10 Incríveis Bibliotecas Ao Redor Do Mundo Para Deixar Qualquer Amante De Livros Babando!

Para todo bom amante de literatura e livros, uma biblioteca é o melhor lugar para se estar. Estantes e mais estantes de clássicos, de edições especiais, toda aquela fileira infinita de livros, que estão à espera do seu toque para revelar um mundo mágico é capaz de preencher nossos corações com a alegria que uma criança sente ao ver à sua frente um enorme e desconhecido parque de diversões. Bibliotecas, sejam elas grandes ou pequenas, são sempre belas aos nossos olhos. Porém, existem certos lugares no mundo que elevam essa beleza a um nível estratosférico, fazendo com que esses enormes e artísticos salões de livros nos pareçam como o verdadeiro paraíso pós morte.
Aqui estão as bibliotecas ao redor do mundo:

1) Biblioteca St.Walburga, da cidade de Zutphen, da Holanda

Library of St. Walburga, Zutphen, Netherland.

2) Biblioteca de University Club, da cidade de Nova York, nos Estados Unidos.

Library from the East, University Club, New York, NY -USA

3) Biblioteca Jose Vasconcelos, Cidade do México, México

Biblioteca Jose Vasconcelos, Cidade do Mèxico, México

4) Biblioteca do Parlamento, Ottawa, Canadá

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5) Bibiloteca Clementinum, em Praga, na República Tcheca

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6) Real Gabinete Português, Rio de Janeiro, Brasil

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7) Biblioteca da cidade de Stuttgart, na Alemanha

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8) Biblioteca do Monastério St. Florian, na Austria.

The library of the St. Florian Monastery in Austria

9) Biblioteca St. James, em Paris, na França

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10) Biblioteca da Universidade de Aberdeen, cidade de Aberdeen, Escócia

Universidade de Aberdeen, cidade de Aberdeen, Escócia

O Plano É Não Fazer Planos…

2015

O cenário é sempre o mesmo: fim de ano, preparativos para o ano que está para chegar e mil planos e promessas na cabeça para realizar nos 365 dias seguintes. No fim do próximo ano olharemos nossas listas de desejos a cumprir e perceberemos que não fizemos nem 20% do que pretendíamos. Então voltamos a fazer os mesmos planos e promessas para no outro ano nos deparar com o mesmo cenário. Quantos de vocês se identificam com essa imagem? Eu tenho feito isso desde que me entendo por gente.
Contudo, esse ano resolvi fazer diferente. Resolvi deixar de lado a minha mania de ser uma “control freak” o tempo todo e permitir simplesmente que a vida aconteça para mim.
Já cheguei à conclusão de que não adianta fazer planos e mais planos por dois motivos: 1) Eu sempre esqueço ou tenho preguiça; 2) A vida é algo incontrolável.
Quantas vezes não desenhamos mapas de nossa trajetória nos mínimos detalhes para logo nos vermos jogados do outro lado da margem completamente perdidos, sem saber o que fazer? Quantas vezes não fomos surpreendidos por fatos extraordinários, que jamais pensaríamos poder viver? Comigo parece acontecer o tempo todo. E, na maioria das vezes, me pego sempre receosa, já pronta para fazer mais planos para “consertar” os desvios do caminho. E isso é exaustivo demais.
Por isso em 2015 quero me deixar levar sem planos, sem roteiros, sem nada que crie uma grande expectativa, sem nenhuma ideia que possa vir a me frustrar. Talvez seja um pouco assustador pensar que não há um chão certo onde pisar, mas eu sinceramente ando cansada de coisas exatas e previsíveis. Há uma certa beleza no desconhecido, esse não saber o que aguarda o futuro, o que pode acontecer se eu finalmente me deixar mergulhar nas oportunidades e descobrir o que existe muito além do medo. Viradas de ano são uma ótima oportunidade para recomeços, ainda que puramente simbólicos. Parece que há um novo ponto de partida, um reboot de uma corrida do qual você não foi o campeão, mas onde pode tentar outra vez. Viradas de ano são sinônimos de esperança e acho que isso é o mais bonito nas comemorações de fim ano: acreditar que tudo pode dar certo outra vez, não importa quantas vezes tenha dado muito errado antes.
Que nesta virada possamos planejar apenas ter coragem para encarar os desafios, para ir de encontro ao desconhecido de peito aberto e descobrir novas faces de nós mesmos.
Feliz 2015!

3 Poemas de Florbela Espanca, do Livro “Soror Saudade”.

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Floberla Espanca foi uma grande poetisa e escritora portuguesa.
Os poemas abaixo foram retirados do livro “Soror Saudade”, um dos melhores livros que poemas que já li na minha vida. Florbela é doce e intensa, forte e frágil, esperançosa e melancólica, tudo ao mesmo tempo em sonetos que nos provocam infinitos sentimentos.
O livro inteiro é maravilhoso, é leitura recomendadíssima a qualquer leitor que ama um trabalho muito bem feito.

Estes foram os meus poemas favoritos do livro:

Caravelas

Cheguei a meio da vida já cansada
De tanto caminhar! Já me perdi!
Dum estranho país que nunca vi
Sou nesse mundo imenso a exilada.

Tanto tenho aprendido e não sei nada
E as torres de marfím que construí
Em trágica loucura as destruí
Por minhas próprias mãos de malfadada!

Se eu sempre fui assim este Mar morto:
Mar sem marés, sem vagas e sem porto
Onde velas de sonhos se rasgaram!

Caravelas doiradas a bailar…
Aí quem me dera as que eu deitei ao Mar!
As que eu lancei à vida, e não voltaram!…

Inconstância

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer…
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando…

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também… nem eu sei quando…

Nosso mundo

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu amor eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos…

Os meus sonhos agora são mais vagos…
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno…
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!

A vida, meu Amor, quer vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?…
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?…
O mundo, Amor?… As nossas bocas juntas!…

Pergunta Cretina.

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— Olá, Melissa! Como você está?

Engasgo. Pergunta cretina.
Mentir ou contar a verdade?
Hmm… Vejamos.
Odeio o meu emprego. Deveria estar criando algo, não entregando papéis, cafés e canapés para um patrão metido a besta que nem é capaz de me dar bom dia.
Minhas telas estão escondidas atrás da cama apenas para as aranhas verem enquanto não descubro a utilidade delas.
Já acordo cansada, não tenho ânimo para nada e não faço ideia do que estou fazendo com a minha vida.
Tenho quase 26 anos e ainda não fiz qualquer coisa que desse orgulho a mim e à minha família.
Não tenho mais paciência para flertes, para me encantar com alguém que vai me prometer o mundo num dia e me deixar vazia no outro.
Procuro ver sentido nas pequenas coisas e às vezes adianta… Mas outras vezes me parece impossível respirar.
Suspiro.
Minto ou conto a verdade?
Clarissa é uma ótima pessoa, porém é apenas conhecida. Amiga de infância, nos afastamos, sabe como é. Não perguntou como estou querendo verdadeiramente saber como estou – do contrário teria perguntado como me sinto nesse exato momento ou algo do tipo. Ninguém faz essa pergunta desejando receber uma resposta completa e verídica, a não ser um amigo íntimo que traz seu ombro, um banquinho e muita paciência para escutar suas lamúrias. Ou alguém que cobra 150 reais por hora.
Fazem esta pergunta devido à famosa “educação”, mas de vez em quando desejo que as pessoas sejam mal educadas nesse sentido, pois ando com muita vontade de afogar alguém com a tsunami de meus problemas cada vez que essa pergunta me é dirigida. E me calo, pensando que é apenas perda de tempo e que nunca vai valer a pena.
Seria essa vez diferente?
Olho Clarissa nos olhos.
Sorrio.
Minto ou digo a verdade?
Minto ou digo a verdade?
Eu não estou bem. Eu juro.

— Eu estou ótima! E você?

A Origem Curiosa De 6 Palavras Presentes Em Nosso Vocabulário.

Etimologia é o estudo que trata da origem das palavras. Falamos milhares de palavras por dia, seja de nossa ou de outra língua, e não fazemos ideia de onde vêem e porque um determinado objeto ou sentimento se chama daquela forma.
Veja 6 palavras que você usa diariamente e seus curiosos significados:

1) Anêmona – Significa “filha do vento”. Anêmonas do mar são nomeadas devido às flores anêmonas, que para os gregos antigos só se abriam quando o vento soprava.

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2) Ginásio – Significa “lugar para se treinar pelado”. Atletas na Grécia Antiga treinavam nus, então palavras como ginásio e ginástica são derivadas de gymnos, palavra grega que significa “nu”.

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3) Iceberg – Significa “Montanha de Gelo”. A palavra holandesa ijsberg foi emprestada para o inglês por volta de 1700. Antes disso, icebergs eram conhecidos como “montes de gelo”.

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4) Orangotango – Significa “homem da floresta”. O nome vem da língua malaia. É possível que originalmente tenha sido usada por tribos locais para descrever outras tribos que viviam na floresta, mas foi usada de forma errada por exploradores europeus por volta de 1600 para descrever os grandes macacos da floresta.

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5) Vídeo – Significa “eu vejo”. Se você sabe latim, então você sabe que vídeo é a primeira pessoa do singular do presente indicativo do verbo videre, que significa “ver”.

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6) Caleidoscópio – Significa “aquele que vê coisas bonitas”. Foi assim nomeado por seu inventor, o físico escocês e matemático Sir David Brewster, em 1817.

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Para ver mais palavras, clique aqui.

Claridade.

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A claridade me cansa
Me vence
Me avança.
A luz me adoenta
Me enche
Me entope
De barulhos divergentes
À gritos de crianças.

A claridade nunca está sozinha.
Vem acompanhada de sons
De dores
De fortes tons de cores.
É tudo muito brilhante
Muito gritante
Muito excruciante
A claridade parece sorrir a todo instante.

Tenho olhos grandes, mas não possuo cortina.
Sou invadida
Quebrada
Arrebentada
Cada vez que tento olhar o mundo
Nas primeira horas da matina.

Como as pessoas conseguem
Viver
Crescer
Vencer
E morrer
Sem sentir nenhuma dor na retina?

A claridade me derruba
Antes mesmo que eu levante
Coisa de gente
Sem qualquer lógica restante:
Morro de medo do escuro
E acho a luz extremamente irritante.

8 Dicas Importantes de Paulo Coelho Para Escritores Iniciantes.

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Sobre autoestima: “Você não pode vender o seu próximo livro ao subestimar o livro que acabou de ser publicado. Tenha orgulho do que você possui.”

Sobre confiança: “Confie em seu leitor, não tente descrever as coisas. Dê uma pista e ele preencherá essa pista com sua própria imaginação.”

Sobre habilidades: “Você não pode tirar algo do nada. Quando for escrever um livro, use sua própria experiência.”

Sobre críticas: “Algumas escritores querem agradar seus semelhantes, eles querem ser ‘reconhecidos’. Isso mostra nada além de insegurança, por favor esqueça isso. Você deve se preocupar em compartilhar a sua alma e não em agradar outros escritores.”

Sobre anotações: “Se você quer capturar ideias, você está perdido. Você irá se separar de suas emoções e irá esquecer de viver sua vida. Você será um observador e não um ser humano ao viver a vida deste ou desta. Esqueça as anotações. O que for importante irá permanecer e o que não for importante irá embora.”

Sobre pesquisas: “Se você entupir o seu livro com um monte de pesquisas você irá ser entediante para você mesmo e seu leitor. Os livros não servem para mostrar o quão inteligente você é. Livros servem para mostrar a sua alma.”

Sobre a escrita: “Eu escrevo o livro que quer ser escrito. Por trás da primeira frase há um fio que o leva até a última.”

Sobre estilo: “Não tente inovar a narrativa, conte uma boa história e será mágico. Eu vejo pessoas tentando trabalhar tanto em estilo, encontrando formas diferentes de dizer a mesma coisa. É como a moda. O estilo é o vestido, mas o vestido não dita o que está dentro do vestido.”

Veja o post original em inglês aqui.

 

8 Frases Que Só Amantes de Livros Entenderão.

Para um leitor apaixonado – daqueles que deixam de dormir, de estudar, de praticamente viver para terminar uma história – ler é muito mais do que um passatempo: é quase uma filosofia de vida. O objeto em nossas mãos é muito mais do que letras em um papel: é um portal para novos mundos, para novas ideias e novas descobertas que, na maioria das vezes, são capazes de mudar nossas vidas.
Com certeza todo amante de livros já ouviu frases como “você está trocando a vida real por uma ficção” ou “será que você não faz outra coisa além de ler?” ou outras sentenças que infelizmente fomos obrigados a escutar. Mas ainda bem que existem pessoas inteligentíssimas e lúcidas que entendem exatamente a nossa paixão infinita pela literatura.
Aqui deixo 8 frases que só nós, amantes de livros, entenderão completamente:

1) “Eu sempre imaginei que o paraíso seria um tipo de biblioteca”. – Jorge Luis Borges

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2) “A única coisa que você com certeza deve saber é onde fica a livraria.” – Albert Einstein.

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3) “Continue lendo. Isso é uma das mais maravilhosas aventuras que alguém pode ter.” – Lloyd Alexander

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4) “Nós lemos para saber que não estamos sozinhos”. – C.S Lewis

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5) “Os livros nos dão um lugar para ir quando precisamos ficar onde estamos”. – Mason Cooley

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6) “Livros dão alma ao universo, asas para a mente, voo para a imaginação, e vida a tudo”. – Platão

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7) “Com a liberdade, livros, flores e a lua, quem poderia não ser feliz?” – Oscar Wilde

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8) “Uma mulher que lê muito é uma criatura perigosa.” – Lisa Kleypas

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Sobre Segundas e Sextas.

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Now you only bring me black roses
And they crumble in the dust when they’re held
Now you only bring me black roses
Under your spell

Você me pede por palavras, mas eu não tenho nada a dizer. Tento enterrar suas ações em um caixão três metros abaixo da terra, mas você sempre chega com uma pá e joga tudo pra cima outra vez. Me encontro suja e cega, sem saber como tirar tanto peso sobre mim.
Você diz que me ama, que me ama, que me ama demais. Mas quando as luzes se apagam e a plateia se vai, só o que você faz, só o que você faz, só o que você faz é me deixar para trás.
Você diz que é o meu tudo, mas sob o seu feitiço sempre me encontro vazia, com nada. Por sua causa vivi toda uma vida frustrada e desperdiçada.
Você sempre diz que o mundo está contra você, mas eu sempre estive ao seu lado, erguendo-o, carregando-o sobre minhas costas, empurrando-o para frente. Mas você só sabe dar meia voltar e retornar, retornar e retornar para aquele mesmo bar. A bebida já destruiu seus olhos, aniquilou seu coração e transformou o seu sangue em uma espuma amarelada. “É para os momentos tristes”, você diz em uma segunda. “É para os momentos felizes”, você diz numa sexta. Em seu humor bipolar, só existem os extremos, só existem as segundas e as sextas. E toda a minha vida ao seu lado é resumida em segundas e sextas.
Por muito tempo me senti culpada por cada palavra dita, por cada chamada não atendida. Em uma frase bonita ou em uma rara e única ação bem sucedida, eu me cortava por dentro e me perguntava se todas as memórias, se todas as histórias presentes em minha cabeça que aparecem cada vez que o meu olhar cruza com o seu não eram invenções de uma criança abandonada, que tenta preencher com bonecos e rabiscos os vazios deixados pelos passos de outras pessoas. Sempre fui boa em contar histórias e diariamente me pergunto se não fiz de suas ações uma ficção que justificasse as lacunas dentro de mim. Mas então você liga, briga, religa e desliga toda a esperança de uma ficção. Você é mesmo real e toda a minha ilusão se esvai.
(Why’d you only call me when you’re high?)
Você me chama de astuta, de manipuladora cruel. Mas porque sou eu quem me sinto com cordas de nylon sobre meus braços, em minhas pernas, dentro de minha mente, cada vez que as lágrimas em seus olhos se fazem presente? Por que você insiste que sua dor é assim tão permanente?
Eu o perdoei até nas vezes em que eu fui obrigada a pedir perdão pelos seus erros. Você nunca foi fã de espelhos e nunca, nunca, nunca conseguiu ver o reflexo das pedras que deixa para trás. Mais um dia passa, mais um dia eu tento, ponho a mesa, jogo as cartas, tento fazê-lo discernir o bem do mal, o rei de ouro do rei de paus, mas você cisma em dizer que é tudo igual e joga a mesa para cima, deixando sobre mim uma bagunça abissal.
Agora a porta está fechada, a janela está cerrada e você continua apontando o dedo, dizendo que por sua dor sou culpada. Já se passaram duas décadas e continuamos decaindo, medindo nossas ações através de frias réguas, e nem por dois dias sequer dura nossa trégua.
Você diz que é a personificação da paciência, mas quando o lembro de todos os momentos de violência, seu olhar desaba sobre mim com desdém e seus lábios respondem um “você mereceu.” Eu mereci? Mereci o quê? Mereci por quê? Por sempre tentar salvar você?
Tudo o que eu sempre quis foi apenas um pedido de desculpas, um reconhecimento sincero e duradouro de suas falhas. Sua voz me pediu por palavras, mas quem precisa dizê-las é você. Será que um dia irá acontecer?
O mundo gira, os dias passam e de repente o telefone toca, toca, e toca sem parar. Seu nome aparece, mordo os lábios, olho a data no calendário e nem penso em atender.
É sexta feira.

Meus 9 Trechos Favoritos do Livro “Terra Sonâmbula”, de Mia Couto.

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Terra Sonâmbula, primeiro livro do premiado escritor moçambicano Mia Couto, é um livro fantástico em todos os sentidos da palavra. Pretendo falar melhor sobre o livro em uma futura resenha, mas limito-me a dizer aqui que é um daqueles livros repletos de poesia em prosa, onde você precisa de um caderninho para anotar frases, trechos que lhe atingem a alma.
O livro quase todo merecia ser destacado, mas aqui coloco os trechos que mais me tocaram e me inspiraram na leitura desta maravilhosa obra:

1) “- Não gosto de pretos, Kindzu.
– Como? Então gosta de quem? Dos brancos?
– Também não.
– Já sei: gosta de indianos, gosta de sua raça.
– Não. Eu gosto de homens que não tem raça.”

2) “Se o cansaço é uma velhice súbita eu já me contava pelas últimas idades.”

3) “Os sonhos são cartas que enviamos a nossas outras, restantes vidas.”

4) “Não inventaram ainda uma pólvora suave, maneirosa, capaz de explodir os homens sem lhes matar. Uma pólvora que, em avessos serviços, gerasse mais vida. E do homem explodido nascessem os infinitos homens que lhes estão por dentro.”

5) “A dor, afinal, é uma janela por onde a morte nos espreita.”

6) “O que é perder-se? Muita gente, acreditando ter a certeira direção, nasce já equivocada.”

7) “Ambos queríamos partir. Ela queria sair para um novo mundo, eu queria desembarcar numa outra vida.”

8) “Em terra de misérias um pequeno nada é olhado com muita inveja.”

9) “Eu sei que em cada mulher a gente lembra outra, a que nem há. Mas Carolinda me entregava essa doce mentira, o impossível cálculo do amor: dois seres, um e um, somando o infinito. Se aproximou e me acariciou os braços ali onde as cordas me doeram. A cintura de suas mãos me afagavam, em suave arrependimento. Aquele momento confirmava: o melhor da vida é o que não há-devir.”