Meus 9 Trechos Favoritos De “O Morro Dos Ventos Uivantes”.

O-Morro-dos-Ventos-Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes conta uma história de amor, mas isso não quer dizer que o livro seja sobre o amor em sua plena forma. Somos apresentados à história de Heathcliff e Catherine, um homem ruim e uma mulher egoísta, que têm o amor como a única coisa que os redime. Os trechos que foram separados nessa coletânea são alguns dos meus momentos favoritos da história (que é um dos meus livros favoritos) e deixarão explícitas as facetas dessas personagens.

1. “Ele… completamente sozinho! Nós dois… separados! – exclamou ela, indignada. – E quem vai nos separar, não me dirás? Quem tentar terá o destino de Milo! Não enquanto eu for viva, Ellen… nenhum mortal vai conseguir isso. Mais depressa sumiriam da face da Terra todos os Linton do que eu permitiria separar-me do Heathcliff”

2. “Não sei como explicar, mas certamente que tu e toda a gente têm a noção de que existe, ou deveria existir, um outro eu para além de nós próprios. Para que serviria eu ter sido criada se apenas me resumisse a isto? Os meus grandes desgostos neste mundo foram os desgostos do Heathcliff, e eu acompanhei e senti cada um deles desde o início; é ele que me mantém viva. Se tudo o mais perecesse e ele ficasse, eu continuaria, mesmo assim, a existir; e se tudo o mais ficasse e ele fosse aniquilado, o universo se tornaria para mim uma vastidão desconhecida, a que eu não teria a sensação de pertencer. O meu amor pelo Linton é como a folhagem dos bosques: irá se transformar com o tempo, sei disso, como as árvores se transformam com o inverno. Mas o meu amor por Heathcliff é como as penedias que nos sustentam: podem não ser um deleite para os olhos, mas são imprescindíveis. Nelly, eu sou o Heathcliff. Ele está sempre, sempre no meu pensamento. Não por prazer, tal como eu não sou um prazer para mim própria, mas como parte de mim mesma, como eu própria”

3. “- Deves estar possuída pelo diabo – continuou ele, desvairado, – para falares comigo nesse tom, quando estás à beira da morte! Já pensaste bem que toda essas palavras vão ficar gravadas na minha memória, consumindo-me a alma eternamente depois de tu morreres? Sabes que mentes quando afirmas que fui em quem te levou a esse estado deplorável. E também sabes, Catherine, que, enquanto eu viver, jamais te esquecerei! Não será suficiente para o teu egoísmo atroz saberes que, enquanto descansas em paz, eu sofrerei os tormentos do inferno?”

4. “- Mostraste-me agora o quão cruel tens sido. Cruel e falsa! Por que me desprezaste, Cathy? Por que traíste o teu próprio coração? Não tenho sequer uma palavra de conforto para dar. Tu mereces tudo aquilo por que estás passando. Mataste a ti própria. Sim, podes beijar-me e chorar o quanto quiseres. Arrancar-me beijos e lágrimas. Mas eles vão te queimar e serás amaldiçoada. Se me amavas, por que me deixaste? Com que direito? Responde-me! Por causa da mera inclinação que sentias pelo Linton? Pois não foi a miséria, nem a degradação, nem a morte, nem algo que Deus ou satanás pudessem enviar, que nos separou. Foste tu, de livre vontade, que o fizeste. Não fui eu que despedacei teu coração, foste tu própria. E, ao despedaçares o teu, despedaçaste o meu também. Tanto pior para mim, que sou forte e saudável. Se eu desejo continuar a viver? Que vida levarei quando… Oh! Meu Deus! Gostaria tu de viver com a alma na sepultura?”

5. “Mas o que não associo eu a ela? O que não a traz à minha memória? Se olho para estas lajes, vejo nelas gravadas as suas feições! Em cada nuvem, em cada árvore, na escuridão da noite, refletida de dia em cada objeto, por toda a parte eu vejo a sua imagem! Nos rostos mais vulgares de homens e de mulheres, até as minhas feições me enganam com a semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de testemunhas de que um dia ela realmente existiu e a perdi para sempre!”

6. “- E você supõe que ela me esqueceu? Oh, Nelly! Você sabe que isso não é verdade! Sabe, tão bem quanto eu, que a cada pensamento que ela gasta com Linton, gasta mil comigo! No período mais triste da minha vida eu também pensava assim, e isso ainda me assustava quando voltei para cá no verão passado. Mas só uma confissão dela me faria admitir essa ideia horrível outra vez. E então Linton não seria mais nada, nem Hindley, nem todos os sonhos que já sonhei. Duas palavras apenas representariam o meu futuro: morte e inferno. A vida, depois de perdê-la, seria um inferno. Ainda assim, fui tolo o bastante para imaginar por um momento que ela valorizasse mais o amor de Linton do que o meu. Mesmo se ele a amasse com todas as forças da sua pessoa mesquinha, nem em oitenta anos poderia amá-la tanto quanto eu a amo num único dia. E o coração de Catherine é tão profundo quanto o meu: é mais fácil o mar caber inteiro naquela gamela, do que todo o seu amor ser monopolizado por ele. Ah! O lugar que ele ocupa na feição de Cathy é só um pouco melhor do que o do seu cachorro, ou do seu cavalo. Não é da natureza dele ser amado como eu sou: comoela poderia amar nele aquilo que ele não possui?”.

7. “A pólvora permaneceu tão inofensiva quanto areia, porque nenhum fogo chegou perto para fazê-la explodir”.

8. “- Beija-me e não me deixes ver os teus olhos! Perdoo-te o mal que me fizeste. Eu amo quem me mata. Mas… como poderei perdoar quem te mata?”.

9. “Nunca lhe confessei o meu amor com palavras, mas se os olhos falam, o último dos tolos poderia verificar que eu estava totalmente apaixonado. Ela por fim compreendeu e por sua vez me lançou um olhar… o mais doce de todos os olhares imagináveis”.

Mariana Bandeira

Mariana Bandeira

Se forma em Letras - Português no primeiro semestre de 2015 (graças a Deus!) e tenta conciliar o TCC, seus alunos, as vinte séries que assiste e os milhares de livros que lê com sua vontade de transformar o mundo em lugar melhor através da educação e o livro que escreve desde 2011.
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