Não Deixe Que Ele Tire O Seu Sorriso.

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Não deixe que ele tire o seu sorriso.
Amanhã, assim que o vir pela primeira vez, não se destrua por ele não tê-la visto. Ou fingido não ter visto. Você não merece em sua vida alguém que nunca foi nem nunca será capaz de lhe enxergar. Ser verdadeiramente visto é uma das melhores coisas da vida. A maioria das pessoas apenas olha.
Então, tire essa frustração dos ombros como quem tira uma capa velha e já há muito usada. Não vale a pena. Não vale a pena continuar coberta de farrapos, de migalhas de atenção que lhes são jogadas quando ainda há um mar de tesouros a serem descobertos.
Ele não é o seu mundo. O Universo vai muito além do corpo dele, dos beijos dele, do toque dele, do abraço dele… O Universo vai muito além de tudo o que o envolve.
Não o transforme em seu Universo quando, para ele, você não passa de poeira de estrela.
Amanhã, assim que o vir pela primeira vez, procure por qualquer reflexo à sua volta. É a si mesma que você precisa enxergar. É a si mesma que você precisa tratar. Não se troque por um vago, um líquido, um fugaz olhar. Não se acabe por uma idéia de amor que não chega nem aos pés da realidade. A melhor história de amor que você pode viver é consigo mesma.
Vá vivê-la! Agora! O quanto antes!
Não perca mais o seu tempo. Não somos eternos. Podemos ter mais 20, 40 anos pela frente ou apenas, 20, 40 minutos. O que você está fazendo com o tempo que lhe resta?
Por isso, amanhã, sorria. Mesmo que ele não a veja, mesmo que ele finja, mesmo que ele deixe bem claro sua indiferença, sorria um sorriso bem largo. Sinta a felicidade correr por suas veias, sinta o amor preencher-lhe o sangue, olhe sua própria imagem e entenda, de uma vez por todas, que você é a pessoa mais importante da sua vida.
Por isso, amanhã, sorria.
E não deixe, em hipótese alguma, que ele tire esse sorriso de você.

Ampulheta.

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A pequena ampulheta a girar
a girar
a girar
a girar.
Me traz de volta
me puxa e
me joga
em um antigo lugar.

É como se existisse uma falha
no tempo e no espaço
onde o mesmo momento
se repete invisivelmente
novamente
novamente e
novamente.

Não me importa
quantos estejam dispostos
a ficar, o seu transporte
partindo em direção ao longe
é o que se repete e
repete
sem parar.

Passam os anos
Passam as vidas
e a ampulheta continua
a girar
a girar
a girar…

Fotografia.

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Eu vi você me vendo. Duas vezes.
Que coisa estranha é essa de sentir-se invisível.
Quando olhos te enxergam, em fração de segundos, sem querer, é como um pequeno  renascer.
“Será que é agora?”
“Será que é pra valer?
“Será que meus olhos realmente viram ou apenas viram o que meu coração quer crer?”

Acredito que foi um acidente. Um sutil deslize.  Eu fazia parte da paisagem e seus olhos estavam apenas fotografando o ambiente.
Agora, não devo ser nada mais do que uma imagem emoldurada e guardada em algum canto longínquo de sua memória.
Mas e eu? Como retornar ao meu não ser?
Sou tão pouco, sou quase nada, e não sei como lidar com esse muito que seus olhos cismaram em oferecer.
Você me fez de imagem e essa imagem eu não consigo esquecer.
Por quê?
Não sei. Eu juro que não sei.
Mas quero que continue me vendo.
Quero que seus olhos continuem esbarrando no pequeno acidente da minha presença.
Para que eu possa existir. Para que eu possa sentir.
Desde que você me fotografou, não me sinto fantasma.
Não sou mais um pedaço de etéreo flutuando pelo mundo.
Sou carne, sou ossos.
Já não sou mais feita de destroços.

Pele Fina.

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“Can’t you see I’m highly sensitive?
I even bought some books about it…”

– Mallu Magalhães

Minha pele se parte com um simples toque de papel. Meus pés sentem o chão tremer com o caminhão passando lá fora.
Eu sinto tudo e tudo me adentra. É defeito de nascença: não há como escapar.
O latido de um cachorro faz tremer as folhas de um jornal em minhas mãos.
Palavras agressivas me perfuram e caminham pelo meu sangue dias e dias a fio. Apenas gotas geladas de chuva conseguem desintegrá-las.
O cheiro das ruas de uma cidade grande expulsam de minha mente qualquer rastro de coisa bonita.
E a rejeição, é verdade… Já foi capaz de tirar-me a vida!
Ser pele fina num mundo feito de atirar paus e pedras me deixa sem ar. Mas é a mãe lua na madrugada que chega, abraça, afaga e nina o meu sonhar.
Sou dominada por medos e sonhos. É um cabo de guerra constante onde cada dia tem um vencedor diferente.
Caos, fumaças, dores, antigas casas, palavras más de uma ex-boa amiga, o olhar que por aqui não cruzou, aqueles que aqui estiveram e apenas na memória restaram… Tudo, todos e mais um pouco me compõem.
Sou feita de vazios e milhões de mundos. Num dia sou um; noutro sou dois.
Quantas coisas, fatos, sombras e pessoas ainda me atravessarão?
Não sei… Não sei a resposta.
No futuro serei esse amálgama de tantas coisas que acabará explodindo em pó… Ou em palavras.

O Balão II

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O Balão I

O balão, o balão
Onde será que agora está?
Será que continua subindo
Continua sem parar?
Depois de todo esse tempo
Em que mundo foi se encontrar?

Minha criança ainda chora
Chora, chora sem parar
Não por ter perdido ele
O primeiro que conseguiu amar
Ela ainda chora
Chora, chora sem parar
Por não poder no céu
Junto ao balão
Voar.

Macacos, Aranhas e Calangos.

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Sua atenção me faz querer voltar.
Minha solidão é labirinto e só em círculos consigo andar.
É desejo torpe.
Você, meu anseio, seu olhar.
É só a tal da atenção. Eu juro.
Quem dirá o primeiro ‘olá’?

Somos evoluídos, os mais evoluídos dos vivos.
Mas quando se trata de mistura
Todos nos pomos a dançar, a gritar
A mostrar nossas melhores cores
Tudo para uma mínima atenção conquistar.
Não somos diferentes dos macacos, das aranhas, dos calangos…
Sabemos falar, mas isso alguma vantagem nos dá?
É sempre o silêncio que escolhemos
E como bichos insanos
Investimos nos corpos para nos comunicar.

A verdade é que o quero e o quero mais do que posso explicar.

Mas como todo animal iniciante
Basta a ameaça de um olhar penetrante
Para dar meia volta e passar toda uma vida
Apenas desejando regressar.

Conheça La Oreja De Van Gogh.

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Quem são: La Oreja De Van Gogh é um grupo pop espanhol que figura no cenário musical desde 1996. Seu nome provém do famoso episódio histórico em que o pintor Vincent Van Gogh, num surto psicótico, corta um pedaço da própria orelha.
A banda inicialmente era composta por Xabi San Martín, Pablo Benegas, Álvaro Fuentes, Haritz Garde e Amaia Montero. Mas Amaia deixou a banda para seguir carreira solo e em 2008 foi substituída por Leire Martínez.

O Trabalho: LODVG possui sete álbuns e já vendeu mais de 8 milhões de cópias pelo mundo.
Uma das características da banda são suas letras repletas de poesia. Sejam inspiradas na vida real dos artistas ou apenas ficção, as músicas costumam contar histórias de amor sob as mais diversas formas. Uma de suas músicas mais famosas, intitulada “Jueves”, foi inspirada no atentado terrorista do dia 11 de Março de 2004 em três estações de metrô em Madrid, que deixou quase 200 mortos e milhares de feridos.

Top 3 de músicas favoritas:

1)    La Playa

2)    Jueves

3)    Maria

Media: http://www.laorejadevangogh.com/

Sonhos De Espuma.

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Quando criança, tinha sonhos de espuma.
Sua pequena mente criava grandes coisas.

O algodão doce era uma nuvem que se podia tocar.
As borboletas eram flores renascidas que aprenderam a voar.
Árvores eram as avós que morriam e se recusavam a abandonar seus netos.
E uma moeda de chocolate era privilégio de quem tinha fortuna.
Quando criança, o mundo era o seu lugar.
Cantava com os pássaros na primeira hora da manhã.
E um dia até casou um sapo com uma rã!
Folhas caídas do outono eram presentes do vento
Que largavam qualquer ventania para vê-la desfilar.
Quando era criança acreditava ser dona do mar.
Acreditava ser dona de tudo, até a mocidade chegar.

Então eles entraram.
Chamaram-na de boba, estúpida, imatura, cheia de muitos sonhos, sem noção de espaço e tempo.
Afinal, como pessoas poderiam falar com o vento?
Teve que aprender com os grandes a conviver, a grudar os pés no chão, a estourar as mais belas bolhas de sabão, a abrir tantos buracos em si até só sobrar espaço para a solidão.
Deram-lhe a receita de como matar-se para renascer, mas nenhuma asa de borboleta em suas costas esboçou crescer.
Quando criança, tinha grandes sonhos de espuma.

Agora era apenas adulta.

 

Quase 22.

22

Leia a primeira parte aqui.

Ainda havia uma menina sentada no banco da praça.
Mesmo 365 dias depois, ainda não havia ninguém ao seu lado.
Talvez ela já tivesse alguém.
Talvez já tivesse encontrado a si própria.
Talvez.
Mas continuava com as mãos sobre o colo e o olhar perdido no nada.
Ainda com chuva, ainda com sol.
Todos os dias.
Na mesma hora.
No mesmo lugar.
Uma menina que continuava sendo observada por duas velhinhas que estavam de passagem. E apenas isso.

— Olhe, Martha! Olhe quem está ali!
— Ah, a menina do banco… – comentou a velhinha sem a mesma empolgação da outra. – Ela estava sumida, não estava? Achei que estivesse… Espere! Ela está chorando? O que será que houve?
— Não está sabendo? Dizem por aí que ela foi quebrada por um “eu te amo”. E ainda não descobriu como remontar seus cacos.
— Como você sabe disso, Eva?
— Uma vizinha minha é prima de uma vizinha dela. E me contou. – respondeu sem tirar os olhos de seu objeto de especulações.
— Ahn… Ela deveria estar feliz, não? Não queremos todos amar e ser amados? Qual o problema dela?
— Não sei… Talvez, às vezes, achamos que não merecemos ser amados. E mantemos a pose, nos fingimos de forte, como se estivéssemos bem sem amor. – Eva fez uma pausa enquanto sua mente voltava ao passado. – Falo isso pela minha própria história… O orgulho pode ser um ótimo sustento, sabe? Mas um “eu te amo” dito com alma é capaz de arrebentar qualquer parede de mármore que tenhamos construído em nós mesmos. – ela notou o olhar assustado da amiga e sentiu-se constrangida. – O que foi? Disse algo errado?
— Desde quando você entende tanto de dramas adolescentes?
— Ela não é uma adolescente! Deve estar com quantos anos? Quase 22? Ela já é adulta!
— Do jeito que é desocupada e fica chorando e sentada no banco de uma praça, não parece…
— Não fale dessa forma, Martha… – repreendeu com delicadeza. – Eu não sou entendida, nem nada, e nem conheço a menina… Só penso que os anos passam correndo demais e acabamos por esquecer que um dia fomos jovens, queira você chamá-los de dramáticos ou não, com sonhos quebrados num banco de uma praça.
— Bom, minha amiga, não sei você, mas eu nunca tive tempo a perder com essas frescuras! Acho melhor irmos logo, não podemos mais perder tempo com isso.
— Ainda acho que deveria assar alguns cupcakes para aquela menina. Talvez fosse ajudá-la de alguma forma…
— Não seja tola! Como uns bolinhos podem fazer diferença na vida de alguém? E é como você disse, não sabemos nada sobre essa menina. Vai ver ela só ficou com alguma nota baixa em uma prova e você aí criando grandes histórias de amor para ela na cabeça.
— Pode ser, mas…
— Vamos deixar de besteira e ir para a missa, pois já estamos atrasadas! Hoje o sermão do padre vai ser sobre compaixão! O Padre Cícero fala com tanta sabedoria que sempre me deixa emocionada! Tenho certeza de que vai estar maravilhoso!

Martha saiu andando na frente falando sobre suas aspirações em relação à missa. Eva relutava em sair dali, mas seguiu a amiga a passos lentos. Mas antes que se afastassem muito, Eva virou o rosto para trás, apenas para ver os olhos chorosos encontrando-se com os dela.
A menina lhe sorriu entre lágrimas.