Um Pouco De Magia.

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O mundo pode ser cheio de magia se passarmos a vê-lo sob outro ponto de vista. E não falo de pós mágicos ou palavras em latim que fazem os objetos se mexerem de acordo com a nossa vontade. Falo do Universo e de toda mágica que o rege. A mágica que está tapada pela grande nuvem negra e suja, que os próprios seres humanos constroem com sua inteligência mal aplicada.
De um lado pode estar o dinheiro, o interesse, a maldade, a traição, o sexo superficial e outras coisas que cegam nossa alma. Mas há o outro lado também. O lado onde você tem sempre uma ajuda. Os amigos estão aí, como fadas madrinhas confortadoras, parecidas com as dos contos de fada. Você pode buscar consolo também no sorriso sincero de uma criança ou num carinho genuíno de um pequeno animal.
A magia também está na troca daquele olhar especial, com aquela pessoa que causa reviravoltas em seu estômago.
A magia está por toda a parte, até no ar em que você respira. Algo invisível, mas que o mantém vivo por tempo indeterminado. Você não vê, pois a nuvem negra ainda cega todos nós, espalhando seus frocos de tristeza e decepção por onde passam.
Talvez devêssemos olhar através dessa espessa nuvem com mais frequência, para podermos cultivar aquilo que realmente importa. Se começarmos, cada um, a fazer nossa parte, talvez a utopia de um mundo melhor e curado possa se tornar realidade.

(Trecho do livro Need – Capítulo 8)

Você.

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Acordar.
Tomar café.
Você.
Caminhada matinal.
30 minutos.
Volta pra casa.
Você.
Tomo um banho, pego o carro.
Ligo as notícias, dirijo com cuidado.
Respiro fundo antes de pisar no trabalho.
Você.
Dia tranqüilo.
Tarefas a fazer.
Tarefas feitas.
Hora do almoço.
Cenouras.
Você gostava de cenouras.
Você.
Você.
Você.
Ignoro as cenouras.
Não gosto mais.
Elas têm seu gosto.
Você.
Retorno ao escritório.
Trabalho.
Trabalho.
Trabalho.
Você.
Fim do expediente.
Eu tento, tento esquecer.
Juro.
Parece mentira.
Mas não é.
Penso no que tenho que fazer.
Comprar o presente de aniversário da Marcela.
Churrasco na casa do Robson no domingo.
Afazeres.
Compromissos.
E hoje?
O que tem pra hoje?
Você!
Não!
Não mais.
Não mais você.
O que tem pra hoje?
Basquete no fim da tarde na quadra com os amigos.
Troco de roupa, cumprimento os parceiros de jogo.
Sua voz.
Sua voz dizendo que me ama.
Sua voz dizendo que não me ama mais.
Cesta!
Você.
Conversa com os amigos após o jogo.
Assuntos banais, gargalhadas casuais.
Você.
Você.
Despedida.
Promessa de um próximo jogo na semana seguinte.
Trânsito.
Trânsito de São Paulo.
Você.
Que inferno!
Buzinas intermináveis.
Paciência se esgotando.
Ligo o rádio.
Essa rádio não presta.
Mudo.
Nossa música está tocando.
Merda!
Você.
Você.
Você.
Você.
Você.
Desligo o rádio.
Desisto.
O que mais eu tenho a fazer?
Barzinho no fim da noite.
Futebol na tv.
Você.
Menina bonita dos olhos claros.
Sorrio encarando-a.
Ela sorri de volta.
Me aproximo.
Ofereço-lhe uma bebida.
A conversa flui. Passam-se 2 horas.
O clima aparece e o beijo acontece.
Eu gosto. Ah, eu gosto!
Mas não é você.
Você.
Você.
Você.
Você.
Não a levo para casa.
A deixo no bar, com a promessa de um outro encontro.
De um encontro que eu não sei se vai se repetir.
Porque estou acompanhado.
Em minha mente doentia, estou acompanhado.
Volto pra casa com você.
Tomo banho com você.
Escovo os dentes com você.
Deito com você.
Durmo.
Durmo e sonho.
Sonho com você.
O que mais eu tenho a fazer?

Então escrevo-lhe esta carta pedindo, rogando por uma cura, por uma resposta.
Se me enfeitiçou, quero o antídoto!
Bruxa!
Me dê este antídoto!
Pago o que quiser, dou-lhe o que desejar!
Mas me dê o antídoto que me liberará de minha miséria.
Que me livrará de você.
Que me livrará do que sou quando penso em você.
Que te arrancará do meu organismo, do meu espírito.
Você, você e você.
Apenas você.
Todos os dias.
Todos os dias de minha vida.
Todos os dias de minha vida desde que você foi.
Você.

 

Trecho do livro “Cartas de Gaveta”. Para comprar o ebook, clique aqui!

Eu Não Sinto Sua Falta.

eu ão sinto

Eu não sinto sua falta.
Sinto falta de quando respirávamos o mesmo ar. Do seu hálito se misturando com o meu e o frio no estômago na antecipação de um apaixonado beijo.
De quando o vencia no seu jogo favorito e você enrugava o nariz, dizendo que era sorte de principiante.
Sinto falta de encontrar músicas desconhecidas pela internet que descreviam perfeitamente nossa relação. De obrigá-lo a sentar-se no meu sofá velho enquanto eu pegava o violão e dedilhava sem talento nenhum as notas da pequena canção. De você gargalhando com o meu jeito musical atrapalhado e sem noção.
Eu não sinto sua falta.
Sinto falta de como ficava irritado quando outros homens olhavam para mim e sua mão apertava a minha, tentando controlar-se para não criar o tipo de confusão que eu detestava. Sinto falta dos ciuminhos desnecessários de alguns amigos que se faziam constantes demais em minha vida.
Eu não sinto sua falta.
Sinto falta de te ver trabalhar concentrado no notebook e de trazer um café para ajudá-lo a manter-se alerta. Sinto falta da piscadela de agradecimento e do sorriso que iluminavam seus olhos castanhos.
Sinto falta da competição que fazíamos antes de dormir, em que nos olhávamos em silêncio até o mais cansado adormecer primeiro.
Sinto falta de acordar pela manhã e vê-lo dormir com a boca ligeiramente aberta, como uma criança exausta após um longo período de extasiantes brincadeiras. Agora só o que vejo ao despertar é a lembrança de que um dia você esteve ali.
Sinto falta de quando você me beijava no momento em que eu começava a falar sem parar sobre meus pensamentos alucinados e automaticamente fazia-os silenciar-se em meu cérebro. Eu tenho pensado demais outra vez… demais… demais… demais…
Sinto falta da ideia de que éramos perfeitos um para o outro, de que conseguiríamos atravessar todos os obstáculos em nome de algo maior. Sinto falta dos sonhos, das promessas, da história que registramos nas paredes do Universo.
Dos nomes planejados para os filhos que dizíamos não querer ter. Juliana, caso fosse menina. Maurício caso fosse menino. Sim… Eu sinto muita falta disso.
De você elogiando minha caligrafia após todos os anos que levei para aperfeiçoá-la. Dos poemas que você rabiscava em qualquer papel pela casa, dedicando-os à mim, mesmo não tendo noção de métrica ou estrutura.
Sinto falta do café da manhã, do almoço, dos lanches, dos jantares, das sobremesas e do ataque furtivo à geladeira às 3 da madrugada.
Sinto falta de tantas, tantas grandes coisas, de tantas pequenas coisas, tantas mínimas coisas…
Porém não sinto sua falta.
Eu juro, juro, juro que não sinto sua falta.
Mas eu sinto.

Carta Aberta Ao Sr. Medo.

love fear

Querido Medo,

Escrevo esta carta para comunicar-lhe que já é hora de colocarmos um ponto final em nossa relação. Você viveu dentro de mim por tanto tempo que muitos acreditavam que este era um casamento feliz. Inclusive eu pensava da mesma maneira. Achava que você me protegia das dores do mundo e muitas vezes o seu escudo foi necessário à minha sanidade. Mas nossa relação está desgastada e, sinto muito se estou sendo fria demais em escrever isso, não necessito mais de sua presença. Os anos passam, a gente cresce e amadurece, e nossos olhos passam a enxergar coisas que por tanto tempo viveram no escuro.
Eu conheci um outro alguém. O nome dele é Coragem e sua companhia me tem sido muito proveitosa. Coragem me leva a lugares onde nunca antes pensei chegar e consegue tirar o melhor de mim. Me sinto muito feliz e pronta para novos desafios, para enfrentar o ridículo e descobrir novas facetas de minha própria personalidade.
Acredite quando digo que tentei me relacionar com os dois, para que ninguém saísse machucado. Acreditava verdadeiramente que poderia me jogar no mundo e me manter protegida ao mesmo tempo. Entretanto, como pode perceber, isso não foi possível. Coragem é alguém bastante expansivo e está ocupando todo o espaço vazio que há em mim. Espero que consiga compreender a minha escolha.
Agradeço-lhe por todos esses anos de companhia e prometo esquecer todos os males causados por seu profundo zelo para comigo. São águas passadas, querido, e ambos devemos tirar boas lições destas experiências.
Se me permite um conselho em nome de todos os anos de companhia, acho que você deveria procurar um profissional para tratar dessa sua obsessão em anular a vida de outras pessoas, obsessão que você prefere chamar de “proteção”. Estamos no mundo para dar a cara à tapa, para nos machucar a qualquer momento e aproveitar ao máximo a existência que nos foi dada. É normal amar, chorar, sofrer, se decepcionar, se frustrar, errar… Machuca, é verdade, mas aprendi muito com a minha amiga dor e sem ela não há crescimento. Você está fazendo mal a si mesmo e a todos que tentam amá-lo e anseio pelo dia em que enxergará a realidade de sua situação. Desejo a proximidade deste dia com afã. Desejo-lhe também toda a felicidade do mundo e espero que aceite de bom grado nossa separação. Será melhor para os dois, acredite.

Com toda a sinceridade,
Amor.

Detalhes.

nico

Passei a amá-lo nos detalhes.
Como quando sorri e provoca pequenas ruguinhas debaixo de seus olhos. Ou quando franze o nariz ao sorrir, tentando sair de um clima de desconforto.
Passei a amá-lo quando notei as sardas quase imperceptíveis em uma linha que começa um pouco abaixo do olho direito, passa sutilmente pelo nariz, para terminar um pouco abaixo do olho esquerdo. Levei algum tempo para notar. São tão fraquinhas que só é possível percebê-las com o sol ou com alguma luz muito forte batendo diretamente em seu rosto. É preciso prestar bastante atenção para vê-las. E ultimamente não tenho feito outra coisa.
Seus olhos não chamam atenção por serem azuis, verdes ou qualquer outra cor que apenas uma mínima porcentagem da população mundial possua. Seus olhos são castanhos, simples, como os da maioria. Mas têm o poder de te arrastar para dentro deles sem que você tenha qualquer direito a uma escolha. Ele fala e você mal presta atenção, desejando ver o seu próprio reflexo morando para sempre naquele mar castanho. E por observá-los tão atentamente, posso jurar que eles mudam de cor quando ele está animado em relação a alguma coisa. Ficam mais claros, como se uma luz invisível acendesse detrás de sua íris. Por esse motivo, tento fazê-lo sorrir sempre que posso. Porque nada é mais inebriante do que ver a cor dos olhos do homem amado mudarem por sua causa.
E sua voz… Ah! Sua voz é como Nocturno Opus N°2 de Chopin deslizando por meus ouvidos. É suave. Me passa uma sensação de tranquilidade tão forte que apenas desejo fechar os olhos e sentir minha alma ser carregada por aquele som. Porém não é sempre assim. Quando ele está com raiva e transtornado, as palavras arranham em sua garganta. É como o rosnado de um cachorro que faz de tudo para defender o seu território. É áspero e amedrontador.
O cabelo liso – da exata cor e tonalidade de seus olhos – cai sobre a testa numa modesta franja, que não passa um milímetro sequer de suas sobrancelhas grossas. Se ele soubesse o quanto me enlouquece ver seus dedos bagunçando aqueles fios castanhos quando está cansado, com certeza não o faria com tanta frequência.
Ele não se envergonha muito facilmente, mas, quando acontece, sinto meu coração encolher quando o vejo afundar ambas as mãos no bolso e encarar o chão. Depois do momento constrangedor, ele olha cautelosamente para cima e observa se já está livre daquela sensação desagradável e corrosiva. Ao sentir-se seguro outra vez, seus lábios desenham um sorriso torto. Suas mãos colocam graciosamente os óculos escuros sobre o rosto e torna a andar com a mesma confiança e beleza de sempre.
Ele é como um vício do qual você não consegue largar. Abre um buraco em mim quando se afasta ou se penso que posso perdê-lo a qualquer instante. Ele é pior do que chocolate, heroína ou café. Porque não existe nenhum exame ou pesquisa que comprove o quanto uma única dose de seu beijo pode levá-la à dependência e, consequentemente, ao delírio.
Passei a amá-lo nos detalhes e o detalhe é que ele não faz ideia do que provoca em mim.

Diga-me Que Você Irá Abrir Os Olhos…

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“Get up, get out, get away from these liars
‘Cause they don’t get your soul or your fire”
– Open Your Eyes, Snow Patrol

 

Vejo seu corpo caído, os ombros abaixados. Os olhos – um dia tão brilhantes e inspiradores – agora se fecham em nuvens de lágrimas. Seus lábios murmuram que a vida aconteceu. Agora você vê os monstros que se escondiam embaixo de sua cama refletidos nos olhos das pessoas à sua volta. Não há lugar para fugir, não há lugar para ir.
Você se diz que não tem mais forças, que parece difícil até de respirar. Como se salvar, como escapar se parece não haver abrigo em nenhum lugar?
A saída existe, existe sim. Você apenas precisa enxergar.
Vamos, garota! Levante-se! Não tenha medo do ridículo! Vá em frente, meta a cara, não hesite em sujar as mãos e deixar o trabalho feito! Ridículo é se esconder entre quatro paredes até que a forte chuva passe. Ela é fria, pesada e assustadora, mas eu garanto uma coisa: ela não mata.
Diga o que você quiser dizer, faça o que você quiser fazer. Desde que não machuque a ninguém, é válido. E se machucar a si mesma, é aprendizado. As pessoas irão apontar e criticar se você fizer isso. E elas também irão apontar e criticar se você não fizer, se tentar agradá-las, segui-las e juntar-se a seu maquiavélico mundo. É inerente ao ser humano julgar, criticar e falar e falar sem parar. Não importa o quanto você se esforce, não importa qual caminho escolher trilhar, vai acontecer. Acredite, eu já tentei. E por muito tempo. Já estive em seu lugar exatamente como agora.  E esse é o melhor conselho que eu posso dar: siga sua intuição, mesmo que eventualmente ela a coloque em uma rua sem saída. É apenas a vida te obrigando a usar sua massa encefálica para que desafie a gravidade, para que desafie o que os medíocres chamam de realidade, e aprenda a voar. É a vida obrigando-a a usar os músculos, para que quebre inúmeras paredes até encontrar a estrada que a leve aonde você precisa estar.
Siga sua intuição, não importa o que digam. Porque trair os outros é muito errado, mas trair a si mesma é imperdoável.
E cada vez que sentir o desespero chegar, antes de debruçar-se sobre a janela e gritar por um super-herói, nunca, jamais se esqueça de antes olhar-se no espelho. É em seu reflexo que você encontrará toda a salvação que precisa.

Para Algum Lugar Além do Arco-Íris.

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Mais uma noite de ventania e eu continuo aqui, querendo companhia. A sua. Somente a sua.
É incrível como essa necessidade surge repentinamente apenas com o barulho do mundo voando lá fora. Não há seus braços para me protegerem do ar frio e nem sua voz cantando ao pé do meu ouvido.
Só há chuva, vento e vazio.
Galhos batem à minha janela, pedindo para entrar. Pedem abrigo, pedem um lugar escuro e seguro para poderem sossegar.
Às vezes desejo que o vento me leve para algum lugar além do arco-íris, para um lugar a qual pertença. Como Dorothy arrastada por um tornado até a terra mágica de Oz, preciso voar através do tempo, invadir uma nova cidade, criar uma vida cheia de novidades, pois só assim irei esquecer toda a história que restou de nós.
Quero pisar em terras que nunca estive.
Quero matar saudades de pessoas que nunca conheci.
Preciso criar novas memórias, novos cenários, criar um novo mundo do qual você não pertença. Do qual você nunca tenha existido.
Preciso fazer de uma terra fictícia a minha realidade para só assim poder esquecer dessas saudades, dessa necessidade de ter aqui presente, mesmo que pareça impossível.
Mas não posso, é irreversível!
Sigo vendo sua sombra em minhas paredes, como se nunca estivesse saído daqui. Aperto os olhos, preciso dormir, mas sua voz parece se misturar com o sopro do vento, adentrando meus ouvidos, fazendo de toda esta noite um verdadeiro tormento. O seu espaço ao lado de minha cama ainda segue intocado, clamando para que você coloque seu peso novamente sobre o colchão e que nunca pense, jamais pense, em outra vez sair.
Não é justo! Você se foi, mas ainda está aqui. E ao mesmo tempo não está. E eu não sei, oh Deus, não sei por quanto tempo mais irei aguentar!
Não tenho para onde fugir e a tempestade lá fora continua a me afligir. Ponho as mãos sobre o rosto e peço: “Me leve, vento… me leve para longe daqui!”. Então abro os olhos e percebo que sequer me mexi.
Que decepção!
Sigo sem você, sem paz e sem arco-íris.
“Não há lugar como o nosso lar”. É o que Dorothy diz no final.
Mas sinceramente, este é o último lugar onde desejo estar.

Sou Mulher.

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Sou mulher.
Nasci do ventre de uma heroína que usou de toda a sua força para me colocar no mundo.
Sou rainha, sou guerreira.
Sou amante, sou patroa.
Sou cantora de chuveiro, atriz no palco da vida, gerente de minhas emoções e escritora de meu próprio caminho.
Sou mulher.
Tenho um homem na minha vida, mas não preciso de um homem pra viver.
Entendo de futebol, sou capaz de trocar um chuveiro e manejo muito bem um carro como manejo o fogão.
Sou mãe, avó, neta, tia e sobrinha.
Sou mulher.
Trabalho, estudo, limpo casa, faço comida e tudo isso num só dia.
Tenho TPM, troco de humor como troco de roupa, o chocolate é meu melhor amigo e a balança minha pior inimiga.
Não sou sexo frágil.
Sangro todo mês, carrego por nove meses um bebê dentro da barriga, tenho que lidar com gracinhas ofensivas na rua e ignorar os olhares que veem meu corpo apenas como um objeto.
Quero igualdade de direitos, que me enxerguem como competente e que não tenham receio de dizer o quanto sou inteligente.
Quero trabalhar com dignidade, ser reconhecida de verdade e desejo que parem de subestimar a importância da maternidade.
Quero o mundo. Quero o mundo ao qual tenho direito!
Sou mulher.
Sou mulher hoje, amanhã e sempre.
E mereço respeito.

Assuma!

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Vamos lá, tire a máscara!
Vamos viver, vamos aparecer!
Será que não está cansada de tanto se esconder?
Assuma seus cabelos cacheados, seus cabelos crespos e até mesmo os armados.
Assuma as sardas em seu rosto, as ruguinhas ao redor dos olhos e as covinhas quando sorri.
Assuma aquela celulite, aquela estria, os quilinhos a mais que cismam em concentrar-se em sua barriga.
Assuma suas emoções, os afetos, as desilusões.
Assuma seus sentimentos: tanto para os outros, como para si mesmo.
Assuma suas dificuldades, sua falta de sanidade e até mesmo sua paixão pela liberdade.
Você merece ser amado de verdade!
Todos merecemos.
Então porque continuamos com toda essa falsidade?
Assuma! Assuma agora!
A partir de hoje. Todos os próximos dias.
Assuma seus anseios, seus sonhos, seus desejos, mesmo que não sejam aprovados por alheios.
Assuma suas paixões, suas tradições, suas contradições.
Assuma agora! Assuma sem receios!
Será que não está cansada de tanto se esconder?
Assuma de vez os seus defeitos.
Antes que eles sumam de vez com você.

A Gravidade.

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Eu lutei contra a física durante toda a minha existência.
Não só na escola, naquelas provas intermináveis com fórmulas intragáveis. Lutei contra a física fora de uma folha de papel também.
Quando era criança, tentava me agarrar naquelas barras de exercícios que estão presentes em qualquer espaço recreativo. Lembro quando pegava impulso e pulava, agarrando com minhas pequenas mãos as barras de ferro pintadas de verde. Eu segurava com toda a força, firmemente, sentindo o milagre que era ter meus pés alguns centímetros acima do chão. Apenas ficava lá, querendo, desejando, ansiando continuar suspensa no ar.
Mas não durava muito.
Em três segundos ou menos, minhas mãos escorregavam. Eram incapazes de sustentar o peso de meu corpo por mais tempo. Então eu caía, sempre caía, e era incrivelmente frustrante. E tentava de novo, e de novo, e de novo, e de novo, até meus dedos ficarem vermelhos e a tinta da barra grudar em minhas mãos suadas.
Mas era tudo igual, era sempre o mesmo.
Eram apenas 3 segundos até a gravidade me vencer.
E caía.

Sempre quis voar.
Sempre tive medo de altura.
Sempre me vi pega nesse paralelo do querer e não poder, de desejar e não ter coragem de tentar.
Mesmo que voar seja incrível, o céu fantástico e o vento favorável, o sonho é impossível.
Para os seres humanos é impossível.
Não só pelo fato de não possuirmos asas como as águias que bailam sobre o azul celeste do firmamento, causando inveja aos nossos olhos de bípedes.
Mas pela gravidade. Sempre pela gravidade.
Ela está presente, a postos para destruir o meu sonho alado.
E, de novo, eu caio.
E de novo é irritantemente frustrante.

Os anos passaram.
Sou adulta agora.
O corpo mudou, o mundo mudou.
Mas o sonho de voar permanece.
E a gravidade também.
Ela estará sempre aqui, onipresente, esperando com ansiedade minha próxima tentativa de ficar por mais de 3 segundos com os pés fora do chão.
Não importa o quanto eu tente segurar nas barras de ferro, não importa o quão alto meus pés saltem de um lugar para outro, sua força invencível estará pronta para me derrubar.
Não importa no que acredite, o quanto sonhe, o quanto deseje, ela me puxará para baixo.

O avião não conta, o avião não é nada.
Não quero apenas me descolar, eu quero voar!
Quero sentir o vento batendo em meu rosto, quero olhar para baixo sem temer cair, quero estar suspensa junto ao azul celeste sem que nada e nem ninguém possa me impedir.
Quero voar pelo simples fato de estar no ar, sem que a gravidade use seus dedos pesados e cruéis para me trazer de volta ao chão.
Quero simplesmente estar lá!
Oh, Deus!
Quero simplesmente voar!

O sonho de Ícaro sempre fez parte de meus anseios oníricos.
Divididos por mais de 2 séculos, unidos pelo mesmo desejo.
Mas toda boa história possui o seu perverso vilão.
O de Ícaro foi o sol.
O meu é a gravidade.