07 – Conselhos

bob

 

Pouco tempo atrás eu estava participando (muito contra a minha vontade, pra variar…) de uma reunião social onde eu estava conhecendo as pessoas ali presentes pela primeira vez. Tirando alguns familiares, poucos mesmo, perto das outras pessoas, eu estava completamente em ambiente desconhecido o que, para mim, não é algo fácil de se lidar.
Por mais que eu deteste esses encontros, eu sempre tento ser simpática (ou o menos antipática possível, depende do ângulo que você olhar), pois eu acho que ninguém tem nada a ver com o meu mau humor natural ou com a minha incapacidade de manter uma relação social como se fosse a coisa mais legal e divertida do mundo. Bem, eu juro que eu tento. Se eu consigo, já é outra história…
Nesse encontro, as pessoas começaram puxar assunto comigo ao ver que eu estava quieta, só escutando minhas músicas no celular e desejando que aquele dia acabasse logo. Novamente, eu quis ser legal, abri um sorriso falso e, mesmo com palavras curtas e breves, tentei manter a conversa pra ver se aquele dia se tornava um pouco menos desagradável. E então começaram as perguntas! Eu juro, eu não tenho nada contra as pessoas perguntarem qual a minha idade, o que eu faço, se eu estudo, o que eu quero ser… O problema é que, geralmente, em qualquer encontro social que eu tenha, todas as respostas que eu dou, se tornam como pretextos para pessoas começarem a dar conselhos.

Exemplos:
“- Você estuda?
– Sim, faço Psicologia.

(Ps: já desisti de dizer que eu quero e vou ser escritora para ser poupada daquele papo de que eu vou morrer de fome debaixo da ponte e que isso nem é um emprego de verdade)

– Ah, que legal! Tem muita oportunidade em empresas, você pode trabalhar com RH, fazer isso, fazer aquilo…
– Não, não, eu não curto muito empresas, sabe? Eu sou apaixonada por autistas desde quando era mais jovem, entrei na faculdade pra estudar mais sobre o assunto e pretendo trabalhar com isso de alguma forma no futuro.
– Mas você tem que pensar em ganhar dinheiro com isso também! Escuta o que eu to falando, empresas são o melhor caminho! Você pode fazer um concurso público, ter uma vaga cativa num lugar seguro, ganhar o suficiente para ter uma boa vida e garantir uma boa aposentadoria, blá, blá, blá, blá….”

Eu juro que eu tenho que calar a minha boca e sorrir da forma mais amarela possível, pois se alguma coisa sair de mim depois de escutar isso, o clima no local não irá ficar agradável e não ficará bem para os meus familiares.
Outra que eu escutei nesse mesmo dia, de uma pessoa diferente, foi:

– Você sai, se diverte, sai com as amigas?
– Mais ou menos… Até porque a maioria das minhas amigas são de internet. Mas eu…
– Ah, mas você tem que ter amigas normais, não de internet!

Sério, o que dizer depois dessa?
E detalhe: Se você perguntar a uma dessas pessoas qual é o meu nome, elas não vão saber, pois nem se deram ao trabalho de perguntar!

Eu não quero parecer arrogante ou debochada, onde só eu sei o que é certo pra mim e ninguém pode dar opinião na minha vida. Não é isso. Ainda que eu realmente não goste muito de ser contrariada, eu sempre peço conselhos. Acho que minhas amigas sabem o quanto eu chego a se irritante, porque eu vivo perguntando o que eu devo fazer, como eu devo prosseguir, o que elas acham, pra onde eu vou etc. Mas é isso, são AMIGAS, pessoas que me conhecem há cinco, seis anos ou até mesmo parente mais próximos, que já sabem e conhecem a minha personalidade, minha forma de pensar e que realmente vão poder me dar uma direção, opinar sobre o que é melhor pra mim. O meu problema com conselhos é que eles geralmente são dados por pessoas que, como estas, nem sabem o seu nome, te encontram pela primeira vez e começam a dissertar sobre como você deve levar a sua vida para ser feliz.
Eu sei que elas fazem isso com a melhor das intenções, eu não acho que ninguém diz isso pra me irritar, muito pelo contrário! Mas é fato que essas atitudes são equivocadas e, pior ainda, são feitas pela maioria das pessoas.
Isso não foi só nesse encontro. Ouço conselhos a minha vida toda de pessoas que mal sabem meu nome, mal sabem o que eu faço, mal sabem o que eu quero, o que desejo pra minha vida. E o engraçado é que, quem realmente poderia opinar sobre mim, como minhas amigas “anormais” da internet ou parentes próximos, só o fazem quando eu peço. Eu juro que eu realmente queria entender o que passa pela cabeça de alguém que fica fazendo um monólogo sobre como você deveria seguir sua vida para ser eternamente feliz, realizada e com dinheiro.
Talvez o mundo fosse mais fraterno e acolhedor se as pessoas começassem a entender umas às outras ou procurassem apenas a começar. Não seria melhor se tivessem me perguntado o meu nome primeiro? O que EU quero fazer da vida e como EU quero? Aí sim poderíamos começar uma conversa, uma troca, por mais que a pessoa comentasse que trabalhar numa empresa não é tão ruim assim ou que é complicado ter amigas tão longe. Então eu explicaria que empresas são boas sim, mas para quem foi feito para esse tipo de trabalho, o que realmente não é o meu caso. E explicaria também que eu sei que amizades de internet, apesar de serem bem normais, porque não vieram de Marte e sim do próprio Brasil (eu ainda estou no lucro, porque conheço pessoas que tem amigos ou até mesmo namoram gente do Japão, então acho que Rio Grande do Sul não é tão longe assim), são complicadas sim, que é difícil manter, cuidar etc., mas isso não quer dizer que não valham a pena e que eu não tenho mais ninguém ao meu redor aqui no Rio de Janeiro! Se esse interesse real realmente existisse, de conhecer o outro por ele mesmo, não apenas como um passatempo de um encontro social, talvez mais amizades “normais” pudessem existir e tais encontros não seriam tão sufocantes e irritantes como são para mim e, creio eu, para muitas pessoas também.

06 – Conectados

cobe

“Estamos todos conectados sem nem ao menos saber quem somos” – Delta Goodrem

Sou muito observadora. Muito mesmo. Às vezes até mais do que gostaria ser. Estou sempre procurando não sei o quê, não sei aonde, mas sempre perscrutando, observando, analisando. Pessoas, lugares, animais, não importa. Eu observo o tempo todo e acho que por isso sou escritora. Eu vejo histórias em todos os lugares. Sou do tipo que caça desenhos em azulejos, acho formas e acabo sempre criando uma curta historinha na minha cabeça. E quanto mais o faço, quanto mais cresço, aprendo e continuo observando, mais eu fico maravilhada com certas coisas da vida que a maioria das pessoas não notam. Não sei, talvez seja esse mundo capitalista e sempre apressado, que quer tudo pra ontem e em grande quantidade o tempo todo. Vejo que coisas pequenas, mas importantes, estão sendo deixadas de lado. E acho tão triste. Eu que vejo histórias até em azulejos, conheço pessoas que não conseguem nem se maravilhar com livros. Nós vivemos uma história o tempo todo, dessas de novela. Só que ninguém vê, ninguém sente. Uma vez eu vi uma frase que dizia que o mundo seria um lugar melhor se todo mundo escrevesse sua autobiografia. Todos temos nossa saga para contar. Independente da vida que levamos, se todos parassem para escrever sobre si mesmos e divulgassem esse ‘livro da vida’ para o mundo, este seria um lugar melhor. Iríamos aprender tanto com as experiências do outro… Imaginem que mágico? Um aparecendo no livro do outro, sendo numa participação especial ou como personagem principal. Ou até mesmo como antagonista, quem sabe? O fato é que a vida é feita de encontros. Desses que a gente lê em livros e diz que na vida real não acontece. Mentira! Acontece sim! Nós é que estamos sempre muito focados em coisas inúteis para observar.
Eu não acredito em coincidências. De forma alguma. Aliás, não sei como alguém consegue acreditar que todas as vidas deste mundo são puro ‘acaso’, acidentes do Universo que se esbarram, que se encontram sem qualquer motivo. Ninguém precisa acreditar em Deus, em Maomé, Buda ou o que quer que seja para poder enxergar a magia das pequenas coisas. É preciso apenas observar.
Uma outra frase que ouvi também é que todos os seres humanos estão presos em uma enorme teia de aranha. Se existe de fato uma aranha controlando tudo ou se as teias agem por qualquer força magnética, isso não importa. Mas estamos todos conectados, todos juntos, destinados a encontros e desencontros até o fim de nossas vidas. Exatamente como nos livros.
De verdade, se você não é um observador nato, tente pelo menos começar. Se você acredita apenas em coincidências, tente abrir um pouquinho só dessa janela cerrada, para que você possa ver coisas diferentes.
Encontros acontecem o tempo todo, de todas as formas. Um telefonema animador quando você está deprimido, alguém que fala de repente com você um segundo antes de um carro passar enlouquecido pela rua que você ia atravessar, algum animal que se aproxima quando está triste e, de repente, você começa a sorrir… Esses são os mais simples, mas não menos importantes.
E o encontro de vidas, encontro de almas? Quando você olha para o lado certo, entra na esquina certa, entra num elevador ao mesmo tempo que outra pessoa… Será mesmo que não se dão conta do quanto isso é relevante? Essas pessoas (e não estou só falando romanticamente, estou falando de forma em geral de amigos, parentes, pessoas que vão ajudar-te a crescer na vida etc.) poderiam estar em qualquer lugar do mundo. Poderiam ter entrado à esquerda, enquanto você entrou à direita, poderiam estar subindo, enquanto você está descendo, poderiam ter entrado na cafeteria do final da rua, enquanto você entrou na do começo… Milhões, inúmeras oportunidades de nos manter afastados existem. Ainda assim, você encontra aquela, naquele lugar, naquele momento. E ainda dizem que são só “coincidências?” Dentro de uma probabilidade de 1 em um trilhão, é só mesmo coincidência? Sinceramente, não consigo acreditar.
Acredito que esses encontros salvam nossas vidas. Com menos intensidade ou mais intensidade, não importa. O encontro com o mundo ao redor é o que nos faz continuar vivendo. Essas oportunidades, essas coisinhas que poderiam não acontecer, mas acontecem. Todos os encontros são importantes, até mesmo aqueles desagradáveis. Se minha professora de biologia do ensino médio não tivesse me perseguido o ano inteiro, talvez hoje eu estaria fazendo faculdade de biologia e sendo a bióloga que na minha adolescência dizia que ia ser. Mas ela precisou me traumatizar (por pior que isso soe), me constranger de inúmeras formas para eu descobrir que o que mais queria era distância daquela matéria. E junto com outros constrangimentos que a vida colocou no meu caminho, eu conheci a força da escrita. Digo ‘a força’ porque eu escrevo desde que era pequena, mas só pude conhecer essa energia profunda, essa sensação de imenso e eterno prazer de estar viva, de que é exatamente pra isso que eu nasci, depois que a partir deste e de outros episódios, resolvi criar histórias e descobri que queria ir até o fim da minha vida fazendo isso. Pode ter sido coincidência, eu poderia descobrir meu amor pela escrita de outra forma, outra situação poderia puxar esse gatilho, é verdade. Mas eu não seria a pessoa que sou hoje se não fosse por isso, eu não estaria aqui se não fosse por isso, por esse encontro.
Acho que essa analogia com a teia de aranha não poderia ser mais fantástica. Fios se rompem e se ligam o tempo todo, independente da força que os regem. Como diz na letra da música citada no começo deste post, estamos todos conectados, mesmo sem saber, ainda, quem somos, quem vamos encontrar, quem vamos conhecer.  Na sua teiazinha de aranha, mais lá pra frente, há novos fios se formando, se ligando, se religando. Você está sentando (ou de pé, vai saber) agora lendo isso, mas o seu fio, neste momento, está sendo ligado com o de outras pessoas, com outros seres, que cruzarão seu caminho. Quando chegar o momento, você pode tornar esses fios mais fortes ou arrebentá-los para sempre. Mesmo que tenha algo cuidando da gente, acredito ainda que podemos fazer nossas próprias escolhas e arcar com as consequências destas. Mas não negue que existe algo muito maior por trás da vida que está vivendo agora. Não negue esses encontros, não negue esses momentos especiais. Observe bem cada trajetória, cada choque, cada esbarrão em outra pessoa e pense mesmo se aquilo foi apenas obra do acaso. Aprenda a analisar cada experiência e permita-se ver a mágica que está debaixo do seu nariz. Limpe um pouquinho os olhos e enxergue. Acredite em mim: vai valer a pena. Tudo se tornará menos entediante e muito mais interessante!
Se você tem alguma história para contar sobre algum encontro especial, de uma situação que se encaixe no tema do texto, conte sua história na caixa de comentários. Vou adorar saber mais e descobrir mais sobre essas pequenas grandes conexões que fazem parte da trajetória de todos =]

05 – Documentários

docu

Quem me conhece sabe que sinto um amor enorme pela ficção. Um amor tão grande que eu realmente pretendo viver até o fim da minha vida disso, de escrever e criar inúmeras histórias que vivem na minha cabeça.
Mas uma pequena parte de mim também sente uma atração pela realidade. E essa parte é fascinada por documentários.
Comecei a me interessar por documentários a partir da adolescência (existe criança que curta documentários?), quando a minha insônia começou a atacar sem piedade. Ligava a tv de madrugada e, quando não estava vendo algum anime no Cartoon, estava vendo algum documentário. Lembro que os primeiros que me atraíram foram os de história, principalmente pela Grécia, minha paixão enorme e “inexplicável”. O que começou com uma pretensão de me fazer dormir acabou se transformando em mais um motivo para me manter acordada até o sol raiar!
Os documentários são os melhores amigos das pessoas insones. Numa madrugada onde só passam filmes de terror, programas religiosos e o “interessantíssimo” 1001 noites (pra quem não sabe é aquele programa de madrugada super necessário onde se vende um anel por 10 milhões! Mas não se preocupe, você pode pagar em até 1000 vezes sem juros!), os documentários são a salvação para aqueles que não possuem o dom de dormir à noite. Eles realmente ensinam, te fazem questionar e refletir sobre inúmeras questões e, pelo menos no meu caso, me inspiram a escrever com as histórias mostradas.
Documentários são tão legais que até os mais chatinhos têm suas vantagens: te ajudam a finalmente dormir!
Eu amo documentários porque eles mostram a realidade de uma forma poética. É assim que vejo, é assim que sinto. É diferente da realidade crua e fria dos jornais. Talvez seja pela leve trilha sonora (às vezes) presente. Não sei. Só sei que o que mais me fascina é a simplicidade. Num mundo de blockbusters (não me entendam mal, eu amo blockbusters também!), onde se gastam 200 milhões pra produzir um filme de 2 horas, tudo o que os documentários possuem é um par de câmeras, histórias reais, interessantes e muita, muita vontade de realizar algo.
Na Tv Brasil, de madrugada, tem o Doc Tv – Latinoamérica (creio que não preciso explicar que são documentários produzidos especialmente na América Latina, né?). Sempre que estou acordada (e não estou vendo o programa do Jô) eu fico vendo e dificilmente há algum que não me interessa. São pessoas tão simples, mas com uma história de vida tão rica! Eu já chorei inúmeras vezes e fico pensando como o nosso continente é meio que excluído de tudo. A Europa e os Estados Unidos são muito interessantes, acreditem, sou totalmente influenciada por “eles”… Mas depois que passei a acompanhar esse programa, eu abri os olhos pro quanto a nossa América é rica e ninguém percebe isso. Talvez seja por vivermos aqui e, de certa forma, todos sermos levemente parecidos. Acho que o que está próximo não interessa muito às pessoas, porque estamos sempre olhando para longe, para o que não temos, ansiando o que não possuímos e, com isso, esquecemos de valorizar o que temos.
O que mais me chama atenção é ver pessoas, principalmente mulheres, do interior da Argentina ou da Bolívia que mal sabem o que é globalização e que nunca ouviram falar na palavra “internet” em toda a sua vida. E está tudo ótimo pra elas. Elas dão depoimentos sobre a vida no campo, sobre como cuidam da casa, dos filhos, do ambiente ao redor… e não é fingimento! Por aqueles adoráveis sorrisos desdentados e o brilho nos olhos, você percebe que elas realmente sentem aquilo, que elas realmente são felizes com o que a vida deu pra elas. Neste mundo não há materialismo, não há mídias ou estudos psicológicos para avaliar a mente de cada um, eles não são rotulados por nada, eles são simplesmente… eles. E isso tudo aqui do nosso lado, quase atravessando a rua! São mundos paralelos que estão grudados e eu acho isso fascinante! Poder conhecer novas culturas, cada característica de um povo, por menor que seja… Cada lugar tem algo lindo a ensinar e essa foi uma das coisas magníficas que aprendi com os documentários.
Talvez eu só seja mesmo esquisita, mas eu creio, sinceramente, que o mundo seria um lugar 1% melhor se todo mundo passasse a ver documentários. Tem pra todos os gostos! Eu fico mesmo inspirada com a vida de pessoas simples, mas também amo os documentários do History Channel, principalmente no que se diz a óvnis e o famosíssimo Triângulo das Bermudas. Eu juro, posso passar horas vendo e nunca me canso.
O preconceito com documentários ainda é muito grande, mas as pessoas pelo menos deveriam tentar. Claro que nem todo mundo vai gostar, vão achar chato e isso é natural, nós temos gostos diferentes, mas acho que a chave pra isso tudo é perder esse preconceito (aposto que tem gente que nunca viu um documentário na vida e fala mal!) e tentar ver pelo menos dois tipos de documentários (seja de História, animais, ciência espacial, produção de filmes, pessoas… Enfim, tem pra todo o tipo de gente!), pra ter pelo menos uma margem de comparação. Talvez não acreditem, mas… Acho que se vocês encontrarem o documentário certo, vão ter uma experiência única e vão começar a ver a vida de uma forma diferente também.

Dicas de documentários:

Uma Verdade Inconveniente – Davis Guggenheim
Tiros em Columbine – Michael Moore (esse eu só vi metade, mas já foi o suficiente pra amar!)
A Marcha dos Pingüins – Luc Jaquet
100.000 – De Juan Márquez (Os amantes de cachorro não vão se arrepender de ver!)
Promessas de Um Novo Mundo – Carlos Bolado, B.Z Goldberg, Justine Shapiro

Canais interessantes para ver Documentários:

– Tv Brasil (Infelizmente o único de canal aberto que me lembro agora, enquanto programas religiosos monopolizam 80% dos canais abertos)
– Animal Planet
– History Channel
– Globo News

04 – Adultos e Crianças.

child

 

Esses dias a questão sobre o que é ou o que não é ser adulto tem povoado minha mente. Talvez seja porque estou com 21 anos e,sendo considerada pela psicologia do desenvolvimento como um “adulto jovem”, ainda estou meio que nessa transição.
E acho que algumas de minhas conclusões (já que preciso de muito mais tempo e maturidade para responder completamente todas as minhas perguntas), não são muito boas.
Eu me considero uma pessoa profunda, emocionalmente falando, extremamente analisadora e totalmente chata. Se uma formiga passa na minha frente, eu vou questionar porque ela está passando ali naquela hora, porque está sozinha (já que as formigas vivem em grupo)  e o que a levou estar ali naquele momento (ou seja, sou quase um caso de internação, mas tudo bem). O ponto dessa enrolação toda é dizer que eu sei o quanto isso pode ser insuportável para a maioria das pessoas (já deixaram isso bastante claro) e por isso procuro esconder esse meu lado analisador, profundo, dramático (eu seria uma boa escritora de novela mexicana, sério mesmo), questionador… E o que acaba sobrando para as pessoas? A minha metade retardada, que ri mais alto do que deveria, que fala mais alto que um velho surdo, que é tarada por Disney, que faz mais barulho do que uma hiena quando entra numa livraria… Enfim. No fim das contas, é o que mostro e, por conseqüência, é a parte que dou para as pessoas “julgarem”.
Uma das coisas que mais ouço – como sempre, de pessoas que não conhecem nem 10% do iceberg, que sou eu – é que sou infantil demais. Que tenho que parar de usar blusas do Mickey porque já sou adulta, que tenho que sair mais de casa, que tenho que aprender a beber (é muito difícil pra esse povo bitolado entender que existem sim pessoas no mundo que não gostam nem do cheiro de álcool? Beterraba fede, eu não como. Peixe fede, eu não como. Álcool fede, eu não bebo. Minha vida é definida pelo meu nariz. Ponto.) e, claro, a crítica mais freqüente de todas, que não podia deixar de ser citada: “Pare de ser tão sensível e dramática, você não é mais uma criança”. Paro não. Porque essa minha hiper sensibilidade e meus dramas são o que me fazem criar minhas histórias e, juro, não trocaria isso por nenhuma “maturidade” no mundo.
Acredito que isso não aconteça só comigo. Essa é a nossa realidade. Você é duro, você é adulto. Você é sensível, você é infantil. É fato. Infelizmente, mas é. Quando você se cortava quando criança, era normal berrar até o sangue parar de jorrar de seu dedo. 20 anos mais tarde, se você se corta e chora, você é fraco, fresco, quer chamar atenção, mesmo que a dor seja exatamente que você sentia quando era criança. E o que fazemos? Prendemos o choro até nossa garganta dizer chega (só eu sinto dor na garganta quando estou prendendo muito o choro?) e quando colocamos um curativo nessa ferida. Sei que foi um exemplo bem tosco, mas espero que tenha conseguido transmitir meu ponto de vista.
Seja na parte física ou emocional, ser adulto virou antônimo de sensibilidade. Não se deve chorar por mulher, não se deve discutir (porque ser adulto é deixar as questões fluírem e esquecer), não se deve importar demais com nada e é estritamente proibido sentar-se no balanço de um parquinho porque aquilo é coisa de criança.
A gente vive dizendo que a sociedade é hipócrita e, na maioria das vezes concordamos, mas somente em assuntos mais “sérios” e “discutíveis” como política, religião, ética… Porque, claro, somos todos adultos, vamos falar mais sobre o quê? Mas a hipocrisia está o tempo todo à nossa volta. Você é hipócrita quando briga, finge não se importar e vai molhar o travesseiro no silêncio da noite. Você é hipócrita quando torce o nariz para desenhos animados na rua, mas morre de rir quando vê Bob Esponja em casa. Você é hipócrita quando critica alguém por ser sensível demais, mas chora até ficar roxo quando o time é rebaixado.
Perante a sociedade, os adultos são permitidos apenas chorar quando um parente morre e olhe lá. Porque, como dizem, há jeito pra tudo, menos pra morte. E tem alguns que nem isso, que fecham a cara e dizem que ‘faz parte da vida’ e não derramam numa lágrima nem numa situação extrema assim. Infelizmente, existem muitos assim pelo mundo. Que sempre dizem que está tudo bem, que tudo pode ser resolvido e que se escondem tanto dentro de si a ponto de recusar qualquer ajuda, até mesmo das pessoas que ama.
Tornamos-nos uma espécie incapaz de expressar nossa dor e sensibilidade. Uns tem menos, outros têm mais (a não ser que você seja um psicopata, mas isso é uma discussão para depois), mas todo mundo é frágil em alguma coisa. Não dá pra julgar maturidade ou imaturidade por causa disso. Principalmente quando essa pessoa não fica nem 1 hora perto de você para ser julgada. É muito difícil não julgar. O ser humano é um ser extremamente julgador. Mas ficar apontando, torcendo nariz e dizendo que você deve agir de uma forma ou de outra, é muito chato. É mais ou menos o que eu coloquei no post abaixo, no “Pessoas Tóxicas”. Seja feliz julgando todo mundo, mas julgue apenas na sua mente. Viva sua vida de juiz em paz e deixa o outro viver feliz com a sua.
Acho que todo mundo é muito maduro em certos assuntos e completamente infantil em outros. TODO MUNDO. Por mais que você aparente ser equilibrado, com a profissão mais séria e respeitável do mundo, você tem um ponto fraco que vai te tirar da “normalidade”. É melhor aceitar isso logo do que depois ficar surtando porque surtou (essa frase fez algum sentido?).
Até mesmo esse espaço aqui… A intenção inicial era falar de coisas sérias, de forma séria, como aquelas crônicas maravilhosas de jornais. Mas quem disse que eu consigo? Eu sou dividida entre uma criança de 8 anos e uma velha de 80. Por mais que eu tente aparentar ter 21, dependendo da situação, ou é a Cuera de 8 anos que aparece ou é a de 80. Então esse espaço deu nisso, eu falando de coisas sérias, mas de forma retardada. É o que eu sou, juro que já tentei mudar, mas não consigo. É mais forte que eu. Como disse há pouco, resolvi aceitar isso, porque colocar uma cara séria no meu rosto e fingir que não sinto nada é impossível pra mim.
Aposto que muitas pessoas “maduras” vão achar tudo isso um absurdo e irão continuar colocando a armadura de ferro a fim de se proteger das inúmeras flechas que o mundo nos joga diariamente. Mas espero que muitos entendam também que é permitido se importar quando uma briga com alguém amado ocorrer, que é permitido chorar em finais de filmes ou livros, que é permitido dar uma de louco em público quando se está muito alegre e que aprendam que filmes da Disney ensinam muito mais do que American Pie.
Está tudo bem ser criança enquanto se é adulto e seria interessante que as pessoas entendessem isso ou pelo menos aceitassem. Porque, como diz a filosofia da mamãe: “Aquele que mantém seu espírito de criança em si com certeza é um ser humano melhor”.

03 – Pessoas Tóxicas

toxic

 

Acho que todo mundo aqui sabe o que “tóxico” significa, mas todo texto é sempre mais legal quando é iniciado com a explicação do dicionário.
Pois bem, segundo o dicionário Michaelis, tóxico significa “que envenena; que tem a propriedade de envenenar. O mesmo que veneno.”
E, infelizmente, existem muitas pessoas que não podem ser definidas por outro adjetivo.
A ideia pra esse pensamento veio de uma frase que eu vi no tumblr há um tempo, que dizia, numa tradução livre, exatamente o seguinte: “Não tenha medo de eliminar pessoas tóxicas da sua vida.” E desde então essa frase vive na minha cabeça, principalmente quando eu detecto uma dessas pessoas perto de mim.
O problema de toda esta história é que você, em algum ponto da sua vida (ou se é doente como eu, a sua vida inteira), você vai gostar de algum tipo de pessoa assim. Aliás, acho que todos devemos ter alguém assim no presente momento. Aquela pessoa que você gosta – às vezes sem nem saber por que – e que te faz rir, é legal pra sair numa sexta à noite e você muitas vezes a chama de “amigo”. Mas é uma pessoa que está sempre te colocando pra baixo. Que está sempre criticando sua maneira de ser, se você gosta disso ou daquilo, que fica opinando negativamente em tudo o que você faz e que tenta, a todo custo, fazê-lo ver a vida como ela vê, fazê-lo viver a vida como ela vive. Levante a mão quem conhece e gosta – mais uma vez, sem saber o motivo – de alguém assim: \o/
Então, essa é a pior parte. Gostar de uma pessoa assim. Não sei vocês, mas eu não preciso de motivos pra gostar ou desgostar de alguém. Acho que até coloquei isso em um dos meus textos e, infelizmente, é verdade. Quisera eu ter sempre motivo para gostar de alguém porque a pessoa me deu razões para isso. Mas não. Eu só olho a pessoa e PÁ! Gostei. Fim. Quero ser amiga dela, faço de tudo para me aproximar… E, no fim das contas, acabo adicionando mais uma pessoa tóxica na minha vida.
Acredito que muitas pessoas têm pessoas ao redor assim também, sejam parentes, amigos, até mesmo namorados… Conheço muita garota se matando por veneno em forma de homem. Cada um tem seus motivos patológicos para correr atrás de gente assim (porque nós sempre que corremos atrás das pessoas tóxicas e elas nunca correm em nossa direção, já repararam?), eu com certeza tenho os meus! Mas isso não é desculpa para ficar aceitando esse tipo de tratamento, ouvindo certas coisas a fim de conseguir uma migalha de atenção, seja pelo motivo que for.
Existem mais de 7 bilhões de pessoas no mundo. Vocês têm noção do que são 7 bilhões? Sério, peguem uma caixinha com 200 palitos de fósforo, abra-a e jogue tudo no chão. Agora vá catar tudo e veja o tamanho da bagunça e o quanto parece ter muito mais do que 200 palitos ali. É coisa pra caramba, né? Agora, imaginem 7 BILHÕES. 7 bilhões de pessoas ótimas para conhecer, que tem a cabeça aberta, que têm uma visão super bacana do mundo, que poderão até mesmo mudar sua vida pra melhor… E você aí, rodeado de pessoas tóxicas. É muito palito bom por aí para continuar correndo atrás dos queimados, não acha?
Às vezes acho que esse tipo de pessoa não tem noção do que faz. Porque me recuso a acreditar que elas façam e falem coisas deliberadamente, com o intuito de ver o outro no chão mesmo (sim, eu ainda acredito na bondade humana, por mais que às vezes eu jure o contrário!). Elas falam, falam, falam sem parar, sem notar a podridão que está saindo de suas bocas.
Vocês são minhas leitoras lindas e maravilhosas e não devem, não podem ser uma pessoa tóxica na vida de ninguém! Claro que ninguém aqui é santo, muito menos eu! Com certeza todos nós já fomos pessoas tóxicas na vida de alguém, em algum momento ou outro… Ou talvez até mais que isso. Tivemos fases, já fomos ignorantes (ainda somos em muitas coisas!), mas creio que todo mundo aqui já tá na idade de pelo menos se policiar!
Até hoje eu acho incrível como as pessoas criticam umas às outras sem parar, soltam fumaças negras de suas bocas e na hora de dizer uma palavrinha de carinho, de amor… Nossa! É quase a morte! É muito fácil falar quando você tem raiva de alguém, aposto que a maioria de vocês solta essa frase todos os dias: “Mas que raiva do fulano, como ele é chato!” Mas na hora de dizer que ama o sicrano, é preciso de um ano ou mais apenas para começar. Acho que para o ser humano é muito, muito difícil amar mesmo. E mais difícil ainda expressar esse amor através de palavra e gestos.
Acho legal refletir sobre isso. É o que eu faço quando eu não durmo (prova de que de toda coisa ruim pode sair algo bom! Minha insônia serve pra alguma coisa, olhem só!), eu reflito sobre certas coisas que me incomodam e tento achar as respostas. Se passarem às 4 da manhã debaixo da minha janela e ouvirem vozes, não é ninguém no meu quarto, não. Sou eu falando comigo mesma.
Então é isso, reflitam. Vocês possuem o dom da fala, têm noção do quanto poder têm? Por que não usar isso pra melhorar a vida de alguém? As vidas de alguns?
Usem as palavras para o bem. Não tenham medo ou vergonha de expressá-las para quem quer que seja. Tenham noção do quanto um par de frases recheadas de fumaças brancas (sou brega, acostumem-se, licença) pode mudar até mesmo o modo de alguém pensar sobre si mesmo.
Claro que ninguém precisa sair por aí sendo falso e mentindo. Se você não acha uma pessoa bonita ou legal, não precisa ficar dizendo o quanto ela é linda, simpática e maravilhosa. Mas também não precisa, como muitas pessoas, ficar dizendo o quando ela é horrenda, antipática, isso ou aquilo. Tem uma opinião sobre alguém? Não gosta do jeito da pessoa de viver? Parabéns, guarde para si mesmo, comente no máximo com alguém de confiança e siga em frente! Viva em paz e deixe o outro fazer o mesmo. Se cada um ficasse no seu quadrado, não existiriam guerras. Papo de pacifista, mas é verdade. A coisa é meio óbvia, mas ninguém nunca está a fim de ser óbvio, legal e ceder a fim de resultados pacíficos.
As pessoas têm essa necessidade patológica de ficar apontando, de ficar gritando aos 4 ventos os defeitos, físicos ou morais, dos outros. Quantas de vocês não conhecem o exemplo a seguir: Uma pessoa pode ser linda, simpática, agradável, com um cabelo perfeito, de olhar atraente e inúmeras outras qualidades, mas um dia, aparece uma espinha testa. Quando ela estiver entre conhecidos, ninguém vai comentar o quanto ela é bonita, gente boa, uma ótima trabalhadora ou o quanto seu cabelo brilha sem precisar de ajuda de produtos químicos. Mas vocês acham mesmo que com a espinha na testa, aquela coisa vermelha e inflamada (que todo mundo tem, e se você não tem, sinto muito, você vai envelhecer mais rápido e ter mais rugas. Não, isso não é praga, é ciência!), alguém vai comentar as qualidades dela? Vai ter sempre um babaca pra chegar apontando pra espinha e perguntando: “Nossa, que espinha é essa aí na sua testa?”.
Por favor, não sejam esse tipo de babaca. Quando virem alguém com espinhas ou qualquer outro “defeitos” no rosto, procurem outras qualidades. Não é difícil achar se você olhar direito. Não seja uma pessoa tóxica. Quem vive apontando para os outros e destilando veneno, é porque não consegue nem encarar o próprio reflexo no espelho pela manhã. E se você se identificou com os itens aqui citados e descobriu que é uma pessoa tóxica, é só passar a olhar direitinho para si mesmo também. Não dói, não! Você pode ser sempre alguém melhor se quiser! Então, por favor, queira. E seja. O mundo precisa disso.
Espero que essa falação toda tenha servido pra alguma coisa! Vocês sabem o quanto eu gosto de falar e fazer textos enormes, não é? Espero que, no fim, faça a diferença pra alguém.
E só pra terminar, anote a frase aí no caderninho, na parede, na mão, em qualquer lugar que desejar: “Não tenha medo de eliminar pessoas tóxicas de sua vida!” Quer você goste delas ou não. E se até mesmo você ama uma pessoa tóxica, tente abrir os olhos dela. Se não conseguir, realmente elimine-a da sua vida, por mais que doa. Porque ninguém é capaz de agüentar uma vida toda com tanto veneno.

 

02 – Lembrete Diário.

 

daily reminder

 

Esses dias eu estava tentando dar uma revisada em todos os meus cadernos  (tentando porque são muitos e eu não tenho tempo pra reler tudo, tenho que fazer à prestação), em busca de alguma história que eu tenha escrito, alguma ideia que eu tenha largado por aí, a fim de renová-las e postá-las aqui no site, já que ultimamente eu só estou tendo ideias pra histórias gigantes e nenhum tempo para escrevê-las. Foi então que me deparei com um texto que escrevi pouquinho tempo atrás, quando tava me sentindo desanimada com certas coisas e pessoas. Foi um texto que escrevi para mim mesma, por isso nunca antes o havia postado, acho. Era apenas eu falando comigo mesma com toda a sinceridade, sem me preocupar em parecer isso ou aquilo para ninguém, era apenas eu comigo mesma e, apesar de não ser uma história bonitinha, com personagens e tal, acho que foi uma das coisas mais interessantes que já escrevi.
É bem simples, é como uma carta para mim mesma, como diz o título, apenas um “Lembrete Diário”, para quando eu estiver me “perdendo” na mente deste mundo tão doente, o que acaba acontecendo com mais frequência do que eu gostaria de admitir. Eu dei uma editada nele pra ficar mais bonitinho e adicionei algumas frases que acho que servem para qualquer uma de nós.
Serve muito pra mim até hoje e espero, de verdade, que ele possa servir para vocês em qualquer momento de suas vidas. Sério, leiam como se fosse eu ou alguém que vocês gostem, falando diretamente para vocês e reflitam bastante.
Espero que gostem 😉

Não importa o que acontecer, não importa o que sentir ou vir, lembre-se de que você sempre pode superar. Você pode suportar e/ou seguir em frente. A vida ainda irá colocar coisas maravilhosas no seu caminho.
Portanto, não desista. Não se entregue ou insista em uma ideia que não vai levar-te a lugar algum. Você é forte, tão forte! Não lembra de tudo o que passou? Não lembra de tudo o que aguentou? E você está aí agora, vivendo a vida ao máximo, fazendo o seu futuro e se preparando para se tornar quem você nasceu para ser.
A verdade é que o mundo te dará motivos para chorar e sofrer diariamente. Mas você não pode absorver tudo. Você não pode se importar com tudo e colocar um peso sobre as costas, maior que qualquer ser humano pode aguentar.
Pode doer, pode chocar, pode até quase matar. Mas você precisa deixar passar. Você precisa respirar bem fundo, quantas vezes forem necessárias e aguentar. Porque vai passar. Muitas outras coisas “insuperáveis” já passaram, correto? Deixaram cicatrizes, marcas, lembranças, mas passaram.
Você é especial. Depois de tudo o que passou, depois de tudo o que você sentiu, você realmente não acredita que é igual às outras pessoas, acredita? E por mais que às vezes doa ser diferente, isso é bom. Não, isso é ótimo! Olhe as pessoas ao seu redor. Observe seu comportamento, o que dizem, o que fazem… Olhe com bastante atenção, disseque o ser humano à sua frente e responda para si mesma: Você quer ser igual a elas? Se a resposta for “não”, então por que você faz de tudo para se encaixar no meio delas como uma peça de quebra-cabeças que precisa ter uma forma correta, exata, para caber num todo? Não é completamente irritante ser igual a todo mundo? Então por que você ainda tenta?
Chega a ser insuportável de ver o quanto você é inteligente e o quanto você ainda tenta chamar a atenção de tanta gente burra! Por tudo o que é mais sagrado, não faça mais isso! Eu te imploro, não faça mais. Seja você mesma, com todas as loucuras, com toda a maturidade, com toda a infantilidade, com Disney e filmes Cult, falando inglês ou espanhol ao invés de sua própria língua, vivendo pela arte, sempre pela arte… Não mude, não importa o quanto te digam que um trabalho “normal”, dinheiro e sociedade são mais importantes. Porque não são. Não são e nunca serão. Se alguém te diz isso, afaste-se imediatamente. Não tenha medo de eliminar pessoas tóxicas da sua vida. É apenas veneno, pra que você as quer tanto? É apenas veneno. E se continuar se contaminando, vai acabar matando sua própria alma e individualidade.
Por favor, não faça isso.
As pessoas que valem a pena conseguem ver através. Elas te aceitam e te compreendem, até mesmo quando não concordam. É a esse tipo de pessoa que vale a pena se agarrar. E você sabe que tem aos montes em sua vida. Não mendigue amizade. Você já tem todas as pessoas que você precisa. Enxergue isso. E jamais se esqueça, por um minuto sequer, de cada uma delas.
Independente de qualquer crença religiosa, você sabe que está aqui por algum motivo, não sabe? E acredite, é um ótimo motivo! Por mais que não enxergue agora, por mais que pareça que você é apenas um desperdício de espaço, você não é. Seu destino é maravilhoso e você irá enxergá-lo quando finalmente aprender a abrir as portas para ele.
Você vai ver que estou com toda a razão (você sabe que sempre tenho!) quando, daqui a alguns anos, tornar a ler esse texto e comprovar que tudo se tornou realidade.
Então, se estiver parecendo impossível, se o coração estiver doendo  a cada suspiro e estiver com vontade de desistir de tudo, agüente sempre mais um dia. Apenas mais um. Dê ao dia seguinte alguma chance de surpreender-te e, caso nada aconteça, dê uma chance ao próximo dia. Afinal, não tem dia marcado para acertar na loteria. Um dia você acorda e simplesmente acerta.
Pra finalizar, memorize sempre, sempre, sempre esta frase de um anjo maravilhoso: “Calma, respira e faz de novo”. E aplique-a para qualquer caso, qualquer circunstância ou obstáculo que aparecer em sua vida. Acredite, isso dá certo, muito certo.
Apenas segure firme e seja forte. E saiba que você nunca estará sozinha.

01 – Livros

vddsss

Eu realmente não lembro qual foi o primeiro livro que li na minha vida. Muitos, muitos passaram pelas minhas mãos desde quando era bem pequena até quando pude obter uma consciência do que era ler e o que isso significava realmente. Mas eu lembro, com certeza, o primeiro livro que me fez amar outros livros: Senhora, de José de Alencar.
Eu lembro como se fosse ontem a primeira vez que toquei neste livro. Eu não estava bem naquele dia. Tinha 13 anos, estava na 8ª série e a vida já estava acontecendo para mim. Naquele dia, minha turma foi obrigada a ver o vídeo “An Inconvenient Truth”, do Al Gore, na sala de vídeo – que também era chamada de Sala de Leitura, porque estudava numa escola pública e era tudo no mesmo lugar – e fiquei sentada numa mesa perto da estante de livros. Os minutos passaram, o vídeo tava me dando nos nervos (tinha muito animal morrendo, a cena dos porquinhos se afogando me traumatiza até hoje, não agüentei olhar), eu já estava de saco cheio daquilo tudo, de todas as pessoas ao meu redor e foi nesse momento que virei a cabeça para o lado para tentar respirar fundo e manter o controle. Foi quando olhei para um livro em particular e vi o nome “Senhora”. O primeiro pensamento que veio à minha cabeça foi de realmente uma senhora de 80 anos, com um colar de pérolas e fazendo crochê em uma cadeira de balanço (sim, essa era a imagem preconceituosa e ignorante que vinha à minha cabeça cada vez que ouvia a palavra ‘senhora’). Lembro que perguntei-me porque diabos alguém escreveria sobre uma senhora de 80 anos e como aquilo daria um livro (again, perdoem o preconceito estúpido da idade). E foi entupida de curiosidade que tirei o livro da estante. Não exagero quando digo que imediatamente senti uma conexão especial com aquele livro, principalmente quando li a sinopse e vi que se tratava de um casamento arranjado e amor/ódio, que são meus tipos favoritos de histórias.
O tempo da aula acabou, coloquei o livro de volta na estante e fui para casa sem tirar ele da cabeça. No dia seguinte, assim que bateu o sinal do intervalo, eu já estava na sala de leitura com o livro na mão e com o meu nome já anotado no caderninho de empréstimos.
Vocês devem estar se perguntando porque diabos eu estou falando de um livro em particular quando o título desse primeiro pensamento se chama “LIVROS”. A resposta é simples: Senhora foi o primeiro livro que curou a dor do momento.
Eu sempre fui lerda pra ler (ainda sou!), mas li Senhora em 3 dias, se não me engano. O primeiro livro que fiquei enrolando para terminar, pois não queria que aquela história acabasse de jeito nenhum. Como iria me despedir de Aurélia e Fernando dessa forma, quando vivi 3 intensos dias todo o turbilhão de sentimentos, de amores e orgulhos extremamente feridos, dentro de uma única casa? Eu vivia  história desses dois como se estivesse ali, como se eles fossem meus parentes, onde a dor, a frustração, o amor e todos os sentimentos deles também fossem meus.
Quando digo que Senhora foi o primeiro livro que curou a minha dor, não falo num sentido figurado, mas no literal mesmo. A sensação que me arrebatou quando acabei o livro foi tão intensa que, pelo menos por um par de dias ou um pouco mais, eu ainda estava vivendo com Aurélia e Fernando e tudo o que estava vivendo na minha vida naquela época foi meio que guardado em uma caixinha e, por alguns dias, ficou mais fácil respirar.
Eu sempre gostei de ler, desde que aprendi a juntar A com B, mas os livros para mim nada mais eram do que histórias sem noção e divertidas da coleção vaga-lume. Mas Senhora foi o divisor de águas, o que me fez aprender não só a ler como se deve um livro, mas também a vivê-lo intensamente. Nem mesmo Harry Potter, que foi o divisor de águas da minha geração, conseguiu esse efeito sobre mim.
Engraçado como os momentos-chave de nossas vidas acontecem da mesma forma: apenas aquele 1 segundo, 1 objeto, 1 brevíssimo espaço de tempo que muda todo o rumo de nossa história. A moral de todo esse texto é que, se eu não tivesse virado a cabeça naquele momento, olhado para aquele livro em particular e não pensasse porque alguém faria um livro sobre uma pessoa idosa, tudo seria diferente. Eu fui uma pessoa diferente antes e depois de Senhora.
Se eu achava que as coisas estavam melancólicas em 2005 é porque minha mente inocente não fazia ideia do que me esperava nos anos seguintes. Sem entrar em mais detalhes, eu posso dizer com toda a segurança do mundo que os livros (junto com algumas pessoas incomparáveis e especiais), salvaram minha vida.
Se hoje escrevo, é por causa dos livros.
Se as melhores pessoas do mundo hoje fazem parte da minha vida, é por causa dos livros.
Se hoje estou pobre de marré, também é por causa dos livros, porque eu compro uns 5 por mês, mesmo sabendo que nem duas vidas serão o bastante para ler tudo o que eu tenho aqui.
Existem pessoas que dizem que eu não vivo, que só sei ficar agarrada a uma ilusão e que isso não vai me levar a lugar algum. Pessoas que nunca leram um livro, claro, que nunca tiveram a oportunidade de pegar em um “Senhora” da vida e passar a ver o mundo sob uma nova perspectiva. Elas dizem que sou louca, mas loucas são elas, que vivem na entediante e insuportável realidade como se fosse a coisa mais sábia e sadia do mundo.
Quem me conhece pelo menos um pouquinho sabe que meu livro favorito de todos os tempos é A Menina Que Roubava Livros. Este foi outro que mudou a minha percepção sobre certos fatos da vida e, como costuma dizer uma das pessoas mais perfeitas do mundo, depois dele nunca mais vou sorrir. Mas ele só foi importante assim porque foi Senhora quem me ensinou a ler diferente, quem me ensinou a ler com outros olhos. Entendem esse rolo todo que eu falei aqui?
A verdade, a mais pura verdade é  que livros, palavras e histórias, têm o poder de transformar uma vida, de fazer-te olhar o mundo com outros olhos e até mesmo permitir que você seja uma pessoa muito, muito melhor.
Tenho a plena certeza de que quem diz que não gosta de ler é porque ainda não achou um “Senhora”, ou seja, não achou o livro certo.
Eu espero realmente que você encontre um livro assim e possa entender com plenitude cada palavra escrita aqui.