Os Melhores Do Ano – Por Karla Araújo

1)Melhor Livro: A Seleção – Kiera Cass

a seleção

Desde que aprendi a ler, não houve um ano em que tão poucos livros ocuparam a cabeceira da minha cama como em 2015. Shame of me. Diante de tão poucos candidatos, o melhor do ano foi A Seleção (o primeiro da série), de Kiera Cass. Inclusive, postei no Sonhos de Letras meus 9 momentos preferidos. O futuro feudal com quase nenhuma tecnologia foi uma das coisas que mais chamou minha atenção no texto de Cass. Além disso, a história de Maxon e America, claro. Todo mundo ama uma boa história (muito bem escrita, sem pontas soltas) de duas pessoas que demoram três livros para ficarem juntas.

2) Melhor Série: Demolidor

demolidor

Nunca é fácil escolher a melhor série. Mas 2015 foi o ano de Marvel’s Deredevil. Eu não conhecia o personagem dos quadrinhos até assistir ao seriado. Apertei o play como uma boa poser apenas viciada em séries de TV de super-heróis. Foi bem difícil passar pelas cenas fortíssimas de luta e confesso que algumas apenas escutei. O que me prendeu, como acontece nos livros, é o texto excelente. E claro, Charlie Cox. Mas não posso deixar de destacar o ótimo papel desempenhado por The Flash, Arrow, Agent Carter, Chigado Fire e Chicago PD em 2015.

3) Melhor Filme: Alvin e os Esquilos (na Estrada)

alvin

Só fui pior do que na leitura de livros no item assistir filmes. Amo ir ao cinema. Amo filmes. Mas morro de preguiça. Duas horas parece tempo demais quando eu poderia assistir pelo menos três episódios de seriados usando os mesmos minutos. Vale dizer que eu perdi Os Vingadores no cinema pelos motivos mencionados. Então, minha escolha é o último filme que assisti no cinema, semana passada, com meus primos. Gosto muito de desenho e da mensagem positiva que eles passam, que neste caso é “mexeu com um de nós, mexeu com todos nós”.

4) Música Mais Tocada Em Meu Player: Closer Than You Know – Hillsong

Hillsong é também conhecida como a banda que reproduz o som do céu. Eles são incríveis. Faço parte de uma equipe de louvor e eles definitivamente são um exemplo. A letra é linda e a melodia corta meu coração em tantas partes que nem sei dizer. Parte favorita da música mais tocada: “Lord I hear you I know you’re there / Closer now than my skin and bonés could dare”.

5) A Maior Surpresa: Gilmore Girls

Gilmore Girls (L-R) Lauren Graham as Lorelai Gilmore and Alexis Bledel as Rory Gilmore

Sou apaixonada por séries dos anos 80 e 90. Voltei a assistir Gilmore Girls no meio do ano e não lembrava o tanto que era bom. Foi minha melhor descoberta do ano. Agora, ela fica em lugar especial, bem ao lado de Full House, junto com outros seriados que assisto bem devagar por medo de acabar. Não me quero spoilers, mas minha torcida é por Lorelai e Luke. Rory tem um lugar especial no meu coração por querer ser jornalista. Tão cheia de sonhos, pobre menina.

Resenha 09 – Cidades De Papel

CidadesDePapel

“A cidade era de papel, mas as memórias, não. Todas as coisas que eu tinha feito ali, todo o amor, a pena, a compaixão, a violência e o desprezo estavam aflorando em mim. Aquelas paredes de tijolos de concreto pintado de branco. Minhas paredes brancas. As paredes brancas de Margo. Fomos prisioneiros delas por muito tempo, presos em sua barriga como Jonas na Baleia.”

Cuidado! Esta resenha pode ter spoilers!

Personagens não são nossos. Ao longo de dias ou semanas viramos seus melhores amigos. Ler um livro é como observar uma história de dentro dela. Mas o destino desses recém conhecidos não nos pertence. A história segue linha por linha, página por página, até seu fim inevitável. Por vezes estamos a ponto de abraça-los diante do fim que estamos de pleno acordo. Tantas outras estamos ao lado deles pedindo que tomem outras decisões.
E lá estava eu diante das más decisões de Margo Roth Spiegelman dizendo a todos que Cidades de Papel é um péssimo livro. Então, começo dizendo: Cidades de Papel é um livro muito ruim. É horrível porque foge das minhas expectativas e me deixa desconfortável diante de uma personagem feminina que toma tantas decisões diferentes das que eu tomaria.
Margo Roth Spiegelman desaparece antes das provas finais do último ano do colégio, o que é inaceitável. Ela perde a colação de grau e, mesmo sem querer, leva os amigos a deixarem de ir no evento para procura-la. Ela é ingrata diante da atitude dos amigos de procura-la, pois achavam que estava em grande perigo e até mesmo morta. Margo Roth Spiegelman também perde a oportunidade incrível de terminar sua história ao lado de Quentin Jacobsen. Mas os personagens não são meus. São de John Green e, se fossem meus, eu os estragaria.
Diante da personalidade de Margo Roth Spiegelman e de tudo que ela viveu e da forma como viveu até ali, um fim ao lado de Quentin não faz um menor sentido. Uma adolescente tão independente como ela tem como destino se tornar uma mulher com a mesma característica.
Quentin e Margo Roth Spiegelman são adolescentes completamente diferentes. Se eu escrevesse Cidades de Papel eles terminariam juntos. Confesso que o futuro deles seria o divórcio depois de anos de casados e pelo menos dois filhos. Quentin e Margo Roth Spiegelman deveriam ficar juntos, mas não dá. John Green nos dá uma ótima lição de como a personagem principal de um romance da literatura jovem não precisa ser uma mosca morta.
Cidades de Papel é um livro ruim de tão bom que é. Minha parte preferida de Quentin, que eu não mudaria de jeito nenhum, é a forma como ele encara os últimos dias na escola. Essa é a única coisa que eu manteria se caso tivesse a oportunidade de estragar essa história.

Título: Cidades de Papel
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 368

Meus 9 Trechos Favoritos De “A Seleção”, de Kiera Cass.

A-Selecao

Kiera Cass criou um mundo no futuro completamente diferente do que imaginamos. Ao contrário do que sempre lemos sobre tecnologia e prosperidade, após a 4ª Guerra Mundial as nações voltam para a monarquia e o sistema de castas. America Singer é uma Cinco. Ela faz parte da casta de artistas e músicos clássicos, que estão “apenas três posições acima da sujeira”.

A crítica social é apenas uma linha da história de Cass. Maxon, o príncipe de Illéia (acredito que seja um país formado por países de toda a América após o fim da 4ª Guerra) finalmente chega à maioridade e com isso a Coroa promove A Seleção. O príncipe terá que escolher a esposa entre 35 mulheres.

America tem idade para se inscrever, mas só o faz devido a pressão feita por pessoas que estão próximas a ela. Há também um fator importante: o dinheiro. Além disso, é uma boa oportunidade para ficar longe do ex-namorado por um tempo.

Ela não quer ganhar. America ficaria feliz em ficar na Seleção tempo suficiente para curar seu coração e ganhar algum dinheiro para a família. Porém, ela não levava em consideração conhecer Maxon como uma pessoa de verdade. Sei que uma história de príncipe parece clichê demais. Entretanto, America e Maxon formam uma dupla divertidíssima.

1. “Estava tão perdida em meus pensamentos que só percebi que tinha companhia quando o príncipe Maxon começou a falar comigo.
─ Está tudo bem, querida?
─ Eu não sou sua querida.
Levantei minha cabeça para encará-lo. Era impossível não notar o nojo no meu tom de voz e nos meus olhos.”

2. “Ele se levantou para ler meu broche conforme eu me aproximava:
─ America, certo? – Ele perguntou, com um sorriso nos lábios.
─ Sim, sou eu. E sei que já ouvi seu nome antes, mas poderia refrescar minha memória – eu disse, pensando se era má ideia começar com uma piada, mas Maxon riu e me pediu que sentasse.
Ele se inclinou para frente e perguntou:
─ Você dormiu bem, minha querida?”

3. “─ Não acha que seria muito melhor se tivesse alguém aqui dentro? Alguém para ajudar? Tipo… uma amiga?
─ Uma amiga? – Ele perguntou?
─ Sim. Se me deixar ficar, posso ajudar. Serei sua amiga.
Minhas palavras o fizeram sorrir. Retomei minha proposta:
─ Não precisa se incomodar em correr atrás de mim. Já sabe que não sinto nada por você. Mas pode falar comigo a qualquer momento e tentarei ajudar. Ontem à noite você disse que estava em busca de uma confidente. Bem, posso ser essa pessoa enquanto não encontrar a definitiva. Se quiser…”

4. “[…] As firmes batidas de Maxon soaram minutos mais tarde. Quando dei por mim, já estava correndo em direção à porta.
─ Mas onde estão suas criadas – perguntou olhando para o interior do quarto.
─ Foram embora. Eu as dispenso sempre que volto do jantar.
─ Todos os dias?
─ Sim, claro. Posso muito bem tirar a roupa sozinha, obrigada.
Maxon levantou as sobrancelhas e sorriu, então eu corei. Não eram aquelas palavras que eu queria usar. ”

5. “Seu discurso tinha começado cheio de fúria e paixão, mas no final as perguntas não eram mais retóricas. Ele realmente queria saber: o que faria se ninguém ali passasse perto de ser uma pessoa que ele pudesse amar? Embora esse não parecesse ser seu maior problema, o príncipe estava mais preocupado em não ser amado.”

6. “O rosto de Maxon era mero eco da minha dor. Seu coração parecia ter sido despedaçado por minha história. Mais que isso: ele parecia estar com raiva.
─ Sinto muito, America. Eu não… – sua expressão se contorceu um pouco. – Agora é um bom momento para pôr a mão no seu ombro?
Sua dúvida fez com que eu sorrisse.
─ Sim, agora é um ótimo momento.
Ele parecia tão cético como no dia anterior, mas em vez de apenas pôr a mão no meu ombro, inclinou-se e tentou me envolver em seus braços.
─ A única pessoa que já abracei é minha mãe. Estou fazendo certo? – Perguntou.
Eu ri.
─ É difícil errar um abraço.”

7. “─ Feche os olhos, Maxon. […] Talvez você ainda não saiba quem ela é, mas pense nas garotas no salão. Imagine aquela que mais ama. Imagine sua “querida”.
A mão dele estava ao lado da minha, e seus dedos resvalaram nos meus por um momento. Puxei a mão.
─ Desculpe – ele murmurou, abrindo os olhos na minha direção.
─ Fechados!
Ele deu uma risadinha e voltou à posição de antes.”

8. “─ Ele não é mais meu namorado. E deixou bem claro que terminou comigo – até eu pude perceber uma pequena esperança em minha voz.
─ Impossível. Ele deve ter visto você na TV e se apaixonado mais uma vez. Embora, na minha opinião, você continue a ser areia demais para o caminhãozinho dele.
Maxon falava quase como se estivesse aborrecido, como se tivesse visto a cena um milhão de vezes.
─ A propósito – ele prosseguiu elevando um pouco a voz -, se você não quiser que eu me apaixone, não pode ficar assim tão linda. A primeira coisa que farei amanhã será mandar suas criadas costurarem uns sacos de batatas para você usar. ”

9. “─ E por que ainda estou aqui?
Minha voz saiu um pouco mais alta que um sussurro. Eu sabia que ia doer. No fundo, tinha certeza de que só estava ali porque Maxon era bom demais para quebrar uma promessa.
─ America, pensei ter sido claro – ele disse calmamente. […] Se o assunto fosse simples, já teria eliminado todas as outras. Sei o que sinto por você. Talvez seja impulsivo da minha parte ter tanta certeza, mas estou certo de que seria feliz com você.”

BÔNUS

“Toquei a música – tão familiar quanto a voz do meu pai ou o cheiro do meu quarto – por uns breves e belos instantes, para depois deixá-la atingir seu fim inevitável. Passei o arco sobre as cordas pela última e o levantei.
Abri os olhos para verificar se Kriss tinha gostado do presente, mas nem vi seu rosto. Atrás do grupo de meninas estava Maxon. Ele vestia um terno cinza e carregava uma caixa sob o braço. As garotas aplaudiram com muita gentileza, mas não pude prestar atenção no som das palmas. Só conseguia focar em Maxon, com uma expressão bela e maravilhada, que logo se converteu em um sorriso. Um sorriso para mim e mais ninguém.”