Por Trás Da Porta.

port

Por trás da porta está minha casa
Minha casa cheia de palavras.
Sou formada por contos, romances
Biografias, ensaios, poesias
E todas, todas essas coisas que
Em alguma biblioteca caberia.
Nasci sendo palavra, mas palavra não posso ser.
Me dizem
“Pequena criança
O mundo não é como você vê!”

Será?

Já enfrentei dragões, percorri longas estradas
Já fui príncipe, já fui princesa
E até vilã de mim mesma.
Já vi muita coisa e muita coisa quis desver.
Já me neguei, me nego
É verdade, ainda me nego
Por causa daqueles que amei.

Por trás da porta está minha casa
Minha casa cheia de palavras.
Não vou mais arrumar os móveis
Esconder as falhas ou para debaixo do tapete varrer
Tudo o que me forma, tudo o que eu preciso ser.
É na bagunça que se faz a escrita.
Não quero mais me esconder.

Eu nasci sendo palavra
E de letras quero morrer.

 

“O Amor”, Por Khalil Gibran

o amor

Este belíssimo texto foi retirado do livro “O Profeta”, do escritor libanês Khalil Gibran. É um texto que considero um dos pontos altos do livro e nos traz uma grande oportunidade para fazer refletir o que é aquilo que entendemos como o amor.

“Todas essas coisas o amor fará por vós a fim de que vos torneis sabedores dos segredos de vossos corações, e que, imbuídos desse saber, vos transformeis num fragmento do coração da Vida.

Mas se, por receio, desejais buscar somente a paz e o gozo do amor,
E melhor cobrir vossa nudez, e abandonai a eira do amor,
Para que possais entrar no mundo sem estações, onde podereis rir, mas não todo o vosso riso, e chorar, mas não todo o vosso pranto.
O amor dá de si apenas, e anda recebe senão de si próprio.
O amor não possui nem quer ser possuído;
Pois o amor ao amor se basta.

Quando amardes, não deveríeis dizer: ‘Deus está em meu coração’, mas sim: ‘Eu estou no coração de Deus’.
E não pensai que serieis capazes de determinar seu curso, pois o amor, se considerar-vos dignos, direcionar-vos-á.

O amor não tem outro desejo senão o de atingir sua plenitude.
Mas se amardes e necessitardes ter desejos, que sejam estes:
O de vos tornardes a corrente de um riacho a entoar o seu canto para a noite;
O de conhecerdes a dor de tanta ternura;
O de serdes feridos por vossa própria compreensão do amor;
E sangrardes de bom grado e alegremente;
O de despertardes ao alvorecer com o coração alado e agradecerdes por mais um dia de amor;
O de retornardes à casa ao anoitecer, plenos de gratidão;
E então adormecerdes com uma oração para o bem-amado em vossos corações e uma cantiga de louvor em vossos lábios.”

3 Poemas De Florbela Espanca, Do Livro “O Livro D’ele”

O_LIVRO_DOELE_1409061412B

 

Doce Certeza

Por essa vida fora hás de adorar
Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,
Em infinito anseio hás de beijar
Estrelas d’oiro fulgindo em muita boca!

Hás de guardar em cofre perfumado
Cabelos d’oiro e risos de mulher,
Muito beijo d’amor apaixonado;
E não te lembrarás de mim sequer!..

Hás de tecer uns sonhos delicados…
Hão de por muitos olhos magoados,
Os teus olhos de luz andar imersos !

Mas nunca encontrarás p’ la vida fora,
Amor assim como este amor que chora
Neste beijo d’amor que são meus versos

Aonde?

Ando a chamar por ti, demente, alucinada,
Aonde estás, amor? Aonde… aonde… aonde?…
O eco ao pé de mim segreda… desgraçada…
E só a voz do eco, irônica, responde!

Estendo os braços meus! Chamo por ti ainda!
O vento, aos meus ouvidos, soluça a murmurar;
Parece a tua voz, a tua voz tão linda

Cantando como um rio banhado de luar!
Eu grito a minha dor, a minha dor intensa!
Esta saudade enorme, esta saudade imensa!
E Só a voz do eco à minha voz responde…

Em gritos, a chorar, soluço o nome teu
E grito ao mar, à terra, ao puro azul do céu:
Aonde estás, amor? Aonde… aonde… aonde?…

Versos
Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz. cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.

Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…

Versos! Versos! Sei lá o que são versos..
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…

 

Cabelos Demais

cabelos demais

Para todas as mulheres que já sofreram preconceito por causa de seu cabelo

Cabelo ruim
Ruim como mulher com vontade
Mulher dessas de garra
Que não temem dizer a verdade.
Ruim, cheios demais
De personalidade demais
Mulher que sempre quer mais
Mulher que é mulher demais.

Cabelos, pelos, anseios
Tudo ruim, exagerado
Tudo errado
Nesse corpo pequeno
De mulher incapaz.

Eles dizem, repetem
E não quero escutar!
Não sou obrigada a escutar!

Cabelo, cabelo ruim
Como assim?
É meu cabelo
Meu cabelo de mulher
De grande mulher
Que pode e que vai
Ser feliz
Ser feliz
Demais!

3 Poemas Do Livro “Poesias”, de Manoel De Barros.

poesias

 

Na Enseada de Botafogo

Como estou só: Afago casas tortas,
Falo com o mar na rua suja…
Nu e liberto levo o vento
No ombro de losangos amarelos.

Ser menino aos trinta anos, que desgraça
Nesta borda de mar de Botafogo!
Que vontade de chorar pelos mendigos!
Que vontade de voltar para a fazenda!

Por que deixam um menino que é do mato
Amar o mar com tanta violência?

Zona Hermética

De repente, intrometem-se uns nacos de sonhos;
Uma remembrança de mil novecentos e onze;
Um rosto de moça cuspindo no capim de borco;
Um cheiro de magnólias secas. O poeta
Procura compor esse inconsútil jorro;
Arrumá-lo num poema; e o faz. E ao cabo
Reluz com sua obra. Que aconteceu? Isto:
O homem não se desvendou, nem foi atingido:
Na zona onde repousa em limos
Aquele rosto cuspido e aquele
Seco perfume de magnólias,
Faz-se um silêncio branco… E aquele
Que não morou nunca em seus próprios abismos
Nem andou em promiscuidade com os seus fantasmas
Não foi marcado. Não será marcado. Nunca será exposto
Às fraquezas, ao desalento, ao amor, ao poema.

O Cavalo Morto

Na planície um cavalo
Mina em seu couro…
Urubus desplanam
E planam serenos.

O cavalo está enorme e derrete-se.
De sob seu dorso que se faz húmus
Uma florzinha azul reponta solidão.

Borboletas amarelas pousam na solidão.

Meus 9 Trechos Favoritos De “O Sol E O Peixe”, De Virginia Woolf

1168-20150109113834

“O Sol E O Peixe”, da escritora inglesa Virginia Woolf, foi lançado no ano passado pela editora Autêntica. O livro reúne alguns dos textos mais brilhantes e poéticos que Virginia já escreveu.
Como tudo o que Virginia escreve, os textos me tocaram, provocaram-me grandes reflexões acerca dos variados assuntos abordados no livro e me ensinaram muitas coisas sobre a arte da escrita.
Aqui compartilho com vocês os 9 trechos que marcaram esta maravilhosa leitura:

1 – “Pois, para além da dificuldade de comunicar aquilo que se é, há a suprema dificuldade de ser aquilo que se é. Esta alma, ou a vida dentro de nós, não combina absolutamente com a vida fora de nós.”

2 – “Conforme-se uma vez, faça uma vez o que outras pessoas fazem porque elas o fazem, e uma letargia toma conta, lentamente, de todos os nervos e todas as capacidades mais delicadas da alma. Ela se torna toda espetáculo e vazio exterior; embotada, insensível e indiferente.”

3 – “Deixemo-nos fervilhar sobre o nosso incalculável caldeirão, nossa enfeitiçadora confusão, nossa miscelânea de impulsos, nosso perpétuo milagre – pois a alma vomita maravilhas a cada segundo.”

4 – “ Ler o que a gente gostava porque gostava, nunca para fazer de conta que admirava o que a gente não admirava – esta era a sua única lição sobre a arte da leitura. Escrever com o mínimo possível de palavras, tão claramente quanto possível, exatamente o que se queria dizer – esta era sua única lição sobre a arte da escrita.”

5 – “Quando o dia do juízo final chegar e todos os segredos forem revelados, não devemos ficar surpresos ao saber que a razão pela qual evoluímos do macaco ao homem, e deixamos nossas cavernas e depusemos nossos arcos e flechas e sentamos ao redor do fogo e conversamos e demos aos pobres e ajudamos os doentes, a razão pela qual construímos, partindo da aridez do deserto e dos emaranhados da floresta, abrigos e sociedades, é simplesmente esta: nós desenvolvemos a paixão da leitura.”

6 – “Livros usados são livros à solta, livros sem teto; eles se juntaram em vastos bandos de plumagem mesclada, e têm um encanto que os livros da biblioteca não têm. Além disso, nessa aleatória e heterogênea companhia, podemos dar de cara com algum completo estranho que, com sorte, se tornará o melhor amigo que temos no mundo.”

7 – “Não conhecemos a nossa própria alma e muito menos a dos outros. Os seres humanos não vão de mãos dadas por toda a extensão do caminho. Há, em cada um de nós, uma floresta virgem, emaranhada, inexplorada; um campo nevado onde não se veem nem pegadas de pássaros.”

8 – “Podemos com certeza dizer que um escritor cuja escrita apela principalmente ao olho é um mau escritor; que se, ao narrar, digamos, um encontro num jardim, ele descreve rosas, lírios, cravos e sombras na grama, de maneira que possamos vê-los, mas deixa que deles se infiram ideias, motivos, impulsos e emoções, é porque ele é incapaz de usar seu meio para os propósitos para os quais ele foi criado e, como escritor, um homem sem pernas.”

9 – “Nada existe desnecessariamente. Os próprios peixes parecem ter sido moldados deliberadamente e ter escapulido para o mundo apenas para serem eles mesmos. Não trabalham nem choram. Na sua forma está sua razão. Pois para que outro propósito, a não ser o suficiente de uma perfeita existência, podem eles ter sido assim feitos, alguns tão redondos, outros tão finos, alguns com barbatanas radiantes no dorso, alguns blindados por uma carapaça azul, alguns dotados de garras prodigiosas, alguns escandalosamente orlados com bigodes enormes? Empregou-se mais cuidado com uma meia dúzia de peixes do que com as raças da humanidade.”

Sobre Trens, Partidas e Um Café.

cafe

A vida tem sido feita de partidas, decepções e frustrações. Em cada olhar encontro um adeus, em cada toque sonho um sonho que nunca aconteceu.
Sou feita de ilusões e corações partidos por outros corações que nunca me mostraram permanência. Que nunca sequer ficaram para um café.
Estou partindo antes que me parta em pedaços outra vez. As malas já estão prontas, a passagem foi comprada… Talvez haja um mundo lá fora para mim; um mundo onde não exista uma cadeira vazia e uma fria xícara de café. Talvez exista uma imagem lá fora que não seja seus olhos refletindo a luz do sol.
Meu trem parte às 8 em ponto. Aviso para caso decida mudar de ideia, para que me busque ao pé do vagão e me diga que sou aquela com quem você quer passar o resta de sua vida.
Me busque ao pé do vagão deste trem e peça para que eu fique apenas para um encontro e um café.
A vida tem sido feita de partidas. Ultimamente, é verdade, nem de chegadas.
Você chegará?

Agora meu trem anuncia a última chamada.
Pego a minha mala, subo no primeiro degrau do vagão e procuro os seus olhos refletindo a luz do sol.
Não há o reflexo de nada.

O trem parte e tudo o que resta de mim nesta cidade é uma xícara de café fria sobre a mesa.

Não Tenha Medo De Ler Clássicos.

hjh

Conheço muitas pessoas que nunca pegaram num livro considerado clássico simplesmente por medo. Costumam dizer: “mas é muito difícil!” ou “mas é muito chato”, sendo que o máximo de contato que tiveram com um clássico foi um resumão que pegaram na internet na época do ensino médio. E toda essa resistência que atravessa gerações acabou por criar um mito de que clássicos são bichos de sete cabeças sendo lidos apenas por intelectuais com óculos fundo de garrafa numa sala escura e poeirenta.
Eu não faço parte da corrente que acredita que os bestsellers deveriam ser erradicados da face da Terra. Pelo contrário, acho que eles são necessários também para a formação de novos leitores. Todo mundo precisa começar de algum lugar, aos poucos, passinhos de bebê, e os bestsellers geralmente são a opção mais buscada. Entretanto, penso que existe um problema quando você já é um leitor voraz há anos, mas continua apenas nos bestsellers, sem buscar algo novo. Creio que a maioria das pessoas não têm essa noção, mas os bestsellers possuem mais ou menos um mesmo padrão de histórias, de narrativas, de desenvolvimento de personagens. É como se você estivesse comendo macarrão há anos, apenas mudando de espaguete para miojo, de miojo para talharim, e assim sucessivamente.
A literatura é um universo, é infinita, e é necessário explorar todas as suas possibilidades. E é aí que entram os clássicos.
Percebo que a principal barreira que um leitor de bestseller encontra ao pegar em um clássico é a linguagem. Pode ser um choque a princípio sair da narração simples de um narrador que fala para o seu tempo, como se fosse um melhor amigo contando uma história, para algo melhor elaborado, fora de sua época, poético e muito bem pensado. Contudo, dentre os clássicos também existem níveis de dificuldade. Você não precisa começar por Machado de Assis ou Dostoievski. Jane Austen pode ser uma boa opção, principalmente para os românticos. Arthur Conan Doyle também é uma boa pedida para quem curte romances policiais. Ou seja, existe o clássico perfeito para cada um. Você apenas precisa perder o medo e encontrá-lo em alguma estante por aí.
Talvez pela pressão das escolas de enfiarem clássicos complicados para alunos que mal pegaram num livro na vida inteira tenha ajudado na rejeição que a maioria das pessoas têm. Mas a partir do momento em que o preconceito é superado e você começa a se familiarizar com o estilo dos livros, você vê tudo na sua vida mudar. Clássicos não são clássicos à toa. Eles atravessaram séculos e atingem pessoas de culturas e gerações diferentes porque muitos mudaram a forma de pensar de uma sociedade, trouxeram reflexões importantes sobre assuntos polêmicos e tudo isso aliado à uma bela história e uma narração muito bem trabalhada e pensada. Clássicos são essenciais e toda pessoa apaixonada por livros deveria lê-los.
Por isso, não tenha medo de ler clássicos. Não é esse monstro que criaram para você na escola ou num grupo de amigos. Ache o seu gênero favorito, procure o livro que mais se destacou e marcou época nesse meio e vá em frente! Se você já é um leitor voraz, mesmo que seja de bestsellers, não vai encontrar toda essa dificuldade em provar um pouquinho do gosto de um clássico. É só questão de começar.

Não Deixe Que Ele Tire O Seu Sorriso.

cdd

Não deixe que ele tire o seu sorriso.
Amanhã, assim que o vir pela primeira vez, não se destrua por ele não tê-la visto. Ou fingido não ter visto. Você não merece em sua vida alguém que nunca foi nem nunca será capaz de lhe enxergar. Ser verdadeiramente visto é uma das melhores coisas da vida. A maioria das pessoas apenas olha.
Então, tire essa frustração dos ombros como quem tira uma capa velha e já há muito usada. Não vale a pena. Não vale a pena continuar coberta de farrapos, de migalhas de atenção que lhes são jogadas quando ainda há um mar de tesouros a serem descobertos.
Ele não é o seu mundo. O Universo vai muito além do corpo dele, dos beijos dele, do toque dele, do abraço dele… O Universo vai muito além de tudo o que o envolve.
Não o transforme em seu Universo quando, para ele, você não passa de poeira de estrela.
Amanhã, assim que o vir pela primeira vez, procure por qualquer reflexo à sua volta. É a si mesma que você precisa enxergar. É a si mesma que você precisa tratar. Não se troque por um vago, um líquido, um fugaz olhar. Não se acabe por uma idéia de amor que não chega nem aos pés da realidade. A melhor história de amor que você pode viver é consigo mesma.
Vá vivê-la! Agora! O quanto antes!
Não perca mais o seu tempo. Não somos eternos. Podemos ter mais 20, 40 anos pela frente ou apenas, 20, 40 minutos. O que você está fazendo com o tempo que lhe resta?
Por isso, amanhã, sorria. Mesmo que ele não a veja, mesmo que ele finja, mesmo que ele deixe bem claro sua indiferença, sorria um sorriso bem largo. Sinta a felicidade correr por suas veias, sinta o amor preencher-lhe o sangue, olhe sua própria imagem e entenda, de uma vez por todas, que você é a pessoa mais importante da sua vida.
Por isso, amanhã, sorria.
E não deixe, em hipótese alguma, que ele tire esse sorriso de você.

Como Vender Sua Arte Sendo Um Introvertido.

IMG_1513_Michael-Defeo-9_4_14-Russo

Post traduzido e editado do Huffington Post.

Artistas com frequencia precisam residir em duas personalidades para ter sucesso. Eles precisam se sentir confortáveis para passar um tempo em um espaço pessoal e introspectivo, mas eles também precisam estar dispostos a sair pelo mundo e promover sua arte. Eu estava curiosa sobre como artistas administram esses papéis opostos e as diferentes habilidades que vem junto com eles. Como pode o introvertido – falando cruamente – se tornar confortável sendo o vendedor sem se sentir inautêntico? Eu falei com o artista Michael de Feo para saber seu ponto de vista e seus conselhos.

Eu primeiramente conheci Michael no final de Janeiro de 2015. Foi um desses dias de inverno que não estava nem frio o bastante para neve, nem úmido o bastante para chuva. O céu tinha uma coloração acinzentada. Eu estava molhada e com frio e sem paciência. E então entrei no estúdio de Michael, e o dia mudou instantaneamente. Foi como se a primavera tivesse chegado mais cedo, e havia beleza no mundo mesmo que eu não pudesse enxergá-la lá fora.

Uma coisa que fica clara ao olhar o trabalho de Michael é que ele faz arte para si mesmo em primeiro lugar. “Alguns artistas pensam na sua audiência e até no que se pode vender, o que é algo horrível de fazer.  Eu sinceramente acredito que se eu focar naquilo que eu amo fazer as outras pessoas vão ver o mesmo também.” Ele acredita que uma das coisas mais destrutivas que um artista pode fazer é se preocupar com a reação das pessoas em relação ao seu trabalho enquanto este é feito. “Ser verdadeiro consigo mesmo e ser verdadeiro com o seu coração e não deixar que qualquer outra besteira entre no seu caminho. Vivemos num tempo em que temos tantas distrações e tantas coisas pedindo por nossa atenção, o que pode infelizmente arrastar o nosso trabalho para uma direção ou outra.” Em seu trabalho, Michael se dá um problema para resolver e então vê aonde vai. “Eu às vezes começo criando um problema que precisa ser resolvido. Eu me coloco em uma situação desconfortável e tenho que encontrar o meu próprio caminho na pintura.”

20 anos atrás, Michael começou a sua carreira como artista de rua. Uma das coisas únicas sobre arte das ruas é que o trabalho evolui enquanto a cidade se transforma. Existe um ciclo de vida com esse tipo de arte: é criada e, gradualmente, com o tempo, destruída, o que de uma bonita forma reflete o tempo de vida de uma flor. “Na verdade,” ele me diz, “a parte mais importante para mim é que o trabalho desaparece.”

Para Michael, existe uma diferença entre fazer arte para as ruas e fazer arte para uma galeria. Muitos artistas de rua gostam do nível de anonimato que artistas não têm num ambiente de galeria. Artistas de rua podem criar e compartilhar o seu trabalho com o público sem necessariamente ter o seu nome inserido nele. “O que é difícil é que sou uma pessoa privada. Quando faço arte para as ruas, eu posso colocar meu trabalho lá e sair correndo. Quando você tem uma exposição, o sentimento é excitante, mas também enervante.”

Mas quanto mais exposição Michael consegue, mais confortável ele fica com o cenário artístico. “Anos atrás, bem no comecinho da minha carreira, eu me senti mais confortável em mostrar e vender o meu trabalho fazendo-o com a maior freqüência que conseguia. Quanto mais eu expunha e discutia minha arte com outras pessoas, mais confiante eu ficava. Eu sempre senti orgulho do meu trabalho e isso facilitou as coisas.”

Michael sempre quis compartilhar o seu trabalho com uma audiência maior. “Eu descobri que sou constantemente forçado a aprender novas habilidades e entrar em experiências que me tirem da minha zona de conforto.” Ele acredita que para um artista se sentir confortável para partilhar seu trabalho com outros, eles primeiro precisam aprender a confiar em si mesmos e ter fé em seu próprio trabalho.

Se isso é verdade – e eu realmente acho que é – significa que a força para partilhar o seu trabalho precisa vir de uma fonte interna, não de algo externo. O que quer dizer que qualquer um pode ter coragem de colocar o seu trabalho para o mundo uma vez que eles acreditem em si mesmo e em seu próprio trabalho. E uma vez que a força de uma pessoa é construída e fortificada, significa que rejeição, apesar de dolorosa, não deveria arruinar essa confiança.

Isso não quer dizer que fazer arte fica mais fácil. “Eu sempre estarei lutando – sempre será um desafio,” diz Michael. “Não é uma coisa fácil fazer arte, especialmente uma arte com a qual eu esteja satisfeito. Na maior parte do tempo eu estou insatisfeito com o que faço, o que acredito ser uma coisa boa porque se eu sempre estivesse satisfeito, esta seria uma péssima posição para se estar. Eu não cresceria como artista.”

Para saber mais sobre Michael e seu trabalho, visite seu site e o siga no instagram.