Literatura Para Quê?

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À literatura, bem como às outras formas de arte, não é conferido valores práticos. Entretanto, a necessidade do ser humano pelas instâncias artísticas é constantemente defendida e colocada como essencial. Contudo, sem uma finalidade utilitária, o motivo pelo qual a literatura é concebida como fundamental ao homem pode parecer confuso.
Partiremos do princípio de que o termo “literatura” refere-se ao uso estético da linguagem; da utilização da palavra com finalidade artística. Justamente por se apoiar na língua para a construção de seu significado, a literatura não se prende unicamente à percepção sensorial, como coloca Jouve (2012), e por isso se difere de outras instâncias artísticas. A reflexão por ela provocada apresentará um caráter ruminante. Sendo essa, talvez, a maior força da literatura enquanto arte.
Em consonância, a possibilidade reflexiva da literatura é coloca por Antonio Candido, em 1972, na palestra A literatura e a formação do homem, como essencial para o desenvolvimento humano. Candido defende que, através de três funções principais, a literatura possui caráter humanizador na formação do indivíduo. Sendo concebida “como algo que exprime o homem e depois atua na própria formação do homem” (CANDIDO, 1972, p. 82).
A primeira função, a função psicológica, se relaciona à necessidade humana da ficção e da fantasia. O que é defendido por Candido é a impossibilidade de o Homem viver todos os dias de sua vida sem imaginar, devanear e contemplar a fantasia. A literatura seria, então, uma das modalidades mais ricas de fantasia, que ao se relacionar ao mundo real cria realidades possíveis. Tais realidades, Candido defende, atuam no processo de formação do homem.
Quando, posteriormente, se debruça sobre esse assunto no clássico O direito à literatura, Candido acrescenta que “talvez não haja equilíbrio social sem a literatura”, isso se deve ao fato de que atua do inconsciente para o consciente. “A literatura confirma e nega, apoia e combate, fornecendo a possibilidade de vivermos dialeticamente os problemas” (CANDIDO, 1988, p. 24).
Tal função defendida por Candido pode ser associada à ideia de alteridade. O principio da alteridade, como defende o professor Mário Sérgio Cortella (2005), é enxergar o outro como o outro e não como um estranho que nos amedronta e se faz nosso adversário. Nessa perspectiva, a literatura, através da função psicológica, dá meios àquele que a lê, para a compreensão do outro e percepção de que dele faz parte.
A segunda função apresentada por Candido é a função formadora da literatura. A função formadora da literatura, adverte o autor, não se refere ao ideal pedagogizante que percebe a literatura como um meio para repassar ideologias. Mas atenta para o fato de que a literatura não é uma experiência tranquila, forma o ser que a lê porque atua como a própria vida (da qual é reflexo), desestabilizando a realidade com as mais diversas ambivalências. O autor ainda defende que a literatura não corrompe nem edifica, mas faz viver e, assim, humaniza.
Por fim, em razão desse contato com as mais diversas vivências, Candido nos apresenta a terceira função da literatura, a de conhecimento do mundo e do ser. Nessa relação com diferentes realidades, a literatura possibilita ao leitor um novo conhecimento de si e do mundo que o cerca. O que está sendo defendido, em sumo, é que, através da leitura de uma determinada obra, o leitor pode entrar em contato com uma realidade completamente diferente da sua e conhecer facetas sobre sua própria personalidade e humanidade que não conhecia.
Alguns anos depois, ratificando e aprofundando os argumentos levantados em A literatura e formação do homem, em O direito à literatura, Candido permanece em defesa da literatura para o processo formativo do homem e vai além: defende que a literatura é um direito inalienável. Partindo do ponto de vista do sociólogo, e também padre, Louis-Joseph Lebret, que classifica a existência de bens compressíveis e incompressíveis, a literatura seria um direito que não pode ser negado a ninguém. A justificativa do autor para assim classificar a literatura está no fato de que os bens incompressíveis não devem ser apenas aqueles que asseguram a integridade física do ser humano, mas também aqueles que asseguram a integridade espiritual do ser humano.
A literatura, entre outras manifestações artísticas, se configura, então, como “uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo ela nos organiza, nos liberta do caos e, portanto, nos humaniza” (CANDIDO, 1988, 35).
Além da função humanizadora da literatura, o direito à literatura também se dá porque, aos indivíduos, deve ser garantido o conhecimento de seu o patrimônio artístico e cultural. Em defesa desse aspecto, em consonância com Candido, Jouve (2012) salienta que o estudo das obras literárias e a discussão acerca delas atualizam as relações entre a obra e o universo cultural de forma sincrônica, pois o texto traz em si os pilares de nossas representações; e diacrônica, pois o texto se configura como uma herança cultural que a transmite e a reavalia. Por essas razões, o texto literário contribui para o desenvolvimento crítico daquele que o lê, bem como sua capacidade de análise e reflexão.
A literatura se apresenta, tal qual outros domínios artísticos, como um direito não constitucionalizado, porém inalienável para a formação do cidadão. Não é sem motivo que, como nos lembra Vieira (2014), nos momentos em que houve, durante o caminhar da história, ideologias que tolhiam o pensamento crítico e visavam uma concepção de pensamento totalitários, a literatura era tida como perigosa e chegou a ser proibida.
Tal proibição se deve ao fato de que a literatura, bem como outras expressões artísticas, concede ao homem os meios para a construção de um mundo possível. Ao visitar esse mundo possível, que só é possível por causa das palavras, através de uma construção estética, o indivíduo pode se colocar no lugar do outro, perceber outras realidades e, a partir do momento em que a ficção e a realidade entram uma no domínio da outra, há o espaço para a reflexão.

A literatura duplica o mundo no sentido mais amplo que essa palavra pode encerrar: a duplicação de homens e mulheres, de ideias, de cidades, de mitos, de deuses, dos sentimentos, dos pecados, das virtudes. Não apenas duplica: duplica ao tempo que promove o discurso, o debate e o contraditório (VIEIRA, 2014, p. 71).

Assim, a arte literária se configura como um bem imprescindível para a sociedade por seu caráter libertário e confrontador. Ferramenta imprescindível para estabelecer uma cultura que olhe para o outro como companheiro, a não garantia do acesso por parte do homem aos bens artísticos seria nociva para uma sociedade saudável.

Fontes:

VIEIRA, Anco Márcio Tenório. A literatura como espaço do discurso, do debate e do contraditório. In: LIMA, Aldo de. (org.). O direito à literatura. 2ª Ed. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2014. p. 55-76.
VIEIRA, Anco Márcio Tenório. A literatura como espaço do discurso, do debate e do contraditório. In: LIMA, Aldo de. (org.). O direito à literatura. 2ª Ed. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2014. p. 55-76.
CANDIDO, Antonio. A literatura e a formação do homem. In:
CANDIDO, Antonio. O direito à literatura. In: LIMA, Aldo de. (org.). O direito à literatura. 2ª Ed. Recife: Editora Universitária da UFPE, 2014. p. 17-40.

Os Melhores Do Ano – Por Mariana Bandeira

1) Melhor Livro: Stardust – Neil Gaiman

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2015 não foi um ano de muitas leituras por causa da quantidade de trabalho e de estudo teórico que eu tive, mas, dentre os livros que eu li, o que mais terminou chegando ao meu coração foi “Stardust” do Neil Gaiman. Eu nunca havia lido nada do Neil Gaiman e decidi começar por “Stardust” por ser uma eterna apaixonada pelos contos de fadas e a história ser meio que um conto de fadas moderno. E foi um amor. Uma leitura que, apesar de leve, falou muito comigo. Menção honrosa: O livro de contos do Oscar Wilde (gosto mais dele como contista do que como romancista depois de conhecer a obra). Quero fazer também outra menção honrosa a um livro que eu comecei e ainda não terminei “A menina que contava histórias” da sempre maravilhosa Jodi Picoult.

2) Melhor Série: The 100

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É com muita dificuldade que eu escolho “The 100” para assumir o posto de melhor série que vi em 2015. Apesar de ter adorado “Suits”, me apaixonado por “Scorpion” e de estar adorando maratonar “Everwood”, “The 100” é foi a série que mais me prendeu este ano. A série tem tudo que eu gosto: ação, romance, adolescentes, roteiro bem elaborado, surpreendente e uma direção ágil. Tornou-se uma das minhas séries favoritas.

3) Melhor Filme: A Origem Dos Guardiões

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A categoria de mais difícil escolha com certeza, porque eu não me lembro de todos os filmes que vi durante o ano. Eu fiquei entre três filmes, no final das contas, cada um de um dos meus gêneros cinematográficos favoritos, a animação “A origem dos guardiões”, que é uma das animações mais bonitas que já vi (e eu assisto a filmes de animação quase todo dia), a comédia romântica “Amor e Turbulência” (comédia romântica francesa: elas nunca decepcionam) e o drama “Os intocáveis” (Filme de drama, com um personagem tetraplégico e o outro ex-presidiário e baseado em fatos reais, também francês. Eu preciso dizer mais alguma coisa?).

4) Música Mais Tocada Em Meu Player: Move Together – James Bay

 

JAMES BAY! Esta foi uma das grandes descobertas do ano. Desde fevereiro que eu mantenho James Bay tocando sem parar, principalmente “Move Together” e ainda não cheguei nem perto de enjoar. As músicas dele são super-gostosas de ouvir e eu me perco nas letras e na voz. Menção honrosa ao Tiago Iorc e ao Ed Sheeran.

5) A Maior Surpresa: Modern Family

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Para entender a minha escolha para esta categoria, é necessário saber uma coisa sobre mim: odeio sitcoms. Até consigo assistir a um ou dois episódios, mas acompanhar a história? Só de pensar já me dá sono e preguiça, mas meus amigos sempre me indicavam “Modern Family” e diziam que eu gostaria se eu visse. E eles estavam certos. “Modern Family” é genial. Não é como nenhum outro sitcom que eu já tenha assistido e eu terminei assistindo a todos os episódios disponíveis no netflix em menos de uma semana. MELHOR DIREÇÃO E ROTEIRO. Todas as séries de comédia deveriam se basear, pelo menos um pouquinho, naquela maravilha de série, com os melhores personagens

Escritor 32 – Mariana Alcoforado

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Nascida em 1640, em Beja – Portugal, teria entrado no convento aos 12 anos e, quando em torno dos 20 anos, vivido lá o seu amor com o Marquês de Chamilly, um oficial francês servindo em Portugal.
Por muito tempo estudou-se sobre a autoria de suas cartas. A publicação se deu pela primeira vez na França, em 1669, de forma anônima. Muitos intelectuais se debruçaram em torno da incógnita: tais cartas seriam escritas por algum francês e publicadas anonimamente ou realmente teriam sido escritas por Mariana e traduzidas para o Francês e posteriormente publicadas? A corrente francesa defende que tudo não passava de um golpe de marketing do autor e editor. Em 1990, a autoria das cartas teria sido atribuída ao Marquês D’Argens ou Jean-Baptiste de Boyer. Já a corrente portuguesa, defende que Mariana Alcoforado era a remetente das cartas.
A versão portuguesa é a mais aceita e difundida no mundo. Tal posicionamento é resultado de alguns indícios e comprovações, o primeiro deles é o de que Mariana Alcoforado verdadeiramente existiu, viveu no convento de Nossa Senhora da Conceição, da ordem de Santa Clara e teria morrido no dia 28 de julho de 1723, também em Beja, aos 83 anos de idade, outro é a sintaxe presente nas cartas que apontam majoritariamente para sintaxe portuguesa na tradução francesa, apontando para uma tradução literal.

Opinião Pessoal: Ao ler as cartas de Mariana Alcoforado, o primeiro pensamento de um leitor desavisado provavelmente seria de que as cartas se tratavam de uma história ficcional. A escrita ornada e eloquente encontrada nas cartas incita-nos a jamais pensar que as cartas teriam sido escritas ao calor do momento e não pelo desejo de fazer articuladamente uma boa literatura.
Sua voz seria um dos mais belos gritos da paixão ardente e de uma personalidade sensível e intempestiva que se harmoniza tão bem com o Barroco vigente em sua época. Pode-se pensar, entretanto, que as cartas não são literatura por serem relatos reais. Mas não é a literatura a arte de escrever de forma que, articulando e tensionando a linguagem, as palavras passem a possuir o maior grau de significação e beleza poética? Sendo assim, as cartas são literatura, são o fazer arte com as palavras. Qualidade, esta, que Mariana soube articular com muita precisão e engenho. As cartas, durante o Barroco, configuraram um gênero comum à época: epistolografia. Na antiguidade clássica, a epistolografia era bastante comum entre os escritores, Sêneca, Platão e Cícero são exemplos dos que muito se valeram do gênero escrevendo tratados filosóficos para destinatários existentes ou não, exercitando, assim, o diálogo de suas filosofias. No Barroco, o gênero está em uma posição de destaque, tratando, principalmente, de temas religiosos, tal qual era comum também aos apóstolos. Mariana, entretanto, se dedica às cartas confessionais de amor privadas que se tornariam públicas. Nelas, a autora busca contato com o seu amado e, após perceber, durante a terceira carta que vivenciava um amor unilateral, poderemos encontrar resquícios de um amor nunca concretizado e tão dual quanto Barroco.

Para ler as cartas de Mariana Alcoforado, clique aqui.

Meus 9 Trechos Favoritos De “O Morro Dos Ventos Uivantes”.

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O Morro dos Ventos Uivantes conta uma história de amor, mas isso não quer dizer que o livro seja sobre o amor em sua plena forma. Somos apresentados à história de Heathcliff e Catherine, um homem ruim e uma mulher egoísta, que têm o amor como a única coisa que os redime. Os trechos que foram separados nessa coletânea são alguns dos meus momentos favoritos da história (que é um dos meus livros favoritos) e deixarão explícitas as facetas dessas personagens.

1. “Ele… completamente sozinho! Nós dois… separados! – exclamou ela, indignada. – E quem vai nos separar, não me dirás? Quem tentar terá o destino de Milo! Não enquanto eu for viva, Ellen… nenhum mortal vai conseguir isso. Mais depressa sumiriam da face da Terra todos os Linton do que eu permitiria separar-me do Heathcliff”

2. “Não sei como explicar, mas certamente que tu e toda a gente têm a noção de que existe, ou deveria existir, um outro eu para além de nós próprios. Para que serviria eu ter sido criada se apenas me resumisse a isto? Os meus grandes desgostos neste mundo foram os desgostos do Heathcliff, e eu acompanhei e senti cada um deles desde o início; é ele que me mantém viva. Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria para mim uma vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer. O meu amor pelo Linton é como a folhagem dos bosques: irá se transformar com o tempo, sei disso, como as árvores se transformam com o inverno. Mas o meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou o Heathcliff. Ele está sempre, sempre no meu pensamento. Não por prazer, tal como eu não sou um prazer para mim própria, mas como parte de mim mesma, como eu própria”

3. “- Deves estar possuída pelo diabo – continuou ele, desvairado, – para falares comigo nesse tom, quando estás à beira da morte! Já pensaste bem que toda essas palavras vão ficar gravadas na minha memória, consumindo-me a alma eternamente depois de tu morreres? Sabes que mentes quando afirmas que fui em quem te levou a esse estado deplorável. E também sabes, Catherine, que, enquanto eu viver, jamais te esquecerei! Não será suficiente para o teu egoísmo atroz saberes que, enquanto descansas em paz, eu sofrerei os tormentos do inferno?”

4. “- Mostraste-me agora o quão cruel tens sido. Cruel e falsa! Por que me desprezaste, Cathy? Por que traíste o teu próprio coração? Não tenho sequer uma palavra de conforto para dar. Tu mereces tudo aquilo por que estás passando. Mataste a ti própria. Sim, podes beijar-me e chorar o quanto quiseres. Arrancar-me beijos e lágrimas. Mas eles vão te queimar e serás amaldiçoada. Se me amavas, por que me deixaste? Com que direito? Responde-me! Por causa da mera inclinação que sentias pelo Linton? Pois não foi a miséria, nem a degradação, nem a morte, nem algo que Deus ou satanás pudessem enviar, que nos separou. Foste tu, de livre vontade, que o fizeste. Não fui eu que despedacei teu coração, foste tu própria. E, ao despedaçares o teu, despedaçaste o meu também. Tanto pior para mim, que sou forte e saudável. Se eu desejo continuar a viver? Que vida levarei quando… Oh! Meu Deus! Gostaria tu de viver com a alma na sepultura?”

5. “Mas o que não associo eu a ela? O que não a traz à minha memória? Se olho para estas lajes, vejo nelas gravadas as suas feições! Em cada nuvem, em cada árvore, na escuridão da noite, refletida de dia em cada objeto, por toda a parte eu vejo a sua imagem! Nos rostos mais vulgares de homens e de mulheres, até as minhas feições me enganam com a semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de testemunhas de que um dia ela realmente existiu e a perdi para sempre!”

6. “- E você supõe que ela me esqueceu? Oh, Nelly! Você sabe que isso não é verdade! Sabe, tão bem quanto eu, que a cada pensamento que ela gasta com Linton, gasta mil comigo! No período mais triste da minha vida eu também pensava assim, e isso ainda me assustava quando voltei para cá no verão passado. Mas só uma confissão dela me faria admitir essa ideia horrível outra vez. E então Linton não seria mais nada, nem Hindley, nem todos os sonhos que já sonhei. Duas palavras apenas representariam o meu futuro: morte e inferno. A vida, depois de perdê-la, seria um inferno. Ainda assim, fui tolo o bastante para imaginar por um momento que ela valorizasse mais o amor de Linton do que o meu. Mesmo se ele a amasse com todas as forças da sua pessoa mesquinha, nem em oitenta anos poderia amá-la tanto quanto eu a amo num único dia. E o coração de Catherine é tão profundo quanto o meu: é mais fácil o mar caber inteiro naquela gamela, do que todo o seu amor ser monopolizado por ele. Ah! O lugar que ele ocupa na feição de Cathy é só um pouco melhor do que o do seu cachorro, ou do seu cavalo. Não é da natureza dele ser amado como eu sou: comoela poderia amar nele aquilo que ele não possui?”.

7. “A pólvora permaneceu tão inofensiva quanto areia, porque nenhum fogo chegou perto para fazê-la explodir”.

8. “- Beija-me e não me deixes ver os teus olhos! Perdoo-te o mal que me fizeste. Eu amo quem me mata. Mas… como poderei perdoar quem te mata?”.

9. “Nunca lhe confessei o meu amor com palavras, mas se os olhos falam, o último dos tolos poderia verificar que eu estava totalmente apaixonado. Ela por fim compreendeu e por sua vez me lançou um olhar… o mais doce de todos os olhares imagináveis”.

Três Livros Teóricos Que Eu Indicaria Para Qualquer Um.

Hoje eu trouxe uma seleção de livros que eu li pensando na minha formação enquanto estudante de Letras, mas que foram além da teoria e me ajudaram a crescer como leitora de poesia, leitora do mundo e leitora de livros como um todo. Pensando que eles têm uma linguagem bastante acessível e que eles podem fazer por vocês o que fizeram por mim, aqui vão as minhas indicações.

O Arco e a Lira – Octavio Paz.  Editora: Cosac Naify| Páginas: 320|
Este livro é uma delícia. Qualquer pessoa que goste de poesia pode se encantar com o lirismo e a doçura presentes nas palavras de Octavio Paz. Ele escreve de uma forma tão próxima do leitor que, ao ler, você não se sente lendo um livro teórico. Eu gosto de brincar que ele fez poesia em prosa para falar de poesia em verso. Eu ainda não terminei de ler o livro, mas, sempre que eu sento para lê-lo, sou só sorrisos e indico para qualquer um que goste de ler poemas, você passará a entender melhor algumas nuances da poesia. Depois de ler esse livro, eu me tornei uma leitora de poema mais atenta e apaixonada, por isso a indicação.

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Do Grotesco e do Sublime – Victor Hugo. Editora: Perspectiva| Páginas: 101|
Esse livro é bem fininho, porque na verdade ele é o prefácio de Cromwell, eu li para uma disciplina na faculdade e terminou que ele se tornou um dos meus livros prediletos. O motivo? Victor Hugo escreve de forma simples e poética. O livro conta o desabrochar da poesia desde a criação de todas as coisas fazendo uma comparação com o desabrochar do homem. O primeiro homem, nos diz Hugo, é o primeiro poeta e sua poesia é lírica. Com o passar do tempo, as sociedades se criam, o homem sente a necessidade de contar os seus feitos, então, nos deparamos com a epopeia. E, por fim, com o cristianismo, essa religião que prega a verdade e traz a ideia de que temos uma alma a ser salva, nasce o drama. E o drama deve equilibrar o Grotesco e o Sublime, deixando-os em harmonia: é o nascimento da sociedade moderna. Mas o ponto alto do livro está na tessitura do texto, na qualidade da obra, na forma tão bela que Hugo encontrou de contar a nossa história literária. É um livro obrigatório para estudantes de Letras e um livro delicioso para os que apreciam literatura.

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A Literatura em Perigo – Tzvetan Todorov. Editora: Difel| Páginas: 96|
Todorov começou sua carreira de teórico literário como um estruturalista e este livro é um pouco da sua “carta de redenção”. O livro tem um tom bastante pessoal, ele conta a história de amor entre ele e a literatura e os motivos que o levaram a seguir o caminho que seguiu e, ao fazê-lo, conta a sua angustia com o tratamento dado a literatura hoje em dia. O livro tem um tom incrivelmente apaixonado, por isso que acho que pode agradar qualquer um que aprecie essa arte, também é um presente para os professores de literatura em formação (como eu) e, para aqueles que sempre se perguntaram qual a serventia da literatura e qual a utilidade de estudá-la enquanto disciplina escolar, a leitura o livro cai como uma luva. Foi uma das leituras mais agradáveis que tive em muito tempo como estudante de Letras e como uma leitora compulsiva que acredita que o mundo pode ter solução quando nós deixamos que os livros nos mudem.

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Escritor 29 – Richelle Mead

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Richelle Mead nasceu em Michigan e mora em Kirkland, Washington. Ela tem três graduações: um Bacharel em Estudos Gerais pela Universidade de Michigan, um Mestrado em Comparação Religiosa pela Universidade Western Michigan, e um Mestrado em Ensino pela Universidade de Washington. Sua graduação em Ensino a levou a ser professora de 8ª série no subúrbio de Seattle, onde ensinou Estudos Sociais e Inglês. Ela continuava a escrever durante seu tempo livre, até ela vender seu 1º romance, Succubus Blues. Depois de abandonar seu trabalho para escrever em tempo integral, seus outros livros se seguiram rapidamente.
Mead escreve seus livros ativamente em três séries diferentes. O cronograma é tão exigente que ela tem de acabar um projeto para um novo livro a cada três meses. É uma mudança muito rápida em comparação com um ano que a maioria dos escritores demoram para escrever um livro.

Biografia retirada do Wikipédia.

Principais Obras:

Série Georgina Kincaid (Sucubus) (2007 – 2011)
Vampire Academy (2007 – 2010)

Opinião Pessoal:

A Richelle Mead é a minha escritora de fantasia urbana favorita. Fantasia urbana é um subgênero da fantasia, quer dizer que a fantasia não se passa em um mundo paralelo ao nosso, como contos de fadas, por exemplo; mas sim, nesse mundo em que vivemos. O que quer dizer que vampiros, sucubus, lobisomens, alquimistas, bruxas e atém mesmo escritores vivem no mesmo universo que nós, pobres humanos. A criação das personagens de Richelle é fantástica, adoro o fato de que as suas heroínas sempre são mulheres fortes e inteligentes e cada uma recebe um herói a sua altura. As personagens de apoio, de uma forma geral, formam um grupo unido e coeso que nos faz adorá-los, por isso que a criação do spin-off de Vampire Academy (sua obra mais conhecida) deu muito certo com quem já era fã da série. As personagens são célebres na arte de cativar. Os enredos são muito bem construídos, organizados e precisos, criam uma atmosfera de mistério e ação que poucos autores conseguem manter. E não espere encontrar clichês, ela escreve para leitores que acompanhem a genialidade de seus personagens. Fica garantida uma leitura empolgante e repleta de personagens apaixonantes.

Escritor 25 – Clarice Lispector

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Clarice Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, na cidade de Chechelnyk, na Ucrânia. Chegou ao Brasil com 1 ano e dois meses de idade e foi naturalizada brasileira.
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade de Recife, onde passou parte da infância no bairro de Boa Vista. Falava vários idiomas, entre eles o francês e o inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche. Sua mãe morreu em 21 de setembro de 1930 (Clarice tinha apenas nove anos), após vários anos sofrendo com as consequências da Sífilis, supostamente contraída por conta de um estupro sofrido durante a Guerra Civil Russa, enquanto a família ainda estava na Ucrânia. Clarice sofreu com a morte da mãe, e muitos de seus textos refletem a culpa que a autora sentia e figuras de milagres que salvariam sua mãe.
Quando tinha quinze anos, seu pai decidiu se mudar para a cidade do Rio de Janeiro. Clarice estudou em uma escola primária na Tijuca até ir para o curso preparatório para a Faculdade de Direito. Foi aceita para a Escola de Direito na então Universidade do Brasil em 1939. Se viu frustrada com muitas das teorias ensinadas no curso, e descobriu um escape: a literatura. Em 25 de maio de 1940, com apenas 19 anos, publicou seu primeiro conto “Triunfo” na Revista Pan, de propriedade do editor José Scortecci.
Três anos depois, após uma cirurgia simples para a retirada de sua vesícula biliar, seu pai Pedro morre de complicações do procedimento.
Em 1943, no mesmo ano de sua formatura, casou-se com o colega de turma Maury Gurgel Valente, futuro pai de seus dois filhos. Maury foi aprovado no concurso de admissão na carreira diplomática, e passou a fazer parte do quadro do Ministério das Relações Exteriores. Em sua primeira viagem como esposa de diplomata, Clarice morou na Itália onde serviu durante a Segunda Guerra Mundial como assistente voluntária junto ao corpo de enfermagem da Força Expedicionária Brasileira.
Em 10 de agosto de 1948, nasce em Berna, Suíça, o seu primeiro filho, Pedro. Quando criança, Pedro se destacava por sua facilidade de aprendizado, porém na adolescência sua falta de atenção e agitação foram diagnosticadas como esquizofrenia. Em 10 de fevereiro de 1953, nasce Paulo, o segundo filho de Clarice e Maury, em Washington, D.C., nos Estados Unidos.
Em 1959 se separou do marido que ficou na Europa e voltou permanentemente ao Rio de Janeiro com seus filhos, morando no Leme. No mesmo ano assina a coluna “Correio feminino – Feira de Utilidades”, no jornal carioca Correio da Manhã, sob o pseudônimo de Helen Palmer. No ano seguinte, assume a coluna “Só para mulheres”, do Diário da Noite, como ghost-writer da atriz Ilka Soares.
Provoca um incêndio ao dormir com um cigarro acesso em 14 de setembro de 1966, seu quarto fica destruído e a escritora é hospitalizada entre a vida e a morte por três dias. Sua mão direita é quase amputada devido aos ferimentos, e, depois de passado o risco de morte, ainda fica hospitalizada por dois meses.
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi enterrada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro. Até a manhã de seu falecimento, mesmo sob sedativos, Clarice ainda ditava frases para sua amiga Olga Borelli.

Biografia retirada do Wikipédia.

Principais Obras:

Laços De Família (1960)
A Paixão segundo G.H. (1964)
Água Viva (1973)
A Hora Da Estrela (1977)

Opinião Pessoal:

Sempre achei que um escritor para ser bom tem que nos fazer sentir. Depois de ter lido muitos livros na vida, me deparei, pela primeira vez, com um livro de Clarice Lispector. Era um livro que estava na lista dos pedidos para o vestibular e eu, como perfeita curiosa que sou, li ainda no primeiro ano. Afinal, naquela época Clarice Lispector já era uma citação doce aos dedos dos frequentadores de redes sociais e eu queria ler aquela mulher que parecia ter uma citação para tudo (mais tarde eu descobri que ela não escreveu tudo o que dizem, porém escreveu mais do lêem). Minha primeira impressão sobre ela foi que ela era desmedida, mas desmedida na medida certa. A literatura de Clarice é de confronto, de busca, de conhecimento, íntima, pesada, crua, real, poética, singular. Revigora os ossos, esquenta o sangue, toca na alma.
Eu lembro que, em uma entrevista, ela contou que assim que ela foi publicada, não foi um sucesso de crítica, ridicularizaram seu livrinho, mas uma jovenzinha, de uns 20 anos, lhe disse que aquele havia sido o livro da vida dela. Acho que isso explica muito bem a literatura de Lispector: foi feita para os que leem querendo sentir e não entender. É nesse ponto que reside a magia.

Escritor 20 – Jodi Picoult

 

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Jodi Picoult nasceu no dia 19 de maio de 1966, em Long Island, nos Estados Unidos.
É formada em Escrita pela Universidade de Princeton e mestre em Educação pela Universidade de Harvard. Publicou duas pequenas histórias na revista Seventeen enquanto ainda estava na faculdade. Picoult sempre tem os seus livros nas listas dos mais vendidos do The New York Times.
Um de seus livros de maior sucesso, A Guardiã da minha irmã, ganhou uma adaptação para o cinema em 2009, contando com Cameron Diaz e Abigail Breslin no elenco. Suas obras já venderam mais de 14 milhões de cópias ao redor do mundo.
É casa com Timothy Warren Van Leer, que conheceu na faculdade e estão casados desde 1989. É mãe de 3 filhos. Jodi hoje em dia mora em New Hampshire com a família e animais de estimação.

Principais obras:

O Pacto (1998)
A guardiã da minha irmã (2004)
19 minutos (2007)
Um mundo à parte (2010)

Opinião Pessoal:

Sempre que me perguntam qual o motivo de eu ser tão obcecada com a escrita de Jodi Picoult e a resposta vem muito fácil: ela é a escritora que eu gostaria de ser. Jodi traz, entre suas obras, livros que abordam temas polêmicos, dramáticos e psicológicos de forma nua, crua e corajosa. Os personagens de suas obras são muito bem construídos e as personalidades ficam muito claras e tridimensionais. Da mesma forma, o cenário e as situações são completamente inusitados e bem construídos. Não li todos os livros dela, mas, todos aqueles que li, trouxeram principalmente, a reflexão sobre o que é justiça e os aspectos da condição humana.
Como traumas podem influenciar uma vida? Os pais realmente conhecem seus filhos? Até que ponto somos boas pessoas? Qual o momento em que a alma humana se rompe? Quantos lados pode-se haver em uma mesma história? Todas essas perguntas pairam nos universos criados por Jodi, mas ela não se atreve a responder nenhuma delas, ela deixa pistas e indagações para o leitor. Isso é o que eu mais gosto nela: o valor que ela dá ao leitor enquanto parte primordial para criação da história. Enfim, acredito que qualquer um que entre em contato com a sua obra será tocado de alguma forma.