08 – Nelson Mandela

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“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.”

                                                               – Nelson Mandela

Ao ouvir a notícia da morte de Nelson Mandela nos jornais televisivos ontem à noite, lágrimas invadiram meus olhos. Já era de se esperar que algo assim acontecesse, dada à sua idade avançada e sua saúde debilitada desde a época do exílio. Ainda assim, todos recebemos a notícia com muita tristeza.
Não sou negra e nem sul-africana e acho que nem é necessário o ser para admirar este grande homem que nos deixou neste 5 de dezembro. Seu carisma, seu senso de justiça, toda a sua história de vida, digna de um filme de Hollywood, o fez ídolo entre pessoas de todas as raças, tribos e dos mais diferentes lugares.
Eu admiro muita gente. Sou quase uma colecionadora de ídolos. Amor ler biografias e saber mais sobre a vida de certos líderes, sejam políticos, religiosos, artísticos, etc. Nelson Mandela seguramente figurava entre os primeiros lugares desta minha “lista”. Fui conhecer sua história mais a fundo após o filme “Invictus” e desde então procurei saber mais sobre o ex-presidente da África do Sul. Para quem não conhece sua trajetória, aqui vai um pequeníssimo resumo: Desde jovem, Nelson Mandela mostrou-se insatisfeito com o abuso físico e mental que os brancos faziam sobre os negros na antiga África do Sul. Envolveu-se em seguidos movimentos estudantis até virar líder na luta contra o Apartheid (regime de segregação racial que durou de 1948 a 1994) e em 1964 foi preso e condenado à prisão perpétua por “conspirar” contra o governo. Passou 27 em cárcere, sujeito a trabalhos pesadíssimos, sem qualquer comunicação do lado de fora, sendo proibido de ler jornais ou até mesmo ouvir rádio. Porém, Mandela sabia que para se combater um inimigo, é necessário conhecê-lo primeiro. Sendo assim, fez questão de estudar e aprender o africâner, língua falada pelos brancos sul africanos, e tudo o que podia sobre o rugby, esporte favorito dos mesmos. Foi solto em 1990 e o que aconteceu depois todo mundo sabe: tornou-se não só o presidente da África do Sul, mas alguém admirado por todo o mundo.
Sua humildade é uma das características que mais admiro. Eu desconfio de qualquer líder que seja vaidoso e orgulhoso, colocando sua imagem e seus caprichos à frente da opinião do povo que este represente. Não me refiro só a lideres políticos, religiosos ou outros. Me refiro a qualquer pessoa que represente um determinado grupo. Antes de ser amado ou odiado, o líder deve ser respeitado. E o respeito só é possível quando é uma via de mão-dupla. Nelson Mandela tinha a plena noção disso. Desde o momento em que se tornou presidente, ele nunca se colocou acima de qualquer pessoa, seja esta negra, branca ou de qualquer outra raça ou tribo. Naquele lugar, ele não representava só o direito dos negros, que a muito custo o conseguiram, mas também dos brancos, pois estes também faziam parte da nação. Não seria lindo que os nossos políticos (e os de outros países também) usassem Mandela como exemplo e entendessem que não estão onde estão por um acaso do destino, mas por que o povo os colocou ali e eles têm a obrigação de nos representar? Infelizmente não é isso o que vemos.
O corpo de Mandela se foi, mas sua memória, sua história, sua alma continuará pairando sobre este globo por milênios. Que ele sempre seja um exemplo de aceitação, humildade, paciência e perseverança. Que suas palavras permaneçam em nossas mentes, em nossos corações, inspirando-nos a acreditarmos, não só em nós mesmos, mas em um planeta melhor, onde todos possam se respeitar como um único ser humano que somos, independente de raças, crenças, tribos, país etc. E que seu nome esteja sempre presente em nossos lábios como símbolo de lutas incessantes contra as adversidades e as muitas injustiças que ainda existem por aqui.
Que descanse em paz, Madiba.

Ps: Quem se interessa ou gosta de ler biografias, não deixem de comprar alguns dos muitos relatos sobre Mandela pelas livrarias. Para quem quiser sanar rapidamente a curiosidade, procure a sua história pelo Google. Garanto que será uma leitura enriquecedora.

O Nada.

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E então o nada.
O nada de palavras
O nada de ideias.
O nada de histórias.
Simplesmente o nada.

O nada de batidas.
O nada de sensações.
O nada de emoções.
Simplesmente o nada.

Aquele nada, aquele velho conhecido…
O nada de vazio.
O nada de “não vale a pena”.
O nada de nada.
Simplesmente o nada.

O nada de empolgação.
O nada de canção.
Só o nada, nada, nada.

Minha cabeça está vazia.
Talvez meu coração esteja também.
Onde estão as palavras?
Onde estão as canções?
Onde estão as respostas e as indagações?

Onde está o caminho, a rota de fuga?
Onde se encontra a estrada, a direção que busco?
Quem sabe?

Eu sei.
Estão ali, no nada.
Simplesmente no nada.

Esquizofrenia.

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Sussurros correm ao meu redor.
Em um quarto escuro, gelado, sombrio, eu me perco na negritude de minha própria alma. Cato pó de estrelas pelo chão. Procuro algum brilho ao redor que me fará abrir os olhos e enxergar o mundo à minha volta.
Mas não vejo nada.
Não há luz.
Não existem saídas de emergência e tampouco estradas mal iluminadas que me levem para qualquer lugar. Para qualquer lugar longe daqui.
Só há escuro, só existem os sussurros. E essas vozes continuam em meus ouvidos, arrancando pouco a pouco minha sanidade sem que eu possa agarrá-la  com meus dedos e trazê-la de volta para mim.
Quero pessoas. Quero agora.
É irônico perceber que fugi delas por toda a minha vida , mas agora são tudo o que eu mais preciso.
Quero carinho, necessito de um abrigo. Preciso de braços mornos que tenham a capacidade de envolver meu corpo e tirar todo o desespero sufocante que me impede de aspirar o ar puro necessário ao meu viver.

Agora elas se calam.
As vozes, os sussurros, os lamentos.
Deitada em minha própria cama como um feto, vejo-os pularem a janela, deixando uma trilha de desespero por cada lugar que pisaram.
Elas se calam e eu posso finalmente ouvir o som da minha alma. Posso escutar o pouco de vida que parece restar. De mim, deles. Já não sei, já não sei mais.
Posso escutar o gemido de meu corpo moribundo à espera de uma mão misericordiosa que me traga à vida.
Enquanto não aparece, enquanto não vejo os dedos preciosos ao meu socorro, permaneço aqui, banida, calada, derrotada.
Como sempre foi e sempre será, sigo na espera de uma nova vida surgir à minha frente. Uma vida sem vozes, sem sussurros, sem invasões surpreendentes no meio da madrugada ou gritos ensurdecedores à luz do dia.
Uma vida silenciosa e que jamais seja roubada de mim.
É só o que eu peço, Senhor… É só o que eu peço…

07 – Conselhos

bob

 

Pouco tempo atrás eu estava participando (muito contra a minha vontade, pra variar…) de uma reunião social onde eu estava conhecendo as pessoas ali presentes pela primeira vez. Tirando alguns familiares, poucos mesmo, perto das outras pessoas, eu estava completamente em ambiente desconhecido o que, para mim, não é algo fácil de se lidar.
Por mais que eu deteste esses encontros, eu sempre tento ser simpática (ou o menos antipática possível, depende do ângulo que você olhar), pois eu acho que ninguém tem nada a ver com o meu mau humor natural ou com a minha incapacidade de manter uma relação social como se fosse a coisa mais legal e divertida do mundo. Bem, eu juro que eu tento. Se eu consigo, já é outra história…
Nesse encontro, as pessoas começaram puxar assunto comigo ao ver que eu estava quieta, só escutando minhas músicas no celular e desejando que aquele dia acabasse logo. Novamente, eu quis ser legal, abri um sorriso falso e, mesmo com palavras curtas e breves, tentei manter a conversa pra ver se aquele dia se tornava um pouco menos desagradável. E então começaram as perguntas! Eu juro, eu não tenho nada contra as pessoas perguntarem qual a minha idade, o que eu faço, se eu estudo, o que eu quero ser… O problema é que, geralmente, em qualquer encontro social que eu tenha, todas as respostas que eu dou, se tornam como pretextos para pessoas começarem a dar conselhos.

Exemplos:
“- Você estuda?
– Sim, faço Psicologia.

(Ps: já desisti de dizer que eu quero e vou ser escritora para ser poupada daquele papo de que eu vou morrer de fome debaixo da ponte e que isso nem é um emprego de verdade)

– Ah, que legal! Tem muita oportunidade em empresas, você pode trabalhar com RH, fazer isso, fazer aquilo…
– Não, não, eu não curto muito empresas, sabe? Eu sou apaixonada por autistas desde quando era mais jovem, entrei na faculdade pra estudar mais sobre o assunto e pretendo trabalhar com isso de alguma forma no futuro.
– Mas você tem que pensar em ganhar dinheiro com isso também! Escuta o que eu to falando, empresas são o melhor caminho! Você pode fazer um concurso público, ter uma vaga cativa num lugar seguro, ganhar o suficiente para ter uma boa vida e garantir uma boa aposentadoria, blá, blá, blá, blá….”

Eu juro que eu tenho que calar a minha boca e sorrir da forma mais amarela possível, pois se alguma coisa sair de mim depois de escutar isso, o clima no local não irá ficar agradável e não ficará bem para os meus familiares.
Outra que eu escutei nesse mesmo dia, de uma pessoa diferente, foi:

– Você sai, se diverte, sai com as amigas?
– Mais ou menos… Até porque a maioria das minhas amigas são de internet. Mas eu…
– Ah, mas você tem que ter amigas normais, não de internet!

Sério, o que dizer depois dessa?
E detalhe: Se você perguntar a uma dessas pessoas qual é o meu nome, elas não vão saber, pois nem se deram ao trabalho de perguntar!

Eu não quero parecer arrogante ou debochada, onde só eu sei o que é certo pra mim e ninguém pode dar opinião na minha vida. Não é isso. Ainda que eu realmente não goste muito de ser contrariada, eu sempre peço conselhos. Acho que minhas amigas sabem o quanto eu chego a se irritante, porque eu vivo perguntando o que eu devo fazer, como eu devo prosseguir, o que elas acham, pra onde eu vou etc. Mas é isso, são AMIGAS, pessoas que me conhecem há cinco, seis anos ou até mesmo parente mais próximos, que já sabem e conhecem a minha personalidade, minha forma de pensar e que realmente vão poder me dar uma direção, opinar sobre o que é melhor pra mim. O meu problema com conselhos é que eles geralmente são dados por pessoas que, como estas, nem sabem o seu nome, te encontram pela primeira vez e começam a dissertar sobre como você deve levar a sua vida para ser feliz.
Eu sei que elas fazem isso com a melhor das intenções, eu não acho que ninguém diz isso pra me irritar, muito pelo contrário! Mas é fato que essas atitudes são equivocadas e, pior ainda, são feitas pela maioria das pessoas.
Isso não foi só nesse encontro. Ouço conselhos a minha vida toda de pessoas que mal sabem meu nome, mal sabem o que eu faço, mal sabem o que eu quero, o que desejo pra minha vida. E o engraçado é que, quem realmente poderia opinar sobre mim, como minhas amigas “anormais” da internet ou parentes próximos, só o fazem quando eu peço. Eu juro que eu realmente queria entender o que passa pela cabeça de alguém que fica fazendo um monólogo sobre como você deveria seguir sua vida para ser eternamente feliz, realizada e com dinheiro.
Talvez o mundo fosse mais fraterno e acolhedor se as pessoas começassem a entender umas às outras ou procurassem apenas a começar. Não seria melhor se tivessem me perguntado o meu nome primeiro? O que EU quero fazer da vida e como EU quero? Aí sim poderíamos começar uma conversa, uma troca, por mais que a pessoa comentasse que trabalhar numa empresa não é tão ruim assim ou que é complicado ter amigas tão longe. Então eu explicaria que empresas são boas sim, mas para quem foi feito para esse tipo de trabalho, o que realmente não é o meu caso. E explicaria também que eu sei que amizades de internet, apesar de serem bem normais, porque não vieram de Marte e sim do próprio Brasil (eu ainda estou no lucro, porque conheço pessoas que tem amigos ou até mesmo namoram gente do Japão, então acho que Rio Grande do Sul não é tão longe assim), são complicadas sim, que é difícil manter, cuidar etc., mas isso não quer dizer que não valham a pena e que eu não tenho mais ninguém ao meu redor aqui no Rio de Janeiro! Se esse interesse real realmente existisse, de conhecer o outro por ele mesmo, não apenas como um passatempo de um encontro social, talvez mais amizades “normais” pudessem existir e tais encontros não seriam tão sufocantes e irritantes como são para mim e, creio eu, para muitas pessoas também.

(Des) Inspiração.

des

 

Você só aparece quando não te quero
Na rua, no mercado, no chuveiro
Às 3 da manhã
Quando estou de olhos fechados
E geralmente quando não espero.

Aparece carregada quando somem canetas
Quando desaparecem cadernos, lápis ou
Qualquer instrumento usado para compor letras.

Aparece quando tenho sono, quando os olhos ardem
Quando a coluna grita e a dor invade
Cadê você às 3 da tarde?
Cadê você quando grito desesperada
Ou morro de saudades?

Minhas gavetas estão abertas
Onde está você?
Já sei! Foi procurar outro escritor para aborrecer!
Me deixou aqui sozinha, vazia
Completamente à sua mercê!

Por que você só aparece quando não te quero?
Por que você só aparece quando não espero?

Trabalhos a fazer, prazos a cumprir
Toda uma vida para resolver
Para desenvolver
E você não está aqui!
Qual é a graça de ficar sempre nesse ir e vir?

Você se acha tão importante
Tão brilhante e engraçadinha
Que nem notou, nem conseguiu ver
Que eu acabei de fazer um poeminha
Mesmo sem você.

Poema De Um Lutador.

boxe 3

 

Minha cabeça está baixa, a coluna está curvada.
Olho ao redor e não vejo nada.
Falo comigo mesmo e não ouço nada.
A derrota me atingiu em cheio; deu um tapa na cara.
Fui nocauteado e meus lábios beijam a lona da vida.

Está escuro; está deserto.
Não é seguro; estou incerto.
Olho ao redor e não vejo nada.
Falo comigo mesmo e não ouço nada.
Cansei, cansei de lutar.
Cansei de tanto tempo me esforçar, sentir meu corpo se esgotar e de nada adiantar.
Talvez não tenha nascido para isto.
Talvez minha luta não seja esta.

Vivo num mundo de vitórias. Onde os olhos brilham para o sucesso e as línguas se afiam para a derrota.
Pessoas te olham de soslaio, apontam, criticam, chovem palavras.
Tempestades de palavras que desamparam.
Tempestade de pessoas que nunca sequer tentaram.
Talvez não seja mais o mesmo, talvez nunca tenha sido alguém.

Quem sou eu?
Não sei.
Não tenho mais ninguém.
Olho ao redor e não vejo nada.
Falo comigo mesmo e não ouço nada.

Silêncio.

Vamos lá, vamos lá.
Vamos recomeçar.
Eu perdi, mas não me perdi.
Não posso, não devo…
Está escuro, mas não devo ter medo.

Todo lutador é formado de derrotas.
Todo campeão já várias vezes perdeu sua rota.
Se não vejo nada, preciso enxergar.
Se não ouço nada, preciso tentar.
Toda derrota abre um caminho; um caminho bifurcado.
Há duas trilhas a seguir: Tentar de novo ou desistir.
A vida me oferece essa escolha agora.
Estou no centro e preciso decidir.

Quem sou eu?
Não sei.
Talvez nunca saberei por completo.
Só sei que não sou mais o mesmo.
Olho ao redor e vejo o futuro.
Falo comigo e minha alma escuto.
Que falem, que critiquem… Façam chover!
Que façam chover as gotas ácidas de palavras, não vou morrer.
A pior derrota é a derrota para si mesmo.
E essa é uma luta que jamais irei perder.

Levanto a cabeça, ponho a coluna ereta.
Não há mais volta, já decidi minha meta.
Olho nos olhos de meus pais, de minha esposa, de minhas duas filhas e descubro que não tenho nada a temer.
Tenho tudo o que qualquer ser humano possa querer.

É um novo dia, é um novo começo.
Faço uma prece, beijo o meu terço.
Uma nova luta está para começar…
E eu mal posso esperar!

Escritor 09 – Antoine de Saint-Exupéry

5.1.2

Antoine-Jean-Baptiste-Marie-Roger Foscolombe de Saint-Exupéry nasceu em Lyon, na França, em 1900. Foi escritor, ilustrador e piloto, filho do conde Jean Saint-Exupéry e da condessa Marie Foscolombe.
Antoine voou pela primeira vez aos 12 anos de idade e esta experiência despertou-lhe o desejo de ser piloto. Estudou no colégio jesuíta de Notre-Dame de Saint-Croix, em Mans, de 1909 a 1914.
Na época da Primeira Guerra Mundial, Antoine e seu irmão François transferiram-se para o colégio dos Maristas, em Friburgo, na Suíça, onde permaneceram até 1917.
Em 1921 Antoine inicia o serviço militar no 2º Regimento de Aviação de Estrasburgo. Ali ele aprendeu a pilotar e realizou o seu sonho de infância de ser um grande piloto.
Após deixar o serviço aéreo, Saint-Exupéry trabalhou em várias profissões, mas retornou à sua profissão original em 1926 em uma companhia aérea privada que transportava cartas da Europa à África e à América do Sul. Em 1927 começou a trabalhar em seu primeiro livro, um livro de memórias, que foi lançado em 1929. Pouco tempo depois mudou-se para a Argentina a fim de fiscalizar um estabelecimento dos correios. Quando retornou à França em 1931, publicou Vôo Noturno, que foi sucesso instantâneo e ganhou o prestígio da Prix Femina (um importante prêmio de Literatura na França).
Antoine de Saint-Exupéry sofreu alguns acidentes aéreos em sua carreira. Em 1935, após tentar bater um record de velocidade, voando de Paris a Saigon (cidade do Vietnã), seu avião caiu no deserto da Líbia. Ele e seu co-piloto permaneceram 3 dias perdidos no deserto até encontrarem ajuda. O segundo acidente veio em 1938, dessa vez voando entre Nova York e Tierra del Fuego (na Argentina). Recuperou-se do acidente em Nova York durante um largo período de tempo.
Seu seguinte livro, Terra dos Homens, foi publicado em 1939 e ganhou prêmios importantes como o Académie Française’s Grand Prix du Roman, na França, e o National Book Award, nos Estados Unidos.
No começo da Segunda Guerra Mundial, Saint-Exupéry retornou à França para voar com as Forças Francesas Livres. Devido às suas experiências na guerra, escreveu Piloto de Guerra e Cartas A Um Refém, ambos publicados em 1942. O sucesso mundial “O Pequeno Príncipe” foi publicado em 1943, que veio a ser seu último livro.
Mesmo sendo impedido de voar, devido às fraturas de seus antigos acidentes, Exupéry insistiu em mais uma missão como piloto.  Sua última tarefa foi recolher informações sobre os movimentos das tropas alemãs em torno do Vale do Ródano, antes da invasão aliada do sul da França. Na noite de 31 de Julho de 1944, decolou de uma base aérea em Córsega e nunca mais retornou. O corpo de Antoine de Saint-Exupéry jamais foi encontrado.

Principais Obras:

Voo Noturno (1931)
Terra dos Homens (1939)
O Pequeno Príncipe (1943)

Opinião Pessoal:

Eu estava na oitava série quando coloquei minhas mãos em “O Pequeno Príncipe” pela primeira vez. Estava recém atingida pela mágica que Senhora, de José de Alencar, tinha feito na minha vida e fui buscando cada vez mais livros para ler na Biblioteca do colégio, já que na época eu não tinha dinheiro para comprar os meus. Eu tinha uma professora de português maravilhosa, chamada Elizabeth, que foi uma grande amiga na época. Foi ela quem me emprestou “O Pequeno Príncipe” e eu lembro de uma frase que ela me disse enquanto me entregava o livro em mãos: “Esse é um livro para você ler em todas as etapas de sua vida, pois, conforme você vai crescendo e envelhecendo, você vai interpretar esse livro de uma maneira diferente.” E ela estava corretíssima!
Eu sou lerda demais para ler, mas li o livro em um dia. Lembro que cheguei do colégio e fiquei até a hora de dormir lendo, completamente fascinada por aquelas palavras que eu nunca antes tinha encontrado em qualquer outro livro que já tinha lido. Não posso falar pelos outros livros de Exupéry (que também são muito bem criticados), mas eu já o acho um excelente escritor só por ter publicado um livro como esse. Sua filosofia, sua doçura com as palavras, a sutileza e a profundidade dos personagens deve ser lido em todas as casas, por pessoas de todas as idades, a fim de uma reflexão mais abrangente, não só da vida como mundo exterior, mas também de seu próprio mundo, aquele mundo que está dentro de nós. Afinal, “o essencial é invisível aos olhos.”
Ainda não tive a oportunidade de relê-lo, como minha professora mandou, já que faz quase dez anos desde que o li pela primeira vez. Mas leio alguns trechos, principalmente pelas redes sociais e vejo esses trechos de uma forma que na época eu não consegui ver.
O que mais acho interessante na história de Saint-Exupéry foi sua aptidão tanto para a aviação quanto para a escrita. Temos aquela ideia de que alguém que escreve ficção geralmente é voltado para as letras e para a arte, enquanto pilotos, mecânicos, engenheiros, arquitetos etc., lidam mais com a ciência, com a física, com a parte mais bruta do mundo, a parte mais concreta, por assim dizer. Exupéry não era um piloto que escrevia e nem um escritor que pilotava. Ele era ambos, tinha duas profissões paralelas, duas profissões em que se destacou e ganhou prêmios e honrarias. Profissões que parecem tão antagônicas, mas que, ao parecer, ele executava com maestria.
Abaixo, um trecho de O Pequeno Príncipe:

“As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém… Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto… e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!”

O Dia Dos Maias.

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Se o mundo acabasse mesmo antes do amanhecer
Como aqueles Maias fizeram crer
Já no começo da noite
Pedidos e mais pedidos de arrependimento Deus iria receber
Pois no inferno ninguém quer perecer.

Se o mundo acabasse mesmo antes do amanhecer
Alguém duvida que os restaurantes iriam encher?
Pois no último dia de vida
Uma pizza todos querem comer
Ou a última cerveja beber.

Afinal, o que teriam a temer?
Se for pra morrer, que seja com prazer!

Pessoas estranhas, lamentos arrependidos
Unir-se-iam num único choro, num único sentido
Morreriam abraçadas sem nunca terem se conhecido
Ah, que ironia deste mundo esquisito!
No último minuto do planeta
Os seres humanos finalmente estariam unidos.

Se o mundo acabasse mesmo antes do amanhecer
Atrás de seus sonhos pessoas iriam correr
E num período de 12 horas iriam enlouquecer
Pois já não daria tempo de nenhum gênio da lâmpada aparecer
Para realizar qualquer querer.

Mas eu? Como iria proceder?
Não há dúvidas, é muito fácil de responder!

Se o mundo acabasse mesmo antes do amanhecer
Tudo o que eu iria fazer
Seria beijar seus lábios antes de morrer
E morreria de vez ao dizer
O quanto sempre estive apaixonada por você.

Uma Menina, Um Ballet e Sua Música.

ballet

O grito desesperador está preso em sua garganta.
No meio de um enorme estúdio de ballet, há uma garota encarando seu reflexo no espelho.
Há um par de olhos amaldiçoando seu reflexo no espelho.
A música corre livremente, solta, leve, perfeita. Qualidades que ela não encontra mais. Características que não encontra mais. Ela as perdeu.
Oh, não!
Não…
Ela se perdeu.
A sapatilha rosada é agora apenas mais um calçado largado no ângulo de uma parede. Não tem mais coragem de colocá-la nos pés; não consegue. Porque calçá-las significaria retornar ao inferno particular que tem enfrentado nas últimas semanas. Calçá-las significaria trazer de volta toda a pressão, toda a perfeição que não consegue mais alcançar.
A música continua tocando insistentemente num alto volume, dentre as quatro paredes. Apenas há ela e seu reflexo distorcido no espelho. Apenas há ela e sua alma perturbada, transtornada, atormentada.
Oh, como voltar?
Como retornar?
Como alcançar o ápice dos movimentos leves e milimetricamente executados outra vez?
A vontade ainda está ali, ardente, inclemente, brutalmente pedindo para que ela retorne ao centro do salão e faça o que sabe fazer de melhor: dançar.

Mas como, como voltar?
Como dançar, como bailar?
Como pode de sua mente as críticas apagar?

O silêncio irrompe o salão.
O pequeno espaço de tempo onde uma música termina para outra vir a ser tocada é o suficiente para que ela sinta uma pressão contra o peito. O suficiente para que as notas musicais a abandonem e a deixem-na largada no meio de uma sala enorme, encarando o reflexo dos enormes olhos castanhos.
E isso basta.
É o necessário para que ela se sinta no auge de sua miséria, no centro de sua solidão, largada, desprezada, abandonada.
As pessoas a deixaram. Isso sempre aconteceu. Isso sempre ocorreu. Não é novidade e nunca será.
Já estava mais do que acostumada, não tinha nem mais do que se queixar!
Mas a música? Oh, não, a música não! Oh, não, a música nunca!
As canções sempre estiveram ali. Os passos ensaiados sempre a seguraram de uma forma que qualquer braço humano jamais o fez.
Se a música sempre esteve perto, ao seu alcance, a qualquer instante, porque a estava deixando?
Por que a estava abandonando?

A valsa de Tchaikovsky explode repentinamente contra as quatro paredes. Era sua favorita. A playlist rodava no aleatório e, no momento exato, no minuto exato, seus acordes favoritos preencheram todo o ar.
Ah! Como era bom respirar!
Era um alívio, um nirvana, não sabia como explicar.
Não havia tristeza no mundo que sua música favorita não pudesse curar!

As notas encheram seus ouvidos, revitalizando cada célula apagada e melancólica.
Sua mente retornou 12 anos no passado, quando abriu aquele presente de Natal no dia 25 de dezembro e vislumbrou as belas sapatilhas rosadas pela primeira vez.
Onde vislumbrou toda sua alma refletida naquele objeto pela primeira vez.
Tudo era tão mais fácil. Tudo era tão mais leve, mais brando, mais perfeito.
Era perfeito porque não havia perfeição. Não havia uma meta impossível de ser atingida e tampouco os olhares de desprezo por não conseguir ser quem os outros gostariam que fosse.
Apenas existia uma menina de sete anos, sapatilhas rosadas e The Sleeping Beauty fazendo magia com sua alma.
Sua imagem frente ao espelho agora estava de pé. As sapatilhas rapidamente foram tiradas do ângulo de uma parede e colocadas de volta ao lugar que pertenciam: em seus pequeninos pés.
Ela dançou.
Apenas com a valsa de expectadora, deixou-se levar.
Os passos não eram obrigatórios. Não valiam pontos. Não determinavam se ela era merecedora ou não de seu grande sonho.
Existiam duas coisas naquele momento: seu espírito reacendido e a enorme vontade de viver de ballet até o seu último suspiro.
Por isso dançou.
Deixou a pressão de lado, jogou a perfeição para escanteio e dançou.
Voltou ao tempo onde era só uma garotinha de sete anos que descobria a música clássica e suas maravilhas. Voltou ao tempo de inocência, de criança boba e sonhadora que não queria mais arrancar as sapatilhas rosadas dos pés.
E dançou.
Dançou e esqueceu-se da vida. Esqueceu da ansiedade enervante que é viver dia após dia sem saber para onde ir. Da ansiedade enervante que é abrir os olhos e se encontrar parada no mesmo lugar, quando a sensação é de que andou milhões de quilômetros sem cessar.
E dançou.
Dançou e esqueceu-se o que é sentir a pele queimar pela ausência latente de alguém querido. Esqueceu-se de como é acordar com aquele soco diário no estômago, onde a frustração constrói todo um castelo de tijolos pesados. Tijolos que ela pensa não mais conseguir suportar.
Tinha apenas 19 anos, ombros finos e notas musicais sob seus pés.
Dançou e dançou sem parar.
Dançou e esqueceu-se de como se apegar, amar e querer pode ser tão complicado quanto uma equação matemática. Que pode ser tão complicado a ponto do resultado sempre dar zero por não encontrar qualquer outra resposta mais plausível. E que ela sempre seria reprovada quantas vezes fossem necessárias.
Ela dançava e sentia seu corpo planar para longe.
Para longe das mentiras, da dor, da solidão.
Para longe de todos estes sentimentos que ela desprezava sem exceção.
Para longe do fantasma da imperfeição, da vergonha constante, do constrangimento alucinante.
Para uma terra distante. Para um lugar onde só fosse possível viver de música. Onde Tchaikovsky seria seu melhor amigo e comporia uma valsa exclusiva, apenas para seus pés bailarem.
Para um mundo onde a arte era cultivada e venerada por sua beleza e o dom de encantar, não por sua extrema técnica e a perfeição alcançar.
Ela dançava.
Dançava e chorava.
Chorava sem parar.
As lágrimas caíam, mas ela não sentia; não percebia.
Porque seu corpo continuava bailando livremente pelo salão, tocando magicamente cada metro quadrado do chão.
Como largar? Como deixar a música clássica ir embora de sua vida dessa forma? Como largar o seu único sustento remanescente, seu ímpeto fortificante de viver sempre que desejava desfalecer em uma pilha de ossos debaixo da terra? Como deixar sua essência escapulir, fugir, como um monte medíocre de areia escorregando entre os dedos?
Não, isso nunca.
Por favor, não!
Se não havia mais nenhum motivo para abrir os olhos ao amanhecer, a música lhe daria.
Se não havia mais ninguém para dar-lhe um abraço cálido nos momentos desesperadores, a música lhe daria.
Se não havia mais motivos para continuar respirando o ar desta terra tão distinta e estranha à sua alma singular, a música lhe daria.
A música, sempre a música.
E ela jamais, sob qualquer hipótese, sob qualquer circunstância, poderia deixá-la ir embora para viver neste mundo silencioso dos pífios seres humanos.
Era só fechar os olhos.
Era só fechar os olhos e dançar.
E então… Ah!
Então a música estaria lá!