Resenha 09 – Cidades De Papel

CidadesDePapel

“A cidade era de papel, mas as memórias, não. Todas as coisas que eu tinha feito ali, todo o amor, a pena, a compaixão, a violência e o desprezo estavam aflorando em mim. Aquelas paredes de tijolos de concreto pintado de branco. Minhas paredes brancas. As paredes brancas de Margo. Fomos prisioneiros delas por muito tempo, presos em sua barriga como Jonas na Baleia.”

Cuidado! Esta resenha pode ter spoilers!

Personagens não são nossos. Ao longo de dias ou semanas viramos seus melhores amigos. Ler um livro é como observar uma história de dentro dela. Mas o destino desses recém conhecidos não nos pertence. A história segue linha por linha, página por página, até seu fim inevitável. Por vezes estamos a ponto de abraça-los diante do fim que estamos de pleno acordo. Tantas outras estamos ao lado deles pedindo que tomem outras decisões.
E lá estava eu diante das más decisões de Margo Roth Spiegelman dizendo a todos que Cidades de Papel é um péssimo livro. Então, começo dizendo: Cidades de Papel é um livro muito ruim. É horrível porque foge das minhas expectativas e me deixa desconfortável diante de uma personagem feminina que toma tantas decisões diferentes das que eu tomaria.
Margo Roth Spiegelman desaparece antes das provas finais do último ano do colégio, o que é inaceitável. Ela perde a colação de grau e, mesmo sem querer, leva os amigos a deixarem de ir no evento para procura-la. Ela é ingrata diante da atitude dos amigos de procura-la, pois achavam que estava em grande perigo e até mesmo morta. Margo Roth Spiegelman também perde a oportunidade incrível de terminar sua história ao lado de Quentin Jacobsen. Mas os personagens não são meus. São de John Green e, se fossem meus, eu os estragaria.
Diante da personalidade de Margo Roth Spiegelman e de tudo que ela viveu e da forma como viveu até ali, um fim ao lado de Quentin não faz um menor sentido. Uma adolescente tão independente como ela tem como destino se tornar uma mulher com a mesma característica.
Quentin e Margo Roth Spiegelman são adolescentes completamente diferentes. Se eu escrevesse Cidades de Papel eles terminariam juntos. Confesso que o futuro deles seria o divórcio depois de anos de casados e pelo menos dois filhos. Quentin e Margo Roth Spiegelman deveriam ficar juntos, mas não dá. John Green nos dá uma ótima lição de como a personagem principal de um romance da literatura jovem não precisa ser uma mosca morta.
Cidades de Papel é um livro ruim de tão bom que é. Minha parte preferida de Quentin, que eu não mudaria de jeito nenhum, é a forma como ele encara os últimos dias na escola. Essa é a única coisa que eu manteria se caso tivesse a oportunidade de estragar essa história.

Título: Cidades de Papel
Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 368

Karla Araújo

Karla Araújo

É quase jornalista, tem 21 anos, amor por livros, séries e fé. Uma ideia pode acompanhá-la por anos, mas no momento em que coloca isso no papel, esquece. Graças a Deus pelo papel.
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