Escritor 32 – Mariana Alcoforado

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Nascida em 1640, em Beja – Portugal, teria entrado no convento aos 12 anos e, quando em torno dos 20 anos, vivido lá o seu amor com o Marquês de Chamilly, um oficial francês servindo em Portugal.
Por muito tempo estudou-se sobre a autoria de suas cartas. A publicação se deu pela primeira vez na França, em 1669, de forma anônima. Muitos intelectuais se debruçaram em torno da incógnita: tais cartas seriam escritas por algum francês e publicadas anonimamente ou realmente teriam sido escritas por Mariana e traduzidas para o Francês e posteriormente publicadas? A corrente francesa defende que tudo não passava de um golpe de marketing do autor e editor. Em 1990, a autoria das cartas teria sido atribuída ao Marquês D’Argens ou Jean-Baptiste de Boyer. Já a corrente portuguesa, defende que Mariana Alcoforado era a remetente das cartas.
A versão portuguesa é a mais aceita e difundida no mundo. Tal posicionamento é resultado de alguns indícios e comprovações, o primeiro deles é o de que Mariana Alcoforado verdadeiramente existiu, viveu no convento de Nossa Senhora da Conceição, da ordem de Santa Clara e teria morrido no dia 28 de julho de 1723, também em Beja, aos 83 anos de idade, outro é a sintaxe presente nas cartas que apontam majoritariamente para sintaxe portuguesa na tradução francesa, apontando para uma tradução literal.

Opinião Pessoal: Ao ler as cartas de Mariana Alcoforado, o primeiro pensamento de um leitor desavisado provavelmente seria de que as cartas se tratavam de uma história ficcional. A escrita ornada e eloquente encontrada nas cartas incita-nos a jamais pensar que as cartas teriam sido escritas ao calor do momento e não pelo desejo de fazer articuladamente uma boa literatura.
Sua voz seria um dos mais belos gritos da paixão ardente e de uma personalidade sensível e intempestiva que se harmoniza tão bem com o Barroco vigente em sua época. Pode-se pensar, entretanto, que as cartas não são literatura por serem relatos reais. Mas não é a literatura a arte de escrever de forma que, articulando e tensionando a linguagem, as palavras passem a possuir o maior grau de significação e beleza poética? Sendo assim, as cartas são literatura, são o fazer arte com as palavras. Qualidade, esta, que Mariana soube articular com muita precisão e engenho. As cartas, durante o Barroco, configuraram um gênero comum à época: epistolografia. Na antiguidade clássica, a epistolografia era bastante comum entre os escritores, Sêneca, Platão e Cícero são exemplos dos que muito se valeram do gênero escrevendo tratados filosóficos para destinatários existentes ou não, exercitando, assim, o diálogo de suas filosofias. No Barroco, o gênero está em uma posição de destaque, tratando, principalmente, de temas religiosos, tal qual era comum também aos apóstolos. Mariana, entretanto, se dedica às cartas confessionais de amor privadas que se tornariam públicas. Nelas, a autora busca contato com o seu amado e, após perceber, durante a terceira carta que vivenciava um amor unilateral, poderemos encontrar resquícios de um amor nunca concretizado e tão dual quanto Barroco.

Para ler as cartas de Mariana Alcoforado, clique aqui.

Mariana Bandeira

Mariana Bandeira

Se forma em Letras - Português no primeiro semestre de 2015 (graças a Deus!) e tenta conciliar o TCC, seus alunos, as vinte séries que assiste e os milhares de livros que lê com sua vontade de transformar o mundo em lugar melhor através da educação e o livro que escreve desde 2011.
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