Fotografia.

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Eu vi você me vendo. Duas vezes.
Que coisa estranha é essa de sentir-se invisível.
Quando olhos te enxergam, em fração de segundos, sem querer, é como um pequeno  renascer.
“Será que é agora?”
“Será que é pra valer?
“Será que meus olhos realmente viram ou apenas viram o que meu coração quer crer?”

Acredito que foi um acidente. Um sutil deslize.  Eu fazia parte da paisagem e seus olhos estavam apenas fotografando o ambiente.
Agora, não devo ser nada mais do que uma imagem emoldurada e guardada em algum canto longínquo de sua memória.
Mas e eu? Como retornar ao meu não ser?
Sou tão pouco, sou quase nada, e não sei como lidar com esse muito que seus olhos cismaram em oferecer.
Você me fez de imagem e essa imagem eu não consigo esquecer.
Por quê?
Não sei. Eu juro que não sei.
Mas quero que continue me vendo.
Quero que seus olhos continuem esbarrando no pequeno acidente da minha presença.
Para que eu possa existir. Para que eu possa sentir.
Desde que você me fotografou, não me sinto fantasma.
Não sou mais um pedaço de etéreo flutuando pelo mundo.
Sou carne, sou ossos.
Já não sou mais feita de destroços.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). Quer ser escritora e viver de fazer Literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 16 páginas escritas)
Cuera

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