Não Tenha Medo De Ler Clássicos.

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Conheço muitas pessoas que nunca pegaram num livro considerado clássico simplesmente por medo. Costumam dizer: “mas é muito difícil!” ou “mas é muito chato”, sendo que o máximo de contato que tiveram com um clássico foi um resumão que pegaram na internet na época do ensino médio. E toda essa resistência que atravessa gerações acabou por criar um mito de que clássicos são bichos de sete cabeças sendo lidos apenas por intelectuais com óculos fundo de garrafa numa sala escura e poeirenta.
Eu não faço parte da corrente que acredita que os bestsellers deveriam ser erradicados da face da Terra. Pelo contrário, acho que eles são necessários também para a formação de novos leitores. Todo mundo precisa começar de algum lugar, aos poucos, passinhos de bebê, e os bestsellers geralmente são a opção mais buscada. Entretanto, penso que existe um problema quando você já é um leitor voraz há anos, mas continua apenas nos bestsellers, sem buscar algo novo. Creio que a maioria das pessoas não têm essa noção, mas os bestsellers possuem mais ou menos um mesmo padrão de histórias, de narrativas, de desenvolvimento de personagens. É como se você estivesse comendo macarrão há anos, apenas mudando de espaguete para miojo, de miojo para talharim, e assim sucessivamente.
A literatura é um universo, é infinita, e é necessário explorar todas as suas possibilidades. E é aí que entram os clássicos.
Percebo que a principal barreira que um leitor de bestseller encontra ao pegar em um clássico é a linguagem. Pode ser um choque a princípio sair da narração simples de um narrador que fala para o seu tempo, como se fosse um melhor amigo contando uma história, para algo melhor elaborado, fora de sua época, poético e muito bem pensado. Contudo, dentre os clássicos também existem níveis de dificuldade. Você não precisa começar por Machado de Assis ou Dostoievski. Jane Austen pode ser uma boa opção, principalmente para os românticos. Arthur Conan Doyle também é uma boa pedida para quem curte romances policiais. Ou seja, existe o clássico perfeito para cada um. Você apenas precisa perder o medo e encontrá-lo em alguma estante por aí.
Talvez pela pressão das escolas de enfiarem clássicos complicados para alunos que mal pegaram num livro na vida inteira tenha ajudado na rejeição que a maioria das pessoas têm. Mas a partir do momento em que o preconceito é superado e você começa a se familiarizar com o estilo dos livros, você vê tudo na sua vida mudar. Clássicos não são clássicos à toa. Eles atravessaram séculos e atingem pessoas de culturas e gerações diferentes porque muitos mudaram a forma de pensar de uma sociedade, trouxeram reflexões importantes sobre assuntos polêmicos e tudo isso aliado à uma bela história e uma narração muito bem trabalhada e pensada. Clássicos são essenciais e toda pessoa apaixonada por livros deveria lê-los.
Por isso, não tenha medo de ler clássicos. Não é esse monstro que criaram para você na escola ou num grupo de amigos. Ache o seu gênero favorito, procure o livro que mais se destacou e marcou época nesse meio e vá em frente! Se você já é um leitor voraz, mesmo que seja de bestsellers, não vai encontrar toda essa dificuldade em provar um pouquinho do gosto de um clássico. É só questão de começar.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). Quer ser escritora e viver de fazer Literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 16 páginas escritas)
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