O Silêncio da Madrugada.

madrugada

Existe algo no silêncio da madrugada
Uma esperança sutil, a paz encontrada
Talvez seja apenas essa presença do nada
Que tranquiliza a mente e me deixa inspirada.

Não há carros, não há ônibus
Não há barulhos, não há incômodos
Não há escolas com suas crianças agitadas
Existem apenas insones no silêncio da madrugada.

A noite esconde, mas o calar de vozes delata
O suspiro de um trabalhador esgotado
E a lágrima da mulher largada
A dor é densa antes do início da alvorada
Os sofredores se revelam no silêncio da madrugada.

Às vezes surge o latido de um cachorro ou o miado de um gato
E também o grito bêbado da vizinha do 104
Mas no geral respiro aliviada
Por poder criar sem ser incomodada.

O mundo fecha os olhos enquanto permaneço acordada
E obedeço às histórias que pedem para ser contadas
A insônia é sempre minha maior aliada
Quando crio vidas no silêncio da madrugada.

06 – Conectados

cobe

“Estamos todos conectados sem nem ao menos saber quem somos” – Delta Goodrem

Sou muito observadora. Muito mesmo. Às vezes até mais do que gostaria ser. Estou sempre procurando não sei o quê, não sei aonde, mas sempre perscrutando, observando, analisando. Pessoas, lugares, animais, não importa. Eu observo o tempo todo e acho que por isso sou escritora. Eu vejo histórias em todos os lugares. Sou do tipo que caça desenhos em azulejos, acho formas e acabo sempre criando uma curta historinha na minha cabeça. E quanto mais o faço, quanto mais cresço, aprendo e continuo observando, mais eu fico maravilhada com certas coisas da vida que a maioria das pessoas não notam. Não sei, talvez seja esse mundo capitalista e sempre apressado, que quer tudo pra ontem e em grande quantidade o tempo todo. Vejo que coisas pequenas, mas importantes, estão sendo deixadas de lado. E acho tão triste. Eu que vejo histórias até em azulejos, conheço pessoas que não conseguem nem se maravilhar com livros. Nós vivemos uma história o tempo todo, dessas de novela. Só que ninguém vê, ninguém sente. Uma vez eu vi uma frase que dizia que o mundo seria um lugar melhor se todo mundo escrevesse sua autobiografia. Todos temos nossa saga para contar. Independente da vida que levamos, se todos parassem para escrever sobre si mesmos e divulgassem esse ‘livro da vida’ para o mundo, este seria um lugar melhor. Iríamos aprender tanto com as experiências do outro… Imaginem que mágico? Um aparecendo no livro do outro, sendo numa participação especial ou como personagem principal. Ou até mesmo como antagonista, quem sabe? O fato é que a vida é feita de encontros. Desses que a gente lê em livros e diz que na vida real não acontece. Mentira! Acontece sim! Nós é que estamos sempre muito focados em coisas inúteis para observar.
Eu não acredito em coincidências. De forma alguma. Aliás, não sei como alguém consegue acreditar que todas as vidas deste mundo são puro ‘acaso’, acidentes do Universo que se esbarram, que se encontram sem qualquer motivo. Ninguém precisa acreditar em Deus, em Maomé, Buda ou o que quer que seja para poder enxergar a magia das pequenas coisas. É preciso apenas observar.
Uma outra frase que ouvi também é que todos os seres humanos estão presos em uma enorme teia de aranha. Se existe de fato uma aranha controlando tudo ou se as teias agem por qualquer força magnética, isso não importa. Mas estamos todos conectados, todos juntos, destinados a encontros e desencontros até o fim de nossas vidas. Exatamente como nos livros.
De verdade, se você não é um observador nato, tente pelo menos começar. Se você acredita apenas em coincidências, tente abrir um pouquinho só dessa janela cerrada, para que você possa ver coisas diferentes.
Encontros acontecem o tempo todo, de todas as formas. Um telefonema animador quando você está deprimido, alguém que fala de repente com você um segundo antes de um carro passar enlouquecido pela rua que você ia atravessar, algum animal que se aproxima quando está triste e, de repente, você começa a sorrir… Esses são os mais simples, mas não menos importantes.
E o encontro de vidas, encontro de almas? Quando você olha para o lado certo, entra na esquina certa, entra num elevador ao mesmo tempo que outra pessoa… Será mesmo que não se dão conta do quanto isso é relevante? Essas pessoas (e não estou só falando romanticamente, estou falando de forma em geral de amigos, parentes, pessoas que vão ajudar-te a crescer na vida etc.) poderiam estar em qualquer lugar do mundo. Poderiam ter entrado à esquerda, enquanto você entrou à direita, poderiam estar subindo, enquanto você está descendo, poderiam ter entrado na cafeteria do final da rua, enquanto você entrou na do começo… Milhões, inúmeras oportunidades de nos manter afastados existem. Ainda assim, você encontra aquela, naquele lugar, naquele momento. E ainda dizem que são só “coincidências?” Dentro de uma probabilidade de 1 em um trilhão, é só mesmo coincidência? Sinceramente, não consigo acreditar.
Acredito que esses encontros salvam nossas vidas. Com menos intensidade ou mais intensidade, não importa. O encontro com o mundo ao redor é o que nos faz continuar vivendo. Essas oportunidades, essas coisinhas que poderiam não acontecer, mas acontecem. Todos os encontros são importantes, até mesmo aqueles desagradáveis. Se minha professora de biologia do ensino médio não tivesse me perseguido o ano inteiro, talvez hoje eu estaria fazendo faculdade de biologia e sendo a bióloga que na minha adolescência dizia que ia ser. Mas ela precisou me traumatizar (por pior que isso soe), me constranger de inúmeras formas para eu descobrir que o que mais queria era distância daquela matéria. E junto com outros constrangimentos que a vida colocou no meu caminho, eu conheci a força da escrita. Digo ‘a força’ porque eu escrevo desde que era pequena, mas só pude conhecer essa energia profunda, essa sensação de imenso e eterno prazer de estar viva, de que é exatamente pra isso que eu nasci, depois que a partir deste e de outros episódios, resolvi criar histórias e descobri que queria ir até o fim da minha vida fazendo isso. Pode ter sido coincidência, eu poderia descobrir meu amor pela escrita de outra forma, outra situação poderia puxar esse gatilho, é verdade. Mas eu não seria a pessoa que sou hoje se não fosse por isso, eu não estaria aqui se não fosse por isso, por esse encontro.
Acho que essa analogia com a teia de aranha não poderia ser mais fantástica. Fios se rompem e se ligam o tempo todo, independente da força que os regem. Como diz na letra da música citada no começo deste post, estamos todos conectados, mesmo sem saber, ainda, quem somos, quem vamos encontrar, quem vamos conhecer.  Na sua teiazinha de aranha, mais lá pra frente, há novos fios se formando, se ligando, se religando. Você está sentando (ou de pé, vai saber) agora lendo isso, mas o seu fio, neste momento, está sendo ligado com o de outras pessoas, com outros seres, que cruzarão seu caminho. Quando chegar o momento, você pode tornar esses fios mais fortes ou arrebentá-los para sempre. Mesmo que tenha algo cuidando da gente, acredito ainda que podemos fazer nossas próprias escolhas e arcar com as consequências destas. Mas não negue que existe algo muito maior por trás da vida que está vivendo agora. Não negue esses encontros, não negue esses momentos especiais. Observe bem cada trajetória, cada choque, cada esbarrão em outra pessoa e pense mesmo se aquilo foi apenas obra do acaso. Aprenda a analisar cada experiência e permita-se ver a mágica que está debaixo do seu nariz. Limpe um pouquinho os olhos e enxergue. Acredite em mim: vai valer a pena. Tudo se tornará menos entediante e muito mais interessante!
Se você tem alguma história para contar sobre algum encontro especial, de uma situação que se encaixe no tema do texto, conte sua história na caixa de comentários. Vou adorar saber mais e descobrir mais sobre essas pequenas grandes conexões que fazem parte da trajetória de todos =]

Casinha de Cobertores.

essa

Vamos criar uma casinha de cobertores.
Nesta noite gelada de agosto, vamos pegar todas as mantas e edredons do armário e colocá-los sobre duas cordas de varal, que cruzam uniformemente o quarto.
Vamos brincar de ser criança, de ser feliz.
Vamos criar nosso mundo particular, com tudo o que a gente sempre quis.
Vamos pegar travesseiros, fronhas, lençóis e tudo o que for necessário para construirmos nosso cantinho.

Prometo que seremos apenas eu e você.
Seremos eu e você como sempre deve ser.

Vamos criar uma casinha de cobertores.
Assim mesmo, bem simples.
Um pouco enrolada e desengonçada; um pouco embolada e bagunçada… Mas muito, muito adorada.
Venha, não tenha medo.
É apenas uma brincadeirinha.
Me dê a mão e não tenha medo.
Eu jamais o deixarei sozinho. Jamais o deixarei perdido.
Deixemos celulares, notebooks, telefones ou qualquer outro objeto que emita um ruído banal que possa atrapalhar este momento.
Deixemos máscaras, armaduras e as enormes muralhas.
Deixemos o mundo.
Deixemos a falsidade e a mediocridade. Porque em nossa casinha de cobertores só é permitida a verdade.
Apaguemos as luzes. Assim será melhor.
Será mais fácil desnudarmos nossas almas.
Será mais fácil ouvir-lhe os lamentos, os sofrimentos e os tormentos que vêm maltratando o seu coração durante todo esse tempo.
A claridade pode ser cruel demais.
Ela mostra para quem quiser ver um par de olhos lacrimejantes, um rosto vermelho e uma postura curvada que nada tem de elegante.
Por isso, em nossa casinha de cobertores não pode haver claridade.
Apenas eu e você em nossa máxima vulnerabilidade.

Há estrelas.
Há estrelas no teto de nossa casinha de cobertores e está quentinho.
Há estrelas no teto de nossa casinha de cobertores e minha mão morna encontra a sua enquanto as palavras brilhantes que saem de sua boca vão formando mais estrelas.
Cada palavra é uma dor. E cada dor é uma estrela.
E há milhares de estrelas no teto de nossa casinha de cobertores.
As horas passam, a respiração pesa e você adormece.
Meus olhos velam com amor seu sono tranquilo ao mesmo tempo que deslizo inocentemente minha mão pelo seu corpo, oferecendo toda a afeição que sua alma carece.
Coloco emocionada meus dedos sobre seu coração e faço uma prece.
Rezo para que os anjos ouçam o meu apelo e cuidem de seus sentimentos com bastante zelo.
Rezo para que possa encontrar alguém que o ame de verdade.
E que, um dia, essa verdade possa ser eu.
Rezo.
Rezo.
Rezo.
Até toda a dor passar.
Rezo até o amor triunfar.
O meu amor.
O meu amor por você.

Vamos criar uma casinha de cobertores.
Uma hoje, uma amanhã, uma todos os dias.
Uma assim, sem compromissos, sem dissabores.
Uma assim, de brincadeira; assim, de bobeira.
Uma casa, uma ilusão, sempre de portas fechadas à realidade.
Uma casa onde jamais entrará a saudade.
Uma casa onde estrelas substituem as dores.
Uma casa só nossa.
A nossa casinha de cobertores.

Deixe Haver Amor.

jjj

Deixe haver amor
Deixe haver amor
Deixe também haver amor próprio, amor recíproco.
Deixe haver amor
Deixe haver amor
Deixe também que haja a verdade
Deixe também que haja a sinceridade
Deixe haver amor
Deixe haver amor
Mas deixe haver também a inteligência, a percepção, nunca a enganação.
Deixe haver amor quando for realidade
Deixe haver amor quando houver saudade.
Deixe haver amor com liberdade, jamais com promiscuidade.
Nunca deixe existir palavras ao vento, corações enganados, corações iludidos.
Corações esperando algo que o seu nunca poderá retribuir.
Deixe haver amor
Deixe haver amor…
Sim.
Sempre deixe haver amor.
Deixe haver, deixe-o se expor.
Mas apenas quando ele verdadeiramente existir.
Porque prefiro alçar a mão em um adeus
A ver-te continuar a mentir.

Do Que Você Tem Medo?

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Barata se mata.
Dor se cura.
Falta de criatividade não dura.
Amor não mata.
Se mata, não é amor.
É obsessão pura.
Erros podem ser consertados.
E problemas podem ser resolvidos.
Se estiver muito alto, é só fechar os olhos.
Rejeição pode ser superada.
Fofoca é pra quem tem cabeça oca.
E o que é vazio está cheio de nada.
Pais são humanos também.
Notas não te definem.
Não definem a ninguém.
Gordura corporal também não.
O espelho apenas reflete o que você quer ver.
Pobreza é um ponto de vista.
Riqueza é um estado de espírito.
Doença começa na alma.
O que você faz com ela?
Gato preto não dá azar. Sua paranoia dá.
Escuro é só a ausência de luz.
O resto é sua imaginação.
Solidão é uma ótima oportunidade para uma profunda reflexão.
Críticas são apenas um monte de palavras juntas.
Se não deixar que se formem, nada poderão fazer.
Ofensas não podem te afetar. Só se você concordar com elas.
Obstáculos são apenas indícios de que você está indo pelo caminho certo.
A morte faz parte da existência.
Não se pode ter um sem o outro.
Sua vida pertence apenas a você mesmo.
Influências existem, mas, no fim a escolha de como você a vive, é sua.
Falar é fácil e fazer é muito difícil.
Mas tentar é fundamental.

Então, me diga… Do que você ainda tem medo?

05 – Documentários

docu

Quem me conhece sabe que sinto um amor enorme pela ficção. Um amor tão grande que eu realmente pretendo viver até o fim da minha vida disso, de escrever e criar inúmeras histórias que vivem na minha cabeça.
Mas uma pequena parte de mim também sente uma atração pela realidade. E essa parte é fascinada por documentários.
Comecei a me interessar por documentários a partir da adolescência (existe criança que curta documentários?), quando a minha insônia começou a atacar sem piedade. Ligava a tv de madrugada e, quando não estava vendo algum anime no Cartoon, estava vendo algum documentário. Lembro que os primeiros que me atraíram foram os de história, principalmente pela Grécia, minha paixão enorme e “inexplicável”. O que começou com uma pretensão de me fazer dormir acabou se transformando em mais um motivo para me manter acordada até o sol raiar!
Os documentários são os melhores amigos das pessoas insones. Numa madrugada onde só passam filmes de terror, programas religiosos e o “interessantíssimo” 1001 noites (pra quem não sabe é aquele programa de madrugada super necessário onde se vende um anel por 10 milhões! Mas não se preocupe, você pode pagar em até 1000 vezes sem juros!), os documentários são a salvação para aqueles que não possuem o dom de dormir à noite. Eles realmente ensinam, te fazem questionar e refletir sobre inúmeras questões e, pelo menos no meu caso, me inspiram a escrever com as histórias mostradas.
Documentários são tão legais que até os mais chatinhos têm suas vantagens: te ajudam a finalmente dormir!
Eu amo documentários porque eles mostram a realidade de uma forma poética. É assim que vejo, é assim que sinto. É diferente da realidade crua e fria dos jornais. Talvez seja pela leve trilha sonora (às vezes) presente. Não sei. Só sei que o que mais me fascina é a simplicidade. Num mundo de blockbusters (não me entendam mal, eu amo blockbusters também!), onde se gastam 200 milhões pra produzir um filme de 2 horas, tudo o que os documentários possuem é um par de câmeras, histórias reais, interessantes e muita, muita vontade de realizar algo.
Na Tv Brasil, de madrugada, tem o Doc Tv – Latinoamérica (creio que não preciso explicar que são documentários produzidos especialmente na América Latina, né?). Sempre que estou acordada (e não estou vendo o programa do Jô) eu fico vendo e dificilmente há algum que não me interessa. São pessoas tão simples, mas com uma história de vida tão rica! Eu já chorei inúmeras vezes e fico pensando como o nosso continente é meio que excluído de tudo. A Europa e os Estados Unidos são muito interessantes, acreditem, sou totalmente influenciada por “eles”… Mas depois que passei a acompanhar esse programa, eu abri os olhos pro quanto a nossa América é rica e ninguém percebe isso. Talvez seja por vivermos aqui e, de certa forma, todos sermos levemente parecidos. Acho que o que está próximo não interessa muito às pessoas, porque estamos sempre olhando para longe, para o que não temos, ansiando o que não possuímos e, com isso, esquecemos de valorizar o que temos.
O que mais me chama atenção é ver pessoas, principalmente mulheres, do interior da Argentina ou da Bolívia que mal sabem o que é globalização e que nunca ouviram falar na palavra “internet” em toda a sua vida. E está tudo ótimo pra elas. Elas dão depoimentos sobre a vida no campo, sobre como cuidam da casa, dos filhos, do ambiente ao redor… e não é fingimento! Por aqueles adoráveis sorrisos desdentados e o brilho nos olhos, você percebe que elas realmente sentem aquilo, que elas realmente são felizes com o que a vida deu pra elas. Neste mundo não há materialismo, não há mídias ou estudos psicológicos para avaliar a mente de cada um, eles não são rotulados por nada, eles são simplesmente… eles. E isso tudo aqui do nosso lado, quase atravessando a rua! São mundos paralelos que estão grudados e eu acho isso fascinante! Poder conhecer novas culturas, cada característica de um povo, por menor que seja… Cada lugar tem algo lindo a ensinar e essa foi uma das coisas magníficas que aprendi com os documentários.
Talvez eu só seja mesmo esquisita, mas eu creio, sinceramente, que o mundo seria um lugar 1% melhor se todo mundo passasse a ver documentários. Tem pra todos os gostos! Eu fico mesmo inspirada com a vida de pessoas simples, mas também amo os documentários do History Channel, principalmente no que se diz a óvnis e o famosíssimo Triângulo das Bermudas. Eu juro, posso passar horas vendo e nunca me canso.
O preconceito com documentários ainda é muito grande, mas as pessoas pelo menos deveriam tentar. Claro que nem todo mundo vai gostar, vão achar chato e isso é natural, nós temos gostos diferentes, mas acho que a chave pra isso tudo é perder esse preconceito (aposto que tem gente que nunca viu um documentário na vida e fala mal!) e tentar ver pelo menos dois tipos de documentários (seja de História, animais, ciência espacial, produção de filmes, pessoas… Enfim, tem pra todo o tipo de gente!), pra ter pelo menos uma margem de comparação. Talvez não acreditem, mas… Acho que se vocês encontrarem o documentário certo, vão ter uma experiência única e vão começar a ver a vida de uma forma diferente também.

Dicas de documentários:

Uma Verdade Inconveniente – Davis Guggenheim e Al Gore
Tiros em Columbine – Michael Moore (esse eu só vi metade, mas já foi o suficiente pra amar!)
A Marcha dos Pingüins – Luc Jaquet
100.000 – De Juan Márquez (Os amantes de cachorro não vão se arrepender de ver!)
Promessas de Um Novo Mundo – Carlos Bolado, B.Z Goldberg, Justine Shapiro

Canais interessantes para ver Documentários:

– Tv Brasil (Infelizmente o único de canal aberto que me lembro agora, enquanto programas religiosos monopolizam 80% dos canais abertos)
– Animal Planet
– History Channel
– Globo News

Vagalume.

firefly

Hey, vagalume
Traga de volta o meu amor
Voe junto com o vento para longe
Até ao tempo transpor.

Hey, vagalume
Não se esqueça de brilhar
Quando na janela dele pousar
Permita sua beleza enfeitiçar.

Vivendo neste planeta Terra
Só vemos ódio, dor e guerra
Não seria a coisa mais bela
Acordar com um vagalume na janela?

Então, por favor, vagalume
Segure em suas mãos quando o encontrar
Seja atencioso e ensine-o a voar
Para que ele possa a mim voltar.

Eu estarei aqui esperando
Tentando segurar o meu pranto
Eu estarei aqui esperando
E a ele sempre amando.

Por favor, vagalume
Traga o meu amor assim que começar o dia
Traga o meu amor para a minha alegria
E livre-me desta vida vazia.

1969.

69

Uma imagem.
Uma imagem de um homem em uma colina.
Clima fresco e sol ao céu.
Ele olha para cima.
Seus olhos são azuis.
Calmos.
Serenos.
Como o mar em uma tarde de outono.
Uma lágrima cai de seus olhos.
Uma outra gota escapou de seu mar.
Ele lembra dela.
Quem é ela?
Alguém do passado.
Claro!
Pois é sempre o passado que nos faz chorar.
Quem é ela?
Alguém ausente em seu presente.
Por quê?
Não era para ser.
Mas por que não era para ser?
Por que não foi?
Não sei.
Apenas não era para ser.
Será?

Mudança de cenário.
Mudança de imagem.
1969.
Os sinos da igreja tocam.
Um casamento.
Um casal saindo da igreja.
Chuva de arroz.
Felicitações.
Lamento.
Dele.
Apenas dele.
Uma mulher loira com batom vermelho sobre os lábios.
E ele na platéia.
Um par de olhos azuis a observava de longe.
Azuis como o mar.
Como o mar tempestuoso.
Lívidos.
Raivosos.
Um par de olhos azuis e uma mulher com batom vermelho.
Por que ele foi?
Queria vê-la pela última vez.
Mas a que preço?
Vê-la amarrada a outro para sempre em nome de Deus?
Para ele valia.
Naquela hora.
Naquele momento.
Pois tinha fé.
Tinha esperanças.
Tinha sonhos.
Valia, claro que valia!
Por ela sempre valeria!
Por um amor verdadeiro sempre vale.
No último momento ela renunciaria.
No último momento ela desistiria.
Ele sabia.
Ele sabia que, no último momento, ela não casaria.
Bastava olhar.
Era só soltar a mão daquele que jamais poderia amá-la de verdade e olhar.
Apenas um aceno com a cabeça e um olhar para que ele pudesse abrir caminho pela multidão, pegá-la pelo braço e partir.
Para longe.
Para sempre.
Ela fugiria.
Ele sabia.
Mas não sabia de verdade.
Se enganou.
Ela não olhou.
E dentro de um carro preto com seu novo marido entrou.

O que aconteceu depois?
Ele não lembrava.
O que aconteceu antes?
Ele não lembrava.
Ele não lembrava de mais nada.
Nada.
Todas as memórias reduziram-se a uma só.
Reduziram-se a um momento só.
A um momento em 1969.
O ano que se perdeu.
A mulher da sua vida saindo da igreja amarrada a outro em nome de Deus.
Para sempre.

Retorno de cenário.
Retorno da imagem.
Um homem em uma colina.
Cabelos grisalhos.
Clima fresco e sol ao céu.
Olhos azuis.
Azuis da cor do mar.
Ele olha para baixo.
Suspira.
Memórias.
Era apenas o que teria.
Memórias de 1969.
O ano que levou embora toda a sua alegria.

04 – Adultos e Crianças.

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Esses dias a questão sobre o que é ou o que não é ser adulto tem povoado minha mente. Talvez seja porque estou com 21 anos e,sendo considerada pela psicologia do desenvolvimento como um “adulto jovem”, ainda estou meio que nessa transição.
E acho que algumas de minhas conclusões (já que preciso de muito mais tempo e maturidade para responder completamente todas as minhas perguntas), não são muito boas.
Eu me considero uma pessoa profunda, emocionalmente falando, extremamente analisadora e totalmente chata. Se uma formiga passa na minha frente, eu vou questionar porque ela está passando ali naquela hora, porque está sozinha (já que as formigas vivem em grupo)  e o que a levou estar ali naquele momento (ou seja, sou quase um caso de internação, mas tudo bem). O ponto dessa enrolação toda é dizer que eu sei o quanto isso pode ser insuportável para a maioria das pessoas (já deixaram isso bastante claro) e por isso procuro esconder esse meu lado analisador, profundo, dramático (eu seria uma boa escritora de novela mexicana, sério mesmo), questionador… E o que acaba sobrando para as pessoas? A minha metade retardada, que ri mais alto do que deveria, que fala mais alto que um velho surdo, que é tarada por Disney, que faz mais barulho do que uma hiena quando entra numa livraria… Enfim. No fim das contas, é o que mostro e, por conseqüência, é a parte que dou para as pessoas “julgarem”.
Uma das coisas que mais ouço – como sempre, de pessoas que não conhecem nem 10% do iceberg, que sou eu – é que sou infantil demais. Que tenho que parar de usar blusas do Mickey porque já sou adulta, que tenho que sair mais de casa, que tenho que aprender a beber (é muito difícil pra esse povo bitolado entender que existem sim pessoas no mundo que não gostam nem do cheiro de álcool? Beterraba fede, eu não como. Peixe fede, eu não como. Álcool fede, eu não bebo. Minha vida é definida pelo meu nariz. Ponto.) e, claro, a crítica mais freqüente de todas, que não podia deixar de ser citada: “Pare de ser tão sensível e dramática, você não é mais uma criança”. Paro não. Porque essa minha hiper sensibilidade e meus dramas são o que me fazem criar minhas histórias e, juro, não trocaria isso por nenhuma “maturidade” no mundo.
Acredito que isso não aconteça só comigo. Essa é a nossa realidade. Você é duro, você é adulto. Você é sensível, você é infantil. É fato. Infelizmente, mas é. Quando você se cortava quando criança, era normal berrar até o sangue parar de jorrar de seu dedo. 20 anos mais tarde, se você se corta e chora, você é fraco, fresco, quer chamar atenção, mesmo que a dor seja exatamente que você sentia quando era criança. E o que fazemos? Prendemos o choro até nossa garganta dizer chega (só eu sinto dor na garganta quando estou prendendo muito o choro?) e quando colocamos um curativo nessa ferida. Sei que foi um exemplo bem tosco, mas espero que tenha conseguido transmitir meu ponto de vista.
Seja na parte física ou emocional, ser adulto virou antônimo de sensibilidade. Não se deve chorar por mulher, não se deve discutir (porque ser adulto é deixar as questões fluírem e esquecer), não se deve importar demais com nada e é estritamente proibido sentar-se no balanço de um parquinho porque aquilo é coisa de criança.
A gente vive dizendo que a sociedade é hipócrita e, na maioria das vezes concordamos, mas somente em assuntos mais “sérios” e “discutíveis” como política, religião, ética… Porque, claro, somos todos adultos, vamos falar mais sobre o quê? Mas a hipocrisia está o tempo todo à nossa volta. Você é hipócrita quando briga, finge não se importar e vai molhar o travesseiro no silêncio da noite. Você é hipócrita quando torce o nariz para desenhos animados na rua, mas morre de rir quando vê Bob Esponja em casa. Você é hipócrita quando critica alguém por ser sensível demais, mas chora até ficar roxo quando o time é rebaixado.
Perante a sociedade, os adultos são permitidos apenas chorar quando um parente morre e olhe lá. Porque, como dizem, há jeito pra tudo, menos pra morte. E tem alguns que nem isso, que fecham a cara e dizem que ‘faz parte da vida’ e não derramam numa lágrima nem numa situação extrema assim. Infelizmente, existem muitos assim pelo mundo. Que sempre dizem que está tudo bem, que tudo pode ser resolvido e que se escondem tanto dentro de si a ponto de recusar qualquer ajuda, até mesmo das pessoas que ama.
Tornamos-nos uma espécie incapaz de expressar nossa dor e sensibilidade. Uns tem menos, outros têm mais (a não ser que você seja um psicopata, mas isso é uma discussão para depois), mas todo mundo é frágil em alguma coisa. Não dá pra julgar maturidade ou imaturidade por causa disso. Principalmente quando essa pessoa não fica nem 1 hora perto de você para ser julgada. É muito difícil não julgar. O ser humano é um ser extremamente julgador. Mas ficar apontando, torcendo nariz e dizendo que você deve agir de uma forma ou de outra, é muito chato. É mais ou menos o que eu coloquei no post abaixo, no “Pessoas Tóxicas”. Seja feliz julgando todo mundo, mas julgue apenas na sua mente. Viva sua vida de juiz em paz e deixa o outro viver feliz com a sua.
Acho que todo mundo é muito maduro em certos assuntos e completamente infantil em outros. TODO MUNDO. Por mais que você aparente ser equilibrado, com a profissão mais séria e respeitável do mundo, você tem um ponto fraco que vai te tirar da “normalidade”. É melhor aceitar isso logo do que depois ficar surtando porque surtou (essa frase fez algum sentido?).
Até mesmo esse espaço aqui… A intenção inicial era falar de coisas sérias, de forma séria, como aquelas crônicas maravilhosas de jornais. Mas quem disse que eu consigo? Eu sou dividida entre uma criança de 8 anos e uma velha de 80. Por mais que eu tente aparentar ter 21, dependendo da situação, ou é a Cuera de 8 anos que aparece ou é a de 80. Então esse espaço deu nisso, eu falando de coisas sérias, mas de forma retardada. É o que eu sou, juro que já tentei mudar, mas não consigo. É mais forte que eu. Como disse há pouco, resolvi aceitar isso, porque colocar uma cara séria no meu rosto e fingir que não sinto nada é impossível pra mim.
Aposto que muitas pessoas “maduras” vão achar tudo isso um absurdo e irão continuar colocando a armadura de ferro a fim de se proteger das inúmeras flechas que o mundo nos joga diariamente. Mas espero que muitos entendam também que é permitido se importar quando uma briga com alguém amado ocorrer, que é permitido chorar em finais de filmes ou livros, que é permitido dar uma de louco em público quando se está muito alegre e que aprendam que filmes da Disney ensinam muito mais do que American Pie.
Está tudo bem ser criança enquanto se é adulto e seria interessante que as pessoas entendessem isso ou pelo menos aceitassem. Porque, como diz a filosofia da mamãe: “Aquele que mantém seu espírito de criança em si com certeza é um ser humano melhor”.