06 – Conectados

cobe

“Estamos todos conectados sem nem ao menos saber quem somos” – Delta Goodrem

Sou muito observadora. Muito mesmo. Às vezes até mais do que gostaria ser. Estou sempre procurando não sei o quê, não sei aonde, mas sempre perscrutando, observando, analisando. Pessoas, lugares, animais, não importa. Eu observo o tempo todo e acho que por isso sou escritora. Eu vejo histórias em todos os lugares. Sou do tipo que caça desenhos em azulejos, acho formas e acabo sempre criando uma curta historinha na minha cabeça. E quanto mais o faço, quanto mais cresço, aprendo e continuo observando, mais eu fico maravilhada com certas coisas da vida que a maioria das pessoas não notam. Não sei, talvez seja esse mundo capitalista e sempre apressado, que quer tudo pra ontem e em grande quantidade o tempo todo. Vejo que coisas pequenas, mas importantes, estão sendo deixadas de lado. E acho tão triste. Eu que vejo histórias até em azulejos, conheço pessoas que não conseguem nem se maravilhar com livros. Nós vivemos uma história o tempo todo, dessas de novela. Só que ninguém vê, ninguém sente. Uma vez eu vi uma frase que dizia que o mundo seria um lugar melhor se todo mundo escrevesse sua autobiografia. Todos temos nossa saga para contar. Independente da vida que levamos, se todos parassem para escrever sobre si mesmos e divulgassem esse ‘livro da vida’ para o mundo, este seria um lugar melhor. Iríamos aprender tanto com as experiências do outro… Imaginem que mágico? Um aparecendo no livro do outro, sendo numa participação especial ou como personagem principal. Ou até mesmo como antagonista, quem sabe? O fato é que a vida é feita de encontros. Desses que a gente lê em livros e diz que na vida real não acontece. Mentira! Acontece sim! Nós é que estamos sempre muito focados em coisas inúteis para observar.
Eu não acredito em coincidências. De forma alguma. Aliás, não sei como alguém consegue acreditar que todas as vidas deste mundo são puro ‘acaso’, acidentes do Universo que se esbarram, que se encontram sem qualquer motivo. Ninguém precisa acreditar em Deus, em Maomé, Buda ou o que quer que seja para poder enxergar a magia das pequenas coisas. É preciso apenas observar.
Uma outra frase que ouvi também é que todos os seres humanos estão presos em uma enorme teia de aranha. Se existe de fato uma aranha controlando tudo ou se as teias agem por qualquer força magnética, isso não importa. Mas estamos todos conectados, todos juntos, destinados a encontros e desencontros até o fim de nossas vidas. Exatamente como nos livros.
De verdade, se você não é um observador nato, tente pelo menos começar. Se você acredita apenas em coincidências, tente abrir um pouquinho só dessa janela cerrada, para que você possa ver coisas diferentes.
Encontros acontecem o tempo todo, de todas as formas. Um telefonema animador quando você está deprimido, alguém que fala de repente com você um segundo antes de um carro passar enlouquecido pela rua que você ia atravessar, algum animal que se aproxima quando está triste e, de repente, você começa a sorrir… Esses são os mais simples, mas não menos importantes.
E o encontro de vidas, encontro de almas? Quando você olha para o lado certo, entra na esquina certa, entra num elevador ao mesmo tempo que outra pessoa… Será mesmo que não se dão conta do quanto isso é relevante? Essas pessoas (e não estou só falando romanticamente, estou falando de forma em geral de amigos, parentes, pessoas que vão ajudar-te a crescer na vida etc.) poderiam estar em qualquer lugar do mundo. Poderiam ter entrado à esquerda, enquanto você entrou à direita, poderiam estar subindo, enquanto você está descendo, poderiam ter entrado na cafeteria do final da rua, enquanto você entrou na do começo… Milhões, inúmeras oportunidades de nos manter afastados existem. Ainda assim, você encontra aquela, naquele lugar, naquele momento. E ainda dizem que são só “coincidências?” Dentro de uma probabilidade de 1 em um trilhão, é só mesmo coincidência? Sinceramente, não consigo acreditar.
Acredito que esses encontros salvam nossas vidas. Com menos intensidade ou mais intensidade, não importa. O encontro com o mundo ao redor é o que nos faz continuar vivendo. Essas oportunidades, essas coisinhas que poderiam não acontecer, mas acontecem. Todos os encontros são importantes, até mesmo aqueles desagradáveis. Se minha professora de biologia do ensino médio não tivesse me perseguido o ano inteiro, talvez hoje eu estaria fazendo faculdade de biologia e sendo a bióloga que na minha adolescência dizia que ia ser. Mas ela precisou me traumatizar (por pior que isso soe), me constranger de inúmeras formas para eu descobrir que o que mais queria era distância daquela matéria. E junto com outros constrangimentos que a vida colocou no meu caminho, eu conheci a força da escrita. Digo ‘a força’ porque eu escrevo desde que era pequena, mas só pude conhecer essa energia profunda, essa sensação de imenso e eterno prazer de estar viva, de que é exatamente pra isso que eu nasci, depois que a partir deste e de outros episódios, resolvi criar histórias e descobri que queria ir até o fim da minha vida fazendo isso. Pode ter sido coincidência, eu poderia descobrir meu amor pela escrita de outra forma, outra situação poderia puxar esse gatilho, é verdade. Mas eu não seria a pessoa que sou hoje se não fosse por isso, eu não estaria aqui se não fosse por isso, por esse encontro.
Acho que essa analogia com a teia de aranha não poderia ser mais fantástica. Fios se rompem e se ligam o tempo todo, independente da força que os regem. Como diz na letra da música citada no começo deste post, estamos todos conectados, mesmo sem saber, ainda, quem somos, quem vamos encontrar, quem vamos conhecer.  Na sua teiazinha de aranha, mais lá pra frente, há novos fios se formando, se ligando, se religando. Você está sentando (ou de pé, vai saber) agora lendo isso, mas o seu fio, neste momento, está sendo ligado com o de outras pessoas, com outros seres, que cruzarão seu caminho. Quando chegar o momento, você pode tornar esses fios mais fortes ou arrebentá-los para sempre. Mesmo que tenha algo cuidando da gente, acredito ainda que podemos fazer nossas próprias escolhas e arcar com as consequências destas. Mas não negue que existe algo muito maior por trás da vida que está vivendo agora. Não negue esses encontros, não negue esses momentos especiais. Observe bem cada trajetória, cada choque, cada esbarrão em outra pessoa e pense mesmo se aquilo foi apenas obra do acaso. Aprenda a analisar cada experiência e permita-se ver a mágica que está debaixo do seu nariz. Limpe um pouquinho os olhos e enxergue. Acredite em mim: vai valer a pena. Tudo se tornará menos entediante e muito mais interessante!
Se você tem alguma história para contar sobre algum encontro especial, de uma situação que se encaixe no tema do texto, conte sua história na caixa de comentários. Vou adorar saber mais e descobrir mais sobre essas pequenas grandes conexões que fazem parte da trajetória de todos =]

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). Quer ser escritora e viver de fazer Literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 16 páginas escritas)
Cuera

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6 Replies to “06 – Conectados”

  1. Que lindo, Karla! Espero que uma amizade dessas nunca se perca! Muito obrigada por compartilhar sua historia <3

  2. Nossa, que história de filme! haha muito feliz que tenha dado certo! Muito obrigada por compartilhar sua história, Ruiva!

  3. Que história mais linda, Sam! Agora shippo mais ainda você e o Fernando! haha É incrível como pequenos detalhes podem fazer toda a diferença, né? Obrigada por compartilhar sua história!!!

  4. A Cacá tem uma história um tanto parecida com a minha. Eu conheci meu namorado numa aula de sábado, a qual eu pensei muito antes de ir e que era mais uma desculpa para a professora completar a carga horária dela. Ele sempre estudou na mesma escola que eu, porém um ano a frente, ele já tinha falado comigo há tempos, mesmo que breve e nunca tínhamos nos aproximado, mas naquele sábado ele resolveu falar comigo. Descobri isso, que estudamos por vários anos no mesmo colégio, que ele mora na rua ao lado da minha. Ou seja, nós nunca teríamos nos falado se não tivéssemos vencido a cama naquele sábado. E eu também não acredito em coincidência, só que nunca tinha pensado nisso. Adorei o teu pensamento. Muuuiiiito bom. ♡

  5. A-dorei!! E vou contar o meu encontro. Foi no terceiro ano quando passei a conversar e ser amiga do meu namorado. Então, passei a estudar na mesma sala que ele desde 2008 quando fazia a 8ª série e ele sempre morou a 2 minutos da minha casa, mas apenas no terceiro ano, no último ano de colégio, que passei a conversar e ser amiga dele, pois uma amiga minha que a muito tempo eu não encontrava resolveu voltar para o colégio onde nos conhecemos e como ela era muito amiga do meu namorado e meu namorado na época era muito afim dela então eu fui um cupido, sem sucesso, mas foi desse acaso da minha amiga voltar pro colégio mesmo quando a gente não conversava a tempos e meu namorado ser super afim dela, que eu e meu namorado passamos a ser melhores amigos e agora namorados. <3

  6. Quando eu estava na sétima série já estudava na mesma escola há oito anos. Sempre tive os mesmos amigos, mas naquele ano as coisas mudaram. Eu lembro de ver essa menina que seria minha melhor amiga apenas olhando dentro da sala onde eu estava, ela tinha a metade do cabelo rosa. Eu não sabia q ela viria pra minha turma, mas senti que queria ser amiga dela. Qnd ela veio pra minha sala no outro dia e nós próximos meses eu cultivei essa amizade. Nós passamos por tempos ruins nos últimos anos, as pessoas crescem e ficam bobas… mas eu posso dizer que ela é minha melhor amiga e que sempre vai ser. Foi disso o que eu lembrei com o seu texto, Cuera. Obrigada por mais uma vez me levar a uma reflexão tão linda sobre a vida.

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