O Balão.

o balão

 

O fitilho escorrega da mão
Vai subindo
Vai subindo
Vai subindo o balão.

A menina grita
Chora
Briga
Deita no chão
Enquanto vai subindo
Vai subindo o balão.

Pequenas pernas não conseguem pular
Por mais que tente, o balão
Não consegue alcançar
Foi apenas um segundo
Um segundo a brincar
E agora o balão sobe
Sobe
Sobe sem parar.

Ela sabia
Não seria para sempre
Balões minguam,
Murcham
Morrem
Sobre o chão a esvaziar.
Balões viram ar
Quando deixam o ar entrar.

Isso muito não poderia durar
Mas todos pecamos pela mania de sonhar.
Ela e o balão, lado a lado
Juntos deveriam estar.
Em poucos ou longos dias
O veria acabar
Gradativamente
Numa despedida comovente
Até o tempo os separar.

Mas o fitilho escorregou
Antes que uma história de amor
Pudesse começar.

Bonitas esperanças
Flutuando pelo ar
Sonhos de criança
Sempre tem prazo pra acabar.

Ela ainda permanece
Exatamente no mesmo lugar
Enquanto o balão sobe
Para nunca mais voltar.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). Quer ser escritora e viver de fazer Literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 16 páginas escritas)
Cuera

Comments

comments

responses to “O Balão.” 3

  1. Adorei o poema!! Retrata a ruptura de nossas ilusões, às quais, muitas vezes, nos apegamos veementemente tal qual a menina, porém nunca devemos deixar de querer um outro balão que nos dê um novo motivo para contemplar a imensidão do céu…

  2. Que leitura mais sublime! Nostálgica e deliciosa. Foi como me ver pequenininha na praça olhando meu balão se tornar um pontinho branco no céu e subir, subir, sumir. hahaha Além de todas as outras possíveis interpretações… Adorei. <3

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado.