Sobre Mortes, Sonhos e Realidades.

wind

Eu me lembro de tudo.
Lembro dos furinhos microscópicos de sua camisa pólo branca.
Lembro do seu cheiro que emanava dos furinhos microscópicos de sua camisa pólo branca.
Lembro de sua pele morena.
Lembro de seus braços envolvendo meu corpo nesta cama, afastando toda a dor existencial dentro de mim.
Lembro da sensação de abrigo que sentia na larga extensão deles, como se o mundo lá fora jamais pudesse me atingir.
Você estava ali.
Você era real… Mas não era!
Meu cérebro está brincando comigo?
Você partiu, você se foi!
Não há mais a pele morena, não há mais o abrigo!
Não há mais seu corpo, mas ainda há você!
Não há?
Tem de haver!
Estico meus braços na direção do vento, esperando sentir seu cheiro ou tocar seu rosto através do ar.
Mas acordada é em vão.
Você nunca está.
Nossa imagem vai desaparecendo como a luz fraca de uma vela prestes a se extinguir.
Sua memória é como o fogo: vai apagando, morrendo, até não mais existir.
Mas é só fechar os olhos à noite e você está ali.
Diga, como pode não mais existir?
Você está comigo, eu sinto, eu sei.
Mas eu acordo… Então não sei!
E passo o dia com uma interminável sensação de vazio, com a revolta por acordar e seu corpo desaparecer.
Meu cérebro está mesmo brincando comigo?
Porque ao despertar de seu sonho, eu não sei mais o que fazer.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). Quer ser escritora e viver de fazer Literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 16 páginas escritas)
Cuera

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