Às Vezes.

Às vezes eu uso “às vezes” bastante vezes em meus textos. Às vezes por não saber qual sinônimo utilizar ou encaixar; às vezes por simplesmente gostar.

Às vezes tenho necessidade de escrever sobre mim e não esconder isso. Como em um patético diário adolescente, preciso largar a máscara de meus personagens e desnudar minha alma, a fim de me aliviar. Porque, às vezes, nem mesmo o meu tão amado orgulho consegue me sustentar.

Às vezes preciso apenas estar sozinha. Mesmo na presença de pessoas agradáveis e adoradas, preciso me afastar, nem que seja por cinco minutos, para estar sozinha e respirar. Para entrar temporariamente em meu mundo particular e relaxar. Porque, mesmo depois de todos esses anos, continuo achando o contato social bastante exaustivo e, às vezes, desesperador.

Às vezes quero ser normal.
Quero me sentir como uma garota comum (e principalmente me comportar como uma!), falar de forma menos teatral, ser menos azeda, menos sensível e crítica… Ser simplesmente normal.  Penso e sair do meu mundo intelectual, falar de algo mais banal, parar de ser tão radical para que finalmente possa ser aceita como igual. Mas essa idéia estúpida não dura muito, pois é só estar ao lado de pessoas desse tipo, de mentes tão pequenas e entediantes, que tenho certeza que é em meu mundo autista onde quero morar para sempre.
Não importa se serei excluída ou não. Pois é em minhas maluquices e macaquices onde encontro a melhor versão de mim mesma.

Às vezes, em pensamentos, consigo largar o vício da autopiedade  e me permito ser um pouquinho arrogante. Me permito pensar que aquele que me despreza ou não faz questão de me conhecer é um pobre coitado. Porque essa pessoa nunca vai conhecer outro alguém mais criativo, mais inteligente, mais dedicada, desvairada, profunda, louca, retardada e outros muitos adjetivos que não cabem  em uma folha de papel. Não vai conhecer um amor como o meu, um carinho como o meu e todo o apoio que posso oferecer em momentos de crises. Afinal, já estive muito tempo nelas. Ajudar outras pessoas a atravessá-las é mais do que um prazer pra mim.
Mas esse pensamento também dura muito, muito pouco. Porque um dia novo começa e eu volto a ser aquele ser irritante que acredita que nada tem de interessante.

Às vezes pego alguém pra admirar. Assim mesmo, do nada. Sem qualquer interesse romântico. Sem qualquer razão aparente. Apenas alguém que me inspire, independente de raça, sexo, cor da pele ou qualquer outra característica. Apenas alguém diferente nesse mundo cheio de pessoas iguais. Apenas alguém especial, com um sorriso admirável, um caminhar adorável e uma voz espetacular.
O mais engraçado disso é imaginar que elas nem imaginam. Que não fazem idéia de que há mil textos e poemas meus dedicados a elas. Que não sabem que há uma louca observando-os silenciosamente ao longe. E que toda essa observação atenciosa irá se transformar em trabalhos escritos às  3 da manhã e que logo serão divulgados para quem quiser ler. E, às vezes, fico assustada com essa minha capacidade de admirar alguém que nunca sequer trocou um par de palavras comigo.

Às vezes preciso parar, mesmo que queira continuar.
Preciso colocar um fim em um texto ou uma história que para mim poderia ser eterna. Porque minha imaginação é sem limites. E enquanto houver palavras disponíveis no mundo, há histórias. Há textos, há criatividade.
O problema é que não há alguém capaz de ler por toda a eternidade.

E, pra terminar, às vezes tenho dificuldade para terminar.
Não sei como colocar um ponto, quando ainda há muito mais o que falar. Principalmente agora, com essa nova mania de rimar.
Como tudo na minha vida, o “acabar” me faz chorar. Me faz lutar, brigar e pirraçar até cansar. Até cansar e a bandeira branca da redenção ser obrigada a alçar.
Por isso, às vezes, acho que o “fim” é uma palavra vulgar. Mas sei que ela ainda acabará por me matar.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). É escritora e quer viver de fazer literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 18 páginas escritas)
Cuera

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7 comments / Add your comment below

  1. Esse texto é a minha cara! Me identifiquei em muitas partes! >.<
    Tô sem palavras pra profundidade desse texto! Mt liindo msm Cuera *-*
    Parabéns por continuar a ser essa escritora perfeita e maravilhosa! 🙂

  2. “As vezes eu penso que você já atingiu o seu máximo e não pode mais se superar, mas aí eu percebo que você é uma escritora fantástica que sempre vai me surpreender e me encantar com seus textos tão profundos e perfeitos!! *-*” ²
    Nenhuma frase define tão bem o que eu penso e sinto todas as vezes que leio seus textos!!! Parabéns e obrigada por partilhar estas belezas!!

  3. Às vezes você me deixa sem palavras com tanta criatividade, tanta inteligência… Com seus textos tão bem escritos e que conseguem nos fazer refletir sempre! Às vezes fico chocada com o quanto me identifico contigo e, não só as vezes, mas SEMPRE… Sinto orgulho de você! E não ache que ser como tu é, é algo ruim… Pelo contrário! Você é uma das poucas pessoas que fazem esse mundo tão banal valer a pena! Não esquece disso! <3

  4. As vezes eu penso que você já atingiu o seu máximo e não pode mais se superar, mas aí eu percebo que você é uma escritora fantástica que sempre vai me surpreender e me encantar com seus textos tão profundos e perfeitos!! *-*
    “O problema é que não há alguém capaz de ler por toda a eternidade.” << Beem, saiba que enquanto você escrever, seja sobre desconhecidos ou mesmo sobre futebol (sei que nem escreve sobre futebol, maaas vai que um dia você muda), eu estarei aqui para ler!! 🙂

  5. “Às vezes preciso apenas estar sozinha. Mesmo na presença de pessoas agradáveis e adoradas, preciso me afastar, nem que seja por cinco minutos, para estar sozinha e respirar. Para entrar temporariamente em meu mundo particular e relaxar. Porque, mesmo depois de todos esses anos, continuo achando o contato social bastante exaustivo e, às vezes, desesperador.”

    Estava falando de mim nesta parte? hihi Texto lindo. *-* Adorei. Identifiquei-me muito com esse texto. 🙂

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