Resenha: Se Você Me Chamar Eu Largo Tudo… Mas Por Favor, Me Chame, de Albert Espinosa

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“Em plena madrugada, olhe para os edifícios altos e vai ver que há poucas luzes acesas, pouquíssimas. Quase todo mundo dorme, só há uns poucos que estão acordados… E esses são os que procuram e os que encontram. Nessas altas horas da noite, quando todo mundo dorme, eles estão amando ou desfrutando de conversas intensas… E esse sentimento e essas palavras mudam a vida deles.”

Foi ano passado que achei este livro numa livraria. O nome me chamou muito a atenção com um titulo que é mais uma frase e uma frase muito bem formulada. Aliada à ótima sinopse da contracapa, não resisti e resolvi levá-lo. Como faço com a maioria dos meus livros, o coloquei em minha estante e esperei que chegasse a hora de lê-lo. O último fim de semana me fez redescobrir este livro entre tantos outros, pois queria algo pequeno (o livro tem apenas 150 páginas!) e leve para ler em um final de semana e descansar um pouco dos estudos e leituras literárias que ando fazendo.
“Se Você Me Chamar Eu Largo Tudo… Mas Por Favor, Me Chame” foi escrito pelo espanhol Albert Espinosa. A história também se passa na Espanha e conta a vida de Dani, um homem que se dedica a buscar crianças desaparecidas e está separando de sua mulher. Enquanto a esposa arruma as malas e vai embora, Dani recebe a ligação de um pai desesperado atrás do filho desaparecido, que foi levado pelo sequestrador até a ilha de Capri, na Itália. Por ter vivido momentos mágicos nessa ilha, Dani aceita o caso e retorna à ilha tendo como missão encontrar o menino e reencontrar em suas próprias lembranças o menino que um dia foi.
A história tem uma premissa muito boa, mas não foi bem executada. A narrativa – que é sempre feita em primeira pessoa – me pareceu pobre e preguiçosa. Os parágrafos são curtíssimos e a história é mesmo explicada através dos diálogos. Deu a impressão que o autor tinha algum prazo curto pra terminar a história e fez um rascunho em forma de livro.
Outro ponto que me incomodou foi a falta de perguntas respondidas. O autor criou toda uma trama interessante, onde o passado do protagonista parece ter algo a ver com o menino que desapareceu, mas Albert Espinosa resolveu deixar todas as questões em aberto. Eu adoro finais abertos quando são bem feitos e tem um propósito, o que não foi o caso. Outra vez, me pareceu tudo muito corrido e no fim a justificativa para todas as questões se reduzem simplesmente no bordão “a vida é assim, cheia de mistérios” e fica por isso mesmo.
Entretanto, existem pontos positivos, como os personagens com quem Dani se encontra no passado e mudam sua vida completamente. As conversas do protagonista com duas pessoas bem mais velhas, em diferentes fases da vida, nos coloca para refletir sobre diversos aspectos sobre a paixão de estar vivo e fazer nosso tempo aqui valer a pena.
Também me agradou uma certa característica física do personagem principal que achei bem original e não costumo ver em livros. A sinopse não fala nada sobre isso, então é muito legal descobrir de repente  que Dani é diferente.
“Se você me chamar…” é um livro bom e só. Ótimo pra ser lido em um dia e para relaxar a mente, que era meu objetivo. Mas não é um livro que marca ou que vá fazer muita diferença em nossas vidas. Com um nome atrativo desses e uma capa muito bem feita, é uma pena.