Os Melhores Do Ano – Por Bárbara Gusmão

1)Melhor Livro: Silêncio Escancarado – Rui Nogar

SILENCIO_ESCANCARADO_1428815255444556SK1428815255B

Selecionei “Silêncio Escancarado”, do Rui Nogar, porque foi uma descoberta maravilhosa. Você pode ler um pouco sobre a obra e o autor clicando neste post do Sonhos de Letras. Estudar Literatura Africana de Expressão Portuguesa no último semestre do curso de Letras foi uma ótima experiência, já que pude aprender sobre essas literaturas e sobre a própria história de alguns países da África. Assim, esse livro que mais tarde tornou-se o objeto de estudo da minha monografia foi uma das melhores surpresas do ano e uma experiência única.

2) Melhor Série: Gran Hotel

 Gran_Hotel_TV_Series-432106970-large

A série espanhola Gran Hotel foi a melhor descoberta, para mim. Como a Cuera já disse um pouco sobre o enredo, deixo aqui o link do post dela. Vi, por acaso, alguém indicando a série e curiosa que sou, corri para pesquisar. Não tenho palavras para demonstrar meu amor por Gran Hotel. Um enredo gostoso que flui facilmente e nos prende ao assistir, com mil mistérios sendo embaralhados a cada episódio, fotografia maravilhosa, personagens apaixonantes e um ship de partir e reconstruir meu coração. Sem contar o idioma maravilhoso. Amei e desejei que não tivesse fim!

3) Melhor Filme: Como estrelas na Terra (Taare Zameen Par)

taare-zameen-par-2007

O meu filme do coração é Como estrelas na terra. Cuera me indicou e disse – mais de uma vez – que eu deveria assistir. Recentemente, após um episódio que vivenciei relacionado ao tema do filme, me lembrei da sugestão e me senti instigada a assistir. Ainda bem que me rendi ao impulso, pois é um filme lindíssimo, uma história maravilhosa, pois tem uma essência tão bela e transmite a grandiosidade da infância e da mente de uma criança, principalmente uma criança extraordinária como o personagem do filme.

4) Melhor Música: La Playa

Bem difícil de escolher, principalmente porque as músicas de Delta Goodrem são presença constante na minha vida… Entretanto, acredito que La Playa, de La Oreja de Van Gogh, foi uma das músicas que mais escutei e cantarolei, afinal, LODVG também está sempre presente no meu player. É uma música muito linda e a historinha dela me recorda a de El Muelle de San Blás, de Maná, o que a torna ainda mais linda e querida.

5) Melhor Surpresa: Jessica Jones

maxresdefault

Não estava nem um pouco com vontade de ver mais “séries de heróis”, eu disse. Porém, após me render e começar a assistir, Jessica Jones foi uma grande e excelente surpresa. Não só por ser uma série bem feita, mas também pela forma como a conduziram até agora, com os temas que foram postos em discussão por meio do enredo, principalmente em relação à mulher, e todo girl power que a Jessica coloca em ação. Espero que continue sensacional.

Escritor 31 – Rui Nogar.

rui nogar 2

Rui Nogar, pseudônimo de Francisco Barreto, nasceu em 1932, em Maputo, e publicou poemas em jornais como “O Brado Africano” e “Itinerário”, sendo Silêncio Escancarado a primeira publicação em livro. Desde 1964, Rui Nogar ela militante da Frelimo e foi preso pela PIDE.
A obra Silêncio Escancarado foi publicada no ano 1982, pelo Instituto Nacional do Livro e do Disco (INLD), e resultou da reunião de diversos poemas do autor, muitos deles escritos no tempo em que esteve preso. Rui Nogar, juntamente com Noêmia de Souza e José Caveirinha, entre outros, foi um dos autores mais ouvidos durante os primeiros e agitados anos após a independência de Moçambique.
Rui Nogar morreu em Lisboa, em 1994.

Principais Obras:

O Silêncio Escancarado (1982)

Opinião Pessoal:
A maioria dos poemas da obra Silêncio Escancarado transmite experiências e ideias do autor, muitas delas relacionadas ao período em que esteve detido, e é por meio das palavras que ele tece críticas em relação ao sistema colonial, à repressão, à exploração dos recursos naturais e dos seres humanos, dentre outros aspectos. Além disso, Rui Nogar afirma a necessidade de lutar em prol da transformação da sociedade, defendendo a ideia de que a solução para os problemas da África estava na própria África, que a mudança do contexto de Moçambique dependia de cada um dos moçambicanos, uma vez que possuíam a capacidade de alimentar a revolução.
O poema “O Retrato” (que pode ser lido abaixo) nos permite fazer uma alusão à luta contra o domínio colonial. Segundo o eu-lírico, os poetas já não são somente poetas, mas, sim, guerrilheiros, cujas emboscadas são os poemas, que são o meio de ataque e também o meio de libertação. Hoje, no tempo do poema, os poetas – que são mais do que poetas – em Moçambique, buscam a liberdade e se libertam nas palavras “percutidas” com as quais tecem seus poemas.
Nota-se o envolvimento ideológico e político de Rui Nogar e também o laço com a literatura, uma vez que manifesta-se na obra a preocupação com o fazer poético. Assim, infere-se que o autor dá voz ao que outrora fora silenciado e escancara os anos em que seu povo viveu sob o domínio colonial por meio de sua arma: a poesia.

RETRATO

mais do que poetas
hoje
somos sim guerrilheiros
com poemas emboscados
por entre a selva de sentimentos
em que nos vamos libertando
em cada palavra percutida

hoje
nós
em moçambique

Escritor 17 – Cecília Meireles

cecilia-meireles

Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu no dia 7 de novembro de 1901, na cidade do Rio de Janeiro. Foi poetisa, professora e jornalista.
A carreira de Cecília começou muito cedo. Escrevia poemas desde os 9 anos de idade e com apenas 18 anos publicou o seu primeiro livro intitulado “Espectro”. Formou-se professora pela Escola Normal do Instituto de Educação do Rio de Janeiro.
Casou-se em 1922 com o artista plástico Fernando Correia Dias, com quem teve três filhas: Maria Elvira, Maria Matilde e Maria Fernanda. Devido à sua formação como professora, Cecília Meireles foi a responsável pela abertura da primeira Biblioteca Infantil no Brasil, no ano de 1934. Escreveu muitas poesias infantis, dentre elas “O Cavalinho Branco”, “Bolhas” e “Colar de Carolina”.
Em 1935 enfrentou uma fatalidade: Seu marido suicidou-se após lutar anos contra a depressão. Porém voltou a casar-se em 1940 com o engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira.
Cecília Meireles também foi responsável pela difusão da cultura brasileira, tendo viajado pela América Latina e pelos Estados Unidos, ministrando aulas de Cultura e Literatura Brasileira.
Faleceu no dia 9 de novembro de 1964 na cidade do Rio de Janeiro.
Em 1965 a Academia Brasileira de Letras conferiu-lhe, post mortem, o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto da obra.

Principais Obras:

Espectro (1919)
A Viagem (1939)
Romanceiro da Inconfiência (1953)
Ou Isto ou Aquilo (1964)

Opinião Pessoal: Os poemas de Cecília, dentre tantos outros aspectos, são interessantes pela possibilidade de nos acompanharem desde a infância. Livros como “Ou isto ou aquilo” são bons meios de iniciar a leitura de poemas – seja você criança ou não. A infância, inclusive, permeia diversas obras da autora, assim como a efemeridade da vida e das coisas, dentre outras temáticas. É possível notar aspectos trágicos, como em “Solombra”, que nos remetem ao sofrimento vivido pela Cecília em sua vida. Outra obra bastante instigante é “Romanceiro da Inconfidência”, de caráter épico-lirico, que expõe a Inconfidência Mineira através dos versos da autora. É um dos poemas mais ilustres em relação ao valor histórico da cidade de Ouro Preto e uma forma de conhecer a história por um ângulo diferente do que nos mostram os livros didáticos e que desperta mais facilmente a nossa sensibilidade.
A poesia de Cecília, assim como toda boa poesia, tem o poder de nos encantar e cada verso nos leva a refletir sobre suas palavras e os temas abordados. Por meio dos seus trabalhos em jornais, falou sobre educação, defendeu a mulher e a arte como instrumento de educação. A escrita de Cecília, simples e bela, é capaz de maravilhar crianças e adultos, e de sensibilizar, educar, fazer pensar. A obra da poetisa, além de bela, é considerada uma das mais puras manifestações da literatura, o que nos mostra que não é à toa que Cecília Meireles é um dos grandes nomes da literatura brasileira.