Sobre Máscaras e Vulnerabilidades.

masca

Eu não te reconheço mais.
Olhando para trás, olhando seis anos atrás, era diferente. Pode parecer óbvio, pois todas as pessoas mudam. Mas acho que o problema é quando elas mudam em direção opostas. Quando mudam em direção opostas enquanto estão juntas.
Eu olho para você e não é você.
Não é seu nome, não é sua aparência, não é seu sorriso.
Não é você.
Não é a gente.
Seus fantasmas acabaram te deformando. Eu sempre estive aqui para ajudá-lo a combatê-los, mas você sempre preferiu fazê-lo sozinho. Eu disse que sempre estaria aqui, eu permaneci, mas você nunca me procurou.
Um dia eu prometi que nunca iria embora e que você sempre poderia contar comigo. E isso é verdade.
Ainda.
Estamos juntos, mas estamos separados. Você pode continuar contando comigo para qualquer coisa (apesar de nunca tê-lo feito), mas eu não posso mais continuar esperando algo em troca.
Nenhum coração aguenta, nenhum amor aguenta, nenhum relacionamento aguenta. A promessa está aqui, eu estou aqui, você pode sempre vir quando quiser, sempre te receberei de braços abertos. Mas não significa que irei fazer a mesma coisa. Não significa que irei pedir-te ajuda, que pedirei para que me ajude a lutar com meus fantasmas também. Não que eu não acredite que você me deixaria só, que você me deixaria largada deliberadamente para enfrentar tudo o que temo. O problema é que você é você demais para ser, nem que seja um breve momento, um pouquinho eu. E você me deixou isolada por tanto tempo que, no fim das contas, acabei aprendendo que posso fazer isso sozinha. Que posso viver sozinha.
O seu corpo está aqui, a matéria está presente, mas nunca o que eu mais precisei de você, o que eu realmente quis de você: Seus sentimentos. Seus medos. Suas angústias.
Sentir é tão assustador assim para você que precisa isolar todas as pessoas que te amam a fim de manter uma imagem de pessoa forte para si mesmo? É tão ruim assim admitir que uma lágrima possa cair de vez em quando?
Ser forte é reconhecer as fraquezas quando a situação pede. E pelo que eu tenho visto até agora, durante todos esses anos, apenas encontro alguém mais frágil e carente do que qualquer outra pessoa.
E me dói. Me dói muito.
Eu olho em sua direção, olho toda essa sua máscara, toda essa sua pseudo-força e me dói. Porque eu sei que é mentira. Porque eu sei que essa mentira existe desde antes de eu cruzar seu caminho e machuca ver alguém que amo tanto vivendo uma vida de fachada. Uma vida de sorrisos ao dia e lágrimas à noite.
Acha que se esconde de mim ao mentir, ao virar a cara, ao ir embora. Você pode fazê-lo se quiser. Já aprendi que é impossível segurar alguém ao meu lado se essa pessoa não quer estar segura, não importa o que eu diga, não importa o que eu faça.
Você pode ir se quiser e, eu prometo, vou ficar bem. Eu sempre fico no final. Você pode ir embora ou simplesmente continuar fingindo o que quer que você esteja fingindo, mas eu vejo através de você.
Mesmo longe, mesmo com a distância que você provocou, eu vejo.
Mesmo quando você está sorrindo, eu vejo quando você não está.
Mesmo quando você diz estar feliz, eu vejo quando você não está.
Mesmo quando você está aqui, eu vejo quando você não está.
Eu não sei quantas pessoas você consegue enganar ao seu redor, mas não pense que sou uma delas.
A sua dor me faz sofrer. Porque é extremamente ruim perceber o quanto você vem se matando diariamente ao acreditar que realmente pode aguentar tudo sozinho.
Você me subestima.
Acha que pode me ignorar e me deixar sempre que sentir vontade, porque sempre estarei aqui quando você voltar.
São seis anos.
São seis anos em que você vem fazendo isso.
São seis anos em que eu venho fazendo isso.
Eu quis dizer cada palavra quando expressei todo o meu amor e tudo o que eu seria capaz de fazer.
Eu quero estar aqui até o fim. Mas eu não sou à prova de balas. Muito pelo contrário.
Eu sou quase uma esponja, eu absorvo tudo.
Eu absorvo tudo, até você.
Você com suas dores, seus fantasmas, suas questões insolúveis, o vazio negro dentro de si.
E tenho muito, muito medo do que será de nós dois quando eu finalmente explodir.
Porque você sempre me manda esquecer.
Qualquer questão, qualquer resolução, qualquer emoção… Você me manda esquecer.
Somos adultos.
É só esquecer.
Não é só isso que você tem a dizer?
É só esquecer.
E, no fim de tudo, é muito triste perceber que não há mais nada que eu possa fazer.

Cuera

Cuera

Carioca de nascimento e mineira de alma. Coleciona um pouco de tudo: séries, livros, filmes, cadernos, memórias, objetos inúteis e até horas infinitas de procrastinação (provavelmente estará no programa “Acumuladores” no futuro). Quer ser escritora e viver de fazer Literatura (isso se o livro que está escrevendo sair algum dia das 16 páginas escritas)
Cuera

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