Por Que Nosso Futuro Depende de Bibliotecas, de Leitura e de Sonhar Acordado.

Neil Gaiman

Neil Gaiman é um escritor inglês de bastante sucesso. Seus livros são vendidos ao redor do mundo e algumas de suas obras já se tornaram filmes. Ele já até foi homenageado pelo site como “Escritor da Semana”.
Uma das características de Neil Gaiman é o seu incansável incentivo à literatura. Gaiman roda ao mundo para palestrar sobre tudo que envolve letras e leitura. Escreve artigos, discursa em formaturas de universitários e até dá aulas de escrita criativa em uma faculdade nos Estados Unidos. Como todo amante da palavra, Neil Gaiman sabe o quanto um livro, o quanto a educação faz toda e completa diferença na vida de um ser humano e de seus país.
Em uma palestra à Reading Agency, um projeto britânico independente de caridade que ajuda crianças e adolescentes carentes no incentivo à leitura, Neil Gaiman fala sobre a importância das bibliotecas, conta um pouco sobre como o seu amor para com os livros se iniciou e faz um discurso brilhante sobre a importância do incentivo à leitura, principalmente em relação às crianças.
É um texto grande e a tradução não foi feita por mim ( a belíssima tradução foi feita pela Dora Steimer, do blog Index-a-Dora).
São palavras para incentivar, não só àqueles que estão se iniciando no mundo literário, mas também a nós, que participamos deste mundo e temos a obrigação de divulgarmos cada vez mais essa parte tão rica e imprescindível de nossa educação.

Todos nós – adultos e crianças, escritores e leitores – temos a obrigação de sonhar acordado. Temos a obrigação de imaginar. É fácil fingir que ninguém pode mudar coisa alguma, que estamos num mundo no qual a sociedade é enorme e que o indivíduo é menos que nada: um átomo numa parede, um grão de arroz num arrozal. Mas a verdade é que indivíduos mudam o seu próprio mundo de novo e de novo, indivíduos fazem o futuro e eles fazem isso porque imaginam que as coisas podem ser diferentes.
Olhe à sua volta: eu falo sério. Pare por um momento e olhe em volta da sala em que você está. Eu vou dizer algo tão óbvio que a tendência é que seja esquecido. É isto: que tudo o que você vê, incluindo as paredes, foi, em algum momento, imaginado. Alguém decidiu que era mais fácil sentar numa cadeira do que no chão e imaginou a cadeira. Alguém tinha que imaginar uma forma que eu pudesse falar com vocês em Londres agora mesmo sem que todos ficássemos tomando uma chuva. Este quarto e as coisas nele, e todas as outras coisas nesse prédio, esta cidade, existem porque, de novo e de novo e de novo as pessoas imaginaram coisas.
Temos a obrigação de fazer com que as coisas sejam belas. Não de deixar o mundo mais feio do que já encontramos, não de esvaziar os oceanos, não de deixar nossos problemas para a próxima geração. Temos a obrigação de limpar tudo o que sujamos, e não deixar nossas crianças com um mundo que nós desarrumamos, vilipendiamos e aleijamos de forma míope.
Temos a obrigação de dizer aos nossos políticos o que queremos, votar contra políticos ou quaisquer partidos que não compreendem o valor da leitura na criação de cidadãos decentes, que não querem agir para preservar e proteger o conhecimento e encorajar a alfabetização. Esta não é uma questão de partidos políticos. Esta é uma questão de humanidade em comum.
Uma vez perguntaram a Albert Einstein como ele poderia tornar nossas crianças inteligentes. A resposta dele foi simples e sábia. “Se você quer que crianças sejam inteligentes”, ele disse, “leiam contos de fadas para elas. Se você quer que elas sejam mais inteligentes, leia mais contos de fadas para elas”. Ele entendeu o valor da leitura e da imaginação. Eu espero que possamos dar às nossas crianças um mundo no qual elas possam ler, e que leiam para elas, e imaginar e compreender.”

 

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). Quer ser escritora e viver de fazer Literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 16 páginas escritas)
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