Conheça La Oreja De Van Gogh.

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Quem são: La Oreja De Van Gogh é um grupo pop espanhol que figura no cenário musical desde 1996. Seu nome provém do famoso episódio histórico em que o pintor Vincent Van Gogh, num surto psicótico, corta um pedaço da própria orelha.
A banda inicialmente era composta por Xabi San Martín, Pablo Benegas, Álvaro Fuentes, Haritz Garde e Amaia Montero. Mas Amaia deixou a banda para seguir carreira solo e em 2008 foi substituída por Leire Martínez.

O Trabalho: LODVG possui sete álbuns e já vendeu mais de 8 milhões de cópias pelo mundo.
Uma das características da banda são suas letras repletas de poesia. Sejam inspiradas na vida real dos artistas ou apenas ficção, as músicas costumam contar histórias de amor sob as mais diversas formas. Uma de suas músicas mais famosas, intitulada “Jueves”, foi inspirada no atentado terrorista do dia 11 de Março de 2004 em três estações de metrô em Madrid, que deixou quase 200 mortos e milhares de feridos.

Top 3 de músicas favoritas:

1)    La Playa

2)    Jueves

3)    Maria

Media: http://www.laorejadevangogh.com/

14 – Virginia E Suas Ondas.

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Um novo livro de Virginia Woolf está na vitrine de uma livraria. Mesmo morta há tanto tempo, mais um livro seu é lançado. Sorte para nós. Ou para mim, pelo menos. Posso respirar aliviada ao saber que existem mais letras de Virginia a serem lidas.
Virginia não é só uma escritora preferida. Não é esse alguém que morou em outro país, falava outra língua e viveu em outra época. Virginia é uma amiga. A melhor amiga. Daquelas que atravessam a pele. A que tem a coisa certa a dizer quando você mais precisa. A que te faz sentir que tudo vai ficar bem – mesmo que não tenha ficado para ela. É daquelas amigas que a gente já considera parente. Ela está comigo todos os dias, bem pertinho de mim, mais presente do que pessoas que moram em meu país, falam minha língua e vivem em minha época.
Nos conhecemos quando eu tinha dezesseis anos. Adolescentes acham o maior barato uma carta de amor suicida. Quis me aprofundar um pouco mais naquela alma atormentada e não deu outra! Nosso amor irremediável pelo mar foi o assunto principal de nossa atração. O primeiro e derradeiro laço.
Dizem-me ser quase impossível ler “As Ondas”. O fluxo de consciência, a vida manchada dos seis personagens misturando-se como cores dentro de uma bolha de sabão, a narrativa poética e que não segue o típico “início – meio – fim”… Os que conheço tiveram problemas com o livro. Eu não. Para mim não teve muita coisa estranha. Foi como ouvir uma mente que já conheço de vidas passadas falando sobre coisas e lugares que não me são desconhecidos. Foi como encontrar uma porta aberta e ver-me finalmente em casa.
Quando a vida fica difícil, quando o ar parece pesar mais que uma tonelada sobre mim, corro para os braços de minha amiga, me jogo sobre seu mar e me deixo boiar em suas ondas enquanto o mundo explode lá fora. Nossas águas se misturam, trocamos vivências, nos conhecemos mais ainda e então, de súbito, algumas das principais questões sobre o Universo me parecem claras. Para mim, Virginia e o mar sempre têm todas as respostas.
Um novo livro de Virginia Woolf está na vitrine de uma livraria. Sorrio. É hora de reencontrar minha amiga e dizer-lhe que estava morrendo de saudades.

Sonhos De Espuma.

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Quando criança, tinha sonhos de espuma.
Sua pequena mente criava grandes coisas.

O algodão doce era uma nuvem que se podia tocar.
As borboletas eram flores renascidas que aprenderam a voar.
Árvores eram as avós que morriam e se recusavam a abandonar seus netos.
E uma moeda de chocolate era privilégio de quem tinha fortuna.
Quando criança, o mundo era o seu lugar.
Cantava com os pássaros na primeira hora da manhã.
E um dia até casou um sapo com uma rã!
Folhas caídas do outono eram presentes do vento
Que largavam qualquer ventania para vê-la desfilar.
Quando era criança acreditava ser dona do mar.
Acreditava ser dona de tudo, até a mocidade chegar.

Então eles entraram.
Chamaram-na de boba, estúpida, imatura, cheia de muitos sonhos, sem noção de espaço e tempo.
Afinal, como pessoas poderiam falar com o vento?
Teve que aprender com os grandes a conviver, a grudar os pés no chão, a estourar as mais belas bolhas de sabão, a abrir tantos buracos em si até só sobrar espaço para a solidão.
Deram-lhe a receita de como matar-se para renascer, mas nenhuma asa de borboleta em suas costas esboçou crescer.
Quando criança, tinha grandes sonhos de espuma.

Agora era apenas adulta.

 

Quase 22.

22

Leia a primeira parte aqui.

Ainda havia uma menina sentada no banco da praça.
Mesmo 365 dias depois, ainda não havia ninguém ao seu lado.
Talvez ela já tivesse alguém.
Talvez já tivesse encontrado a si própria.
Talvez.
Mas continuava com as mãos sobre o colo e o olhar perdido no nada.
Ainda com chuva, ainda com sol.
Todos os dias.
Na mesma hora.
No mesmo lugar.
Uma menina que continuava sendo observada por duas velhinhas que estavam de passagem. E apenas isso.

— Olhe, Martha! Olhe quem está ali!
— Ah, a menina do banco… – comentou a velhinha sem a mesma empolgação da outra. – Ela estava sumida, não estava? Achei que estivesse… Espere! Ela está chorando? O que será que houve?
— Não está sabendo? Dizem por aí que ela foi quebrada por um “eu te amo”. E ainda não descobriu como remontar seus cacos.
— Como você sabe disso, Eva?
— Uma vizinha minha é prima de uma vizinha dela. E me contou. – respondeu sem tirar os olhos de seu objeto de especulações.
— Ahn… Ela deveria estar feliz, não? Não queremos todos amar e ser amados? Qual o problema dela?
— Não sei… Talvez, às vezes, achamos que não merecemos ser amados. E mantemos a pose, nos fingimos de forte, como se estivéssemos bem sem amor. – Eva fez uma pausa enquanto sua mente voltava ao passado. – Falo isso pela minha própria história… O orgulho pode ser um ótimo sustento, sabe? Mas um “eu te amo” dito com alma é capaz de arrebentar qualquer parede de mármore que tenhamos construído em nós mesmos. – ela notou o olhar assustado da amiga e sentiu-se constrangida. – O que foi? Disse algo errado?
— Desde quando você entende tanto de dramas adolescentes?
— Ela não é uma adolescente! Deve estar com quantos anos? Quase 22? Ela já é adulta!
— Do jeito que é desocupada e fica chorando e sentada no banco de uma praça, não parece…
— Não fale dessa forma, Martha… – repreendeu com delicadeza. – Eu não sou entendida, nem nada, e nem conheço a menina… Só penso que os anos passam correndo demais e acabamos por esquecer que um dia fomos jovens, queira você chamá-los de dramáticos ou não, com sonhos quebrados num banco de uma praça.
— Bom, minha amiga, não sei você, mas eu nunca tive tempo a perder com essas frescuras! Acho melhor irmos logo, não podemos mais perder tempo com isso.
— Ainda acho que deveria assar alguns cupcakes para aquela menina. Talvez fosse ajudá-la de alguma forma…
— Não seja tola! Como uns bolinhos podem fazer diferença na vida de alguém? E é como você disse, não sabemos nada sobre essa menina. Vai ver ela só ficou com alguma nota baixa em uma prova e você aí criando grandes histórias de amor para ela na cabeça.
— Pode ser, mas…
— Vamos deixar de besteira e ir para a missa, pois já estamos atrasadas! Hoje o sermão do padre vai ser sobre compaixão! O Padre Cícero fala com tanta sabedoria que sempre me deixa emocionada! Tenho certeza de que vai estar maravilhoso!

Martha saiu andando na frente falando sobre suas aspirações em relação à missa. Eva relutava em sair dali, mas seguiu a amiga a passos lentos. Mas antes que se afastassem muito, Eva virou o rosto para trás, apenas para ver os olhos chorosos encontrando-se com os dela.
A menina lhe sorriu entre lágrimas.

Love, Love, Love.

love

 

“A escuridão não pode afastar a escuridão, apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode afastar o ódio, apenas o amor pode fazer isso.” – Martin Luther King

Por mais que você evite, seu caminho sempre cruzará com energias fortes de ódio, tristeza, raiva, rancor, injustiça e outros sentimentos negativos que podem estragar o dia de qualquer pessoa. E bater de frente com essas energias apenas lhe trarão mais aborrecimentos e traumas para o espírito. Lutamos muitas guerras desnecessárias durante os anos e geralmente pagamos na mesma moeda alguma ofensa ou qualquer mal que nos tenham feito. É compreensível no começo, pois qualquer um se magoa, se fere, se decepciona. Mas depois que crescemos e amadurecemos, é fácil perceber que a maioria dessas lutas cara a cara contra coisas ruins não valeram a pena. Apenas deixaram marcas e cicatrizes que durante muito tempo não conseguimos apagar. Algumas, talvez, nem conseguiremos.
Como disse Martin Luther King, “o ódio não pode afastar o ódio, apenas o amor pode fazer isso.” Está mais do que na hora de começarmos a compreender e viver sob esse pensamento.
Por isso, cada vez que se deparar com tanta negatividade, escolha sempre o amor. Ele está tão presente em nossas vidas, está tão intrínseco em cada um de nós que às vezes esquecemos de enxergá-lo e vivê-lo plenamente, com todo o potencial que temos.
Quando o mundo te entregar lixo (e acredite, ele vai!), faça arte com isso. Crie amor com isso. Porque se você construir ódio, raiva ou rancor, você vai se tornar apenas mais um lixo nesse mundo.
Então seja a arte no mundo, seja o amor no mundo. Seja algo bom em meio a tanta coisa ruim. Ninguém disse que seria fácil, mas é necessário, todos os dias, tentar e tentar quantas vezes forem necessárias.
Se você ainda não sabe como lidar com isso, tente essas coisas:
Para a cura contra o rancor, abrace o seu animal de estimação. Não há energia melhor para começarmos nosso dia (Se você não tem um animal de estimação, arranje um! Eles precisam de amor e sabem retribui-lo muito bem!).
Para a cura contra a injustiça, faça caridade. Há incontáveis pessoas precisando de seu toque e de sua atenção. Se você acha que tem pouco, acredite, existem muitos que não têm absolutamente nada. Vá ser alguma coisa para alguém.
Contra a tristeza, coloque sua música favorita e cante, dance e grite como se ninguém estivesse vendo.
Contra a raiva, compre um buquê de flores e presenteie alguém muito especial.
E contra o ódio, olhe bem fundo nos olhos da pessoa que você mais ama e diga, do fundo do coração: “obrigado (a) por existir.” Não há remédio melhor do que sentir aquela pessoa em seu mundo e perceber o quão sortudo você é por terem se encontrado no meio desse mar de gente.
Por mais que o planeta esteja de cabeça para baixo e as pessoas pareçam enlouquecer a cada segundo, o amor é e sempre será a arma mais poderosa para lutar contra tudo que nos deixa sem vontade de levantar da cama todos os dias. Nós somos feitos de amor e temos todo o poder para lutar contra o que quer que seja. Temos o potencial de sermos melhores para nós mesmos e para aqueles que amamos. Para aqueles que precisam de amor.
Só nos falta acreditar nisso.

Eu Vejo Você.

 

 

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Para todos aqueles que conseguem enxergar além.

Olhe para mim. Você me vê?
Me olhe, não tire os olhos… Eu preciso viver.
O mundo está correndo, está correndo sem parar. Eles não estão vendo; não sei por quanto tempo mais poderei aguentar.
Olhe para mim. Você me vê?
O que você vê?
Meu corpo, minha pele, o meu não ser?
Olhe para mim! Me enxergue, me atravesse, não me deixe sumir assim!
O mundo está correndo, está correndo sem parar.
Pessoas, carros, ônibus, trens, barulho, mais pessoas, mais ônibus, mais barulho, mais entulho, mais tudo, mais tudo e mais nada.
O mundo está correndo e permaneço aqui parada.
Por favor, olhe para mim! Me diga, o que você vê?
Eu sou alma, fluidos, matéria, energia, mais fluidos, sentimentos, mais alma, muita alma, tanta alma, tanta, tanta que me perco em meu próprio corpo. Me diga se você me enxerga antes que eu vire sopro!
Sou alguém, sou ninguém, sou outrem, pouco alguém, pouco nada, quase ninguém. Olhe para mim e por favor, por favor, por favor, enxergue mais além!
Por favor, por favor, por favor… Não quero mais ser só pavor!
Olhe para mim.
Isso… simplesmente assim.
Agora estamos aqui frente a frente.
Agora estamos aqui com o olho no olho; permanente.
Junto minhas mãos, ajoelho sobre o chão, pergunto em delicada súplica: “Afinal, o que você vê?”
É quando a salvação me encontra em sua doce réplica: “Eu vejo você.”

Homens Sem Pátria.

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Um homem não é um homem sem sua pátria.
Não passa de um corpo trafegante por ruas, por sinais, atravessando mapas, cruzando fronteiras, sem nunca encontrar sua paz.
O homem sem pátria é um incapaz.
Incapaz de encontrar-se, de olhar-se no espelho e reconhecer quem se tornou. Nenhum homem é o mesmo com a recordação da terra que abandonou.
O homem sem pátria se debruça sobre músicas de sua antiga região, mantém deliberadamente o sotaque, vive de fotografias e memórias esparsas, mas nada disso passa de algo que já foi tão concreto e real.
O homem sem pátria é uma farsa.
Ele pode perder a mulher amada, os pais, os amigos e ver-se em completa solidão. Mas nenhuma dor é uma dor maior do que a do homem que não sente seus pés sobre o próprio chão.
O vazio que sente um homem sem pátria sequer tem comparação.

Nesta terra mecânica, em plena era eletrônica, pertencemos à casas, não a lugares; pertencemos a aparelhos que nos transportam magicamente a um novo sitio num clicar de dedos. Mas o vazio, essa sombra invisível que por todo organismo se espalha, permanece, permeia; não importa o que nossos olhos encontrem, nada é o bastante se aquilo o coração não anseia.
Somos todos homens sem pátria, sem chão, sem lar. Vagamos pelo mundo em questão de minutos, entretanto, não pertencemos a nenhum lugar.
Somos todos 7 bilhões de homens sem pátria… E ainda não descobrimos para onde queremos retornar.

O Balão.

o balão

 

O fitilho escorrega da mão
Vai subindo
Vai subindo
Vai subindo o balão.

A menina grita
Chora
Briga
Deita no chão
Enquanto vai subindo
Vai subindo o balão.

Pequenas pernas não conseguem pular
Por mais que tente, o balão
Não consegue alcançar
Foi apenas um segundo
Um segundo a brincar
E agora o balão sobe
Sobe
Sobe sem parar.

Ela sabia
Não seria para sempre
Balões minguam,
Murcham
Morrem
Sobre o chão a esvaziar.
Balões viram ar
Quando deixam o ar entrar.

Isso muito não poderia durar
Mas todos pecamos pela mania de sonhar.
Ela e o balão, lado a lado
Juntos deveriam estar.
Em poucos ou longos dias
O veria acabar
Gradativamente
Numa despedida comovente
Até o tempo os separar.

Mas o fitilho escorregou
Antes que uma história de amor
Pudesse começar.

Bonitas esperanças
Flutuando pelo ar
Sonhos de criança
Sempre tem prazo pra acabar.

Ela ainda permanece
Exatamente no mesmo lugar
Enquanto o balão sobe
Para nunca mais voltar.

O Plano É Não Fazer Planos…

2015

O cenário é sempre o mesmo: fim de ano, preparativos para o ano que está para chegar e mil planos e promessas na cabeça para realizar nos 365 dias seguintes. No fim do próximo ano olharemos nossas listas de desejos a cumprir e perceberemos que não fizemos nem 20% do que pretendíamos. Então voltamos a fazer os mesmos planos e promessas para no outro ano nos deparar com o mesmo cenário. Quantos de vocês se identificam com essa imagem? Eu tenho feito isso desde que me entendo por gente.
Contudo, esse ano resolvi fazer diferente. Resolvi deixar de lado a minha mania de ser uma “control freak” o tempo todo e permitir simplesmente que a vida aconteça para mim.
Já cheguei à conclusão de que não adianta fazer planos e mais planos por dois motivos: 1) Eu sempre esqueço ou tenho preguiça; 2) A vida é algo incontrolável.
Quantas vezes não desenhamos mapas de nossa trajetória nos mínimos detalhes para logo nos vermos jogados do outro lado da margem completamente perdidos, sem saber o que fazer? Quantas vezes não fomos surpreendidos por fatos extraordinários, que jamais pensaríamos poder viver? Comigo parece acontecer o tempo todo. E, na maioria das vezes, me pego sempre receosa, já pronta para fazer mais planos para “consertar” os desvios do caminho. E isso é exaustivo demais.
Por isso em 2015 quero me deixar levar sem planos, sem roteiros, sem nada que crie uma grande expectativa, sem nenhuma ideia que possa vir a me frustrar. Talvez seja um pouco assustador pensar que não há um chão certo onde pisar, mas eu sinceramente ando cansada de coisas exatas e previsíveis. Há uma certa beleza no desconhecido, esse não saber o que aguarda o futuro, o que pode acontecer se eu finalmente me deixar mergulhar nas oportunidades e descobrir o que existe muito além do medo. Viradas de ano são uma ótima oportunidade para recomeços, ainda que puramente simbólicos. Parece que há um novo ponto de partida, um reboot de uma corrida do qual você não foi o campeão, mas onde pode tentar outra vez. Viradas de ano são sinônimos de esperança e acho que isso é o mais bonito nas comemorações de fim ano: acreditar que tudo pode dar certo outra vez, não importa quantas vezes tenha dado muito errado antes.
Que nesta virada possamos planejar apenas ter coragem para encarar os desafios, para ir de encontro ao desconhecido de peito aberto e descobrir novas faces de nós mesmos.
Feliz 2015!

Claridade.

claridade

A claridade me cansa
Me vence
Me avança.
A luz me adoenta
Me enche
Me entope
De barulhos divergentes
À gritos de crianças.

A claridade nunca está sozinha.
Vem acompanhada de sons
De dores
De fortes tons de cores.
É tudo muito brilhante
Muito gritante
Muito excruciante
A claridade parece sorrir a todo instante.

Tenho olhos grandes, mas não possuo cortina.
Sou invadida
Quebrada
Arrebentada
Cada vez que tento olhar o mundo
Nas primeira horas da matina.

Como as pessoas conseguem
Viver
Crescer
Vencer
E morrer
Sem sentir nenhuma dor na retina?

A claridade me derruba
Antes mesmo que eu levante
Coisa de gente
Sem qualquer lógica restante:
Morro de medo do escuro
E acho a luz extremamente irritante.