Meus 9 Trechos Favoritos do Livro “Terra Sonâmbula”, de Mia Couto.

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Terra Sonâmbula, primeiro livro do premiado escritor moçambicano Mia Couto, é um livro fantástico em todos os sentidos da palavra. Pretendo falar melhor sobre o livro em uma futura resenha, mas limito-me a dizer aqui que é um daqueles livros repletos de poesia em prosa, onde você precisa de um caderninho para anotar frases, trechos que lhe atingem a alma.
O livro quase todo merecia ser destacado, mas aqui coloco os trechos que mais me tocaram e me inspiraram na leitura desta maravilhosa obra:

1) “- Não gosto de pretos, Kindzu.
– Como? Então gosta de quem? Dos brancos?
– Também não.
– Já sei: gosta de indianos, gosta de sua raça.
– Não. Eu gosto de homens que não tem raça.”

2) “Se o cansaço é uma velhice súbita eu já me contava pelas últimas idades.”

3) “Os sonhos são cartas que enviamos a nossas outras, restantes vidas.”

4) “Não inventaram ainda uma pólvora suave, maneirosa, capaz de explodir os homens sem lhes matar. Uma pólvora que, em avessos serviços, gerasse mais vida. E do homem explodido nascessem os infinitos homens que lhes estão por dentro.”

5) “A dor, afinal, é uma janela por onde a morte nos espreita.”

6) “O que é perder-se? Muita gente, acreditando ter a certeira direção, nasce já equivocada.”

7) “Ambos queríamos partir. Ela queria sair para um novo mundo, eu queria desembarcar numa outra vida.”

8) “Em terra de misérias um pequeno nada é olhado com muita inveja.”

9) “Eu sei que em cada mulher a gente lembra outra, a que nem há. Mas Carolinda me entregava essa doce mentira, o impossível cálculo do amor: dois seres, um e um, somando o infinito. Se aproximou e me acariciou os braços ali onde as cordas me doeram. A cintura de suas mãos me afagavam, em suave arrependimento. Aquele momento confirmava: o melhor da vida é o que não há-devir.”

George R. R. Martin Dá 3 Dicas Essenciais Para Todo Escritor Iniciante.

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George R. R. Martin, autor da famosíssima saga Games Of Thrones, compartilha sua experiência como escritor oferecendo esses 3 conselhos para qualquer aspirante a escritor:

Leia.

A coisa mais importante para qualquer aspirante a escritor, na minha opinião, é ler. E não apenas aquelas coisas que você está tentando escrever, seja fantasia, si-fi, comic books, o que seja. Você precisa ler de tudo. Leia ficção, não-ficção, revistas, jornais. Leia livros de história, ficção histórica, biografias. Leia romances de mistério, fantasia, terror, clássicos da literatura, eróticos, aventuras, sátiras. Todo escritor tem algo a lhe ensinar, seja ele bom ou ruim (e sim, você pode aprender com livros ruins também – aprender o que não fazer)

Escreva.

Escreva todos os dias, mesmo que seja uma página ou duas. Quanto mais você escreve, melhor fica. Mas não escreva em meu universo, ou no universo de Tolkien, ou no universo da Marvel, ou no universo de Star Trek, ou qualquer outro cenário emprestado. Todo escritor precisa aprender a criar seus próprios personagens, mundos, ferramentas. Usar o mundo de alguém é uma saída preguiçosa. Se você não exercitar os seus “músculos literários”, você nunca os desenvolverá.

Comece com histórias curtas.

Dada a realidade do mercado atual de ficção científica e fantasia, eu também sugiro que qualquer aspirante a escritor comece com contos. Atualmente conheço muitos jovens escritores que decidem começar com um romance logo de cara, ou uma trilogia, ou uma saga de 9 livros. Isso é como começar o alpinismo pelo Monte Everest. Contos o ajudam a aprender o ofício. Eles são um ótimo lugar para que você cometa os erros que todo escritor iniciante irá cometer. Eles ainda são o melhor caminho para um escritor se revelar, já que revistas literárias estão sempre famintas por contos de ficção científica e fantasia. Uma vez que você estiver vendendo contos por um período de mais ou menos cinco anos, você terá feito um nome, e então editores começarão a perguntar a você sobre seu primeiro romance.

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O Calendário da Sabedoria – Livro de Tolstói Reúne Frases Inspiradoras Para A Vida De Qualquer Ser Humano.

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O escritor Liev Tolstoi é conhecido ao redor do mundo pelos clássicos “Guerra e Paz”, “Anna Karienina” e “Ressurreição”, seus livros mais famosos e influentes. Contudo, um livro em especial passa despercebido entre tantos monstros que farão para sempre parte da elite literária: “O Calendário da Sabedoria”.
Tolstói acreditava que o livro seria uma de suas maiores contribuições para a humanidade e passou em torno de 15 anos reunindo pensamentos de escritores, filósofos, provérbios etc. para este projeto.
Em 1885, ele resumiu suas ideias sobre a obra para o seu assistente, Vladimir Chertkov, com as seguintes palavras: “Eu sei que isso (os pensamentos) dá a alguém grande força interior, tranquilidade e felicidade em se comunicar com grandes pensadores como Sócrates, Epictetus, Arnold, Parker. … Eles nos dizem sobre o que é mais importante na humanidade, sobre o significado da vida e sobre a virtude… Eu gostaria de criar um livro… onde eu pudesse falar a alguém sobre a vida dele e sobre os bons caminhos da vida”.
Tolstói escreveu sobre o livro em seus diários diversas vezes, frases empolgadas como: “O que pode ser mais precioso do que se comunicar todos os dias com os homens mais sábios do mundo?”
Abaixo, 4 frases tiradas da antologia:

1) “Não se arrependa do passado. Qual é a utilidade dos arrependimentos? A mentira diz que você não deve se arrepender. A verdade diz que você deveria ser preenchido pelo amor. Empurre todas as memórias tristes para longe de você. Não fale do passado. Viva na luz do amor, e todas as outras coisas serão dadas a você.” – Provérbio Persa

2) “Uma pessoa sábia pensa mais sobre a vida do que sobre a morte.” – Benedictus Spinoza

3) “Quando você sentir o desejo pelo poder, você deve permanecer solitário durante um tempo.”  – Henry David Thoreau.

4) “Não se permita ser infectado pelo humor ou espírito daqueles que o maltratam; não fique no caminho deles.” – Marcus Aurelius

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“O Poema”, por Ivan Junqueira.

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Retirado do caderno Prosa e Verso do jornal O Globo

Não sou eu que escrevo o meu poema:
ele é que se escreve e que se pensa
como um polvo a distender-se, lento
no fundo das águas, entre anêmonas
que nos abismos do mar despencam.

Ele é que se escreve com a pena
da memória, do amor, do tormento,
de tudo o que aos poucos se relembra:
um rosto, uma paisagem, a intensa
pulsação da luz manhã adentro.

Ele se escreve vindo do centro
de si mesmo, sempre se contendo.
É medido, estrito, minudente
música sem clave ou instrumentos
que se escuta entre o som e o silêncio

As palavras com que em vão o invento
não são mais que ociosos ornamentos,
e nenhuma gala lhe acrescentam.
Seja belo ou, ao invés, horrendo,
a ele é que cabe todo o engenho,

não a mim, que apenas o contemplo
como um sonho que se sustenta
sobre o nada, quando o mito e a lenda
eram as vísceras de que o poema
se servia para ir-se escrevendo.

 Ivan Junqueira foi jornalista, poeta, tradutor e crítico literário brasileiro. Morreu no dia 3 de jullho de 2014, aos 79 anos.

Stephen King Aceita O ALS Ice Buckett Challenge E Toma Um Banho De Gelo!

Todos que possuem uma rede social sabem o que é o ALS Ice Buckett Challenge. Muitas pessoas e principalmente celebridades estão aderido à campanha contra a esclerose lateral amiotrófica, também conhecida como doença de Lou Gehrig.
Até Stephen King, autor de grandes clássicos do terror como Carrie, a Estranha, O Iluminado, entre outros, entrou na brincadeira.
Stephen é o primeiro escritor que vejo fazendo parte da campanha e – além de ser fofíssimo no vídeo – ainda indicou outro escritor, o John Grisham (que escreveu A Firma, livro que inspirou o filme homônimo protagonizado por Tom Cruise) para tomar um banho de gelo também!
Vejam o vídeo:

Conheça Sarah Kay.

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Quem é: Sarah Kay nasceu no dia 19 de junho de 1988, em Nova York, nos Estados Unidos. Desde os 14 anos, Sarah escreve poesias e começou a proclamá-las em um evento de spoken poetry (literalmente “poesia falada”, um tipo de arte muito popular nos Estados Unidos, onde o poeta sobe ao palco para interpretar suas próprias poesias) Bowery Poetry Club. Se formou em Arte da Educação na Brown University e tem doutorado em Letras pela Grinnell College. Em 2007, Sarah interpretou um dos seus poemas no canal televisivo HBO, no programa Def Poetry Jam.

O Trabalho: Sarah Kay fundou, ao lado de seu melhor amigo Phil Kaye, o projeto VOICE, uma organização que busca a usar a spoken poetry como ferramenta de auto-expressão e educação ao redor do mundo. Sarah alcançou grande reconhecimento quando fez uma palestra e declamou dois de seus poemas no evento TED (organização que oferece palestras inspiradoras de até 18 minutos com o intuito de propagar ideias e experiências em diversas áreas), e seu vídeo no youtube tem mais de 6 milhões de visualizações.
Sarah Kay também alcançou o primeiro lugar na Amazon com seu livro de poemas intitulado “B.”

Top 3 de Melhores Trabalhos:

 

(1)

 Palestra + os poemas “Point B” e Hiroshima:

 

(2)

 When Love Arrives:

 

 

(3)

 The Type:

 

Media:

 http://www.kaysarahsera.com/project-voice

 http://www.ted.com/speakers/sarah_kay#

 https://www.facebook.com/kaysarahsera

“O Que É O Amor?” – 8 Escritores Da Literatura Mundial Respondem A Esta Pergunta.

“O que é o amor?”
Acredito que, ao lado de “O que é felicidade?”, é uma das perguntas mais difíceis e subjetivas de se responder.
Cada um tem sua própria definição de amor, de felicidade, do que faz uma vida completa e verdadeiramente feliz. Cada um tem suas prioridades, seus gostos, suas individualidades, o que faz com que respostas “certas” para tais perguntas sejam impossíveis de existir.
Contudo, que lugar melhor para se tratar dessas questões que não a Literatura? O mundo da escrita é repleto de reflexões originais e interessantíssimas. Uma das tarefas do escritor é pegar um sentimento, um pensamento e dar sua própria definição sobre o assunto. O amor é um dos tópicos principais da maioria dos livros, seja através de romances, contos, ensaios e até mesmo de biografias. É um tópico que nunca se esgota, que nunca terá um limite de interpretações. E é um tema que nós, leitores, jamais enjoaremos de refletir e discutir sobre.
Partindo deste princípio, aqui está uma lista do que significa a palavra “amor” para os maiores escritores da Literatura mundial:

1) Para C.S Lewis:
“Não há investimento seguro. Amar é estar vulnerável. Ame qualquer coisa e seu coração estará apertado e possivelmente quebrado. Se você quer estar seguro de mantê-lo intacto, você não deve oferecer o seu coração a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em hobbies e pequenos luxos; evite quaisquer relacionamentos; tranque-o seguramente num cofre ou num caixão de seu egoísmo. Mas no cofre – seguro, escuro, sem emoção, sem ar – irá mudar. Não irá se quebrar; se manterá inquebrável, impenetrável, irremediável. A alternativa para a tragédia, ou até mesmo o risco da tragédia, é a danação. O único lugar fora do paraíso onde você pode estar completamente a salvo de todos os perigos e perturbações do amor é no inferno.”

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2) Para Charles Bukowski:
“O amor é como quando você vê uma névoa pela manhã, quando você acorda antes do sol nascer. É por pouquíssimo tempo, e então desvanece… O amor é a névoa que desaparece com o primeiro raio de luz da realidade.”

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3) Para Shakespeare:
“O amor não olha com os olhos e sim com a mente”

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4) Para Fyodor Dostoyevsky:
“O que é o inferno? Eu afirmo que é o sofrimento por ser incapaz de amar.”

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5) Para Paulo Coelho:
“O amor é uma força indomável. Quando tentamos controlá-lo, ele nos destrói. Quando tentamos prendê-lo, ele nos escraviza. Quando tentamos entendê-lo, ele nos deixa confusos e perdidos.”

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6) Para Haruki Murakami:
“Qualquer um que se apaixona está procurando partes perdidas de si mesmo. Então aquele que se apaixona fica triste quando pensa em seu amante. É como voltar a um quarto do qual você possui boas memórias, um quarto que você não vê há muito tempo.”

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7) Para Honoré de Balzac:
“Quanto mais se julga, menos se ama.”

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8) Para Agatha Christie:
“É um pensamento curioso, mas é somente quando você vê alguém parecer ridículo é quando se percebe o quanto você o ama.”

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Para mais definições, clique aqui!

Resenha: A Casa Das Estrelas.

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“A distância é alguém que se vai de alguém.” – Juan Camilo Osório, 8 anos.

“A eternidade é esperar uma pessoa.” – Weimar Grisales, 9 anos.

O lugar é um pequeno colégio, no estado de Antioquia, na Colômbia. O professor Javier Naranjo, num despretensioso desafio, pede que seus alunos do curso primário definam a palavra “criança”. O que é criança para uma criança? Para Luis Gabriel Mesa, de 7 anos, uma criança é “um amigo, que tem o cabelo curtinho, joga bola, pode brincar e ir ao circo”. Para Johanna Villa, de 8 anos, uma criança é “algo que não é cachorro, é um humano que todos temos que apreciar bem”. A partir dessas definições curiosas, o professor – abismado, impressionado com a descrição curiosa de pessoas tão pequeninas – passou a propor esse desafio em todas suas aulas, onde seus alunos descreviam a sua visão do mundo através de uma única palavra proposta.
O livro “A Casa das Estrelas” é uma reunião de todas essas interpretações únicas, resultado de anos de trabalho. Javier Naranjo colheu o que de melhor foi descrito e nos proporciona uma visão totalmente nova desse mundo em que um dia vivemos tão intensamente e que hoje, no mundo dos adultos, parecemos ter esquecido com extrema facilidade.
Acredito que subestimamos as mentes das crianças. Nos chamamos de “adultos”, somos estudados, vividos e desenvolvidos (em tese), e queremos ter sempre todas as respostas.  Mas o mundo não funciona dessa forma. Se tivermos dispostos a descer de nosso pedestal de arrogância, poderemos enxergar nossa existência de outra forma. E muitas vezes essa lição pode vir da mente de uma criança.
“A Casa das Estrelas” é um livro simples, pequeno, entretanto, bastante enriquecedor. Nos faz refletir um pouco mais sobre a inteligência das crianças e todo o seu enorme poder de observação. É um livro bem leve, cheio de gravuras apaixonantes, e pode ser lido em um único dia.
Indicação imprescindível para todos os educadores e para aquela criança adormecida que ainda vive dentro de nós.

Nome: A Casa Das Estrelas – O Universo Contado Pelas Crianças
Autor/Seleção: Javier Naranjo
Editora: Foz Editora
Número de Páginas: 125

Resenha: Um Teto Todo Seu, De Virginia Woolf.

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“Uma mulher precisa de um teto todo seu e 500 libras por ano se deseja escrever ficção”

“ As mulheres têm servido há séculos como espelhos, com poderes mágicos e deliciosos de refletir a figura do homem com o dobro do tamanho natural (…). É por isso que tanto Napoleão quanto Mussolini insistiam tão enfaticamente na inferioridade das mulheres, pois, se elas não fossem inferiores, eles deixariam de crescer. Isso explica, em parte, a necessidade que as mulheres representam para os homens. E serve para explicar o quanto eles ficam incomodados com as críticas delas (…) Pois se ela resolver falar a verdade, a figura refletida no espelho encolherá; sua disposição para a vida diminuirá. Como ele continuará a fazer julgamentos, civilizar nativos, criar leis, escrever livros, vestir-se bem e discursar banquetes, a menos que consiga ver a si mesmo no café da manhã e no jantar com pelo menos o dobro do tamanho que realmente tem?”

O livro “Um Teto Todo Seu”, da escritora inglesa Virginia Woolf, marcou-a como um influente símbolo feminista. O ensaio – que foi escrito para uma palestra que Virginia daria para mulheres na Universidade de Cambridge – é escrito com um toque de ficção, onde Virginia discorre sobre suas ideias sob o pseudônimo de Mary Seaton (ou Benton, ou Hamilton ou Charmichael – referindo-se a uma balada antiga sobre as damas de companhia da rainha Mary Stuart, da Escócia) e faz uma narração sobre a busca dessa personagem pela resposta ao desafio que lhe foi proposto: falar sobre mulheres e ficção.
Já no começo do livro, a autora demonstra a submissão da mulher na sociedade da época através de simples detalhes – o fato de não poderem entrar na biblioteca dos homens (apenas acompanhadas de outro estudante ou com alguma carta de recomendação), de comer uma comida diferente, mais insossa, ali na própria faculdade, enquanto os homens têm a possibilidade de desfrutar de pratos mais requintados.
Partindo da questão de que não havia muitas mulheres escrevendo ficção na época – argumento que supostamente provava que o sexo masculino era intelectualmente superior ao masculino – Virginia revisita sua própria biblioteca à procura da história da mulher, desde a Idade Média, até os dias atuais (Virginia trabalhou no livro por volta do ano de 1928). Até pouco tempo atrás as mulheres recebiam pouca ou nenhuma educação, o que as impossibilitava de criar uma obra literária de destaque. Como produzir um livro de grande teor intelectual quando desde os primórdios a mulher foi criada para cuidar da casa, parir quantos filhos o marido quisesse e viver em função deste? Como conseguir sentar, pensar, escrever, dedicar-se a uma obra sem qualquer base educacional, em um ambiente cheio de crianças e, geralmente, com tão poucos recursos? É de se admirar que Charlote Brontë e Jane Austen tenham produzido obras clássicas como Jane Eyre e Orgulho e Preconceito, respectivamente, numa sociedade onde a mulher mal vivia para si mesma.
Para exemplificar seus argumentos, Woolf faz seguinte pergunta: E se Shakespeare tivesse uma irmã com o mesmo talento e base educacional que ele? Ela teria a oportunidade de explorar este talento e ser reconhecida mundialmente através dos séculos? Virginia então começa a narrar uma fictícia história sobre essa irmã que, obviamente, encontra bastante dificuldade – principalmente pelo preconceito – de evoluir e compartilhar seu talento.
Além do mais, como diz a frase clássica do livro, para uma mulher se dedicar à ficção, ela precisa de um teto todo seu e dinheiro suficiente para se sustentar. O que, na época, era privilégio para poucas.
Apesar de ter sido chamada para falar sobre a relação direta da mulher com a ficção, Virginia não dos dá uma ideia pronta sobre o assunto. Ela convida às mulheres a arregaçarem as mangas, molhar a pena no tinteiro e escrever, verdadeiramente, sobre o que se pensa, sobre o que se sente, sempre tentando enxergar além.
O livro finaliza com uma leve previsão sobre o futuro, onde ela imagina as mulheres tendo mais liberdade profissional, social e intelectual. O que, de fato, aconteceu. Contudo, estamos em 2014 e ainda existem homens ganhando o dobro do salário do que as mulheres, mesmo ambos exercendo a mesma função. Ainda somos julgadas sobre como nos vestimos, sobre o que pensamos e se decidimos ou não ter um parceiro até o fim de nossas vidas. Ainda há muito, muito a ser feito e conquistado.
“Um Teto Todo Seu” é um livro atemporal. É indicado para qualquer mulher que queira conhecer um pouco mais sobre a história de seu sexo, não só na área da Literatura, mas também em relação à sociedade patriarcal moralista e opressora. É para qualquer menina que esteja se transformando em mulher. É para qualquer senhora idosa que sobreviveu os anos ainda sob o pensamento machista da sociedade. E é também para os homens que querem ou precisam entender, nem que seja só um pouquinho, o passado injusto e cruel entre ambos os sexos, e enxergar a mulher como um outro ser humano, com as mesmas capacidades e talentos para alcançar o que quer que seja neste mundo.

Título: Um Teto Todo Seu
Autor: Virginia Woolf
Editora: Tordesilhas
Número de Páginas: 189

8 Peculiares Bibliotecas Americanas Que Você Vai Querer Visitar!

É seguro dizer que bibliotecas e livrarias são o lugar favorito de qualquer pessoa viciada em leitura. Só de estar no meio de um monte de livros, ter a oportunidade de escolher uma entre milhares de histórias, sabendo que uma delas pode vir a mudar sua vida, é sensacional demais.
O fotógrafo Robert Dawson percorreu todos os estados americanos em busca de diversas bibliotecas para o seu livro: “The Public Libary”. O livro (infelizmente ainda não disponibilizado no Brasil) traz imagens incríveis de bibliotecas de diversos tipos e tamanhos, em lugares que jamais poderíamos imaginar, devido ao clima e à estrutura local, ter uma casa de livros.
Veja algum desses lugares:

1) Central Library, Seattle, Washington

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2) Peterborough Town Library, Peterborough, New Hampshire

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3) Esperanza Moreno Regional Branch Library, El Paso, Texas

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4) Library, Roscoe, South Dakota

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5) Exterior, Willard Library, Evansville, Indiana

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6) Sculpture, cliffs, and Springdale Branch Library, Springdale, Utah

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7) Yarborough Branch Library, Austin, Texas

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8) Library, Death Valley National Park, California

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Para mais fotos e informações, clique aqui.

E aí? Qual dessas bibliotecas você daria tudo para visitar? 😉