Resenha 03 – Eu Sou Malala.

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“Amo Deus. Agradeço a meu Alá. Converso com Ele todo dia. É o maior. Ao me dar altura para alcançar as pessoas, Ele também me deu grandes responsabilidades. Paz em todo lar, toda rua, toda aldeia, todo país – esse é o meu sonho. Educação para toda criança do mundo. Sentar numa cadeira e ler livros com todas as minhas amigas, em uma escola, é um direito meu. Ver todo ser humano com um sorriso de felicidade é o meu desejo.”

O livro “Eu sou Malala” é a autobiografia da garota paquistanesa que foi baleada pelo Talibã em 2012 por lutar avidamente pelos direitos de educação em seu país, principalmente em relação às mulheres. Malala tem a ajuda de Christina Lamb, uma famosa repórter britânica que trabalhou como correspondente de guerra no Paquistão e Afeganistão.
A autobiografia é dividida em 5 partes que contam desde a criação de seu país, passando por sua infância e início da adolescência, passa pelo fatídico dia em que esteve entre a vida e a morte, com sua recuperação milagrosa na Inglaterra, e finaliza com um relato esplendoroso sobre a importância da educação para todas as crianças do mundo.
Um dos fatores que mais me chamaram a atenção no decorrer do livro foi o paralelo que Malala faz do que aconteceu em seu país ao longo dos anos, dede que foi criado em 1947, e como esses acontecimentos influenciaram na vida de sua família e em sua trajetória. Ela elabora temas críticos, tendo como foco a invasão do Talibã em seu belíssimo vale Swat, após o 11 de Setembro de 2001, que mudou, não só sua vida, mas a vida de toda a população que sofreu uma lavagem cerebral deste grupo. Não só o vale, geograficamente falando, foi invadido, mas as mentes das pessoas também foram controladas por obsessões religiosas, guerras infindas e descasos políticos que deixaram o país completamente na mais absurda miséria. Em muitas partes é possível fazer um paralelo com o nosso próprio país. Malala conta como o poder político se aproveita da ignorância de um povo abrangentemente analfabeto, para conseguir  ganhos próprios, sem qualquer risco de punição, deixando os pobres e necessitados à própria sorte. Com isso, a criminalidade toma conta de todo o território, aterrorizando cidadãos simples e trabalhadores. Qualquer semelhança não é mera coincidência…
Um “personagem” que ganhou minha atenção foi o pai de Malala, o senhor Ziauddin. Ao contar um pouco da história de seu pai em um pequeno capítulo, e citá-lo constantemente no decorrer de seu relato, fica completamente compreensível o motivo de tamanha bondade e elevação intelectual da garota. Malala é o exemplo vivo de como uma boa educação e base familiar podem fazer uma completa diferença na vida de um ser humano. Admirou-me toda a perseverança do homem ao tentar construir sua própria escola, mesmo quando todo o Universo parecia conspirar para que ele desistisse. Mas Ziauddin sempre usou os fracassos como lições maravilhosas, desde a superação de sua gagueira através de concursos de oratória, até a luta contra radicais religiosos que queriam a todo custo proibir o direito das mulheres ao estudo. Ele sempre incentivou sua filha a ler incessantemente (com 11 anos ela já estava lendo Anna Kariênina, de Leon Tolstói, e Oliver Twist, de Charles Dickens!) e a estudar com afinco, o que é algo admirável, vindo de um país onde a principal crença é de que as mulheres nasceram apenas para casar e servir aos seus maridos pelo resto da vida. Todo o seu amor e devoção à causa de expandir a importância da educação no Paquistão, principalmente para as mulheres, e seu tenaz espírito de luta, ganharam imensamente o meu afeto.
Meu desejo é que esse livro passe por inúmeras mãos ao redor do mundo, para que mais pessoas se inspirem em sua causa e mais “Malalas” possam aparecer por aí, principalmente em lugares tão retrógrados e obcecados com uma doutrina religiosa absurda.
Um livro tem o poder de mudar  uma vida e incentivar mentes. E a autobiografia de Malala tem a receita exata para tal propósito.
Recomendação imprescindível para quem gosta de um bom livro informativo, principalmente àqueles que entendem a importância da educação e são apaixonados pelas palavras.

Título: Eu Sou Malala
Autor: Malala Yousafzai e Christina Lamb
Editora: Companhia das Letras
Número de Páginas: 360

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). É escritora e quer viver de fazer literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 18 páginas escritas)
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