Escritor 25 – Clarice Lispector

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Clarice Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de 1920, na cidade de Chechelnyk, na Ucrânia. Chegou ao Brasil com 1 ano e dois meses de idade e foi naturalizada brasileira.
Clarice Lispector começou a escrever logo que aprendeu a ler, na cidade de Recife, onde passou parte da infância no bairro de Boa Vista. Falava vários idiomas, entre eles o francês e o inglês. Cresceu ouvindo no âmbito domiciliar o idioma materno, o iídiche. Sua mãe morreu em 21 de setembro de 1930 (Clarice tinha apenas nove anos), após vários anos sofrendo com as consequências da Sífilis, supostamente contraída por conta de um estupro sofrido durante a Guerra Civil Russa, enquanto a família ainda estava na Ucrânia. Clarice sofreu com a morte da mãe, e muitos de seus textos refletem a culpa que a autora sentia e figuras de milagres que salvariam sua mãe.
Quando tinha quinze anos, seu pai decidiu se mudar para a cidade do Rio de Janeiro. Clarice estudou em uma escola primária na Tijuca até ir para o curso preparatório para a Faculdade de Direito. Foi aceita para a Escola de Direito na então Universidade do Brasil em 1939. Se viu frustrada com muitas das teorias ensinadas no curso, e descobriu um escape: a literatura. Em 25 de maio de 1940, com apenas 19 anos, publicou seu primeiro conto “Triunfo” na Revista Pan, de propriedade do editor José Scortecci.
Três anos depois, após uma cirurgia simples para a retirada de sua vesícula biliar, seu pai Pedro morre de complicações do procedimento.
Em 1943, no mesmo ano de sua formatura, casou-se com o colega de turma Maury Gurgel Valente, futuro pai de seus dois filhos. Maury foi aprovado no concurso de admissão na carreira diplomática, e passou a fazer parte do quadro do Ministério das Relações Exteriores. Em sua primeira viagem como esposa de diplomata, Clarice morou na Itália onde serviu durante a Segunda Guerra Mundial como assistente voluntária junto ao corpo de enfermagem da Força Expedicionária Brasileira.
Em 10 de agosto de 1948, nasce em Berna, Suíça, o seu primeiro filho, Pedro. Quando criança, Pedro se destacava por sua facilidade de aprendizado, porém na adolescência sua falta de atenção e agitação foram diagnosticadas como esquizofrenia. Em 10 de fevereiro de 1953, nasce Paulo, o segundo filho de Clarice e Maury, em Washington, D.C., nos Estados Unidos.
Em 1959 se separou do marido que ficou na Europa e voltou permanentemente ao Rio de Janeiro com seus filhos, morando no Leme. No mesmo ano assina a coluna “Correio feminino – Feira de Utilidades”, no jornal carioca Correio da Manhã, sob o pseudônimo de Helen Palmer. No ano seguinte, assume a coluna “Só para mulheres”, do Diário da Noite, como ghost-writer da atriz Ilka Soares.
Provoca um incêndio ao dormir com um cigarro acesso em 14 de setembro de 1966, seu quarto fica destruído e a escritora é hospitalizada entre a vida e a morte por três dias. Sua mão direita é quase amputada devido aos ferimentos, e, depois de passado o risco de morte, ainda fica hospitalizada por dois meses.
Foi hospitalizada pouco tempo depois da publicação do romance A Hora da Estrela com câncer inoperável no ovário, diagnóstico desconhecido por ela. Faleceu em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu 57° aniversário. Foi enterrada no Cemitério Israelita do Caju, no Rio de Janeiro, em 11 de dezembro. Até a manhã de seu falecimento, mesmo sob sedativos, Clarice ainda ditava frases para sua amiga Olga Borelli.

Biografia retirada do Wikipédia.

Principais Obras:

Laços De Família (1960)
A Paixão segundo G.H. (1964)
Água Viva (1973)
A Hora Da Estrela (1977)

Opinião Pessoal:

Sempre achei que um escritor para ser bom tem que nos fazer sentir. Depois de ter lido muitos livros na vida, me deparei, pela primeira vez, com um livro de Clarice Lispector. Era um livro que estava na lista dos pedidos para o vestibular e eu, como perfeita curiosa que sou, li ainda no primeiro ano. Afinal, naquela época Clarice Lispector já era uma citação doce aos dedos dos frequentadores de redes sociais e eu queria ler aquela mulher que parecia ter uma citação para tudo (mais tarde eu descobri que ela não escreveu tudo o que dizem, porém escreveu mais do lêem). Minha primeira impressão sobre ela foi que ela era desmedida, mas desmedida na medida certa. A literatura de Clarice é de confronto, de busca, de conhecimento, íntima, pesada, crua, real, poética, singular. Revigora os ossos, esquenta o sangue, toca na alma.
Eu lembro que, em uma entrevista, ela contou que assim que ela foi publicada, não foi um sucesso de crítica, ridicularizaram seu livrinho, mas uma jovenzinha, de uns 20 anos, lhe disse que aquele havia sido o livro da vida dela. Acho que isso explica muito bem a literatura de Lispector: foi feita para os que leem querendo sentir e não entender. É nesse ponto que reside a magia.

Mariana Bandeira

Mariana Bandeira

Se forma em Letras - Português no primeiro semestre de 2015 (graças a Deus!) e tenta conciliar o TCC, seus alunos, as vinte séries que assiste e os milhares de livros que lê com sua vontade de transformar o mundo em lugar melhor através da educação e o livro que escreve desde 2011.
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