Homens Sem Pátria.

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Um homem não é um homem sem sua pátria.
Não passa de um corpo trafegante por ruas, por sinais, atravessando mapas, cruzando fronteiras, sem nunca encontrar sua paz.
O homem sem pátria é um incapaz.
Incapaz de encontrar-se, de olhar-se no espelho e reconhecer quem se tornou. Nenhum homem é o mesmo com a recordação da terra que abandonou.
O homem sem pátria se debruça sobre músicas de sua antiga região, mantém deliberadamente o sotaque, vive de fotografias e memórias esparsas, mas nada disso passa de algo que já foi tão concreto e real.
O homem sem pátria é uma farsa.
Ele pode perder a mulher amada, os pais, os amigos e ver-se em completa solidão. Mas nenhuma dor é uma dor maior do que a do homem que não sente seus pés sobre o próprio chão.
O vazio que sente um homem sem pátria sequer tem comparação.

Nesta terra mecânica, em plena era eletrônica, pertencemos à casas, não a lugares; pertencemos a aparelhos que nos transportam magicamente a um novo sitio num clicar de dedos. Mas o vazio, essa sombra invisível que por todo organismo se espalha, permanece, permeia; não importa o que nossos olhos encontrem, nada é o bastante se aquilo o coração não anseia.
Somos todos homens sem pátria, sem chão, sem lar. Vagamos pelo mundo em questão de minutos, entretanto, não pertencemos a nenhum lugar.
Somos todos 7 bilhões de homens sem pátria… E ainda não descobrimos para onde queremos retornar.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). Quer ser escritora e viver de fazer Literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 16 páginas escritas)
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