O Balão.

o balão

 

O fitilho escorrega da mão
Vai subindo
Vai subindo
Vai subindo o balão.

A menina grita
Chora
Briga
Deita no chão
Enquanto vai subindo
Vai subindo o balão.

Pequenas pernas não conseguem pular
Por mais que tente, o balão
Não consegue alcançar
Foi apenas um segundo
Um segundo a brincar
E agora o balão sobe
Sobe
Sobe sem parar.

Ela sabia
Não seria para sempre
Balões minguam,
Murcham
Morrem
Sobre o chão a esvaziar.
Balões viram ar
Quando deixam o ar entrar.

Isso muito não poderia durar
Mas todos pecamos pela mania de sonhar.
Ela e o balão, lado a lado
Juntos deveriam estar.
Em poucos ou longos dias
O veria acabar
Gradativamente
Numa despedida comovente
Até o tempo os separar.

Mas o fitilho escorregou
Antes que uma história de amor
Pudesse começar.

Bonitas esperanças
Flutuando pelo ar
Sonhos de criança
Sempre tem prazo pra acabar.

Ela ainda permanece
Exatamente no mesmo lugar
Enquanto o balão sobe
Para nunca mais voltar.

Claridade.

claridade

A claridade me cansa
Me vence
Me avança.
A luz me adoenta
Me enche
Me entope
De barulhos divergentes
À gritos de crianças.

A claridade nunca está sozinha.
Vem acompanhada de sons
De dores
De fortes tons de cores.
É tudo muito brilhante
Muito gritante
Muito excruciante
A claridade parece sorrir a todo instante.

Tenho olhos grandes, mas não possuo cortina.
Sou invadida
Quebrada
Arrebentada
Cada vez que tento olhar o mundo
Nas primeira horas da matina.

Como as pessoas conseguem
Viver
Crescer
Vencer
E morrer
Sem sentir nenhuma dor na retina?

A claridade me derruba
Antes mesmo que eu levante
Coisa de gente
Sem qualquer lógica restante:
Morro de medo do escuro
E acho a luz extremamente irritante.

3 Relógios.

clocks

3 relógios parados
3 relógios a serem reparados.
Já faz muito
Os ponteiros aposentaram o seu bailado.
Já faz muito
Os relógios continuam ali
Completamente largados.

3 relógios parados
Sobre uma prateleira esquecida.
Mas ela jura
Jura que irá consertá-los
Um dia, quem sabe,
Numa tarde de maio
Numa noite de estrelas caídas
Um dia, quem sabe, talvez
Assim que conseguir consertar sua própria vida.

A Criação.

criação

Hoje só quero sentir a caneta
Sem palavras certas ou frases coesas
Desejo apenas sentar e observar
Uma linha de tinta transformar-se em letra.

Pelo mundo admiram-se
Diversos tipos de arte
A pintura, a música, a literatura
Este último do qual faço parte.

Enaltecem coisas completas
O quadro pronto, a canção composta, o livro escrito
Mas para mim nada é mais perfeito
Do que criar uma base para o infinito.

Da casinha do A
À sinuosa estrada do Z
O caminho de criar
E o que mais amo percorrer.

Uma por uma, lado a lado
As letras se unem, dando início ao seu bailado
E dançam uma perfeita valsa no salão
Que pavimentará o caminho da criação.

Bom ou ruim
Isso não importa
Não importa agora
A ponta fina segue
Segue escrevendo a sua história.

A tinta azul deslizando
Sobre o papel em branco
É o regozijo profundo
Que me salva do pranto.

 

Água-viva.

jellyfish

Triste e solitária água-viva
Asquerosa demais e nunca querida.
Perigosa demais mesmo quando distraída.
E se você a tocar
Ela com certeza irá queimar
Sua pele, seu estômago, seu ar
Mesmo sem escolha, mesmo sem notar.
Quem neste mundo poderá amar
Esta triste e solitária criatura do mar?

Amor Baixinho.

shh

Amor para mim
Tem que ser amado assim
Baixinho, baixinho…

Amor para mim
É trocado em silêncio
Shh! Shh!
Quietinho, quietinho…

Amor gritado aos 4 ventos
Se transforma em tormento
E sempre acaba em lamento.

Esse amor de momento
Chave estranha
Que abre, torce e retorce
Todas as entranhas.

Amor bom é o baixinho.
Chega com calma e destreza
Tudo vira, revira e anima
Sem que você perceba.

Quero um amor baixinho
Que saiba à minha alma chegar
Aos pouquinhos, devagarinho e quietinho
Para baixinho me amar.

Olimpíada da Ansiedade.

ansiedade

A ansiedade está por todo o lugar.
O mundo corre pelas ruas de nossas casas
O sono escapa, fugindo de nossas camas
Trabalhamos e trabalhamos sem parar
Sem perceber todo este drama.

Ansiedade da Síndrome do Pensamento Acelerado
Ou o de pernas se remexendo na cama antes do sono pesado.
Damos nomes a todas as vertentes desta insanidade
E cada vez mais ela esmaga nossa sociedade.

Ela está aqui.
Não consigo escrever, não consigo dormir.
Minhas amigas só correm, trabalhando por aí
Apenas 22 anos e já com responsabilidade
De construir bases para uma vida de verdade.

Somos todos corredores da Olimpíada da Ansiedade.
Vivemos 1001 vidas diariamente
Esgotando nossos corpos, entupindo nossas mentes.
Quando iremos perceber a realidade à nossa frente?
Somos todos robôs ao invés de gente.

O Garoto Do Sorriso Perfeito.

sorriso

 

Faz um tempo que quero lhe dizer
O quanto amo seu sorriso e sua doce forma de ser
Mas talvez você irá entender
Que estou apaixonada por você.

Eu te conheço e você me conhece
E suas mãos já regalaram o toque de que minha alma carece
E por você
Coisas loucas não precisaria fazer
Como andar 1000 milhas para te encontrar
Ou atrair sua atenção através do desespero de meu olhar.

Porque você é o garoto do sorriso perfeito
Que já há algum tempo me deixa sem jeito.

Seus olhos redondos, sua pele morena
De mais um poema já estão sendo tema
E se você realmente quisesse entrar em cena
Eu não veria nenhum problema
Pois agora, desde o começo
Poderia me ajudar a esquecer um certo garoto que conheço.

Você é o garoto do sorriso perfeito
Do qual minha mente patética nem lembra o nome
Apenas sei que ultimamente não te esqueço
E é seu rosto que tem me deixado insone.

Estou prestes a deixar este lugar
Porque a ele não aguento mais amar
Ou encontrar
Ou esbarrar
Ou desesperar
Mas em uma única coisa você pode acreditar
Guardarei em mim para sempre o seu sorriso e o seu olhar.

Você é o garoto do sorriso perfeito
Que há algum tempo me deixa sem jeito
É em seu sorriso onde finalmente esqueço
Um certo garoto que conheço.

Poderia ser você
Oh, não!
Deveria ser você!
Se apenas não fosse por ele…

Leia: Há um Garoto Que Conheço e Deveria Ser Eu

Cinco Vezes Perdão.

escrever

 

Escrevi um pequeno poema
Onde só existia a palavra “perdão”
O poema não ficou muito bom
Mas serviu para chamar a minha atenção.

Escrevi cinco vezes “perdão”
Num poema que não teve salvação
Num poema que já deve estar triturado no lixão
Enquanto escrevo esta segunda versão.

Queria escrever sobre o mar e toda sua imensidão
Queria escrever sobre os amores e toda a sua enganação
Mas quando coloco uma caneta em minha mão
O faço para encontrar redenção.

Por isso, caro leitor
Perdoe todo esse problema de perdoar
É que ainda não aprendi a desculpar
O reflexo que miro diariamente ao acordar.