Fotografia.

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Eu vi você me vendo. Duas vezes.
Que coisa estranha é essa de sentir-se invisível.
Quando olhos te enxergam, em fração de segundos, sem querer, é como um pequeno  renascer.
“Será que é agora?”
“Será que é pra valer?
“Será que meus olhos realmente viram ou apenas viram o que meu coração quer crer?”

Acredito que foi um acidente. Um sutil deslize.  Eu fazia parte da paisagem e seus olhos estavam apenas fotografando o ambiente.
Agora, não devo ser nada mais do que uma imagem emoldurada e guardada em algum canto longínquo de sua memória.
Mas e eu? Como retornar ao meu não ser?
Sou tão pouco, sou quase nada, e não sei como lidar com esse muito que seus olhos cismaram em oferecer.
Você me fez de imagem e essa imagem eu não consigo esquecer.
Por quê?
Não sei. Eu juro que não sei.
Mas quero que continue me vendo.
Quero que seus olhos continuem esbarrando no pequeno acidente da minha presença.
Para que eu possa existir. Para que eu possa sentir.
Desde que você me fotografou, não me sinto fantasma.
Não sou mais um pedaço de etéreo flutuando pelo mundo.
Sou carne, sou ossos.
Já não sou mais feita de destroços.

Pele Fina.

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“Can’t you see I’m highly sensitive?
I even bought some books about it…”

– Mallu Magalhães

Minha pele se parte com um simples toque de papel. Meus pés sentem o chão tremer com o caminhão passando lá fora.
Eu sinto tudo e tudo me adentra. É defeito de nascença: não há como escapar.
O latido de um cachorro faz tremer as folhas de um jornal em minhas mãos.
Palavras agressivas me perfuram e caminham pelo meu sangue dias e dias a fio. Apenas gotas geladas de chuva conseguem desintegrá-las.
O cheiro das ruas de uma cidade grande expulsam de minha mente qualquer rastro de coisa bonita.
E a rejeição, é verdade… Já foi capaz de tirar-me a vida!
Ser pele fina num mundo feito de atirar paus e pedras me deixa sem ar. Mas é a mãe lua na madrugada que chega, abraça, afaga e nina o meu sonhar.
Sou dominada por medos e sonhos. É um cabo de guerra constante onde cada dia tem um vencedor diferente.
Caos, fumaças, dores, antigas casas, palavras más de uma ex-boa amiga, o olhar que por aqui não cruzou, aqueles que aqui estiveram e apenas na memória restaram… Tudo, todos e mais um pouco me compõem.
Sou feita de vazios e milhões de mundos. Num dia sou um; noutro sou dois.
Quantas coisas, fatos, sombras e pessoas ainda me atravessarão?
Não sei… Não sei a resposta.
No futuro serei esse amálgama de tantas coisas que acabará explodindo em pó… Ou em palavras.

O Balão II

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O Balão I

O balão, o balão
Onde será que agora está?
Será que continua subindo
Continua sem parar?
Depois de todo esse tempo
Em que mundo foi se encontrar?

Minha criança ainda chora
Chora, chora sem parar
Não por ter perdido ele
O primeiro que conseguiu amar
Ela ainda chora
Chora, chora sem parar
Por não poder no céu
Junto ao balão
Voar.

Macacos, Aranhas e Calangos.

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Sua atenção me faz querer voltar.
Minha solidão é labirinto e só em círculos consigo andar.
É desejo torpe.
Você, meu anseio, seu olhar.
É só a tal da atenção. Eu juro.
Quem dirá o primeiro ‘olá’?

Somos evoluídos, os mais evoluídos dos vivos.
Mas quando se trata de mistura
Todos nos pomos a dançar, a gritar
A mostrar nossas melhores cores
Tudo para uma mínima atenção conquistar.
Não somos diferentes dos macacos, das aranhas, dos calangos…
Sabemos falar, mas isso alguma vantagem nos dá?
É sempre o silêncio que escolhemos
E como bichos insanos
Investimos nos corpos para nos comunicar.

A verdade é que o quero e o quero mais do que posso explicar.

Mas como todo animal iniciante
Basta a ameaça de um olhar penetrante
Para dar meia volta e passar toda uma vida
Apenas desejando regressar.

Conheça La Oreja De Van Gogh.

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Quem são: La Oreja De Van Gogh é um grupo pop espanhol que figura no cenário musical desde 1996. Seu nome provém do famoso episódio histórico em que o pintor Vincent Van Gogh, num surto psicótico, corta um pedaço da própria orelha.
A banda inicialmente era composta por Xabi San Martín, Pablo Benegas, Álvaro Fuentes, Haritz Garde e Amaia Montero. Mas Amaia deixou a banda para seguir carreira solo e em 2008 foi substituída por Leire Martínez.

O Trabalho: LODVG possui sete álbuns e já vendeu mais de 8 milhões de cópias pelo mundo.
Uma das características da banda são suas letras repletas de poesia. Sejam inspiradas na vida real dos artistas ou apenas ficção, as músicas costumam contar histórias de amor sob as mais diversas formas. Uma de suas músicas mais famosas, intitulada “Jueves”, foi inspirada no atentado terrorista do dia 11 de Março de 2004 em três estações de metrô em Madrid, que deixou quase 200 mortos e milhares de feridos.

Top 3 de músicas favoritas:

1)    La Playa

2)    Jueves

3)    Maria

Media: http://www.laorejadevangogh.com/

Sonhos De Espuma.

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Quando criança, tinha sonhos de espuma.
Sua pequena mente criava grandes coisas.

O algodão doce era uma nuvem que se podia tocar.
As borboletas eram flores renascidas que aprenderam a voar.
Árvores eram as avós que morriam e se recusavam a abandonar seus netos.
E uma moeda de chocolate era privilégio de quem tinha fortuna.
Quando criança, o mundo era o seu lugar.
Cantava com os pássaros na primeira hora da manhã.
E um dia até casou um sapo com uma rã!
Folhas caídas do outono eram presentes do vento
Que largavam qualquer ventania para vê-la desfilar.
Quando era criança acreditava ser dona do mar.
Acreditava ser dona de tudo, até a mocidade chegar.

Então eles entraram.
Chamaram-na de boba, estúpida, imatura, cheia de muitos sonhos, sem noção de espaço e tempo.
Afinal, como pessoas poderiam falar com o vento?
Teve que aprender com os grandes a conviver, a grudar os pés no chão, a estourar as mais belas bolhas de sabão, a abrir tantos buracos em si até só sobrar espaço para a solidão.
Deram-lhe a receita de como matar-se para renascer, mas nenhuma asa de borboleta em suas costas esboçou crescer.
Quando criança, tinha grandes sonhos de espuma.

Agora era apenas adulta.

 

Quase 22.

22

Leia a primeira parte aqui.

Ainda havia uma menina sentada no banco da praça.
Mesmo 365 dias depois, ainda não havia ninguém ao seu lado.
Talvez ela já tivesse alguém.
Talvez já tivesse encontrado a si própria.
Talvez.
Mas continuava com as mãos sobre o colo e o olhar perdido no nada.
Ainda com chuva, ainda com sol.
Todos os dias.
Na mesma hora.
No mesmo lugar.
Uma menina que continuava sendo observada por duas velhinhas que estavam de passagem. E apenas isso.

— Olhe, Martha! Olhe quem está ali!
— Ah, a menina do banco… – comentou a velhinha sem a mesma empolgação da outra. – Ela estava sumida, não estava? Achei que estivesse… Espere! Ela está chorando? O que será que houve?
— Não está sabendo? Dizem por aí que ela foi quebrada por um “eu te amo”. E ainda não descobriu como remontar seus cacos.
— Como você sabe disso, Eva?
— Uma vizinha minha é prima de uma vizinha dela. E me contou. – respondeu sem tirar os olhos de seu objeto de especulações.
— Ahn… Ela deveria estar feliz, não? Não queremos todos amar e ser amados? Qual o problema dela?
— Não sei… Talvez, às vezes, achamos que não merecemos ser amados. E mantemos a pose, nos fingimos de forte, como se estivéssemos bem sem amor. – Eva fez uma pausa enquanto sua mente voltava ao passado. – Falo isso pela minha própria história… O orgulho pode ser um ótimo sustento, sabe? Mas um “eu te amo” dito com alma é capaz de arrebentar qualquer parede de mármore que tenhamos construído em nós mesmos. – ela notou o olhar assustado da amiga e sentiu-se constrangida. – O que foi? Disse algo errado?
— Desde quando você entende tanto de dramas adolescentes?
— Ela não é uma adolescente! Deve estar com quantos anos? Quase 22? Ela já é adulta!
— Do jeito que é desocupada e fica chorando e sentada no banco de uma praça, não parece…
— Não fale dessa forma, Martha… – repreendeu com delicadeza. – Eu não sou entendida, nem nada, e nem conheço a menina… Só penso que os anos passam correndo demais e acabamos por esquecer que um dia fomos jovens, queira você chamá-los de dramáticos ou não, com sonhos quebrados num banco de uma praça.
— Bom, minha amiga, não sei você, mas eu nunca tive tempo a perder com essas frescuras! Acho melhor irmos logo, não podemos mais perder tempo com isso.
— Ainda acho que deveria assar alguns cupcakes para aquela menina. Talvez fosse ajudá-la de alguma forma…
— Não seja tola! Como uns bolinhos podem fazer diferença na vida de alguém? E é como você disse, não sabemos nada sobre essa menina. Vai ver ela só ficou com alguma nota baixa em uma prova e você aí criando grandes histórias de amor para ela na cabeça.
— Pode ser, mas…
— Vamos deixar de besteira e ir para a missa, pois já estamos atrasadas! Hoje o sermão do padre vai ser sobre compaixão! O Padre Cícero fala com tanta sabedoria que sempre me deixa emocionada! Tenho certeza de que vai estar maravilhoso!

Martha saiu andando na frente falando sobre suas aspirações em relação à missa. Eva relutava em sair dali, mas seguiu a amiga a passos lentos. Mas antes que se afastassem muito, Eva virou o rosto para trás, apenas para ver os olhos chorosos encontrando-se com os dela.
A menina lhe sorriu entre lágrimas.

Love, Love, Love.

love

 

“A escuridão não pode afastar a escuridão, apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode afastar o ódio, apenas o amor pode fazer isso.” – Martin Luther King

Por mais que você evite, seu caminho sempre cruzará com energias fortes de ódio, tristeza, raiva, rancor, injustiça e outros sentimentos negativos que podem estragar o dia de qualquer pessoa. E bater de frente com essas energias apenas lhe trarão mais aborrecimentos e traumas para o espírito. Lutamos muitas guerras desnecessárias durante os anos e geralmente pagamos na mesma moeda alguma ofensa ou qualquer mal que nos tenham feito. É compreensível no começo, pois qualquer um se magoa, se fere, se decepciona. Mas depois que crescemos e amadurecemos, é fácil perceber que a maioria dessas lutas cara a cara contra coisas ruins não valeram a pena. Apenas deixaram marcas e cicatrizes que durante muito tempo não conseguimos apagar. Algumas, talvez, nem conseguiremos.
Como disse Martin Luther King, “o ódio não pode afastar o ódio, apenas o amor pode fazer isso.” Está mais do que na hora de começarmos a compreender e viver sob esse pensamento.
Por isso, cada vez que se deparar com tanta negatividade, escolha sempre o amor. Ele está tão presente em nossas vidas, está tão intrínseco em cada um de nós que às vezes esquecemos de enxergá-lo e vivê-lo plenamente, com todo o potencial que temos.
Quando o mundo te entregar lixo (e acredite, ele vai!), faça arte com isso. Crie amor com isso. Porque se você construir ódio, raiva ou rancor, você vai se tornar apenas mais um lixo nesse mundo.
Então seja a arte no mundo, seja o amor no mundo. Seja algo bom em meio a tanta coisa ruim. Ninguém disse que seria fácil, mas é necessário, todos os dias, tentar e tentar quantas vezes forem necessárias.
Se você ainda não sabe como lidar com isso, tente essas coisas:
Para a cura contra o rancor, abrace o seu animal de estimação. Não há energia melhor para começarmos nosso dia (Se você não tem um animal de estimação, arranje um! Eles precisam de amor e sabem retribui-lo muito bem!).
Para a cura contra a injustiça, faça caridade. Há incontáveis pessoas precisando de seu toque e de sua atenção. Se você acha que tem pouco, acredite, existem muitos que não têm absolutamente nada. Vá ser alguma coisa para alguém.
Contra a tristeza, coloque sua música favorita e cante, dance e grite como se ninguém estivesse vendo.
Contra a raiva, compre um buquê de flores e presenteie alguém muito especial.
E contra o ódio, olhe bem fundo nos olhos da pessoa que você mais ama e diga, do fundo do coração: “obrigado (a) por existir.” Não há remédio melhor do que sentir aquela pessoa em seu mundo e perceber o quão sortudo você é por terem se encontrado no meio desse mar de gente.
Por mais que o planeta esteja de cabeça para baixo e as pessoas pareçam enlouquecer a cada segundo, o amor é e sempre será a arma mais poderosa para lutar contra tudo que nos deixa sem vontade de levantar da cama todos os dias. Nós somos feitos de amor e temos todo o poder para lutar contra o que quer que seja. Temos o potencial de sermos melhores para nós mesmos e para aqueles que amamos. Para aqueles que precisam de amor.
Só nos falta acreditar nisso.

Eu Vejo Você.

 

 

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Para todos aqueles que conseguem enxergar além.

Olhe para mim. Você me vê?
Me olhe, não tire os olhos… Eu preciso viver.
O mundo está correndo, está correndo sem parar. Eles não estão vendo; não sei por quanto tempo mais poderei aguentar.
Olhe para mim. Você me vê?
O que você vê?
Meu corpo, minha pele, o meu não ser?
Olhe para mim! Me enxergue, me atravesse, não me deixe sumir assim!
O mundo está correndo, está correndo sem parar.
Pessoas, carros, ônibus, trens, barulho, mais pessoas, mais ônibus, mais barulho, mais entulho, mais tudo, mais tudo e mais nada.
O mundo está correndo e permaneço aqui parada.
Por favor, olhe para mim! Me diga, o que você vê?
Eu sou alma, fluidos, matéria, energia, mais fluidos, sentimentos, mais alma, muita alma, tanta alma, tanta, tanta que me perco em meu próprio corpo. Me diga se você me enxerga antes que eu vire sopro!
Sou alguém, sou ninguém, sou outrem, pouco alguém, pouco nada, quase ninguém. Olhe para mim e por favor, por favor, por favor, enxergue mais além!
Por favor, por favor, por favor… Não quero mais ser só pavor!
Olhe para mim.
Isso… simplesmente assim.
Agora estamos aqui frente a frente.
Agora estamos aqui com o olho no olho; permanente.
Junto minhas mãos, ajoelho sobre o chão, pergunto em delicada súplica: “Afinal, o que você vê?”
É quando a salvação me encontra em sua doce réplica: “Eu vejo você.”