Hey, Beautiful!

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Para Nayara M., Michelle G. e Samantha S.

Hey, beautiful!
Por que seus olhos se veem tão tristes? Por que tem deixado o mundo derrubá-la desta maneira? Acaso já se esqueceu do quanto você é forte? Acaso não sabe o quanto é uma garota de sorte?
Hey, beautiful!
Não carregue o mundo sobre suas costas. O seu corpo foi criado para exercer grandes realizações, para viver, para aprender, para propagar o seu saber. Então por que você ainda o está usando para abarcar as dores e os traumas de todos os que já cruzaram o seu caminho?
Hey, beautiful!
Já se olhou no espelho hoje? Já reparou o quanto você é linda, forte e um exemplo para aqueles que a amam e a admiram? Tire este momento para olhar o reflexo de seus próprios olhos. Perceba quantas lágrimas eles já choraram, quantas imagens eles já visualizaram, para que você pudesse chegar até aqui. Perceba o quanto você já superou e repare na pessoa que é nesse momento.
Tire de uma vez por todas o holofote dos momentos traumáticos e reposicione a luz para todos os momentos em que você renasceu e cresceu. Não é lindo tudo o que você passou para chegar até aqui? Vai parar agora? Vai desistir agora?
Hey, beautiful!
Você não está sozinha. Olhe ao redor e veja quantas pessoas permanecem ao seu lado. Perceba o quanto elas a amam e o quanto estão dispostas a fazer o que for pela sua felicidade. Nunca se esqueça disso.
Se você já sabe de todos esses fatos, o que ainda está fazendo aí? Saia de casa, caia no mundo, quebra a cara e sempre acredite que existe uma boa razão para amar novas pessoas, por mais que outras no passado tenham lhe dado todos os motivos do mundo para não fazê-lo.
Não tenha medo da dor. Se você está aqui, se chegou até aqui, foi por causa dela. Não há crescimento sem dor e não há vida sem crescimento. Essas três palavras estão interligadas desde o início dos tempos. Não há como fugir.
Feche os olhos, respire fundo e jamais se canse de correr atrás de sua felicidade. Ela pode estar muito mais perto do que você imagina.

3 Relógios.

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3 relógios parados
3 relógios a serem reparados.
Já faz muito
Os ponteiros aposentaram o seu bailado.
Já faz muito
Os relógios continuam ali
Completamente largados.

3 relógios parados
Sobre uma prateleira esquecida.
Mas ela jura
Jura que irá consertá-los
Um dia, quem sabe,
Numa tarde de maio
Numa noite de estrelas caídas
Um dia, quem sabe, talvez
Assim que conseguir consertar sua própria vida.

As Melhores Pessoas.

melhores

As melhores pessoas são aquelas com quem você pode conversar 7 horas seguidas sem enjoar ou pensar que poderia estar fazendo outra coisa.
São aquelas com quem você pode falar todo o tipo de assunto, livremente, sem temer em momento algum o fantasma do julgamento.
São aquelas com quem você pode permanecer em completo silêncio e ainda assim se sentir confortável.
São aquelas que te “obrigam” a gostar de certas músicas, de certos filmes, de certos lugares e – por causa dessa adorável insistência – você acaba gostando mesmo.
Talvez, nos momentos tristes, as melhores pessoas não saibam exatamente o que dizer após o seu longo momento de desabafo.  Talvez elas não saibam direito como consolar, o que falar, o que fazer para trazer uma solução mágica para todos os problemas de sua vida. Mas elas com certeza vão se colocar dispostas a ouvir seus anseios, seus lamentos, seus sentimentos, não importa quantas vezes você tenha repetido exatamente as mesmas palavras anteriormente.
Contudo, as melhores pessoas não são perfeitas. Tem seus momentos irritadiços, de grosserias sem fim, de pensamentos contrários e, ao seu ver, completamente absurdos. Talvez você se pergunte por um momento como aquela pessoa que você ama tanto pode pensar tão diferente, pode ver o mundo de ângulos tão disformes, mas é essa diferença, é essa humanidade que, no fim, as torna ainda mais especial.
As melhores pessoas são aquelas que combinam intelectualmente, emocionalmente e psicologicamente com você. O que, convenhamos, nos dias de hoje, é bastante difícil.
São aquelas por quem você reza para que sempre estejam vivas, perto de você, e te amando com a mesma intensidade, pois já lhe é impossível imaginar uma existência sem que elas estejam ali. E por elas você atravessa mais um dia, acredita mais um pouco, luta com mais força, porque você quer ser alguém cada vez melhor para seres assim tão especiais.
Para levarmos esta vida com um mínimo de felicidade e conforto, não precisamos dos melhores carros, das melhores casas, das melhores roupas dentro do armário ou de 7 dígitos em nossa conta bancária. Precisamos apenas de melhores pessoas ao nosso lado.

Um Pouco De Magia.

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O mundo pode ser cheio de magia se passarmos a vê-lo sob outro ponto de vista. E não falo de pós mágicos ou palavras em latim que fazem os objetos se mexerem de acordo com a nossa vontade. Falo do Universo e de toda mágica que o rege. A mágica que está tapada pela grande nuvem negra e suja, que os próprios seres humanos constroem com sua inteligência mal aplicada.
De um lado pode estar o dinheiro, o interesse, a maldade, a traição, o sexo superficial e outras coisas que cegam nossa alma. Mas há o outro lado também. O lado onde você tem sempre uma ajuda. Os amigos estão aí, como fadas madrinhas confortadoras, parecidas com as dos contos de fada. Você pode buscar consolo também no sorriso sincero de uma criança ou num carinho genuíno de um pequeno animal.
A magia também está na troca daquele olhar especial, com aquela pessoa que causa reviravoltas em seu estômago.
A magia está por toda a parte, até no ar em que você respira. Algo invisível, mas que o mantém vivo por tempo indeterminado. Você não vê, pois a nuvem negra ainda cega todos nós, espalhando seus frocos de tristeza e decepção por onde passam.
Talvez devêssemos olhar através dessa espessa nuvem com mais frequência, para podermos cultivar aquilo que realmente importa. Se começarmos, cada um, a fazer nossa parte, talvez a utopia de um mundo melhor e curado possa se tornar realidade.

(Trecho do livro Need – Capítulo 8)

13 – Ser Gorda Não É Pecado.

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Não sou a primeira e com certeza não serei a última a falar sobre o culto excessivo ao corpo. Contudo, esse é um assunto que nunca sai de moda e acredito que é sempre bom debater sobre essa questão que há muitos anos vem, de uma maneira ou de outra, acabando com a vida de muita gente.
Me considero uma pessoa viciada em notícias. Diariamente estou visitando os principais sites de jornais e sempre que a TV está ligada, nunca deixo de colocar rapidinho em algum telejornal só para ver sobre o que estão falando. E é impossível deixar de perceber o quanto a ideia de que “a felicidade é sinônimo de magreza” é imposta de maneira opressora sobre nossas cabeças. Principalmente em sites onde a seção de fofocas é posta em evidência, é impossível fugir de títulos como “Fulana mostra as celulites em ensaio fotográfico” ou “Fulano mostra a barriga protuberante em dia na praia”. Isso quando não aparecem matérias sobre “Como conseguir uma barriga negativa em 15 dias!” ou coisa pior por aí.
É muito triste ver amigas minhas pegando gordurinhas mínimas em suas barrigas para encher a boca e dizerem o quanto estão GORDAS, assim mesmo, no caps lock, porque é como a palavra soa para mim. As cinco letras vêm cheias de ódio e repulsa em relação ao próprio corpo e, mesmo que eu fale o quanto elas são lindas e que estão ótimas, elas sempre voltam para aquela dieta de líquidos que vai eliminar aquele “horrendo” tecido adiposo.
A sociedade transformou o corpo da mulher num manequim. Ou pior! Outro dia, no shopping com uma amiga, percebemos que um vestido exposto na vitrine de uma loja estava justíssimo no manequim! Se o boneco tivesse uma boca de verdade para falar, garanto que estaria gritando algo como: “ME TIREM DAQUI, POR FAVOR! ESTOU SUFOCANDO!” porque era exatamente o que roupa estava fazendo. Agora imaginem uma roupa assim no corpo de uma mulher?
Somos rotuladas pelo número de nossas vestimentas, nossa felicidade depende se uma roupa coube em nós ou não. Não podemos comer chocolate, porque engorda. Pizza? Nem pensar! Em uma confraternização com amigos, só um peitinho de frango com salada e olhe lá! Se por acaso uma de nós sai da dieta e come uma lasanha inteira no almoço, num momento de vulnerabilidade e estresse, isso vira uma dor de cabeça para o mês inteiro. Retornamos rapidamente à dieta, planejamos cardápios mais magros e comemos cada vez menos. Quando reencontramos um familiar ou amigo (sem noção, diga-se de passagem), não é difícil ouvir um “nossa, você engordou, hein!” carregado de veneno e julgamento, como se isso ferisse a cartilha de moral e bons costumes.
Eu só quero saber quando, em que momento dessa sociedade que beira à doença mental, determinou que ser gorda é pecado. Que é algo ruim, que estar um pouquinho acima do peso só vai lhe trazer azar, infelicidade eterna e impedir que você atravesse os portões do paraíso. Que é algo tão nojento e repugnante que é capaz de fazer uma pessoa chegar à extremas conseqüências para conseguir o corpo da Candice Swanepoel. Porque, claro, imagino que a Candice não tenha nenhum problema na vida ou traumas que a impedem dormir à noite. Porque ela é “perfeita”, tem uma barriga negativa. E pessoas perfeitas não têm dessas coisas.
Vejam bem: eu não estou dizendo para todo mundo sair comprando 500 barras de chocolate e freqüentar rodízios todo o fim de semana. Também não estou dizendo que comer salada com peito de frango é coisa de gente doida ou ruim para alguém. Saúde SEMPRE deve estar em primeiro lugar. Uma pessoa acima do peso com certeza tem que fazer dieta e exercícios para manter-se saudável, colesterol e glicose são coisas seríssimas, é preciso tomar muito cuidado. O abuso sempre é um equívoco. O que me incomoda é essa ideia absurda de que você ou o seu corpo não valem absolutamente nada se não se enquadrarem em determinadas medidas. É ouvir piadinhas sem graça sobre as gordurinhas de alguém, sobre o peso de alguém. É ver as lojas venderem cada vez roupas menores que nem mais nos manequins estão cabendo! Nos filmes, os protagonistas sempre são magros e alcançam o seu final feliz. Nos livros de romance, a mulher esguia sempre encontra o príncipe encantado (que também é magro!) e é feliz por toda a eternidade. Quantas vezes vocês leram um livro ou viram um filme onde os protagonistas são no máximo “gordinhos”? Pois é…
Garotas coloquem uma coisa na cabeça de vocês: Ser gorda não é pecado. Não é nojento, não é errado. É normal ter gordurinhas, você é humana, você é mulher! Suas ações, suas atitudes, suas escolhas definem você, não o número que aparece quando seus pés pisam sobre uma balança. É permitido comer um cupcake, uma torta de limão, uma pizza de vez em quando. Você não vai engordar 3 kg porque almoçou uma boa macarronada na casa da sua tia num domingo em família. Se algumas pessoas vão deixar de gostar de você porque seu corpo não entra mais naquele vestido PP, me diga: o que você ainda está fazendo perto desse tipo de gente? É realmente isso que deseja para toda a sua vida?
Pessoas felizes são aquelas que se amam, que amam os outros, que espalham alegrias às pessoas, aos animais, à natureza, independente de quanto pesam. Ter uma barriga negativa não segura homem, não segura emprego, não segura felicidade, não segura nada. Do contrário, não veríamos lindas atrizes e modelos, com o corpo ideal, afundadas em drogas em batendo ponto em clínicas de reabilitação ao menos uma vez por ano.
Parem de olhar o reflexo no espelho com obsessão e passem a observar todas as coisas que o mundo tem a oferecer. Parem de se sentir culpadas por ter um corpo diferente, por pesar 2 ou 3 kg a mais que suas amigas. Pecado é odiar a si mesma quando você tem tantas, mas tantas coisas a oferecer ao mundo. As melhores pessoas – aquelas que devemos levar para toda a vida – te amarão pela sua essência, pela sua alma, não pelo seu corpo.
Façam um favor a si mesmas e passem a amar-se. Tirem esse peso das costas, essa doença da cabeça. Porque se vocês não se amarem primeiro, é verdade que ninguém mais vai fazer isso por vocês.
Pensem nisso 😉

A Criação.

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Hoje só quero sentir a caneta
Sem palavras certas ou frases coesas
Desejo apenas sentar e observar
Uma linha de tinta transformar-se em letra.

Pelo mundo admiram-se
Diversos tipos de arte
A pintura, a música, a literatura
Este último do qual faço parte.

Enaltecem coisas completas
O quadro pronto, a canção composta, o livro escrito
Mas para mim nada é mais perfeito
Do que criar uma base para o infinito.

Da casinha do A
À sinuosa estrada do Z
O caminho de criar
E o que mais amo percorrer.

Uma por uma, lado a lado
As letras se unem, dando início ao seu bailado
E dançam uma perfeita valsa no salão
Que pavimentará o caminho da criação.

Bom ou ruim
Isso não importa
Não importa agora
A ponta fina segue
Segue escrevendo a sua história.

A tinta azul deslizando
Sobre o papel em branco
É o regozijo profundo
Que me salva do pranto.

 

Você.

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Acordar.
Tomar café.
Você.
Caminhada matinal.
30 minutos.
Volta pra casa.
Você.
Tomo um banho, pego o carro.
Ligo as notícias, dirijo com cuidado.
Respiro fundo antes de pisar no trabalho.
Você.
Dia tranqüilo.
Tarefas a fazer.
Tarefas feitas.
Hora do almoço.
Cenouras.
Você gostava de cenouras.
Você.
Você.
Você.
Ignoro as cenouras.
Não gosto mais.
Elas têm seu gosto.
Você.
Retorno ao escritório.
Trabalho.
Trabalho.
Trabalho.
Você.
Fim do expediente.
Eu tento, tento esquecer.
Juro.
Parece mentira.
Mas não é.
Penso no que tenho que fazer.
Comprar o presente de aniversário da Marcela.
Churrasco na casa do Robson no domingo.
Afazeres.
Compromissos.
E hoje?
O que tem pra hoje?
Você!
Não!
Não mais.
Não mais você.
O que tem pra hoje?
Basquete no fim da tarde na quadra com os amigos.
Troco de roupa, cumprimento os parceiros de jogo.
Sua voz.
Sua voz dizendo que me ama.
Sua voz dizendo que não me ama mais.
Cesta!
Você.
Conversa com os amigos após o jogo.
Assuntos banais, gargalhadas casuais.
Você.
Você.
Despedida.
Promessa de um próximo jogo na semana seguinte.
Trânsito.
Trânsito de São Paulo.
Você.
Que inferno!
Buzinas intermináveis.
Paciência se esgotando.
Ligo o rádio.
Essa rádio não presta.
Mudo.
Nossa música está tocando.
Merda!
Você.
Você.
Você.
Você.
Você.
Desligo o rádio.
Desisto.
O que mais eu tenho a fazer?
Barzinho no fim da noite.
Futebol na tv.
Você.
Menina bonita dos olhos claros.
Sorrio encarando-a.
Ela sorri de volta.
Me aproximo.
Ofereço-lhe uma bebida.
A conversa flui. Passam-se 2 horas.
O clima aparece e o beijo acontece.
Eu gosto. Ah, eu gosto!
Mas não é você.
Você.
Você.
Você.
Você.
Não a levo para casa.
A deixo no bar, com a promessa de um outro encontro.
De um encontro que eu não sei se vai se repetir.
Porque estou acompanhado.
Em minha mente doentia, estou acompanhado.
Volto pra casa com você.
Tomo banho com você.
Escovo os dentes com você.
Deito com você.
Durmo.
Durmo e sonho.
Sonho com você.
O que mais eu tenho a fazer?

Então escrevo-lhe esta carta pedindo, rogando por uma cura, por uma resposta.
Se me enfeitiçou, quero o antídoto!
Bruxa!
Me dê este antídoto!
Pago o que quiser, dou-lhe o que desejar!
Mas me dê o antídoto que me liberará de minha miséria.
Que me livrará de você.
Que me livrará do que sou quando penso em você.
Que te arrancará do meu organismo, do meu espírito.
Você, você e você.
Apenas você.
Todos os dias.
Todos os dias de minha vida.
Todos os dias de minha vida desde que você foi.
Você.

 

Trecho do livro “Cartas de Gaveta”. Para comprar o ebook, clique aqui!

Eu Não Sinto Sua Falta.

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Eu não sinto sua falta.
Sinto falta de quando respirávamos o mesmo ar. Do seu hálito se misturando com o meu e o frio no estômago na antecipação de um apaixonado beijo.
De quando o vencia no seu jogo favorito e você enrugava o nariz, dizendo que era sorte de principiante.
Sinto falta de encontrar músicas desconhecidas pela internet que descreviam perfeitamente nossa relação. De obrigá-lo a sentar-se no meu sofá velho enquanto eu pegava o violão e dedilhava sem talento nenhum as notas da pequena canção. De você gargalhando com o meu jeito musical atrapalhado e sem noção.
Eu não sinto sua falta.
Sinto falta de como ficava irritado quando outros homens olhavam para mim e sua mão apertava a minha, tentando controlar-se para não criar o tipo de confusão que eu detestava. Sinto falta dos ciuminhos desnecessários de alguns amigos que se faziam constantes demais em minha vida.
Eu não sinto sua falta.
Sinto falta de te ver trabalhar concentrado no notebook e de trazer um café para ajudá-lo a manter-se alerta. Sinto falta da piscadela de agradecimento e do sorriso que iluminavam seus olhos castanhos.
Sinto falta da competição que fazíamos antes de dormir, em que nos olhávamos em silêncio até o mais cansado adormecer primeiro.
Sinto falta de acordar pela manhã e vê-lo dormir com a boca ligeiramente aberta, como uma criança exausta após um longo período de extasiantes brincadeiras. Agora só o que vejo ao despertar é a lembrança de que um dia você esteve ali.
Sinto falta de quando você me beijava no momento em que eu começava a falar sem parar sobre meus pensamentos alucinados e automaticamente fazia-os silenciar-se em meu cérebro. Eu tenho pensado demais outra vez… demais… demais… demais…
Sinto falta da ideia de que éramos perfeitos um para o outro, de que conseguiríamos atravessar todos os obstáculos em nome de algo maior. Sinto falta dos sonhos, das promessas, da história que registramos nas paredes do Universo.
Dos nomes planejados para os filhos que dizíamos não querer ter. Juliana, caso fosse menina. Maurício caso fosse menino. Sim… Eu sinto muita falta disso.
De você elogiando minha caligrafia após todos os anos que levei para aperfeiçoá-la. Dos poemas que você rabiscava em qualquer papel pela casa, dedicando-os à mim, mesmo não tendo noção de métrica ou estrutura.
Sinto falta do café da manhã, do almoço, dos lanches, dos jantares, das sobremesas e do ataque furtivo à geladeira às 3 da madrugada.
Sinto falta de tantas, tantas grandes coisas, de tantas pequenas coisas, tantas mínimas coisas…
Porém não sinto sua falta.
Eu juro, juro, juro que não sinto sua falta.
Mas eu sinto.

Carta Aberta Ao Sr. Medo.

love fear

Querido Medo,

Escrevo esta carta para comunicar-lhe que já é hora de colocarmos um ponto final em nossa relação. Você viveu dentro de mim por tanto tempo que muitos acreditavam que este era um casamento feliz. Inclusive eu pensava da mesma maneira. Achava que você me protegia das dores do mundo e muitas vezes o seu escudo foi necessário à minha sanidade. Mas nossa relação está desgastada e, sinto muito se estou sendo fria demais em escrever isso, não necessito mais de sua presença. Os anos passam, a gente cresce e amadurece, e nossos olhos passam a enxergar coisas que por tanto tempo viveram no escuro.
Eu conheci um outro alguém. O nome dele é Coragem e sua companhia me tem sido muito proveitosa. Coragem me leva a lugares onde nunca antes pensei chegar e consegue tirar o melhor de mim. Me sinto muito feliz e pronta para novos desafios, para enfrentar o ridículo e descobrir novas facetas de minha própria personalidade.
Acredite quando digo que tentei me relacionar com os dois, para que ninguém saísse machucado. Acreditava verdadeiramente que poderia me jogar no mundo e me manter protegida ao mesmo tempo. Entretanto, como pode perceber, isso não foi possível. Coragem é alguém bastante expansivo e está ocupando todo o espaço vazio que há em mim. Espero que consiga compreender a minha escolha.
Agradeço-lhe por todos esses anos de companhia e prometo esquecer todos os males causados por seu profundo zelo para comigo. São águas passadas, querido, e ambos devemos tirar boas lições destas experiências.
Se me permite um conselho em nome de todos os anos de companhia, acho que você deveria procurar um profissional para tratar dessa sua obsessão em anular a vida de outras pessoas, obsessão que você prefere chamar de “proteção”. Estamos no mundo para dar a cara à tapa, para nos machucar a qualquer momento e aproveitar ao máximo a existência que nos foi dada. É normal amar, chorar, sofrer, se decepcionar, se frustrar, errar… Machuca, é verdade, mas aprendi muito com a minha amiga dor e sem ela não há crescimento. Você está fazendo mal a si mesmo e a todos que tentam amá-lo e anseio pelo dia em que enxergará a realidade de sua situação. Desejo a proximidade deste dia com afã. Desejo-lhe também toda a felicidade do mundo e espero que aceite de bom grado nossa separação. Será melhor para os dois, acredite.

Com toda a sinceridade,
Amor.