que não tenha ficado para ela. É daquelas amigas que a gente já considera parente. Ela está comigo todos os dias, bem pertinho de mim, mais presente do que pessoas que moram em meu país, falam minha língua e vivem em minha época.
Nos conhecemos quando eu tinha dezesseis anos. Adolescentes acham o maior barato uma carta de amor suicida. Quis me aprofundar um pouco mais naquela alma atormentada e não deu outra! Nosso amor irremediável pelo mar foi o assunto principal de nossa atração. O primeiro e derradeiro laço.
Dizem-me ser quase impossível ler “As Ondas”. O fluxo de consciência, a vida manchada dos seis personagens misturando-se como cores dentro de uma bolha de sabão, a narrativa poética e que não segue o típico “início – meio – fim”… Os que conheço tiveram problemas com o livro. Eu não. Para mim não teve muita coisa estranha. Foi como ouvir uma mente que já conheço de vidas passadas falando sobre coisas e lugares que não me são desconhecidos. Foi como encontrar uma porta aberta e ver-me finalmente em casa.
Quando a vida fica difícil, quando o ar parece pesar mais que uma tonelada sobre mim, corro para os braços de minha amiga, me jogo sobre seu mar e me deixo boiar em suas ondas enquanto o mundo explode lá fora. Nossas águas se misturam, trocamos vivências, nos conhecemos mais ainda e então, de súbito, algumas das principais questões sobre o Universo me parecem claras. Para mim, Virginia e o mar sempre têm todas as respostas.
Um novo livro de Virginia Woolf está na vitrine de uma livraria. Sorrio. É hora de reencontrar minha amiga e dizer-lhe que estava morrendo de saudades.

Sonhos De Espuma.

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Quando criança, tinha sonhos de espuma.
Sua pequena mente criava grandes coisas.

O algodão doce era uma nuvem que se podia tocar.
As borboletas eram flores renascidas que aprenderam a voar.
Árvores eram as avós que morriam e se recusavam a abandonar seus netos.
E uma moeda de chocolate era privilégio de quem tinha fortuna.
Quando criança, o mundo era o seu lugar.
Cantava com os pássaros na primeira hora da manhã.
E um dia até casou um sapo com uma rã!
Folhas caídas do outono eram presentes do vento
Que largavam qualquer ventania para vê-la desfilar.
Quando era criança acreditava ser dona do mar.
Acreditava ser dona de tudo, até a mocidade chegar.

Então eles entraram.
Chamaram-na de boba, estúpida, imatura, cheia de muitos sonhos, sem noção de espaço e tempo.
Afinal, como pessoas poderiam falar com o vento?
Teve que aprender com os grandes a conviver, a grudar os pés no chão, a estourar as mais belas bolhas de sabão, a abrir tantos buracos em si até só sobrar espaço para a solidão.
Deram-lhe a receita de como matar-se para renascer, mas nenhuma asa de borboleta em suas costas esboçou crescer.
Quando criança, tinha grandes sonhos de espuma.

Agora era apenas adulta.

 

Quase 22.

22

Leia a primeira parte aqui.

Ainda havia uma menina sentada no banco da praça.
Mesmo 365 dias depois, ainda não havia ninguém ao seu lado.
Talvez ela já tivesse alguém.
Talvez já tivesse encontrado a si própria.
Talvez.
Mas continuava com as mãos sobre o colo e o olhar perdido no nada.
Ainda com chuva, ainda com sol.
Todos os dias.
Na mesma hora.
No mesmo lugar.
Uma menina que continuava sendo observada por duas velhinhas que estavam de passagem. E apenas isso.

— Olhe, Martha! Olhe quem está ali!
— Ah, a menina do banco… – comentou a velhinha sem a mesma empolgação da outra. – Ela estava sumida, não estava? Achei que estivesse… Espere! Ela está chorando? O que será que houve?
— Não está sabendo? Dizem por aí que ela foi quebrada por um “eu te amo”. E ainda não descobriu como remontar seus cacos.
— Como você sabe disso, Eva?
— Uma vizinha minha é prima de uma vizinha dela. E me contou. – respondeu sem tirar os olhos de seu objeto de especulações.
— Ahn… Ela deveria estar feliz, não? Não queremos todos amar e ser amados? Qual o problema dela?
— Não sei… Talvez, às vezes, achamos que não merecemos ser amados. E mantemos a pose, nos fingimos de forte, como se estivéssemos bem sem amor. – Eva fez uma pausa enquanto sua mente voltava ao passado. – Falo isso pela minha própria história… O orgulho pode ser um ótimo sustento, sabe? Mas um “eu te amo” dito com alma é capaz de arrebentar qualquer parede de mármore que tenhamos construído em nós mesmos. – ela notou o olhar assustado da amiga e sentiu-se constrangida. – O que foi? Disse algo errado?
— Desde quando você entende tanto de dramas adolescentes?
— Ela não é uma adolescente! Deve estar com quantos anos? Quase 22? Ela já é adulta!
— Do jeito que é desocupada e fica chorando e sentada no banco de uma praça, não parece…
— Não fale dessa forma, Martha… – repreendeu com delicadeza. – Eu não sou entendida, nem nada, e nem conheço a menina… Só penso que os anos passam correndo demais e acabamos por esquecer que um dia fomos jovens, queira você chamá-los de dramáticos ou não, com sonhos quebrados num banco de uma praça.
— Bom, minha amiga, não sei você, mas eu nunca tive tempo a perder com essas frescuras! Acho melhor irmos logo, não podemos mais perder tempo com isso.
— Ainda acho que deveria assar alguns cupcakes para aquela menina. Talvez fosse ajudá-la de alguma forma…
— Não seja tola! Como uns bolinhos podem fazer diferença na vida de alguém? E é como você disse, não sabemos nada sobre essa menina. Vai ver ela só ficou com alguma nota baixa em uma prova e você aí criando grandes histórias de amor para ela na cabeça.
— Pode ser, mas…
— Vamos deixar de besteira e ir para a missa, pois já estamos atrasadas! Hoje o sermão do padre vai ser sobre compaixão! O Padre Cícero fala com tanta sabedoria que sempre me deixa emocionada! Tenho certeza de que vai estar maravilhoso!

Martha saiu andando na frente falando sobre suas aspirações em relação à missa. Eva relutava em sair dali, mas seguiu a amiga a passos lentos. Mas antes que se afastassem muito, Eva virou o rosto para trás, apenas para ver os olhos chorosos encontrando-se com os dela.
A menina lhe sorriu entre lágrimas.

3 Poemas De Manoel De Barros, Do Livro “Ensaios Fotográficos”.

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O Vento.

Queria transformar o vento.
Dar ao vento uma forma concreta e apta a foto.
Eu precisava pelo menos de enxergar uma parte física do vento: uma costela, o olho..
Mas a forma do vento me fugia que nem as formas de uma voz.
Quando se disse que o vento empurrava a canoa do índio para o barranco
Imaginei um vento pintado de urucum a empurrar a canoa do índio para o barranco.
Mas essa imagem me pareceu imprecisa ainda.
Estava quase a desistir quando me lembrei do menino montado no cavalo do vento – que lera em Shakespeare.
Imaginei as crinas soltas do vento a disparar pelos prados e com o menino.
Fotografei aquele vento de crinas soltas.

O Punhal

Eu vi uma cigarra atravessada pelo sol – como se um punhal atravessasse o corpo.
Um menino foi, chegou perto da cigarra, e disse que ela nem gemia.
Verifiquei com os meus olhos que o punhal estava atolado no corpo da cigarra
E que ela nem gemia!
Fotografei essa metáfora.
Ao fundo da foto aparece o punhal em brasa.

A Doença

Nunca morei longe do meu país.
Entretanto padeço de lonjuras.
Desde criança minha mãe portava essa doença.
Ela que me transmitiu.
Depois meu pai foi trabalhar num lugar que dava essa doença nas pessoas.
Era um lugar sem nome nem vizinhos.
Diziam que ali era a unha o dedão do pé do fim do mundo.
A gente crescia sem ter outra casa ao lado.
No lugar só constavam pássaros, árvores, o rio e os seus peixes.
Havia cavalos sem freios dentro dos matos cheios
de borboletas nas costas.
O resto era só distância.
A distância seria uma coisa vazia que a gente portava no olho
E que meu pai chamava exílio.

O Cachorro E O Prego.

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Uma pequena história retirada do livro “A Arte de Pedir”, de Amanda Palmer.

“Um camponês está sentado na varanda de casa, à toa.
Um amigo aparece para cumprimentá-lo e ouve um som medonho, um ganido agudo e prolongado, vindo de dentro de casa.

– Que som pavoroso é esse? – pergunta o amigo.
– É o meu cachorro. – responde o camponês. – Está sentado num prego.
– Mas por que ele não levanta e sai dali? – quer saber o amigo.

O camponês pensa e então diz:

– Ainda não dói o suficiente.”