Sobre Um Pedido, Um Toque E Um Chaveiro.

touch

 

Eu o sinto andando atrás de mim.
Seus passos, seu cheiro, o jeito como seu chaveiro faz barulho pendurado na mochila.
Eu afasto minha mão do corpo, esperando que você a pegue.
Por favor, pegue-a.
Leve-me contigo por qualquer estrada.
Leve-me contigo mesmo que isto não leve a nada.
Só não a deixe pendurada.
Só não a deixe como uma peça do corpo desgarrada.
Já tenho espaços vazios suficientes. Não preciso de mais um.
Pegue-a nem que seja por pena, nem que seja apenas para levá-la até a esquina enquanto a minha palma beija a sua palma, enquanto nossas matérias se misturam.
Você pode salvar a minha vida com apenas um toque.
Já sentiu como se toda a sua vida dependesse de uma única coisa?
Eu já.
A todo tempo.
Minha mão permanece pendurada ao lado do meu corpo. Seus passos se aproximam cada vez mais.
Por favor.
Por favor.
Por favor.
Prometo não cobrar nada.
Prometo não cobrar sequer a pétala de uma flor.
Só me faça existir entrelaçando seus dedos bem aqui.
Seus passos chegam, mas seu toque não. Você passa por mim e então através de mim.
Vejo suas costas, sinto o seu cheiro e ouço o barulho de seu chaveiro pendurado na mochila.
Minha mão ainda está afastada do corpo, esperando que a você a pegue.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). Quer ser escritora e viver de fazer Literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 16 páginas escritas)
Cuera

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