Sobre “Mulheres Que Correm Com Os Lobos” E Um Relato Pessoal

Sempre acreditei que os livros carregam uma espécie de magia. Eles têm o poder de te transportar para outros mundos, de mudar toda a sua vida em apenas algumas centenas de páginas e também de aparecer no seu caminho na hora certa, quando você mais estava precisando ler o que ele precisava lhe dizer. Penso que nem sempre escolhemos os livros… às vezes, sem que possamos perceber, são eles que escolhem a gente.
O livro “Mulheres Que Correm Com Os Lobos”, da psicóloga e escritora Clarissa Pinkola Estés, há três anos mora na minha estante e, apesar de ter uma vontade enorme de lê-lo, sempre acabava deixando pra depois e depois e depois até que ele passou todo esse tempo lá, intocado.
Desde a virada do ano eu tenho passado por uma profunda transformação emocional. A vida me obrigou a encarar meus piores medos, meus piores traumas para que pudesse sair do meu lugar de vítima e agarrar em minhas mãos minha verdadeira identidade, a me olhar no espelho e entender a mulher que sou e principalmente a mulher que quero ser. Nesse processo de profunda dor e autodescoberta, eu achei lá em janeiro um trecho em um site desse livro que definia perfeitamente o momento pelo qual eu estava passando e entendi que já estava mais do que na hora de encarar essa beleza de quase 600 páginas.
Nunca acreditei em coincidências e vejo o mundo como uma grande conexão, onde nos ligamos a certas pessoas e a certas coisas na hora certa. Mas a minha relação com esse livro foi além de qualquer explicação possível.
Nessa minha fase de “destruir para reconstruir” eu tive esse livro como guia, como se ele tivesse mesmo falando comigo. Ficava chocada como a cada trauma revivido, a cada monstro dentro de mim que eu precisava enfrentar, eu encontrava as respostas a cada capítulo lido. Pude ver todo o meu passado, todo o meu presente e prever o meu futuro a cada página virada. Em 4 meses eu adquiri uma sabedoria e uma compreensão de mim mesma como ser humano e, acima de tudo, como mulher, que não me foi possível em meus 28 anos vividos.
A leitura foi finalizada e eu ainda sigo no processo. Ainda tem muita dor pra curar, muito trauma pra entender e trabalhar, muita coisa pra evoluir. Mas sigo muito mais consciente do que eu quero, do que eu mereço e também amando muito mais o que sou e o que minha dor é capaz de produzir através da arte, da minha arte, essa arte que negligenciei por tanto tempo, mas agora não mais.
Desejo que toda mulher tenha contato com esse livro pelo menos uma vez na vida. Mas que chegue no momento certo, na hora em que você esteja mais precisando, para que ele possa ser apreciado e compreendido como deve ser. Para que ele dialogue com seus dilemas e suas dores. Para que ele ofereça respostas quando nada mais ao seu redor fizer sentido, nem você mesma. Para que ele também seja um caminho para a sua cura.
E como saber qual é o momento certo, quando você estará pronta para desfrutar dessa magia transmutada em palavras? Apenas deixe que ele chegue até você.
Os melhores livros sabem o caminho. Eles sempre sabem.

Charlotte: Uma Biografia Poética.

“Diante das incoerências maternas, Charlotte era dócil.
Domava sua melancolia.
É assim que nos tornamos artistas?
Acostumando-nos às loucura dos outros?”

Descobri o livro “Charlotte” em mais uma daquelas minhas costumeiras andanças por livrarias da cidade. Começa sempre da mesma maneira: entro na livraria pensando “sou vou entrar para sentir o cheiro dos livros e nada mais” ou “só preciso estar perto de livros para espairecer um pouco, mas prometo que não vou comprar nada” e saio de lá com mais um (ou dois, ou três…) livros na mão. A descoberta de “Charlotte” foi um encontro parecido com o que tive com “A Condessa Cega e a Máquina de Escrever”. Apenas um livro que eu puxei de uma estante qualquer, gostei da capa, gostei da sinopse e então resolvi arriscar. E é incrível como essa minha mania de encontrar livros avulsos e desconhecidos em estantes por aí sempre se mostra bastante recompensadora.
“Charlotte’, do escritor francês David Foenkinos, é uma biografia romanceada da pintora alemã Charlotte Salomon, morta em Auschwitz ao final da Segunda Guerra Mundial. O escritor tem uma verdadeira obsessão pela história desta mulher e mistura os fatos que aconteceram à ela desde o inicio de seus dias à peregrinação pela Alemanha e França atrás dos lugares onde ela pisou e o legado que deixou. Toda sua escrita é carregada de admiração e paixão, sentimentos estes que foram expostos de maneira bem interessante através de versos e não de prosa. É a primeira vez que leio uma biografia de alguém como se estivesse lendo uma poesia e gostei bastante da experiência, apesar de sentir que muita coisa se perdeu na tradução e que, em alguns momentos, a forma com que as palavras foram organizadas não fazia muito sentido em nossa língua.
Livros que envolvem a Segunda Guerra Mundial sempre me deixam com um nó na garganta ao imaginar o que todas aquelas pessoas passaram, principalmente as mulheres. Apesar da escrita de David Foenkinos ser bem fluida, o livro em si é denso, é triste e deixa uma sensação de ressaca após o término. Contudo, é uma leitura que vale muito a pena, principalmente por apresentar a nós, brasileiros, que em geral não temos muito contato com a arte alemã, principalmente porque a biografia não fala apenas de Charlotte, mas também menciona figuras importantes como Albert Salomon, pai de Charlotte e o médico que descobriu a cura para a úlcera; Paula Salomon-Lindberg, uma famosa cantora de ópera e madrasta de Charlotte; Ludwig Bartning, artista e professor na escola alemã de Belas Artes; além de nomear famosos e intelectuais como Kurt Singer, Aby Warburg e até uma breve aparição de Hannah Arendt.
Em tempos de exaltação à tortura e retorno à barbárie, livros como a biografia Charlotte são sempre um convite à reflexão e à lembrança de tempos obscuros e carregados de derramamento de sangue que não devem, jamais, voltar a nos assombrar.
“Charlotte” é um registro em forma de poesia de tudo o que pode haver de mais belo no mundo – e também de mais cruel.
Uma leitura imprescindível em qualquer época.

Título: Charlotte
Autor: David Foenkinos
Editora: Bertrand Brasil
Número de Páginas: 238

Vidas Secas E A Questão Da Identidade

Como todo livro clássico, Vidas Secas, de Graciliano Ramos, pode ser lido por diferentes aspectos. É possível abordar a seca nordestina e o sofrimento dos retirantes, a relação do homem com os animais ao seu redor, a inteligência de Sinhá Vitória, que mesmo não tendo estudo sabia contar e mantinha a estrutura da família, entre tantos outros temas. Eu abordarei Vidas Secas pela perspectiva da identidade – ou a falta dela – de Fabiano, o protagonista do livro.
Fabiano é nordestino, analfabeto, homem do campo. “Um bruto”, como costuma referir a si próprio inúmeras vezes. Ele e a família – a mulher, dois filhos e a cachorra Baleia – são retirantes, obrigados a se deslocarem a pé por terras e terras para fugirem da seca. Depois de muita luta na estrada, a família de Fabiano se abriga em uma parte abandonada de uma fazenda. Alguns dias depois, o dono aparece e, após uma conversa, acaba contratando Fabiano como vaqueiro.

Na página 18 podemos observar o seguinte trecho: “Ele não era um homem. (…) Encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra”.

Na página 36: “Difícil pensar. Vivia tão agarrado aos bichos… Nunca viu uma escola. Por isso não conseguia defender-se, botar as coisas nos seus lugares.”

Na página 55: “Tinha um vocabulário quase tão minguado como o do papagaio que morrera no tempo da seca.”

Os três trechos apontam a falta de identidade de Fabiano. Por não saber ler, nem escrever, não sabia se expressar. Seu vocabulário era limitado, falava através de murmúrios, onomatopeias, o que o reduzia quase a um animal. Se um homem não pode ser identificar como homem, então o que é? Qual o seu papel no mundo? Para onde poderá ir, o que poderá alcançar?
No caso de Fabiano era mais fácil saber-se uno com os bichos, já que, assim como ele, também murmuravam, existiam através de ruídos e eram jogados para lá e para cá dependendo da condição do ambiente. Os homens brancos, como seu patrão, não se assemelhavam a ele: tinham terras, sabiam mandar, sabiam ler e contar, tinham estudo, eram gente. Apesar da biologia, eles não eram iguais e o nunca o seriam perante a sociedade.
É perturbador refletir que uma pessoa de carne e osso, que pensa, que – mal ou bem – fala e vive se sinta mais parecido com uma cabra do que com um ser humano. E é mais perturbador ainda saber que, como Fabiano, existem milhões por aí, principalmente em nosso país, em nossa esquina, que se sentem e vivem da mesma forma.

Um outro trecho, na página 76, diz: “Como ele era manipulado por não saber nada. E como ele temia saber e ser obrigado a sair de sua situação de bicho.”

Fabiano não sabia de nada desde que nascera. Seu conhecimento era de terras, de vida dura, do sertão. Não conhecia-se nem como gente e o reconhecer-se bicho já fazia tanto parte de sua personalidade – talvez a única identidade que possuía – que ele temia sair dessa condição. Se por acaso viesse a aprender a ler, escrever e ganhar algum saber, ele seria obrigado a perder essa identidade de animal e adquiriria uma identidade de homem. E então, o que seria dele? Pode ser apavorante para uma pessoa que não tem nada imaginar-se num mundo onde se tem tudo.
“Se aprendesse qualquer coisa…”, relata o narrador na página 22, “necessitaria aprender mais, e nunca ficaria satisfeito.” Como em Fabiano, o saber causa medo a muita gente. Não é difícil ouvir dizer por aí que ler muito pode enlouquecer as pessoas, que livros manipulam a cabeça dos jovens e alguns mais radicais colocam até o diabo na questão. Mas Graciliano mostra que é justamente o contrário: quanto mais se lê, quanto mais se sabe, mais um homem pode fazer cargo da própria vida. Quanto mais se aprende, mais um homem, pode evitar ser manipulado, mais um homem pode expressar suas ideias, sentir-se dono de seu próprio ser e ser livre para pensar e criticar tudo ao seu redor. Não à toa a primeira atitude de governos totalitários é queimar livros que ofereçam “perigo” ao poder instituído. Porque não há arma mais forte e mais poderosa que o saber. E junto com o saber vem a crítica, a luta por um mundo melhor e uma humanidade mais justa. Entretanto, o saber crítico dá trabalho e como dá! É necessário muita leitura, direcionamento por parte de professores preparados, força de vontade para sair de sua bolha, de sua zona de conforto e olhar o mundo como algo que vai muito além de você e do seu quadrado. Muitas pessoas não querem – ou não foram ensinadas – ir além de sua ignorância.
Ninguém nunca disse a Fabiano que ele poderia ser homem. Que ele tinha direito a ser homem, não biologicamente falando, mas sociologicamente. Por isso, ele nunca se sentiu e nem sabia que era possível se sentir como homem.
Um personagem que se mostra diferente devido a seu saber e costuma aparecer freqüentemente no livro, apesar de ser apenas na fala e na lembrança de Fabiano, é o Tomás da bolandeira, um homem do sertão como ele. Porém, segundo o protagonista, Tomás da bolandeira “falava bem, estragava os olhos em cima de jornais e livros” e Fabiano sentia uma certa inveja de como o velho se expressava com eloqüência. Ele tentava imitar o respeitado senhor versado em livros, mas nunca dava certo, sempre se atrapalhava com as palavras, pois “um sujeito como ele não havia nascido para falar certo.” (pág. 22) Como não conseguia ir além de um par de palavras ditas, Fabiano encolhia-se como bicho e retornava à toca da ignorância. Para ele, não poderia haver nada além disso.
Graças à sua rudeza, Fabiano era constantemente enganado pelas pessoas ao seu redor, principalmente pelo patrão, que lhe pagava menos do que o merecido, o que foi descoberto por sua astuta esposa, Sinhá Vitória. Quando Fabiano foi questioná-lo, este usou de seu poder para lhe dizer que procurasse trabalho em outro lugar, tendo a perfeita ciência de que o maior medo daqueles que têm pouco é terminar sem nada. Diante da ameaça, o protagonista encolhe-se outra vez e pede desculpas, alegando que sua esposa deve ter feito algum cálculo errado. Fabiano sai do encontro ainda empregado, porém, ainda mais ciente de sua inexistência como homem.
Graciliano Ramos é considerado um dos maiores autores da literatura brasileira e Vidas Secas exemplifica bem o porquê disso. O livro é carregado de denúncias sobre a injustiça das classes sócias, do abuso de poder, e da miséria física e psicológica que sofre a maior parte da população brasileira. Lançado 1938, o autor escreve sobre um Brasil que ainda conhecemos em 2018. O que mudou de lá pra cá? Quantos milhões de Fabianos, que não tem nem o direito de saber assinar o nome, existem por aí? Quantos mais continuarão a existir nos anos que se seguirem?
Parafraseando o narrador, o povo brasileiro trabalha como um negro e nunca arranja a carta de alforria. E há muitos donos de escravos – sejam eles de barro nas calças ou de terno e gravata – que querem que tudo continue assim.

Livro: Vidas Secas
Autor: Graciliano Ramos
Editora: Record
Número de Páginas: 155

3 Poemas Do Livro “Retrato Do Artista Quando Coisa”, de Manoel De Barros.

 

6.

Aprendo com abelhas do que com aeroplanos.
É um olhar para baixo que eu nasci tendo.
É  um olhar para o ser menor, para o
insignificante que eu me criei tendo.
O ser que na sociedade é chutado como uma
barata – cresce de importância para o meu
olho.
Ainda não entendi por que herdei esse olhar
para baixo.
Sempre imagino que venha de ancestralidades
machucadas.
Fui criado no mato e aprendi a gostar das
coisinhas do chão –
Antes que das coisas celestiais.
Pessoas pertencidas de abandono me comovem:
tanto quando as soberbas coisas ínfimas.

9.

Quando o mundo abandonar o meu olho.
Quando o meu olho furado de belezas for
Esquecido pelo mundo.
Que hei de fazer?
Quando o silêncio que grita de meu olho não
For mais escutado.
Que hei de fazer?
Que hei de fazer se de repente a manhã voltar?
Que hei de fazer?
– Dormir, talvez chorar.

11.

A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou – eu não
aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre
portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que
compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora,
que aponta lápis, que vê a uva etc. etc.
Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.

Extra:

Sabedoria pode ser que seja ser mais
estudado em gente do que em livros.

3 Poemas De Mia Couto, Do Livro “Poemas Escolhidos”

Rede

 

Mia Couto é conhecido por fazer poesia em prosa em seus livros de ficção. Ganhador de grandes prêmios, inclusive o Prêmio Camões, o mais importante em língua portuguesa, o autor de “Terra Sonâmbula”, traz neste livro poemas selecionados, que sintetizam sua obra poética até o momento.
Aqui estão meus três poemas favoritos do livro:

Doença

O médico serenou Juca Poeira.
Que ele já não padecia da doença
Que ali o trouxera em tempos.

E o doutor disse o nome
Da falecida enfermidade:
“Arritimia paroxística supraventricular”

Juca escutou, em silêncio,
Com pesar de quem recebe condenação.

As mãos cruzadas no colo
Diziam da resignada aceitação.

Por fim, venceu o pudor
E pediu ao médico
Que lhe devolvesse a doença.

Que ele jamais tivera
Nada tão belo em toda a sua vida.

Sementes

Olhos,
vale tê-los,
se, de quando em quando,
somos cegos
e o que vemos
não é o que olhamos
mas o que o olhar semeia no mais denso escuro.

Vida
vale vivê-la
se, de quando em quando,
morremos
e o que vivemos
não é o que a vida nos dá
nem o que dela colhemos
mas o que semeamos em pleno deserto.

A espera

Aguardo-te
como o barro espera a mão.

Com a mesma saudade
que a semente sente do chão.

O tempo perde a fonte
e a manhã
nasce tão exausta
que a luz chega apenas pela noite.

O relógio tomba
E o ponteiro se crava
No centro do meu peito

Fui morto pelo tempo
No dia em que te esperei.

 

 

Sejamos Todos Feministas – O Livro Que Toda Pessoa Deveria Ler

hibisco-roxo

“A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura.”

“Sejamos Todos Feministas”, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, é um ensaio derivado de uma palestra que a escritora ofereceu em uma conferência Ted em dezembro de 2012. Chimamanda foi aplaudida de pé e a palestra fez tanto sucesso que a autora reescreveu alguns trechos e lançou uma nova versão em livro.
No ensaio, a autora aborda o tema da desigualdade de gêneros e nos mostra alguns exemplos que ela, amigas e conhecidas (com as quais todas as mulheres seguramente vão se identificar!) sofreram por causa do machismo que povoa quase todas as culturas desde o início dos tempos. Chimamanda também conta casos de amigos homens que, apesar de serem boas pessoas, também mantinham atitudes e pensamentos machistas e excludentes, devido a uma educação que ensina, tanto aos meninos quanto às meninas, que os homens devem escolher e mandar e as mulheres apenas obedecer. Esse tipo de educação não pode mais ser perpetuada nos dias de hoje.
“Precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente”, diz a autora em um dos trechos do livro. Não podemos querer que o conceito de uma sociedade mude se continuamos a educar as nossas crianças da mesma forma com que nossos pais nos criaram. Se ninguém diz a uma menina que ela não deve se sentir inferior por causa de seu gênero ou se ninguém explica a um menino que uma garota tem os mesmos direitos e poderes que ele, não podemos esperar que eles se tornem adultos bem resolvidos e realizados.
“Sejamos Todos Feministas” é uma introdução do que é realmente o pensamento feminista. É um livro que pode e deve ser livro por qualquer pessoa, de qualquer idade, quer você se sinta homem ou se sinta mulher, quer você seja quem seja. O livro possui apenas 63 páginas de linguagem fácil e clara, seus olhos não irão ficar cansados e seu cérebro irá agradecer por poder absorver grandiosas informações.
O livro é apenas um ensaio pequeno e por isso não entra em questões mais profundas, que devemos procurar futuramente para nos inteirarmos mais sobre o assunto. Mas é uma enriquecedora introdução, principalmente para aqueles que ainda possuem ideias tão tortas e desinformadas sobre o que é o feminismo.
O feminismo não é o contrário do machismo, não é pregar uma troca de papéis onde as mulheres devem mandar e controlar o mundo enquanto os homens apenas precisam obedecer. Feminismo é libertar-se da ideia de que somos um gênero mais fraco, menor e incapaz de fazer e realizar as mesmas coisas. É ouvir o outro lado, é se interessar e admirar as diferenças entre os sexos e respeitar-nos acima de tudo como iguais. Somos todos seres humanos e queremos um mundo melhor para nossos descendentes. Comecemos por dar o exemplo.
O livro físico não custa mais do que quinze reais e a cópia digital grátis pode ser encontrada na Amazon.
Leia o livro, absorva as palavras, reflita e então permita que este pequeno livro chegue às mãos do maior número de pessoas possível. Espalhar palavras e ideias que abram a cabeça das pessoas é nosso dever como individuo em uma sociedade. Se queremos mesmo um mundo melhor, façamos por onde.
Parafraseando Mário Quintana, livros são capazes de mudar pessoas e pessoas são capazes de mudar o mundo. Acredito que “Sejamos Todos Feministas” seja um destes livros.

Meus 7 Livros Preferidos De 2016!

livros

 

Li um pouco mais de 50 livros em 2016 e posso dizer que fiz ótimas leituras. Conheci autores novos, passei a amar mais ainda autores conhecidos e fui apresentada à novos conhecimentos e ideias que enriqueceram minha vida e mudaram minha maneira de pensar.
Escolhi sete livros que foram muito especiais para mim neste ano para ilustrar este penúltimo poste do Sonhos de Letras de 2016.
Eles são:

1) O Zen e a Arte da Escrita – Ray Bradbury

Neste livro o escritor americano apresenta ótimas dicas e hábitos a escritores iniciantes (aliás, foi por causa deste livro que comecei o projeto #52contos que, vergonhosamente, ainda não terminei, apesar de já ter passado o período de um ano… mas sigamos em frente, em 2017 eu termino!). Mais do que uma lista do que um jovem escritor deve ou não fazer, “O Zen E A Arte Da Escrita” é uma injeção de ânimo para os que estão a ponto de desistir de entrar para o mundo literário. Bradbury nos mostra que até os maiores escritores tem seus defeitos, que ninguém nasce sendo um ótimo escritor (bem, talvez Victor Hugo seja uma exceção, mas enfim…) e que só atingiremos excelência se praticarmos nosso ofício todos os dias e que, para isso, temos que enfrentar nossos piores rascunhos.
É livro indispensável a todos que querem realmente seguirem a profissão pelo amor à escrita.

2) Poemas Místicos – Rumi

Rumi foi um poeta sufista, nascido no século XIII na região que hoje é conhecida como o Afeganistão.
Fui atrás do livro pois já tinha lido alguns poemas de Rumi pela internet e porque também queria conhecer mais uma religião que sempre me pareceu fascinante.
“Poemas Místicos” acalmou minha mente, me apresentou novas maneiras de olhar a vida e meu semelhante, e me apresentou a uma religião que tem a arte como base fundamental para se chegar a Deus. Ao final deste livro eu só tinha um sorriso no rosto e uma paz inexplicável dentro de mim.
É um livro mágico, com certeza.

3) A Mulher Calada – Janet Malcolm

Em “A Mulher Calada”, Janet Malcolm faz muito mais do que uma das milhares de biografias da poetisa americana Sylvia Plath. Ela não só conta a vida de Sylvia e de seu casamento conturbado com Ted Hughes, como também escreve sobre o relacionamento que manteve com a família Hughes durante o processo de preparação para a biografia de Sylvia. Janet tem uma escrita envolvente, que faz o leitor pensar que está lendo um romance e não uma biografia. Ela nos deixa loucos para saber o final, por mais que todos que conhecem minimamente Sylvia Plath estejam cientes do final de sua triste história.
O que mais gostei neste livro foi o fato da autora nos apresentar um Ted Hughes e uma Sylvia Plath humanos. Sylvia e Ted trocavam papéis de vítima e algoz numa relação doentia para ambos, o que desmistifica a imagem que fazem de Sylvia como o pobre cordeiro comido pelo leão. No fim, uma relacionamento pertence apenas a duas pessoas e apenas elas sabem o que passou e como se sentiram. Não cabe ao mundo santificar Sylvia e demonizar Ted. Não cabe a nenhum de nós sentenciar outros por algo que apenas podemos imaginar.
Livro indicadíssimo a todos os juízes de plantão que pensam saber mais sobre a vida de terceiros do que eles mesmos.

4) Cartas A Um Jovem Poeta – Rainer Maria Rilke

Comecei esse livro pensando que era sobre dicas de escrita e poesia à um jovem poeta, como diz claramente o titulo do livro. As cartas de Rainer Maria Rilke são de fato o que o titulo propõe, mas vão muito, muito além disso! Posso seguramente dizer que este livro foi um dos responsáveis por mudar minha visão de mundo neste ano e que sou uma pessoa melhor porque o li.
“Cartas A Um Jovem Poeta” é um chamado para a vida, um abraço para jovens corações perdidos que ainda não sabem pra onde estão indo e uma força para que levantemos da cama e sigamos em frente, mesmo sem destino, mesmo ainda sem sonhos ou perspectivas.
Leitura mais do que necessária a todos os jovens que ainda não se encontraram no mundo.

5) O Caçador de Histórias – Eduardo Galeano

Eduardo Galeano sempre entrará para qualquer lista de livros favoritos de minha vida.
Em “O Caçador de Histórias”, livro lançado postumamente, Galeano nos mostra porque é mesmo um caçador de histórias. Ele possui um dom que raramente se encontra nos dias de hoje, que é simplesmente ouvir. Galeano conta em seus livros histórias de povos, lendas, mitos e sobre pessoas que não entraram para os livros de História, mas que tiveram uma vida admirável e inspiradora . Este último livro encerra o ciclo desta admirável pessoa que nos abriu portas a tantos conhecimentos e nos aproximou de culturas longínquas. Quando a última página é virada, encontramos o silêncio e o vazio que a ideia da falta de Galeano neste mundo nos provoca. Só nos resta buscar suas palavras em livros passados e ainda bem que existem muitos deles para serem lidos.
Destaque também para a introdução emocionante de Eric Nepomuceno, tradutor e amigo de longa data do escritor uruguaio.

6) O Povo Brasileiro – Darcy Ribeiro

Quando encontrei este livro perdido na casa de minha avó, jamais imaginei que viria a se tornar um dos livros mais importantes de minha vida. O resgatei de uma bolsa que iria para doação porque queria algo para ler no ônibus e já nas primeiras páginas fui envolvida pelas palavras deste grande brasileiro que fez tanto por nosso país.
“O Povo Brasileiro” é indicadíssimo para todos aqueles que não gostam ou não morrem de amores pelo Brasil. Após uma pesquisa que durou mais de vinte anos, Darcy nos apresenta a visão do índio, do negro e dos povos que aqui se criaram após a colonização portuguesa, uma visão que com certeza você não viu na escola.  Misturando dados históricos com uma escrita apaixonada, o autor nos arrasta pela História do Brasil para fazer entender como chegamos até aqui, no meio de tanta riqueza para poucos e tanta pobreza para muitos. E apesar de todo o sofrimento e injustiça que sofremos desde que os portugueses aqui pisaram reclamando esta terra como sua, ainda conseguimos criar uma nação maravilhosa, apesar de bastante imperfeita.
Passei a enxergar nossa história e nossa gente com muito mais amor após este livro e se antes sonhava com uma vida em outro país, agora não sonho mais. Esta terra é muito especial e há muito trabalho ainda a ser feito por aqui. Sejamos todos Darcy Ribeiro e lutemos pela melhor parte de nosso Brasil.

7) A Condessa Cega e a Máquina de Escrever – Carey Wallace

Ainda não consigo superar este livro. Não sei quantos meses fazem desde que terminei de lê-lo e que fiz a resenha, mas a verdade é que ainda me pego pensando em Carolina e Turri e segurando minha vontade de reler tudo.
Uma condessa cega e um rapaz completamente inteligente e maluco, quem poderia imaginar? Numa época em que só se veem os mesmos tipos de histórias de amor sendo lançadas a um ritmo frenético e enjoativo, a história de Carey Wallace veio para mim como um suspiro. Sentia muita falta de ler uma história de amor que tivesse significado, que fosse bem tratada, e que não parecesse uma receita de bolo para chegar ao número 1 de qualquer lista de Best-Sellers.
É verdade, o final é um pouco decepcionante (dependendo de como você interpreta o livro!) e talvez Carolina e Turri merecessem algo melhor, mas se é o caminho que importa e não o final, então o livro é perfeito.
Talvez o meu livro preferido de 2016…

5 Conselhos de Rainer Maria Rilke Para Jovens Escritores

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“Cartas A Um Jovem Poeta” é um livro muito amado entre grandes escritores. Em sua carta ao  então jovem poeta alemão Franz Xaver Kappus, Rainer Maria Rilke oferece não apenas conselhos preciosos para quem quer se tornar poeta ou escritor, mas também conselhos para a vida, que ajuda a acalmar um coração jovem, inseguro e desesperado por respostas prontas à duvidas angustiantes.
Nosso grande poeta Manuel Bandeira, em entrevista a Homero Senna no livro “República das Letras”, disse que costumava recomendar o livro de Maria Rilke aos jovens poetas que iam até ele em busca de uma opinião experiente sobre sua própria poesia.
Após a leitura do livro compreendi porque esta pequena obra é sempre tão citada como essencial no meio literário. Vale a pena cada linha, seja você um aspirante das letras ou não.
Aqui estão meus cinco trechos favoritos:

1. “Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto, acima de tudo, pergunte a si mesmo na hora mais tranqüila de sua noite: ‘Sou mesmo forçado a escrever?’. Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples ‘sou’, então construa sua vida de acordo com essa necessidade.”

2. “Relate suas mágoas e seus desejos, seus pensamentos passageiros, sua fé em qualquer beleza – relate tudo isto com intima e humilde sinceridade. Utilize, para se exprimir, as coisas de seu ambiente, as imagens de seus sonhos e os objetos de suas lembranças. Se a própria existência cotidiana lhe parecer pobre, não a acuse. Acuse a si mesmo, diga consigo que não é bastante poeta para extrair suas riquezas. Para o criador, com efeito, não há pobreza nem lugar mesquinho e indiferente. Mesmo que se encontrasse numa prisão, cujas paredes impedissem todos os ruídos do mundo de chegar aos seus ouvidos, não lhe ficaria sempre na infância, essa esplêndida e régia riqueza, esse tesouro de recordações? Volte a atenção para ela.”

3. “Leia o menos possível trabalhos de estética e crítica. Ou são opiniões partidárias petrificadas e tornadas sem sentido em sua rigidez morta, ou hábeis jogos de palavras inspirados hoje numa opinião, amanhã noutra.”

4. “Ser artista não significa calcular e contar, mas sim amadurecer como a árvore que não apressa a sua seiva e enfrenta tranqüila as tempestades da primavera, sem medo de que depois dela não venha nenhum verão. O verão há de vir. Mas virá só para os pacientes, que aguardam num grande silêncio intrépido, como se diante deles estivesse a eternidade. Aprendo-o diariamente, no meio de dores a que sou agradecido: a paciência é tudo.”

5. Não busque por enquanto respostas que não podem ser dadas, porque não as poderia viver. Pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga viver a resposta.

E um conselho extra, que serve não só para escritores, como para qualquer ser humano:

“Como esquecer os mitos antigos que se encontram no começo de cada povo: os dos dragões que num momento supremo se transformam em princesas? Talvez todos os dragões de nossa vida sejam princesas que aguardam apenas o momento de nos ver um dia belos e corajosos. Talvez todo o horror, em ultima análise, não passe de um desamparo que implora o nosso auxílio.”

Resenha 15 – A Condessa Cega E A Máquina De Escrever

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“Eu vagava pela floresta havia dias. Você era, pelo que me lembro, um pequeno córrego que não constava de nenhum mapa. Eu mesmo não a marquei no meu, pensando em mantê-la como um segredo, mas, por outro lado, nunca consegui achar o meu caminho de volta.”

Sou apaixonada por descobrir livros desconhecidos. Livros dos quais você nunca ouviu falar e nem sequer conhece o seu autor. Todos nós (espero!) já nos deparamos com um livro assim: aquele que você encontra no cantinho das enormes prateleiras de uma livraria e sente uma imediata conexão com a capa e com a sinopse. É uma compra arriscada, de fato, pois é complicado gastar dinheiro em algo tão desconhecido para depois, quem sabe, odiar. Mas em todas as minhas compras “arriscadas”, até o presente momento, fui muito feliz. E o livro  “A Condessa Cega e a Máquina de Escrever” foi mais um que entrou para essa lista de descobertas magníficas.
Apesar da escritora Carey Wallace ser americana, a história se passa na Itália do século XIX. Carolina, uma jovem e bonita condessa, vai perdendo a visão gradativamente. Ela tenta alertar aos pais e ao noivo sobre o que está acontecendo, porém ninguém acredita em suas palavras. Só quem lhe dá algum crédito é Turri, seu vizinho e melhor amigo. Conforme vai vendo o mundo se apagando com o passar dos dias, Carolina abre os olhos para o mundo mágico dos sonhos, muitas vezes ajudada pela imaginação irrefreável de Turri. Quando toda a luz se vai para sempre, ela ainda consegue se enxergar em sonhos e é isso que a mantém viva.
A protagonista da história é Carolina, mas Turri rouba as cenas nos poucos (talvez nem tão poucos assim, eu é que queria Turri presente em todas as páginas mesmo!) capítulos em que aparece. Dono de uma personalidade única e que vai na contramão do estilo da sociedade em que vive, Turri é marginalizado por suas invenções mirabolantes. Se tivesse recursos e oportunidades maiores, seguramente entraria para a História como algum cientista que mudou para sempre a forma como as pessoas vêem o mundo. Mas como está preso a um pequeno vilarejo na Itália, ele é apenas considerado louco, pois suas experiências nem sempre dão certo. Sua curiosidade é tão grande que Turri vive para descobrir respostas às coisas mais simples, como por que a chuva cai do jeito que cai ou por que jogar uma pedra sobre a água provoca sobre a mesma movimentos circulares. Ninguém tem paciência para as experiências de Turri, apenas Carolina, que muitas vezes também participa de suas invenções.
Carolina e Turri se complementam e se entendem, se enxergam além das aparências e se cuidam com tanta ternura que acaba sendo difícil para ambos manter tanto amor apenas mascarado de amizade, ainda que ambos sejam comprometidos. E é a partir de um presente especial de Turri que a vida de Carolina muda para sempre.
“A Condessa Cega e a Máquina de Escrever” vai muito além de uma clichê história fofa de amor, pois traz um final que alguns leitores acostumados com o mesmo enredo “príncipe-encontra-princesa-e-chega-o-final-feliz” podem não gostar muito. Apesar da escrita da autora ser carregada de poesias e metáforas que nos transportam ao mundo de sonhos de Carolina e Turri, é uma história bem verdadeira, onde todos os personagens que compõem o enredo parecem ser de carne e osso. E nada no nosso feio mundo real é preto no branco, a gente desliza mesmo por várias camadas de cinzas e imagino que o final do livro tenha de fato acontecido com muitos apaixonados do passado, que não puderam viver sua história de amor do jeito que sonharam devido às circunstâncias. Mas se olharmos o livro sob a perspectiva de que o verdadeiro amor é dar ao outro o poder de sonhar e de nos devolver a vontade de estar vivos, talvez consigamos ficar um pouco menos melancólicos.
Ame ou odeie o final, a verdade é que “A Condessa Cega e a Máquina de Escrever” é um livro que fica em você. Faz mais de duas semanas que acabei de lê-lo e ainda estou relendo alguns trechos para matar as saudades de Turri. Confesso que ainda estou numa ressaca literária com este livro e tenho certeza de que falarei sobre a ternura deste livro por muito e muito tempo…

Título: A Condessa Cega e a Máquina de Escrever
Autor: Carey Wallace
Editora: Rocco
Número de Páginas: 256

Escritor 34 – Eduardo Galeano

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Galeano nasceu em 3 de setembro de 1940 em Montevidéu em uma família católica de classe média de ascendência europeia. Na infância, Galeano tinha o sonho de se tornar um jogador de futebol; esse desejo é retratado em algumas de suas obras, como O futebol de sol a sombra (1995). Na adolescência, Galeano trabalhou em empregos nada usuais, como pintor de letreiros, mensageiro, datilógrafo e caixa de banco. Aos 14, vendeu sua primeira charge política para o jornal El Sol, do Partido Socialista.
Galeano iniciou sua carreira jornalística no início da década de 1960 como editor do Marcha, influente jornal semanal que tinha como colaboradores Mario Vargas Llosa e Mario Benedetti. Foi também editor do diário Época e editor-chefe do jornal universitário por dois anos. Em 1971 escreveu sua obra-prima As Veias Abertas da América Latina.
Em 1973, com o golpe militar do Uruguai, Galeano foi preso e mais tarde seu nome foi colocado na lista dos esquadrões da morte e, temendo por sua vida, exilou-se na Espanha, onde deu início à trilogia Memória do Fogo. Em 1985, com a redemocratização de seu país, Galeano retornou a Montevidéu, onde viveu até sua morte, em 2015.
Em princípios de 2007 Galeano caiu seriamente doente, mas recuperou-se, após uma bem-sucedida cirurgia em Montevidéu.
Galeano foi internado dia 10 de abril e morreu próximo das 9h em 13 de abril de 2015, em Montevidéu, de câncer no mediastino, após o tumor provocar metástase.

Fonte: Wikipédia

Principais Obras:

As Veias Abertas da América Latina (1971)
Memórias Do Fogo (1982 – 1986)
Os Filhos Dos Dias (2012)

Opinião Pessoal: Eduardo Galeano só perde para Virginia Woolf na minha lista de escritores favoritos. Sua capacidade de contar histórias, que ao mesmo tempo são narrativas e ao mesmo tempo poesia, me inspiram e me ensinam a ser uma escritora melhor cada vez que pego num livro seu.
Para aprender mais sobre a América Latina não tem escritor melhor. Ele conta trajetória do nosso continente através da vida das pessoas, histórias reais (talvez com um toquezinho de ficção) que atravessaram os piores períodos nas mãos dos ditadores e nosso povo, sempre sofrendo com a política torta que parece nunca se ajeitar. Seu livro mais famoso “As Veias Abertas Da América Latina” é respeitado mundialmente e usado em diversas faculdades.
Para minha sorte, Galeano tem uma obra imensa e ainda não cheguei a ler nem metade de seus livros. Mas daqui a alguns anos, mesmo quando  completar minha leitura de suas letras traduzidas, seguramente vou procurar ler toda sua obra no idioma original, para que, assim, eu nunca tenha que me despedir deste escritor que mudou para sempre minha forma de enxergar a Literatura e o nosso maravilhoso continente.