Escritor 13 – Florbela Espanca

Florbela Espanca pp1

Flor Bela de Alma da Conceição Espanca, nasceu no dia 8 de Dezembro de 1894, em Vila Viçosa, Portugal.
Florbela e seu irmão, Apeles, eram filhos bastardos de João Maria Espanca com Antonia da Conceição Lobo, a empregada da casa. A princípio João Maria não reconheceu a paternidade das crianças pois era casado com Mariana do Carmo Toscano, mulher estéril e que veio até ser madrinha das crianças. Apenas dezoito anos após a morte de Antonia, João Maria reconheceu os filhos oficialmente em um cartório em Portugal.
Em 1913, Florbela casou-se com Alberto de Jesus Silva Moutinho , seu colega dos tempos de escola. Concluiu o curso de Letras em 1917 e em seguida inscreveu-se no curso de Direito. Foi a primeira mulher a frequentar este curso na Universidade de Lisboa.  Florbela escreveu para muitos jornais de Portugal e por algum tempo ganhou a vida dando aulas particulares.
Às vésperas de publicar o seu primeiro livro em 1919, Florbela sofre de um aborto espontâneo. A situação não afetou apenas seu corpo como também sua mente, pois desde então começou a apresentar sérios problemas mentais. Separou-se de seu primeiro marido em 1921, sofrendo um grande preconceito pelo divórcio não ser bem aceito na época. Um ano depois casou-se com António Guimarães, com quem já vivia desde o fim do seu primeiro casamento. Separou-se novamente e em 1925 casou-se pela terceira vez com Mario Laje.
Seu querido irmão Apeles morre em 1927 em função de um acidente aéreo e tal perda agrava mais ainda sua doença mental. Inspirada pela dor e sofrimento de tal fato, escreveu Máscaras do Destino, uma coletânea de contos sobre morte e vida.
Tentou suicidar-se duas vezes em outubro e novembro de 1930, às vésperas do lançamento de seu mais famoso livro Charneca em Flor. Logo em seguida é diagnosticada com um edema pulmonar, desiste de vez da vida e, após ingerir propositalmente uma grande dose de barbitúricos, no dia de seu aniversário, Florbela Espanca vem a falecer em 1930.

Principais Obras:

Livro de Mágoas (1919)
Livro de Sóror Saudade (1923)
Charneca em Flor (1931)
As Máscaras do Destino (1931)

Opinião Pessoal:  

Comecei a ler Florbela Espanca por acaso. Estava em um daqueles dias em que tenho um desejo urgente de comprar um livro e entrei numa livraria apenas para “dar uma olhada”. Achei o livro de Florbela em uma estante de Literatura Estrangeira e não pensei duas vezes em comprá-lo ao ver que custava apenas 20 reais. Geralmente demoro para ler os livros que compro, mas Máscaras do Destino foi exceção, nem eu mesma sei o porquê. Quase não leio Literatura Portuguesa, mas já tinha ouvido falar em Florbela Espanca.  Só sei que me apaixonei imediatamente por sua escrita desde o primeiro conto. Talvez seja essa minha atração não proposital por depressivos e loucos ou o fato de algumas características de sua escrita me lembrar um pouco Virginia Woolf, não sei. Só sei que a cada página, a cada conto eu só queria ler mais e mais e não demorei a terminar o livro. Não é uma leitura difícil, mas também não é fácil. Ao ler suas palavras devagar, sorvendo cada dor e romantismo de sua escrita, a leitura de seu livro se torna uma experiência apaixonante e prazerosíssima.
Como escritora, Florbela Espanca me ensinou a observar com mais cuidado os detalhes, tornando o texto mais poético, porém sem cair no enfadonho.
Num mundo onde tudo é tão corrido, apressado e cada trabalho precisa ser feito “pra ontem”, Florbela é a leitura perfeita para deitar em uma espreguiçadeira em uma casa de campo nas férias, ouvir o canto de passarinhos pela manhã e deixar-se absorver pela mágica de sua escrita.
Sem dúvidas foi um ótimo achado e seu nome já figura na lista de meus escritores favoritos.
Abaixo, deixo um poema da escritora:

Os versos que te fiz

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem para dizer!
São talhados em mármore Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer!

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder…
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda.
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não fiz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). É escritora e quer viver de fazer literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 18 páginas escritas)
Cuera

Últimos posts por Cuera (exibir todos)

Deixe uma resposta