Escritor 02 – José de Alencar

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José Martiniano de Alencar Júnior nasceu no dia 1º de Maio do ano de 1829, em Messejana, no Ceará. Foi advogado, jornalista, político, orador, romancista e teatrólogo.
Desde pequeno teve influências nacionalistas, vindas principalmente de seu pai, um importante político e senador do império. José também lembra com carinho da vida simples e sertaneja, do contato com a natureza do Brasil, que futuramente seria grande foco em seus livros.
Publicou em 1856 seu primeiro romance conhecido “Cinco Minutos”. Porém foi com o posto de redator-chefe no Diário do Rio de Janeiro, que ganhou notoriedade com o romance “O Guarani”, publicado em forma de folhetim, em 1857.
José de Alencar criou uma literatura nacionalista e tem seu nome em grande destaque no Romantismo Brasileiro. Senhora foi seu livro mais importante deste período.
Suas obras são caracterizadas por um estilo próprio, mais “abrasileirado”, retratando lendas, mitos e tradições tipicamente brasileiras, já que, na época, os escritores nacionais ainda eram muito influenciados pela literatura portuguesa.
Foi aclamado por Machado de Assis como “Chefe da Literatura Nacional” e eleito como patrono do posto 23 da Academia Brasileira de Letras pelo mesmo.
A obra de José de Alencar pode ser definida por três períodos: Romances Urbanos, Romances Históricos e Romances Regionalistas.
O escritor também foi de grande influência na política brasileira, seguindo os passos do pai, sendo eleito várias vezes como deputado pelo Ceará, e de 1868 a 1870 foi ministro da justiça.
José de Alencar faleceu no dia 12 de Dezembro de 1877, aos 48 anos, vítima de uma tuberculose.

Principais Obras:

Cinco Minutos (1856)
O Guarani (1857)
Diva (1864)
Iracema (1865)
Lucíola (1872)
Senhora (1875)
Encarnação (1893)

Opinião pessoal: Como já mencionei antes, José de Alencar foi quem me iniciou nesse vício tremendo que tenho pelos livros. Sempre gostei de ler, mas foi depois de “Senhora” que senti e absorvi um livro pela primeira vez e passei a olhar a literatura brasileira com outros olhos.
Ainda não tive a oportunidade de ler todas as suas obras, mas já o considero um dos meus autores favoritos.
O que mais me admira na obra de Alencar é como ele entende e escreve sobre as mulheres. Seus principais romances urbanos “Senhora”, “Lucíola” e “Diva”, apresentam as mulheres na sociedade do Rio de Janeiro do século XIX, com seus dramas, aflições, sensibilidades e, acima de tudo, recheadas de personalidade e coragem. Essas mulheres podem ter vivido dois séculos atrás, mas são dotadas de inúmeros sentimentos que qualquer mulher do século XXI pode se identificar. E é de se admirar que essas obras tenham sido escritas por um homem, principalmente um homem do século XIX, onde o machismo reinava e a mulher não tinha nenhuma voz ativa. Não é à toa que ele foi a principal figura do Romantismo Brasileiro.
A escrita de José de Alencar é riquíssima não só pela sintaxe, mas também pela psicologia de seus personagens, sempre icônicos e heroicos, cada um à sua maneira.  Infelizmente ainda há muito preconceito para com a Literatura Brasileira, pois diariamente somos bombardeados com o lixo americano nas principais livrarias do Brasil. O que é irônico, pois as nossas próprias editoras, que deveriam incentivar cada vez mais nossa riquíssima literatura, descartam sem piedade nossos autores. Os clássicos ainda têm um pouco de salvação, pois ainda são dados na escola (o que eu também acho errado, pois um pré-adolescente de 11 anos tem que ler Thalita Rebouças, Pedro Bandeira, pela temática adolescente e linguagem prática, algo que o inicie na Literatura, pois eles ainda não têm vocabulário e estrutura para ler Dom Casmurro ou até mesmo meu tão amado Senhora), mas podem reparar que esses livros são sempre os mais ‘pobrinhos’ em matéria de estética, onde as folhas são de má qualidade e o descaso com a capa é eminente, enquanto as literaturas estrangeiras estão cheia de atrativos, como fontes brilhantes e capas duras. É uma pena, pois autores como José de Alencar merecem ser lidos. Não só pelas lindas histórias de amor, mas também pelo retrato fiel do nosso Brasil com toda sua misticidade, o que é muito gostoso de ler através de seus livros.
José de Alencar é o autor ideal para quem gosta de histórias bem contadas de amor e de episódios heroicos de pessoas simples, do cotidiano, que poderia ser eu ou você. Ele nos passa essa esperança de que, um dia, se precisarmos, por amor a alguém ou a um ideal, poderemos ser heróis de nossa própria história de vida.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). Se considera escritora e quer viver de fazer literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 18 páginas escritas)
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4 comments / Add your comment below

  1. Confesso que o José de Alencar e seus romances urbanos também me influenciaram a gostar do romantismo. O primeiro que li dele também foi ‘Senhora’, amo s2 O único indianista que li dele foi ‘Iracema’, apesar de sua linguagem ser um pouco complicada, eu tb gostei. tenho 5minutos, mas ainda não li… amo!

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